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Votos Rompidos, A Vingança de um Cientista

8.3 / 10.0
Casada com um magnata da tecnologia, vi meu marido entregar o prêmio póstumo da minha irmã à assassina dela. Para proteger sua amante, ele destruiu meu laboratório e ordenou que quebrassem minhas mãos, arruinando minha carreira na neurociência. Fui mantida em cárcere e forçada a assumir crimes que não cometi sob o pretexto de disciplina. Contudo, no hospital, uma oferta de ajuda surge para quitar uma dívida familiar. Ele tentou me apagar, mas apenas criou uma arma letal.

Votos Rompidos, A Vingança de um Cientista Capítulo 1

Meu marido, um poderoso magnata da tecnologia, roubou o prêmio de pesquisa póstumo da minha irmã. Ele o deu para sua jovem protegida. A mesma mulher que matou minha irmã.

Ele não apenas roubou o legado dela. Ele ameaçou destruir meu laboratório e o trabalho da minha vida — a cura para o mesmo câncer que levou nossa família — se eu não apoiasse publicamente sua amante.

Quando o confrontei, ele a deixou destruir minhas amostras insubstituíveis. Depois, ele mandou que minhas mãos, as mãos de uma neurocientista, fossem sistematicamente quebradas para garantir que eu nunca mais pudesse trabalhar.

Ele me aprisionou, forçando-me a assinar a renúncia de toda a minha carreira e a pedir desculpas publicamente por crimes que não cometi.

Ele chamou isso de "disciplina", uma lição que eu precisava aprender. Como o homem que jurou me proteger pôde se tornar meu carrasco pessoal?

Mas enquanto eu estava deitada em uma cama de hospital, destruída e sozinha, uma mensagem de texto iluminou minha tela: "Precisa de ajuda? Tenho uma dívida com sua família." Ele pensou que tinha me apagado. Ele apenas me forjou e me transformou em uma arma.

Capítulo 1

Aurelia Monteiro POV:

O mundo me conhecia como Aurelia Monteiro, a neurocientista à beira de uma revolução médica. Eu estava prestes a decifrar o código de um câncer raro e agressivo, o mesmo que havia roubado minha mãe e agora se agarrava à minha irmã, Clara. Minha vida girava em torno desse trabalho, uma corrida desesperada contra o tempo.

E então, havia Heitor. Meu marido.

Ele usou seu poder, sua influência avassaladora como um magnata da tecnologia de São Paulo, para arrancar o prêmio de pesquisa póstumo de Clara. Ele queria dá-lo a Melissa Sampaio, sua jovem e manipuladora protegida.

A mesma Melissa que matou minha irmã.

Ele achava que eu não sabia. Ele achava que eu era cega.

Eu não era.

"A decisão do conselho é final, Aurelia." A voz de Heitor cortou a tensão no meu laboratório como uma faca. Ele estava parado na porta, sua silhueta bloqueando a luz, fazendo-o parecer ainda maior, mais imponente.

Ele sempre chegava como uma tempestade.

"Final?" Larguei a pipeta, o vidro tilintando contra a bancada estéril. Minhas mãos tremiam, não de cansaço, mas de um pavor gelado que havia se tornado meu companheiro constante. "Clara mereceu aquele prêmio. O trabalho dela está salvando vidas."

"O trabalho dela é... complicado", disse ele, entrando na sala. Seus olhos, geralmente tão quentes e convidativos, eram lascas frias e duras de gelo. "A apresentação da Mel foi impecável. A visão dela, revolucionária."

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. "A visão dela? Era a visão da Clara. Até o último detalhe."

Ele me ignorou, como sempre fazia quando o assunto era Melissa. "Você vai apoiar publicamente a Mel, Aurelia. E vai renunciar a qualquer outra reivindicação sobre o legado da Clara."

O ar me faltou. Foi um soco no estômago, rápido e impiedoso. Minha irmã, Clara. Minha brilhante, gentil e frágil irmã mais nova. Ela se foi. Não apenas pelo câncer, mas por uma ferida mais profunda e sombria.

"Clara tirou a própria vida, Heitor", sussurrei, as palavras presas na garganta. "Depois que a Melissa a incriminou. Depois que a Melissa a destruiu com cyberbullying até ela entrar em desespero."

Ele zombou, um som desdenhoso que me irritou profundamente. "A Mel ficou arrasada com as ações da Clara. Ela estava apenas se defendendo."

"Se defendendo? Contra uma mulher que estava morrendo? Contra sua própria mentora?" Minha voz se elevou, crua de emoção. "Você não pode acreditar nisso, Heitor. A Melissa te manipulou."

"Você está vendo o que quer ver, Aurelia." Ele deu um passo mais perto, sua sombra me engolindo. "Sua dor está distorcendo tudo."

Minhas mãos se fecharam em punhos. Ele não tinha ideia. Ele não tinha ideia do tormento que eu vivia. A culpa. A raiva ardente e consumidora.

"A Melissa a matou, Heitor", afirmei, minha voz plana, desprovida de qualquer calor. "Ela levou minha irmã ao suicídio. E você, meu marido, está protegendo-a."

Ele estreitou os olhos. "Onde está sua prova, Aurelia? Mostre-me uma única evidência concreta."

A memória brilhou em minha mente: Clara, vibrante e viva, agarrando suas anotações de pesquisa, seus olhos brilhando de esperança. Depois, as ligações frenéticas, os ataques online cruéis, as acusações fabricadas que a pintaram como uma fraude. Melissa, sempre à espreita, uma cobra na grama, sussurrando veneno.

Lembrei-me do e-mail, uma dica anônima que me levou a um servidor oculto. O servidor cheio dos dados roubados de Clara, suas descobertas revolucionárias, meticulosamente clonadas e reatribuídas a Melissa. Os registros de data e hora, os endereços de IP — tudo apontava para Melissa. Mas a prova final e condenatória, aquela que provava a cumplicidade de Heitor, era o registro de acesso. Sua rede criptografada. Seus servidores. Ele a ajudou a roubar. Tudo.

"Eu vi os registros, Heitor", disse eu, minha voz mal um tremor. "Sua rede. Seus servidores. Você deu à Melissa acesso à pesquisa da Clara. Você a ajudou a roubar."

Um músculo se contraiu em sua mandíbula. Por um segundo fugaz, vi um lampejo de algo, algo parecido com medo, mas foi rapidamente mascarado por sua habitual frieza. "Você está delirando, Aurelia. Isso é uma acusação séria."

"É a verdade."

Ele recuou, um brilho perigoso nos olhos. "Se você continuar com isso, Aurelia, se tentar expor a Mel, eu vou te aniquilar. Vou financiar seu concorrente, vou desacreditar sua pesquisa." Ele gesticulou ao redor do laboratório, para a maquinaria complexa, as amostras delicadas, o ápice do trabalho da minha vida. "Isso. Tudo isso. Vai virar pó."

As palavras pairaram no ar, pesadas e sufocantes. O trabalho da minha vida. A cura que poderia salvar tantos, incluindo a memória de Clara.

"Você não pode", sussurrei, minha voz quase inaudível. "Esta pesquisa... ela salva vidas. É para pessoas como a Clara."

Seu rosto permaneceu impassível. "Eu posso. E eu vou. Considere este seu último aviso. Você tem vinte e quatro horas para se retratar publicamente de suas acusações e apoiar a Mel. Caso contrário, vou garantir que seu nome seja apagado de todas as revistas científicas, de todas as bolsas de estudo, de todas as universidades." Ele se virou, seu olhar varrendo meu trabalho, uma promessa arrepiante em seus olhos. "E então, eu vou queimar este laboratório até o chão."

A ameaça foi um golpe físico. Deixou-me ofegante. Ele estava falando sério. Ele faria isso. Ele destruiria tudo.

Eu o odiava. Eu o odiava com uma ferocidade que queimava em minhas veias.

Vinte e quatro horas.

Minha mente disparou, procurando uma saída. Mas não havia saída. Ainda não. Não quando ele tinha todas as cartas.

No dia seguinte, com as mãos trêmulas, subi em um palco iluminado. As câmeras piscavam, a multidão zumbia de expectativa. Heitor estava lá, um sorriso triunfante no rosto, Melissa agarrada ao seu braço, uma imagem de falsa inocência.

"E agora", bradou o apresentador, "temos Aurelia Monteiro, para entregar o prestigioso Prêmio Inovação do Ano à nossa merecedora vencedora, Melissa Sampaio!"

Minhas pernas pareciam chumbo. Meu coração martelava contra minhas costelas. Eu caminhei para frente, uma marionete nas cordas de Heitor. Melissa me ofereceu um sorriso açucarado, seus olhos brilhando com prazer malicioso. Ela sabia. Ela sabia que eu sabia.

Peguei o pesado prêmio das mãos do apresentador, meus dedos roçando o metal frio. Meu olhar encontrou o de Melissa. Seu sorriso se alargou.

Eu queria esmagá-lo, quebrar o prêmio e seu rosto presunçoso com ele. Mas eu não podia. Ainda não.

"Parabéns, Melissa", forcei as palavras a saírem, cada uma um caco de vidro na minha garganta. Minha voz era plana, sem emoção, um contraste gritante com a alegria performática ao redor. A multidão aplaudiu, alheia à guerra silenciosa que se travava no palco.

Melissa se inclinou, sua voz um silvo baixo. "Você fez a escolha certa, Aurelia. Como sempre." Sua mão roçou a minha, um gesto fingido de camaradagem.

Eu me encolhi por dentro. Seu toque parecia o de uma víbora.

Heitor assistia da primeira fila, um brilho satisfeito nos olhos. Ele ergueu uma taça, um brinde silencioso à sua vitória, à minha humilhação pública. Melissa, vendo sua aprovação, sorriu radiante, banhando-se nos holofotes.

Mais tarde, na recepção comemorativa, Heitor e Melissa eram as estrelas indiscutíveis. Ele segurava a mão dela, seu olhar fixo nela com uma intensidade que um dia ele reservou para mim. Eles riam, brindavam, dançavam, a visão de um casal perfeito.

Lembrei-me de suas promessas, sussurradas no escuro. *Você é a única, Aurelia. Minha parceira, meu amor, minha igual.* As palavras ecoavam em minha mente, um refrão cruel e zombeteiro. Agora, seus olhos seguravam Melissa com a mesma intensidade, a mesma adoração possessiva. O amor dele era tão facilmente transferível? Meu estômago se revirou.

Um toque estridente cortou a conversa festiva. Minha assistente. Meu coração deu um salto.

"Dra. Monteiro, é sobre as amostras", ela gaguejou, sua voz frenética. "O novo lote... estão contaminadas. Alguém mexeu nos tanques de criogenia."

O mundo inclinou. Contaminadas. Minhas preciosas amostras. As que eu tinha acabado de preparar meticulosamente. As que Melissa jurou que me "ajudaria" a organizar.

"Você tem certeza?" Agarrei o telefone, meus nós dos dedos brancos.

"Absoluta", ela choramingou. "É uma perda total. Tudo."

Tudo. Minha visão embaçou. Eu balancei, a sala opulenta girando ao meu redor. Foi a Melissa. Ela quebrou minhas mãos. Ela acabou de quebrar minhas mãos.

Meu olhar se fixou em Heitor. Ele ainda estava rindo, o braço em volta da cintura de Melissa. Ele ainda estava comemorando.

Uma névoa vermelha desceu. Caminhei em direção a ele, cada passo um ato deliberado de vontade. Minha mão se estendeu, rápida e certeira.

TAPA!

O som estalou no ar, silenciando a sala. A cabeça dele virou para o lado, uma marca carmesim florescendo em sua bochecha. O riso morreu, substituído por um silêncio chocado.

Ele me encarou, os olhos arregalados de choque. Melissa ofegou, agarrando seu braço.

"Ela destruiu minhas amostras, Heitor!" cuspi, minha voz rouca de fúria. "Ela arruinou meses de trabalho! Ela matou minha pesquisa!"

Ele esfregou a bochecha, seu olhar endurecendo. "A Mel não faria isso. Foi um acidente. A pesquisa é muitas vezes imprevisível." Ele se virou para ela, sua voz suavizando. "Não se preocupe, querida. Eu vou compensar a Aurelia. Vou garantir que ela tenha tudo o que precisa para recomeçar."

Compensar. Recomeçar. Ele não entendia. Ele nunca entendeu. Meu trabalho não era sobre dinheiro ou bolsas. Era sobre a Clara. Era sobre salvar vidas. Isso não era apenas um contratempo; era uma profanação.

"Você não entende, não é?" Eu ri, um som oco e amargo. "Você nunca entendeu. Você acha que tudo pode ser comprado, substituído, compensado." Minha voz caiu para um sussurro gélido. "Você acha que pode simplesmente pagar pelo dano que causou?"

Ele se irritou, sua mandíbula se contraindo. "O que isso quer dizer, Aurelia?"

"Significa", disse eu, inclinando-me para perto, meus olhos cravados nos dele, "que isso não acabou. Nem de longe."

Nesse momento, Melissa soltou um suspiro teatral, agarrando o peito. "Oh, Heitor! Estou me sentindo fraca... toda essa... tensão..." Ela balançou dramaticamente, seus olhos tremulando.

Ele imediatamente voltou sua atenção para ela, seu rosto marcado pela preocupação. "Mel! Você está bem, meu amor?" Ele a pegou no colo, embalando-a contra si, de costas para mim. "Vamos sair daqui."

Ele a carregou para fora da sala, deixando-me sozinha em meio ao silêncio atordoado, o ar ainda denso com as consequências do meu tapa. Ele nem sequer olhou para trás.

A última centelha de esperança morreu em meu coração. Ele se foi. Completamente.

Meu telefone vibrou na minha mão. Uma mensagem de um número desconhecido: "Precisa de ajuda? Tenho uma dívida com sua família." Era Bruno Moraes. Ele tinha sido um colega de Clara, um CEO rival no mundo farmacêutico, mas sua família tinha uma história com a minha. Uma dívida.

Olhei para as figuras de Heitor e Melissa se afastando. Minhas mãos ainda formigavam do tapa, mas um novo tipo de determinação se instalou profundamente dentro de mim. Eu cansei de ser uma vítima. Cansei de ser humilhada.

Isso era guerra.

Peguei meu telefone, meus dedos ainda trêmulos, mas com uma nova determinação. Pressionei o botão de chamada.

Assim que o tom de discagem encheu meu ouvido, uma sombra escura caiu sobre mim. Heitor. Ele estava de volta. Seus olhos se estreitaram, a suspeita nublando suas profundezas. Ele não tinha saído, afinal.

"Para quem você está ligando, Aurelia?" ele perguntou, sua voz baixa e perigosa.

O telefone escorregou da minha mão.

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