Capa do Romance Vendida, Armada, Agora Ela Está Livre

Vendida, Armada, Agora Ela Está Livre

8.9 / 10.0
Traída por seu noivo Caio e pela irmã adotiva Bárbara, a protagonista é drogada e vendida em um leilão. Após três anos presa injustamente, ela sobrevive lutando em clubes clandestinos para recuperar o casarão de seus pais. Contudo, Caio ressurge para humilhá-la e leiloar sua herança em benefício de Bárbara. Sem nada e com a alma despedaçada, ela recorre a Bruno, sua última esperança de salvação, implorando desesperadamente por ajuda para escapar dessa ruína.

Vendida, Armada, Agora Ela Está Livre Capítulo 1

No meu aniversário de 21 anos, meu noivo Caio e minha irmã adotiva Bárbara me drogaram e venderam minha primeira noite em um leilão secreto.

Depois, me incriminaram por incêndio criminoso, e passei os três anos seguintes na prisão aprendendo a sobreviver.

Após minha libertação, lutei em clubes clandestinos, sangrando pelo dinheiro para comprar de volta o casarão da minha família. Mas Caio me encontrou, me chamando de "vagabunda de rua" enquanto tentava me arrastar para casa.

Ele me ofereceu uma "última chance" de pedir desculpas a Bárbara pelos crimes que ela cometeu. Quando recusei, ele anunciou publicamente a venda da minha casa.

Toda a arrecadação seria doada para a "Fundação Filantrópica Bárbara Ricci".

Ele não tirou apenas meu dinheiro; ele tirou minha alma. Ele tirou a última peça tangível dos meus pais, da minha identidade. Tudo se foi.

Enquanto eu desabava no chão imundo, meu mundo em pedaços, tateei em busca do meu celular. Havia apenas um nome restante, uma última esperança.

"Bruno", engasguei, com a voz embargada. "Por favor. Preciso da sua ajuda. Me tira daqui."

Capítulo 1

"Aí está você."

O som da voz de Caio Costa rasgou o ar viciado do clube de luta clandestino. Era um rosnado baixo e perigoso que um dia teria me causado arrepios de excitação. Agora, apenas fazia meu estômago se contrair. Eu não me virei. Não adiantava. Ele sempre me encontrava.

Uma mão áspera agarrou meu ombro, me virando com força. O impacto quase me derrubou, ainda instável da minha última luta. Encarei seus olhos, um olhar duro que costumava se derreter em algo suave e adorador. Agora, era apenas... frio.

"Você tem ideia do problema que causou?", ele rosnou, seu aperto se intensificando. Seus dedos cravaram na minha pele, mas eu não vacilei. A dor era uma velha amiga.

"Problema?" Minha voz estava rouca, tingida com uma zombaria que eu não sabia que possuía três anos atrás. "Eu estou sempre causando problemas, não é, Caio?"

Ele recuou um pouco, as sobrancelhas franzidas. Era uma dança familiar. Ele me machucava, então sua consciência o picava, só um pouquinho. Ele tentava suavizar, fingir que se importava. Era sempre uma mentira.

"Clara, por favor." Sua voz baixou, um apelo que soava quase genuíno. "Isso... isso não é você. Nós podemos consertar isso. Apenas volte para casa. Fale com a Bárbara. Peça desculpas."

Meu sangue gelou. Bárbara. Sempre Bárbara. "Pedir desculpas pelo quê, exatamente? Por existir?" Minha risada foi áspera, quebradiça. "Ou por não ter morrido na prisão como vocês dois claramente esperavam?"

Seu rosto endureceu novamente. "Não seja ridícula. A Bárbara está morrendo de preocupação com você. Ela tem sido nada menos que generosa, estendendo caridade para... para gente como você." Seu olhar varreu minhas roupas rasgadas, meu rosto machucado, a arena imunda e manchada de sangue ao nosso redor. Suas palavras eram um chicote, açoitanto minhas feridas já em carne viva. "Olhe para você, Clara. Você parece uma vira-lata. Uma piranha qualquer. É esse o legado que você quer para sua família? Seu pai teria vergonha."

Minha respiração falhou. As palavras atingiram um nervo, uma ferida exposta que nunca cicatrizava de verdade. Meu pai. Meu casarão. Meu legado. Cerrei os punhos, a vontade de revidar quase esmagadora. Mas eu não lhe daria essa satisfação. Eu não iria quebrar. Não aqui. Não agora.

"Me solta." Minha voz estava baixa, tremendo com uma fúria que eu lutava para manter enjaulada. Tentei me afastar, mas seu aperto era como ferro.

"Você não se lembra, Clara?" Sua voz era um sussurro sedutor agora, envenenado. "Lembra como era bom? Antes de toda essa bagunça. Antes de você jogar tudo fora." Seu polegar roçou meu pulso, um toque fantasma que acendeu uma faísca de repulsa.

Três anos atrás, no meu aniversário de vinte e um anos, aquela mesma mão havia deslizado um anel de diamante no meu dedo. Três anos atrás, ele era meu noivo, meu guardião, o homem que eu amava e em quem confiava mais do que em qualquer um. Três anos atrás, ele me vendeu.

Um flash. O salão de festas mal iluminado, a multidão cintilante, o champanhe que tinha um gosto doce demais. Bárbara, minha irmã adotiva, sorrindo, me oferecendo outra taça. A sala girando, o mundo se dissolvendo em uma névoa. Então, o bloco de leilão. Meu corpo, exibido como um prêmio. Os rostos lascivos. A percepção doentia de que Caio, meu Caio, estava lá, seus olhos frios, impassíveis, enquanto os lances pela minha primeira noite eram gritados pela multidão. Foi ele quem me levou até lá. Foi ele quem garantiu minha humilhação.

Foi ele quem me traiu.

"Não", sussurrei, a palavra uma lâmina na minha garganta. "Eu me lembro de tudo." A humilhação, o terror, a raiva cega que me levou a incendiar aquele lugar amaldiçoado. As sirenes da polícia, as algemas, as manchetes me rotulando de "herdeira vadia e viciada" que tentou queimar a irmã viva. Três anos em uma jaula, onde aprendi a lutar, a sobreviver, a odiar.

Uma risada debochada ecoou pelo pequeno grupo de homens que se reuniram, atraídos pela comoção. Seus olhos me percorreram, famintos e desdenhosos. A vergonha, quente e amarga, me invadiu, mas eu a engoli. Eu não lhes daria isso também.

A mandíbula de Caio se contraiu. Ele odiava ser ridicularizado, mesmo que indiretamente. Seu orgulho era uma coisa frágil, facilmente ferida. "Você está fazendo uma cena, Clara", ele sibilou, sua voz mal audível acima do murmúrio crescente. "Apenas venha comigo. Podemos conversar sobre o casarão. A casa dos seus pais."

O casarão. A única coisa que restava do meu passado, do amor dos meus pais. A única razão pela qual eu ainda estava aqui, lutando nessas arenas desgraçadas. Eu precisava de dinheiro. Dinheiro suficiente para comprá-lo de volta, para reivindicar o que era meu.

Meu olhar passou por ele, para o ringue de lutadores que agora se preparavam para a próxima luta. Uma figura gigantesca, o dobro do meu tamanho, flexionava os músculos, seu rosto uma máscara de intenção brutal. Ele era conhecido como 'A Fera', e era meu oponente.

Nesse momento, Bárbara apareceu, saindo das sombras, seu cabelo perfeitamente penteado e roupas de grife um contraste gritante com a sujeira e o suor da arena. Seus olhos, geralmente tão calculistas, estavam arregalados com uma preocupação fingida.

"Caio, querido, o que está demorando tanto?", ela arrulhou, envolvendo o braço em seu bíceps. Seu olhar piscou para mim, um sorriso de escárnio brincando nos cantos de seus lábios antes que ela torcesse o rosto em uma carranca de pena. "Oh, Clara. Ainda não consegue superar, não é? É patético. Sabe, eu até sinto pena de você."

Ela se inclinou para mais perto de Caio, sua voz baixando, embora eu ainda pudesse ouvi-la. "Eu te disse, Caio. Ela é viciada na emoção. No dinheiro. Ela não se importa com nada além de si mesma."

Caio olhou de Bárbara para mim, sua expressão indecifrável. "Clara", ele disse, sua voz neutra, "Bárbara está disposta a te perdoar. A deixar o passado para trás. Tudo o que você precisa fazer é se desculpar publicamente com ela. E então... eu vou considerar deixar você ter o casarão de volta."

Minha respiração engatou. Pedir desculpas? Para ela? Pela vida que ela roubou, pela reputação que ela arruinou, pelos anos no inferno a que ela me condenou? Meu olhar endureceu. "Não." A palavra saiu dos meus lábios, afiada e final.

Os olhos de Caio brilharam com uma raiva perigosa. "Não seja tola, Clara. Esta é a sua chance. Sua última chance."

"Eu não preciso das suas chances", cuspi, meu olhar fixo na Fera. Ele era um monstro, mas eu era uma sobrevivente. O casarão dos meus pais. Essa era minha única chance. Minha única redenção.

Bárbara riu, um som agudo e tilintante que irritou meus nervos. "Ela sempre foi teimosa, não é, Caio? Tão ingrata. Bem, se ela quer lutar, deixe-a lutar. Eu já fiz minha aposta." Seus olhos brilharam com um prazer malicioso. "Na Fera, é claro. Ele vai fazê-la se arrepender de tudo."

Os olhos de Caio se estreitaram, um músculo se contraindo em sua mandíbula. Ele olhou de Bárbara para mim, depois de volta para a Fera, um brilho de algo indecifrável em seu olhar.

"Então", ele disse, sua voz perigosamente baixa, "você se recusa a se desculpar?"

"Eu não vou me desculpar por suas mentiras, pelas manipulações dela, ou pelo inferno que vocês me fizeram passar", eu disse, minha voz se elevando. "Você quer que eu implore? Vai esperar a vida inteira."

Seu rosto se contorceu, uma máscara de fúria. "Ótimo!", ele rugiu, sua voz ecoando pela arena. "Deixe-a lutar! Ela quer ser uma fera? Então que enfrente uma!"

A multidão rugiu, sentindo a animosidade. A Fera sorriu, estalando os nós dos dedos. Meu coração batia forte, um tambor frenético contra minhas costelas. Isso não era mais apenas uma luta por dinheiro. Era uma luta pela minha alma.

Entrei no ringue, as cordas gemendo sob minha mão. A Fera avançou, um borrão de músculo e fúria. Eu me abaixei, seu punho assobiando perto da minha orelha. Meu treinamento entrou em ação, anos de brigas na prisão e lutas clandestinas. Eu me movi, uma sombra, tecendo através de seus golpes poderosos, desferindo socos rápidos e precisos. Ele era maior, mais forte, mas eu era mais rápida, alimentada por uma raiva que queimava mais forte que qualquer chama.

Um soco sólido atingiu minha têmpora, fazendo estrelas dançarem diante dos meus olhos. Eu tropecei, minha visão embaçada. Ele seguiu com um chute violento no meu estômago, me dobrando ao meio. A dor explodiu no meu abdômen, uma agonia branca e quente que ameaçava me consumir. Senti o gosto de sangue, metálico e enjoativo.

O rosto de Caio, pálido e sombrio, apareceu em minha visão nebulosa. Seus olhos, fixos em minha forma sangrando, continham um brilho de algo que eu não conseguia decifrar. Medo? Arrependimento? Pena? Eu não me importava. Era tarde demais para qualquer uma dessas coisas.

"Desista, Clara! Pelo amor de Deus, apenas desista!", ele gritou, sua voz rouca.

Cuspi um bocado de sangue, balançando a cabeça. "Nunca." O casarão da minha família. Meus pais. Eu não os deixaria vencer. Não agora. Nunca.

A Fera ergueu o punho para o golpe final e esmagador. Então, um apito súbito e agudo cortou o ar. A luta acabou. Caio, com o rosto pálido, havia jogado a toalha. Ele entrou no ringue, seus olhos arregalados com uma mistura de horror e algo mais, algo que eu não conseguia nomear.

"O que você está fazendo?!", Bárbara gritou da lateral. "Ela poderia ter vencido! Era o meu dinheiro!"

Caio a ignorou completamente, seu olhar fixo em mim. Ele estendeu a mão para tocar meu rosto, sua mão tremendo. Eu me afastei, meu corpo gritando em protesto. O último fio frágil de esperança, de qualquer afeto remanescente que eu pudesse ter por ele, se partiu. Estava estilhaçado, irrevogavelmente quebrado.

"Você pegou meu dinheiro", murmurei, minha voz mal audível. "Eu ganhei aquilo. Eu preciso daquilo."

Ele me encarou, seus olhos cheios de um olhar desesperado e suplicante que eu nunca tinha visto antes. "Clara, por favor", ele sussurrou, sua voz falhando. "Deixe-me te ajudar."

Eu ri, um som áspero e doloroso. "Me ajudar? Você? Você foi quem me colocou aqui."

Ele tentou pegar meu braço, mas eu o puxei, tropeçando para fora do ringue. Meu corpo doía, cada músculo gritando em protesto, mas eu tinha que fugir dele. Longe da hipocrisia sufocante, das mentiras venenosas.

"Clara! Espere!", ele chamou atrás de mim, mas eu continuei andando, mancando em direção à saída.

Não cheguei longe. Ao empurrar as portas de vaivém, uma voz, amplificada por um alto-falante, ecoou pelo prédio.

"Atenção, senhoras e senhores! Caio Costa, CEO do Grupo Costa, tem o orgulho de anunciar a venda do histórico casarão da família Guedes! Todos os lucros serão doados para a Fundação Filantrópica Bárbara Ricci!"

As palavras me atingiram como um golpe físico. Meu casarão. Vendido. Para a Bárbara. Minha visão embaçou, o mundo girando em seu eixo. Ele não tirou apenas meu dinheiro; ele tirou minha alma. Ele tirou a última peça tangível dos meus pais, da minha identidade.

Minhas pernas cederam. Eu desabei no chão imundo, o concreto implacável sob mim. Lágrimas, quentes e incontroláveis, escorriam pelo meu rosto machucado. Tudo se foi. Minha casa, minha família, meu futuro. Não havia mais nada.

Minha mão tateou no meu bolso, agarrando a única tábua de salvação que me restava. Um cartão de visita desbotado, guardado por anos. Bruno Rosa. O nome era um sussurro de um passado distante, uma amizade esquecida.

Meus dedos, escorregadios de sangue e suor, finalmente discaram o número. A linha chamou, uma, duas, três vezes.

"Bruno", engasguei, minha voz rouca e quebrada, "Por favor. Preciso da sua ajuda. Me tira daqui."

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