Capa do Romance ALICE - A DESCOBERTA

ALICE - A DESCOBERTA

9.1 / 10.0
Neste segundo volume, Janaína mergulha em uma fase de descobertas intensas ao vivenciar a complexidade de um grande amor. Enquanto experimenta a paixão, ela precisa aprender a lidar com as angústias e os sentimentos contraditórios que surgem em um relacionamento cercado por segredos. Paralelamente aos desafios sentimentais da protagonista, a trama atinge um ponto crucial quando Alice finalmente consegue desvendar o mistério sobre a identidade de seu pai.

ALICE - A DESCOBERTA Capítulo 1

NARRAÇÃO JANAÍNA

Renato abre a porta para sair e algo em mim se desespera. Não sei ao certo o que sinto, só sei que não quero que vá embora. Minha mão empurra a porta da mão dele, que se fecha com tudo. Agradeço por estar atrás de seu corpo agora para pedir isso.

- Fica!

Nunca pedi para um homem ficar comigo. Nunca quis que um homem ficasse ao meu lado como desejo que Renato fique. Isso me assusta. Isso mostra que ele está certo. Já criamos um vínculo, um sentimento, uma necessidade um do outro. Ele não se mexe ou responde.

- Fica comigo!

Escuto seu suspiro pesado.

- Você quer que o meu pau fique ou quer o homem que te deseja e quer ser seu?

Respiro fundo e ando até sua frente. Renato me olha como se quisesse entrar em meus pensamentos e decifrar minhas loucuras. É assim que me sinto em seu olhar. Uma louca cheia de paranóias e que vive em seu mundo de forma estranha.

- Quero que fique e converse comigo. Quero agora um amigo que me escute e tente me entender. Você tem uma visão de um mamute sem coração, mas não faz idéia de como me tornei assim. Não sabe nada sobre mim, meus medos e minhas inseguranças. Está disposto a entrar na minha vida a força, mas não está se importando de como isso pode me causar pavor, medo.

Viro e fecho a porta. Volto a encará-lo e sem dizer mais nada, pego sua mão e o arrasto para o meu quarto. Renato me segue sem dizer nada, o que é bem anormal. Ele hoje parecia cheio de razão e foco em me calar. Entramos em meu quarto e fecho a porta.

- Deita na cama!

Ele tenta não sorrir.

- Vou deitar de roupa.

Reviro meus olhos.

- Tire pelo menos os sapatos.

Enquanto ele retira os sapatos, pego uma camisola na gaveta e tiro meu roupão. Quero rir ao ouvi-lo resmungar que é sacanagem. Visto a camisola e deixo o roupão na cadeira.

- Podia ter me pedido pra virar.

- Podia ter virado sem eu pedir.

Nos encaramos querendo rir.

- Deita!

Ordeno e vou para a cama. Nos deitamos e ficamos frente a frente. Puxo a coberta e nos cubro.

- Assim vou dormir.

Resmunga se aconchegando mais.

- Ai não vai ouvir o mamute.

Respiro fundo e coloco minhas mãos embaixo do meu rosto.

- Meus pais sempre foram um casal seco. O típico casal que empurra o casamento com a barriga. Minha mãe era infeliz cuidando da casa e fazendo trabalhos informais de costura. Meu pai trabalhava fora até tarde todos os dias. Quando estava em casa era um posso de grosseria.

- Já sei de onde vem o seu lado mamute.

Olho pra ele brava.

- Desculpa! Pode continuar.

- Eu não sei o que é ser afetuosa ou receber afeto. Fui criada de forma seca, assim como minha irmã, mas Sophi tinha uma alma livre e corajosa. Ela queria viver, amar, curtir as coisas. Meu foco foi sempre trabalhar, estudar e ser alguém na vida para não depender nunca de ninguém.

- Conseguiu!

- Sim! Mas não foi fácil. Quando Sophi engravidou e contou aos meus pais, eles surtaram e a expulsaram de casa. Não pensei duas vezes a seguir com ela pra fora da casa dos meus pais. Ela precisava de ajuda e não podia lhe virar as costas.

- Isso é amor de irmã!

- Podia ser um pouco. Por outro lado também estava disposta a me livrar da vida infeliz com meus pais.

- Como foi com sua irmã?

- Difícil! Sophi tinha um emprego com renda pequena e o meu tinha que arcar com a minha faculdade e nas despesas com a gente.

- Tiveram problemas com dívidas?

- Não! Acumulei trabalhos extras e conseguimos até fazer o enxoval da Alice.

Um sorriso bobo cresce em meus lábios.

- Estava tudo pronto para receber a pintinha, quando minha irmã...

Paro de falar quando as memórias querem dominar minha mente.

- Quando Alice nasceu, descobri o significado da palavra amor. Amei e amo aquela pequena mais que tudo, mais que a mim mesma. Quero dar um mundo a ela e ao mesmo tempo protegê-la dele. Tenho medo que se machuque com pessoas ruins. Tenho medo de deixar alguém entrar na nossa vida e lhe causar traumas impossíveis de curar.

Renato ergue a mão e toca meu rosto.

- Sei que me disse mil vezes que nunca a machucaria, que seria incapaz disso. Minha missão nesse mundo é proteger a única pessoa que eu amei na vida. Tente entender o que eu seria capaz de fazer por ela.

- Abrir mão de um amor.

Responde e acho que consegue entender.

- Se esse amor puder de alguma forma machucá-la, a resposta é sim.

- Você não acha que está na hora de dividir essa função com alguém? Não acha que pode confiar em mim e me deixar te ajudar a protegê-la, assim como te proteger também?

- Eu não faço ideia de como é ser cuidada, porque até hoje eu só cuidei. Sophi e Alice foram minhas prioridades e nunca eu.

Seu corpo aproxima do meu e seu rosto está muito perto. Seus lábios quase tocam os meus.

- Me deixa cuidar de você.

Pede com a voz rouca que faz meu corpo arrepiar.

- Para de se armar contra mim. Apenas baixe a guarda e deixa as coisas acontecerem. Você sabe que já sente algo por mim, como sinto por você.

- Estou tentando! Nunca pedi pra alguém ficar. Nunca!

Sorri e me beija de leve nos lábios.

- Prometo tentar não te julgar e ter paciência!

Suas mãos me puxam para o seu corpo e meu rosto se enfia em seu peito. Renato me abraça de forma protetora.

- Mas preciso que pare de me expulsar de dentro de você. Uma hora vai conseguir isso e vou embora.

O aperto forte e o medo de novo dele ir me atormenta.

- Prometo que vou deixar tudo acontecer sem segurar ou impedir sentimentos. Vou tentar.

Sei que está sorrindo e isso me faz sorrir também.

- Ainda assim não vai ter sexo comigo hoje. Vou me fazer de difícil.

Fala todo fofo e tenho certeza que se isso é um relacionamento, ele é a mulher e sou o homem.

- Hoje vou te deixar em paz. Mas amanhã vai me aliviar desse tesão que me causou.

Beija minha cabeça e fecho meus olhos.

- Boa noite, mamute!

- Boa noite!

**********

NARRAÇÃO ALICE

Abro meus olhos e não vejo o tio Renato. Quem me colocou na minha cama? Não lembro de vir dormir no meu quarto. Olho minhas meias e fico feliz que mais uma vez eu não sonhei com coisas ruins. O sol na janela está bem forte. Já é bem de dia e isso é estranho. A mãedinda sempre me acorda antes do sol estar queimando minha cabeça. Será que eles sumiram e fiquei sozinha em casa? Eles foram embora e me deixaram em casa? Pulo da cama e pego meu Batman pra me proteger. Abraço ele bem forte e saio do quarto. A porta do quarto da mãedinda está fechada. Giro a maçaneta e ela abre. Entro no quarto e vou pra perto da cama dela. Olha só!

Eles estão dormindo abraçadinhos. Meu plano de unir os dois está dando certo. Cubro minha boca para minha risada feliz não acordar eles. Saio do quarto com a minha barriga roncando. Será que já está na hora de ir pra escola? Seria tão legal perder a escola hoje. Ficar com a mãedinda e o tio Renato. Pego meu cereal na mesa e vejo o celular da mãedinda. Posso aproveitar que eles estão dormindo e falar com o Paola. Estou com saudade dele. Pode me ajudar a saber se perdi a escola. Não quero acordar a mãedinda pra saber isso. Ela pode querer sair correndo atrasada e me levar. Deixar os dois dormindo é o melhor plano. Sento na cadeira e pego o celular. Passo o dedo na tela e vejo o negocio que tenho que apertar pra achar o Paola. Aperto o negocio e vejo uma monte de gente que mandou mensagem pra mãedinda. Muito embaixo eu acho o Paola. Aperto e aparece o lugar pra gente conversar. Aperto o botão que deixa eu mandar mensagem falada.

- Oh Paola! Preciso da sua ajuda. Quero saber se perdi a hora de ir pra escola. Não sei ainda ver relógio e lá fora está de dia. Mãedinda está dormindo com a Paulina e não quero que acordem. Não quero ir pra escola.

Solto o botão e espero ele responder. Ele demora demais.

- Paola, aqui é o Batman! Responde logo.

Mando mais uma mensagem e nada dele.

- Está dormindo com a moça sorridente e por isso não responde?

Espero e nada dele.

- ACOOOOOORRRRRDDDDDDAAAAAAA!

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