Capa do Romance Um amor de ceo

Um amor de ceo

9.2 / 10.0
Cansada de se sentir sufocada, Nina Kovac, uma mulher de 25 anos com temperamento forte, busca um recomeço na vibrante Vila Madalena. No entanto, sua paz termina ao cruzar o caminho de Theo Callas, um CEO arrogante e impulsivo. O encontro desastroso gera uma antipatia imediata entre a jovem decidida e o executivo prepotente. Em meio a brigas e faíscas, esses dois mundos opostos se colidem, revelando uma trama de paixão e intrigas onde o ódio e a atração caminham lado a lado.

Um amor de ceo Capítulo 1

Q uerem saber de um segredo? Minha antiga vida já era. Isso mesmo! Já era... Ela foi DEMITIDA sumariamente quando resolvi me rebelar e mudar radicalmente tudo. Tudo, menos eu claro, porque me gosto... Muito. Não que seja do tipo egocêntrica ou me ache perfeita, nada disso... Só não me abalo por qualquer coisa e por força das circunstâncias, aprendi a me virar sozinha... E, acho que o melhor sempre estará por vir, mas não acredito em contos de fadas... Ah, não mesmo. Diga-me onde os príncipes estarão e correrei na direção contrária. Então óbvio, a demitida foi a outra. Aquela EU que começou a aparecer sem ser convidada refletida no meu espelho. Uma intrusa sufocada e sem brilho, que todos queriam que eu fosse, mas me recusei a ser. Desculpem, era ela ou eu... Viver ou sofrer... Então, mandei-a para as cucuias junto com todo o resto… Cidade, parentes malucos e um relacionamento doentio. Sinto pela cidade, amo Curitiba, mas não há batalha sem perdas. Não me arrependo e foi libertador, embora os mais próximos digam que enlouqueci... Mas, muita calma nesta hora. Não virei uma louca impulsiva, ingrata e abandonadora de lares como alegam. Ao contrário, estou bem lúcida. Só lembrei que para ser feliz, preciso gostar de mim, me cuidar e principalmente, gostar de quem também gosta de mim. Simples assim. Eles é que não enxergaram os sinais ou não quiseram enxergar. O que foi uma pena! Porque a mudança de atitude foi tão óbvia. Fruto de uma decisão pensada, repensada e pensada novamente. Primeiro, resgatei minha força interior, amor próprio e determinação. Estudei, formei-me, consegui um emprego e juntei um dinheiro. Depois... Aproveitei uma pulada de cerca das boas para exigir minha liberdade e paguei caro por ela. E agora, apenas aceitei um empurrãozinho do destino... A empresa na qual trabalhava foi vendida para uma outra aqui em São Paulo, a Callas Corporation ou a C&C... Só aproveitei e mudei junto com ela de mala e cuia. Segui as únicas coisas que me dão esperança e segurança: meus sonhos e o meu emprego. Dei duro por ele, preciso dele e amo o que faço. Jamais iria demiti-lo. Bom... Essa sou eu em minha nova vida. Nina Kovac, vinte e cinco anos: quase falida, solteira e feliz como nunca estive. Morando e trabalhando em São Paulo, há dois meses, em um bairro antigo, arborizado e charmoso... A Vila Madalena [1] . Um lugar gostoso cheio gente, lojinhas, cafés, livrarias, restaurantes e bares. Pacato de dia e boêmio nas noites agitadas. Pura sorte, eu diria. Consegui logo de cara, um apartamentinho charmoso em cima de um restaurante italiano familiar, o Vincenzo. Pequeno: quarto, sala, cozinha e banheiro. Eu me apaixonei pela banheira antiga, pela varanda-laje [2] e amei a privacidade. A entrada é independente, pelos fundos do restaurante que por sinal, tem um quintal-jardim não utilizado. Simplesmente perfeito para uma pessoa que trabalha como paisagista e vive entre projetos, flores e plantas. Passei meus primeiros finais de semana na cidade ajeitando o lugar. Ficou lindo... Outra cara, outra vida! Deus, como estou amando tudo isto ! Minha nova casa fica a quatro quadras do meu emprego. O que convenhamos, é uma mão na roda... Já que, o quase falida inclui não ter rodas. Isto mesmo minha gente, nada de carro para mim. Meus pés são meu transporte. Tenho evitado pegar o busão lotado, como chamam o ônibus cheio por aqui. A experiência foi terrível, minha bunda parecia pista de aterrissagem para mãos bobas. Preciso lembrar de nunca ficar virada para o corredor do ônibus e sorrir para estranhos... ●●● ● ● ● ●●● Sábado bem cedinho e já estou de pé, pronta para o batente. Nada de reuniões com clientes engomadinhos, é dia de pôr a mão na terra. Empolgada, visto meu uniforme básico: macacão jeans velho e largo, uma regatinha branca, porque está calor, tênis surrados e o chapéu de panamá que era do meu pai. Carrego na dose de protetor, não existe nenhuma possibilidade de ficar embaixo deste sol de verão sem proteção. Simplesmente torraria e minhas sardas ganhariam companhia. Desço a escada lateral do apartamento. A esta da hora da manhã, o Vincenzo ainda está fechado, mas já escuto o bate panelas vindo da cozinha, o que indica que a preparação do almoço está a todo o vapor. Passo rapidamente pelo jardim e saio pela lateral do prédio. Morando sozinha e com um orçamento apertado, a melhor opção é tomar o café na rua. Atravesso a alameda silenciosa e vou em direção ao Café Bar Estrela. Um lugar charmoso e aconchegante que pertence às filhas de Vincenzo, Estrela e Jasmim. Elas são legais, animadas, loucas e têm me ajudado muito neste período de adaptação. Arrisco dizer que já viramos amigas. Gosto disso, não tinha muitos amigos em Curitiba. Não por opção, amo as pessoas, rir e conversar, mas com o Bernardo isto era simplesmente impossível, mesmo depois da separação. Era ele me ver papear com alguém e começar uma cena. Meu único refúgio foi a universidade, isto é, até meu ex começar a dar umas incertas por lá também. Se querem um conselho meninas... Nada de querer se envolver tão novinhas com alguém. Namorem, divirtam-se e aproveitem a vida. Conheçam bem o cara antes de se jogar de cabeça. Deus nos livre de ir assumindo um compromisso com a primeira promessa de príncipe que aparecer. Desconfiem da perfeição, pode ser só um sapo disfarçado. Iludi-me completamente por Bernardo. Na verdade, era muito ingênua e aos dezoito anos, mal tinha dado uns beijos na boca. Aí, reaparece um Bernardo Fontes na minha frente. Loiro, alto, lindo e musculoso. Irmão de uma amiga de infância, paixonite antiga de menina. Dez anos mais velho que eu, todo galante e de fala envolvente... Recém-chegado de Nova Iorque e aparentemente louco por mim. Estava feita a desgraceira... Cai feito patinho e por muito tempo, acreditei estar realmente apaixonada. Acho até que o amei... Ou não. Sei lá... Já não sei mais como definir aquele sentimento. Nosso primeiro ano juntos foi um sonho e ele foi meu primeiro quase tudo. Minha primeira paixão, meu primeiro namorado, amante e meu pior algoz. O único e último homem que eu deixei me tratar como nada. Ding dong... O sensor na porta avisa que estou entrando no café. — Bom dia! — sorrio e cumprimento a todos sem me fixar em alguém. Vou direto para o balcão e vejo uma cabeça morena submergir como um submarino. — É você! Ai, graças a Deus! Uma muito agitada Jasmim olha para os clientes e faz sinal para que eu venha para trás do balcão. Vou guiada pelo aroma delicioso do café fresquinho, que brota de uma das máquinas expresso. Estranho a presença dela, pois este é o turno de sua irmã mais velha, Estrela. A caçula de Vincenzo sempre assume à noite, quando o lugar já se transformou em barzinho. — Que cara de desespero é essa? Quedê [3] a Estrela, Guria [4] ? Jasmim revira os olhos, alcança uma pilha de xícaras e apoia o quadril no balcão. — Os dentinhos da Luar estão nascendo, a pobrezinha passou a madrugada toda chorando. Daí a Estrela me pediu para abrir. — coloca os cafés recém tirados na bandeja indo entregar em uma mesa perto da janela. Volta fazendo careta e entendo seu drama. A coitada está com uma cara péssima, provavelmente, mal teve tempo de pregar os olhos. Ela tem olheiras e seus longos cabelos encaracolados estão em um bagunçado coque, preso por uma caneta. Ooook! Não me custa nada retribuir a hospitalidade. — Escutê Jasmim, tenho que encontrar o pessoal da manutenção só daqui a uma hora. Se quiser, posso te dar uma mãozinha. Onde arrumo um avental fofo como esse? Minha amiga sorri lindamente como se eu fosse a salvação da lavoura, depois abre uma gaveta, retira um avental limpo e me entrega. — Não sei nem como te agradecer, Polaca [5] . Minha praia são os petiscos da noite, não tenho nem ideia de como fazer este tal de crepe, que tem no cardápio de sábado. Solto uma gargalhada, há muito tempo não me chamavam de Polaca. Fazer o quê? Sou descendente de alemães com poloneses, uma coisa loira e branquela mesmo. Visto o avental e enfio meus cabelos presos por uma trança lateral dentro do chapéu. — Está com sorte, minha avó me ensinou a cozinhar de tudo um pouco. Venha e parê de drama, Guria! Mostre onde guarda as coisas na cozinha. Meia hora depois, a massa para uns cinquenta crepes está pronta. Aproveito e faço também uma leva de bolinhos de baunilha. Logo, um aroma adocicado de massa assando invade o lugar. Saio da cozinha e vou até o balcão para ser útil em mais alguma coisa.

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