Capa do Romance A Outra Metade de Nós (PARAPLÉGICA)

A Outra Metade de Nós (PARAPLÉGICA)

7.9 / 10.0
O dia da minha formatura prometia ser o início de um sonho, mas um acidente trágico me deixou em uma cadeira de rodas. Mergulhada na amargura e sem esperanças, vi meu mundo desmoronar até a chegada de Alexander. Ele foi capaz de enxergar além das minhas limitações físicas, despertando sentimentos que eu julgava perdidos. Através desse amor profundo, redescobri meu propósito. Perdi o movimento das pernas, mas encontrei em Alexander a metade que finalmente me completou.

A Outra Metade de Nós (PARAPLÉGICA) Capítulo 1

18 de dezembro de 2014

— Parabéns aos formandos de 2014! — o reitor termina o discurso, me levanto com os outros alunos eufóricos e jogo a beca para o alto.

Um grande sorriso surge na minha face com a constatação de que eu conclui mais uma etapa na minha vida, agora eu sou oficialmente uma enfermeira assim como minha mãe.

Não foi difícil escolher qual carreira eu deveria seguir quando terminei o ensino médio, eu cresci vendo a minha mãe cuidando dos seus pacientes com calma e dedicação, e assim eu decidi seguir o seu exemplo, quero cuidar das pessoas quando elas necessitarem dos meus cuidados, fazer um bom trabalho para a cidade Southward Angel.

Pego a beca caída no chão e me embrenho entre os alunos, quando finalmente consigo me livrar da multidão eu avisto meu pai e minha mãe, ambos estão lado a lado com um sorriso gratificante no rosto me esperando.

— Você está tão linda minha Elle — meu pai sufoca-me em seu abraço, mas é uma ótima sensação tê-lo me esmagando, faz quase um mês que não o vejo.

— Estou com tanta saudade pai — minha voz embarga com os soluços recém-chegados na minha garganta, mas os contenho. Meu pai está há quase um ano longe de casa, meus pais decidiram se separar e eu desconfio o motivo, ambos não querem contar para mim, dói lembrar-me dos meus pais alegres, felizes e agora separados. As viagens constantes a trabalho do meu pai me impossibilitam de vê-lo com frequência, tenho certeza que essa é à razão da separação, mas não posso ter certeza, hoje a sua presença foi essencial e ele conseguiu vir, vê-lo aqui hoje foi de extrema importância para mim.

— Eu lhe disse que Elle sente a sua ausência Declan — mamãe o repreende, algumas coisas não mudam, é bom vê-los lado a lado novamente.

— Eu sei Emily, irei melhorar nessa questão — mamãe revira os olhos e tira-me dos braços do meu pai — Parabéns querida, eu estou orgulhosa, você se tornou uma linda e inteligente mulher — seguro as mãos de ambos e aperto sentindo o calor delas.

— Vocês são ótimos pais e juntos me transformaram na pessoa que sou hoje, obrigado — eles sorriem ternamente, sinto duas mãos grandes na minha cintura e não preciso me virar para saber quem é, meu Bad Boy decidiu finalmente vir atrás de mim.

— Sr. Jordan, Sra. Kane, boa tarde — Jason cumprimenta educadamente meus pais e encaro meu namorado, estamos juntos desde o começo desse ano, seus cabelos loiros e olhos verdes me cativaram, ele tem a famosa pinta de Bad Boy que muitas meninas costumam falar, seu corpo é musculoso, não é algo que chame muito a atenção, mas parece que um homem estudando engenharia atrai as mulheres.

— Jason, você irá almoçar conosco? — ele assente, Jason se formou hoje juntamente comigo depois de cinco anos estudando Engenharia elétrica, ele é um bom homem, mas às vezes sinto que somos incompatíveis mesmo que ele diga o contrario, Jason gosta de festas em casa de fraternidades, sair para boates e adora uma boa bebida alcoólica, enquanto eu gosto de ficar em casa lendo um livro, assistindo TV ou passar o dia ao lado da minha mãe no hospital para observar ela cuidando dos pacientes.

— Então vamos, fiz frango assado! — meu pai arregala os olhos e lambe os lábios fazendo-me rir, é obvio que ele sente falta da comida da mamãe, e talvez dela também.

***

— O que você planeja fazer agora que se formou Jason? — ouço papai perguntando da sala. No começo do ano, depois da separação eu e mamãe decidimos nos mudar para uma casa menor, encontramos uma casa com apenas um andar, no corredor se encontra dois quartos e um banheiro, a sala é no começo do corredor e assim consigo ficar atenta ao interrogatório do meu pai, caso ele faça uma pergunta constrangedora eu consigo chegar a tempo para impedir uma resposta mais constrangedora ainda.

— Provavelmente conseguir um emprego na minha área — ouço-o dizer, olho-me no espelho e retoco o brilho claro na cor salmão, depois de almoçarmos passamos a tarde conversando, mas a 18h00min Jason lembrou-me da festa de fraternidade, uma despedida dos formandos.

Ao olhar-me no espelho vejo uma garota sexy com um vestido vermelho um pouco acima dos joelhos e saltos da mesma cor, talvez hoje seja o dia que eu deva entregar a minha virgindade, mas muitas vezes eu travo e não consigo seguir adiante.

Suspiro e solto meu cabelo deixando-o formar ondas castanhas nas minhas costas, o brilho, a leve sombra e o blush deixou-me bonita, com a pele corada, pois sou muito branca, a maioria das pessoas ao me verem acham que eu sou anêmica, mas a minha pele está levemente irritada pelos produtos, já que utilizo maquiagem poucas vezes no ano.

Saio do meu quarto e encontro Jason nervoso olhando para papai, os dois levantam e andam até mim.

— Cuide da minha filha — Jason assente, o seu tique de ficar batendo o pé no chão me mostra o tamanho do seu nervosismo.

— Claro Senhor.

— Agora eu preciso ir Elle — concordo tristemente, a sua empresa de caldeiraria antes nacional virou internacional, o seu negócio cresceu exponencialmente lhe mantendo muito ocupado mais do que eu gostaria, eu sempre quis que ele tivesse sucesso, pois sei o quanto ele ama construir peças, mas isso o afastou de mim e da mamãe. Meus pais estão separados, mas não sei até quando mamãe irá aguentar antes de pedir o divorcio definitivo — Eu voltarei em breve.

— Espero que sim — abraço-o e aspiro o seu perfume para memorizar na minha mente, não sei quando vou vê-lo novamente — Adeus pai — o acompanho até seu carro, ele entra, dá a partida e vai embora, olho para trás e vejo minha mãe observando seu carro desaparecer no final da rua, apesar das magoas ela ainda o ama muito.

Aceno em despedida para ela, Jason abre a porta do seu Hyundai ix-35 2.0 para mim sendo um completo cavalheiro e levemente encosto meus lábios nos seus em um breve roçar.

***

Southward Angel é uma grande cidade, eu observo as ruas limpas e asfaltadas enquanto Jason dirige, a cada esquina eu encontro calouros e formandos farreando como sempre.

Assisto os prédios desaparecendo dando lugar a grandes casas de luxo, Jason estaciona o carro frente a uma casa particularmente barulhenta, há uma música tocando e quando passo a ouvir melhor consto que a letra é horrível.

“Vou te levar para a loja de doces”

“Garota eu estou com o maior gosto”

“Eu vou fazer você gastar tudo que tem”

“Vá indo até atingir o ponto”

Reviro os olhos e saio do carro, entrelaçamos nossos dedos e seguimos até a porta aberta dando passagem para qualquer pessoa entrar.

— Pensei que seria em uma fraternidade — esse definitivamente não é o campus da faculdade Glendvill.

— Mudança de planos, é a casa de um amigo — todos os amigos dele são babacas e idiotas, me pergunto internamente por que ainda o acompanho a festas onde não me sinto bem.

Ao entramos meu nariz capta um cheiro enjoativo de bebida e suor. Jason não perde tempo e vai até um barril de onde pega uma cerveja, ele sabe que não gosto de bebidas alcoólicas e sabiamente não oferece.

Seus amigos aparecem magicamente afastando-o de mim e o que me resta é sentar no sofá e observar a massa de pessoas bêbadas e dançantes.

O tempo passa e a cada segundo eu me sinto mais desconfortável nesse ambiente, as pessoas bebem muito, as meninas se esfregam nos garotos com suas roupas minúsculas, o cheiro de maconha e outros tipos de ervas são notáveis pela casa e para piorar Jason me deixou sozinha para dar atenção aos seus amigos, sempre é assim.

Minha atenção se fixa em um ponto branco da parede, e fico assim até sentir mãos conhecidas em meus ombros.

Jason pega a minha mão e puxa-me, subimos as escadas e ele abre uma porta, o quarto é extremamente arrumado diferente do primeiro andar, é limpo e agradável.

Antes que eu possa perguntar o que viemos fazer aqui sinto beijos sendo distribuídos pelo meu pescoço, Jason enfia as mãos debaixo do meu vestido muito perto da minha calcinha e a sensação de agonia toma conta de mim.

— Aqui não Jason, quero ir embora, vamos para o seu apartamento — ele nada diz, apenas me encara e me puxa novamente escada a baixo nos levando para fora da casa.

Ao chegarmos ao seu carro ele não abre a porta para mim, sinto-o ansioso e não consigo encontrar um modo de lhe dizer que hoje não será o “GRANDE DIA”, ele está bêbado, não sei o quanto, mas seus atos me dizem que ele ingeriu uma grande quantidade de álcool.

Jason começa a dirigir rápido demais ao mesmo tempo em que sua mão insiste em alisar minha coxa, o afasto.

— Se concentre na direção e coloque as duas mãos no volante — nesse momento sinto que sou a minha mãe repreendendo meu pai — E diminua a velocidade.

— Pare de ser uma fresca Elle — o tom de revolta na sua voz me faz arregalar os olhos, ele está começando a ficar nervoso e as consequências estão se mostrando na velocidade do carro — Seja humana e deixe de ser apenas hoje a filha perfeita! É tão difícil abrir as pernas?

A onda de magoa varre o meu coração, mas o medo é maior que qualquer emoção conflitante dentro de mim nesse momento.

— Jason, eu não entendo por que está me atacando assim, quero que pare o carro, eu estou com medo! — grito, mas tudo que eu consigo ver é diversão em seus olhos.

Uma luz forte me cega, meu coração bate forte ao olhar para frente, agarro o sinto de segurança envolta do meu corpo com as mãos trementes.

— Jason! — meu grito morre em questão de segundos.

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