Capa do Romance QUANDO HÁ AMOR

QUANDO HÁ AMOR

8.8 / 10.0
Aos vinte anos, Anna Liz Parker viu seu sonho de ser bailarina ruir após um acidente que a deixou em uma cadeira de rodas. Abandonada por seu grande amor devido à deficiência, ela mergulhou no luto por sua vida anterior. Contudo, o destino a apresenta a Zaccary Mitchell, um arrogante CEO bilionário que jurou nunca se apaixonar. Ao cruzar com Anna, o empresário é dominado por um instinto protetor avassalador, prometendo jamais deixá-la enquanto descobre um amor inesperado.

QUANDO HÁ AMOR Capítulo 1

Seattle, Washington / Estados Unidos

Dois anos antes...

ANNA LIZ

Eu mexo na bolsa enquanto procuro pelo presente que papai me deu, mas não o encontro. Ele diz ter o escondido de mim, por ser uma coisa que eu tanto quero, já que amanhã é meu aniversário. Completo vinte anos. Os tão sonhados vinte, que vem acompanhado de muitas realizações na minha vida, entre elas, me formar em professora de Ballet. Tenho me esforçado tanto para que isso aconteça com esmero que, me sinto realizada. O Ballet é a minha vida. Sem sombra de dúvidas. Amo dançar desde que, era apenas uma pirralha, com três anos de idade. A dança clássica roubou meu coração, e me fez refém de toda sua magia.

— Anna Liz! — Ouço meu pai rir. Tenho a certeza que ele está me enganando e que aqui não tem presente algum. Reviro os olhos e sorrio. Meu velho! — Meu bem, nós vamos nos atrasar. — Grita alto. Estou no andar de cima, no meu quarto.

Deixando a bolsa de lado, desço as escadas e o encontro com um sorriso largo, assim como minha mãe. Estão de mãos dadas e olham para mim, como se eu fosse a maior riqueza que eles pudessem ter.

Sorrindo, eu os alcanço me jogando no sofá desajeitadamente.

— Desembucha, Charlie, eu sei que está me enrolando. — Vejo-o semicerrar seus olhos, quando o chamo pelo seu nome. Gargalho. — Não tem presente nenhum. Eu revirei a bolsa umas cinquenta vezes. — Minto o número.

— Você não o procurou direito, tenho certeza. — Leva sua mão para trás e como se fosse mágica, ele volta com uma caixa vermelha toda em veludo. Meus olhos saltam, surpresa me atingindo. Ao seu lado minha mãe sorri. Quando ele abre, dentro está o mais lindo presente que já ganhei, em toda minha vida. Eu estava namorando essa joia desde que, eu a tinha visto em uma vitrine de uma boutique. A gargantilha toda em ouro, tem como pingente uma pequena bailarina, deixando-me apaixonada. Solto um gritinho de euforia e salto do sofá para poder abraçá-lo.

— É o melhor presente. Obrigada, papai! — O agradeço com simplicidade e gratidão.

— Para a melhor e mais linda filha que, em breve, se tornará professora de Ballet. — Dessa vez, os dois falam em uníssono, me deixando com os olhos ardendo em lágrimas. Eu os abraço apertado. É terno e carinhoso.

— Vamos lá começar a nossa comemoração. — Meu pai diz com alegria, atropelando sua voz. Ele é sempre assim. Feliz. Afoito. Deus! Eu o amo tanto. — O Eric não irá conosco? — Pergunta, no mesmo minuto que faz uma careta. Eles não se dão bem!

— Não. Ele disse que tem um compromisso na casa de um amigo. — Reviro os olhos em descrença. Mais um dia que o Eric me troca, para um de seus compromissos importantes. Assim diz ele.

— Ok. Então seremos apenas nós. Que bom que, o moleque não faz falta. — Ele ri triunfante e orgulhoso da própria piada, mas se recompõe quando ganha da minha mãe, um olhar mortal e um tapa logo em seguida, fazendo-me gargalhar. Oh, cristo! Esses dois!

— Charlie, se comporte! — O repreende séria. — Vamos logo e pare de falar bobagens, homem.

Gargalhando, ele a pega desprevenida e a enche de beijos, e me pego sonhando se um dia, terei isso também, vindo do meu namorado. Amo o Eric, mas às vezes, parece que está comigo apenas por diversão.

O conheci em um barzinho de esquina, e depois de virarmos amigos, começamos a namorar um tempo depois. Sempre me tratou com respeito, claro. Mas não vou negar que, também deixa muitas coisas a desejar. Não estou falando sobre o sexo, já que o fizemos, por ele me importunar tanto. Perdi minha virgindade um dia desses atrás. Confesso que não foi como esperava. Sempre sonhei com todo aquele romance de filme e príncipes encantados. Quebrei a cara!

Quando saímos de casa, já era quase onze da noite. Vamos para um barzinho, que por sinal não está lotado. As pessoas bebericam suas bebidas e curtem a música suave que toca ao fundo, outras conversam animadamente e sorriem uma para as outras, como bons amigos.

Eu provo o meu Martini, assim como mamãe, e então encaro papai quando ele leva seu enorme copo de suco de laranja aos lábios.

— Você não vai beber? — Eu estendendo minha taça, para que ele entenda sobre o que estou perguntando. Ele meneia a cabeça em negativo.

— Hoje sou o motorista das minhas princesas. Tudo é sobre você querida. — Sorrio com todo seu carinho e cuidado.

— Tudo bem, papai. Eu vou me divertir por você. — Eu rio, erguendo a taça para brindar com a sua, em um leve tilintar.

Vejo minha mãe olhar no seu relógio de pulso e seu sorriso se agigantar. Ela se coloca em pé, assim como meu pai e ambos vem até mim.

— Feliz vinte anos, meu amor! — Antes mesmo de abraçá-los, já estou chorando desesperadamente.

— Serão os vinte anos mais felizes, de toda a minha vida. — Abraço-os, beijando ambos e sorrindo abobalhada, com todo carinho e amor que, eles sempre têm por mim.

(...)

— Minha música! — Grito alto no banco de trás do carro, quando “Breathin” de Ariana Grande começa a soar no rádio. Canto junto. Pelo vidro da janela, dá para ver a chuva que cai lá fora, mal dando para ver a estrada. Assusto-me, interrompendo o refrão da música, assim que outro carro vem em nossa direção. Sinto quando o carro que estamos, taxia na pista e papai se desespera, quando perde o controle. Eu grito seu nome tão alto que, meu peito dói. Uma confusão de sentimentos e medos, correndo solto por minha mente.

— Oh, meu Deus, papai! — Levo a mão à cabeça, gritando alto, quando o maldito carro passa raspando o nosso. Respiro fundo, o choque me atingindo em cheio.

— Não foi nada, Anna, acalme-se. Está tudo bem, filha. — Minha mãe fala, mas sei que está tão apavorada quanto eu.

— Por favor, mamãe. Nós vamos morrer. — Ouço-me falar.

Recosto minha cabeça no banco e fecho os olhos. Algo ruim gritando dentro de mim. Não gosto da sensação que tenho em meu coração, agora.

Oh, Deus, por favor!

Olho para o meu pai, pelo pequeno espelho acima de sua cabeça, seus olhos arregalados mostram seu desespero, quando ele vê que está perdendo totalmente o controle do carro.

— Anna Liz, está de cinto? — Papai pergunta-me, nunca tirando os olhos da estrada.

— O que está acontecendo? — Grito, não dando a mínima para responder sua pergunta. — Oh, Deus, que merda está acontecendo, nós vamos morrer, não vamos?

— Não questione seu pai, Anna. Apenas responda! — Mamãe diz, a voz autoritária. Eu grito que sim, sob minha respiração entrecortada. Como não haveria de estar? Nunca fui de andar sem cinto de segurança, eles sabem disso.

— Fiquem calmas. Eu tenho o controle. — Ele diz. Mas não tem, sinto que não. E estou completamente certa. Porque no minuto seguinte, o carro taxia mais uma vez, levando-o a deslizar até que sai da pista e capota, uma e então duas, três vezes e eu não sou mais capaz de contar. Ainda assim eu grito, a plenos pulmões, o tanto que posso. A dor estourando minhas costelas e cabeça, pelo movimento brusco.

Grito o tanto que posso. Pelos meus pais, por socorro. Até que por fim, tudo se aquieta. Calmo. O cheiro de sangue é horrível. A respiração, sai rasgando o peito. O cheiro do sangue vivo, mais forte, dor rasga minhas costas. Meu choro baixo, minha mãe, meu pai. Sussurros, chamam meu nome. Então um mar de escuridão me toma, levando-me para um lugar desconhecido.

DIAS DEPOIS...

Meus olhos pesam, impedindo-me de abri-los. A cabeça lateja, causando em mim, uma dor descomunal e agonizante. Forço minhas pálpebras, até que meus olhos se abrem, turvos.

Vejo algumas pessoas bem próximas de mim, mas não consigo dizer onde estou. Estou confusa. A mente se embaralhando.

De repente, cenas do acidente me vêm á mente. O carro capotando várias e várias, sobre a pista escorregadia, em meio à chuva. O cheiro de sangue, meu último grito de socorro, para que alguém me tirasse do carro com vida ecoa na minha mente, fazendo-me refém daquele momento horrível. O medo me toma, tento me levantar da cama em que estou, numa tentativa falha e sem sucesso. Minhas pernas não me obedecem. Apavoro-me. Tento mais uma vez movê-las e nada acontece. Oh, Jesus! Lágrimas mancham minha visão. Não quero chorar nem pensar no pior, mas isso não é normal, tendo em vista de que acabei de sofrer um acidente. Deus não seria tão injusto!

— Não deve ser nada. — Eu digo para mim mesma com tamanha confiança. — É isso, vou apenas fazer alguns exames e tudo voltará ao normal. Confie, Anna. — Torno a pensar. Sou uma mulher confiante, sempre fui!

Levantando meus olhos, eu os repouso sobre minha mãe, ela tem os seus repletos de lágrimas.

— Mãe, porque eu não sinto minhas pernas? — Murmuro, apenas para ver seu choro antes preso, sair em enxurrada por sua face. Eu tremo!

Não! Por favor, Deus, não seria tão injusto.

— Filha... — A frase inacabada, me faz pensar que algo, de fato, está errado.

— Por favor, mamãe, o que está acontecendo? — Pergunto, desesperada. — Pai... —Chamo-o — Não é o que estou pensando, não é mesmo?

— Eu sinto muito filha. Muito! Por favor, me perdoe minha princesa, é tudo culpa minha. — Suas palavras machucam-me ainda mais, deixando meu coração dilacerado.

— Charlie, não fala isso. Não foi culpa sua. — Mamãe murmura, alisando seu rosto suavemente, olhando-o com ternura, em seus olhos azuis, iguais aos meus.

Ambos se aproximam de mim, parando próximo à minha cama, lágrimas banham o rosto das pessoas que, mais amo neste mundo. Meu olhar é vago, cheio de lágrimas também, uma dor se instala em meu coração, o ar parece sumir dos meus pulmões.

— Eu não vou andar mais, é isso? — Indago, a voz embargada pelo choro. A garganta arde.

— O Doutor Clark está vindo meu amor, não podemos tirar conclusões precipitadas. — Seus olhos desviam dos meus, mas sei que está mentindo e que, o veredicto final já foi dado.

A verdade é que, eu sei que me tornarei uma inválida, dependendo deles para tudo, e o Eric? Oh, meu Deus! O que ele vai pensar de mim?

— Eu não posso ficar sem andar, mamãe. Eu amo dançar, você sabe disso, não sabe? — Ela meneia a cabeça em afirmativo, suas lágrimas nunca cessando, um segundo sequer — Diz pra mim que, tudo isso é mentira, que aquele acidente não aconteceu e que eu vou poder dançar novamente. Mamãe, Deus não seria tão injusto… — Implorei. Estendendo sua mão, ela toca o meu rosto, banhado por lágrimas. Seus soluços descontrolados, deixa-a incapacitada de projetar qualquer palavra, sua pena e compaixão por mim, são evidentes.

— Eu sinto muito, filha. Me dói dizer isso. — Respirou fundo, tentando encontrar forças para continuar falando. – Me dói tanto, mas você não vai voltar a dançar, não por enquanto. — Suas palavras são, como uma facada em meu peito. Profunda e dolorosa. Minhas lágrimas descem em cascatas, molhando a face e dando-me seu gosto salgado. Não acredito no que acabei de ouvir. Isso não pode ser verdade. O mundo desaba sobre a minha cabeça, e suas palavras martelam em minha mente. Eu fico inerte, sem saber o que fazer ou falar, quando um grito estrondoso escapa da minha garganta, rasgando-a.

— Não, não, não. — Grito, balançando a cabeça de um lado para o outro — Mamãe isso é mentira, você está brincando. Eu sei que está. — Ela nega com um aceno de cabeça. — Para com isso, apenas pare. Eu vou andar sim, todos vocês são uns grandes mentirosos. — Grito sob minha respiração e choro.

Oh, Deus, por quê tão injusto? — Faço a pergunta para mim mesma, enquanto choro copiosamente. As mãos tremendo sob meu colo e o coração agonizando, com tamanha dor. É cruel. Eu choro, deixando que as lágrimas levem tudo de mim.

— Por favor filha, se acalme, eu prometo que tudo vai ser como era antes. — Murmura, me envolvendo em seu abraço, me acalmando.

— Por favor! Oh, Deus, eu não quero isso. Ajuda-me, mamãe. Papai? — Os soluços não param, e meu pedido de socorro é doloroso.

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