Capa do Romance Os Pecados do Meu Marido, A Vingança do Meu Coração

Os Pecados do Meu Marido, A Vingança do Meu Coração

9.8 / 10.0
O casamento de sonhos de Alice ruiu quando André, seu marido, revelou-se um traidor cruel. Aliado à manipuladora Karina, ele a dopou e causou um acidente que resultou em danos cerebrais ao próprio filho. Após ser abandonada para morrer em uma transfusão forçada, a dor de Alice vira fúria. Decidida a arruinar André, ela aciona uma cláusula pré-nupcial implacável e convoca Júlio Guedes, que a ama há dez anos, para ajudá-la em uma vingança fria e absoluta.

Os Pecados do Meu Marido, A Vingança do Meu Coração Capítulo 1

Meu casamento era perfeito. Eu estava grávida do nosso primeiro filho, e meu marido, André, me tratava como uma deusa. Pelo menos, era o que eu pensava.

O sonho se estilhaçou quando ele sussurrou o nome de outra mulher na minha pele, no escuro. Era Karina, a jovem associada do meu escritório que eu mesma havia treinado.

Ele jurou que foi um engano, mas suas mentiras se tornaram uma bola de neve à medida que as armações de Karina ficavam mais cruéis. Ele me dopou, me trancou no meu ateliê e provocou uma queda que me mandou para o hospital.

Mas sua traição final veio depois que Karina forjou um falso acidente de carro e me culpou.

André me arrastou para fora do meu carro pelos cabelos e me deu um tapa no rosto. Em seguida, forçou uma enfermeira a tirar meu sangue para sua amante — uma transfusão que ela nem precisava.

Ele me segurou enquanto eu começava a ter uma hemorragia, me deixando para morrer enquanto corria para o lado dela. Ele sacrificou nosso filho, que agora sofre de danos cerebrais irreversíveis por causa da escolha dele.

O homem que eu amava se foi, substituído por um monstro que me deixou para morrer.

Deitada naquela cama de hospital, fiz duas ligações. A primeira foi para o meu advogado.

— Ative a cláusula de infidelidade do nosso contrato pré-nupcial. Quero que ele fique sem nada.

A segunda foi para Júlio Guedes, o homem que me amou em silêncio por dez anos.

— Júlio — eu disse, minha voz fria como gelo. — Preciso da sua ajuda para destruir meu marido.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Helena Salles

O primeiro sinal de que meu casamento tinha acabado não foi uma mancha de batom ou uma mensagem suspeita no celular; foi um nome sussurrado na minha pele no escuro, e não era o meu.

Há semanas, André andava distante. Vinha trabalhando até tarde, consumido por uma fusão que era, nas palavras dele, "um monstro total". Quando estava em casa, ficava assistindo a vídeos antigos meus no celular — vídeos da nossa lua de mel, de antes da minha barriga crescer com nosso filho, antes do meu corpo se transformar em algo que eu mal reconhecia. Ele disse que era porque o médico desaconselhou intimidade no primeiro trimestre, e ele sentia minha falta. Eu acreditei nele. Eu sempre acreditava nele.

Naquela noite, eu queria quebrar essa distância. Queria sentir as mãos dele em mim, não apenas seus olhos em uma tela. Eu comecei, meus movimentos lentos e deliberados, tentando mostrar a ele que eu ainda era a mulher daqueles vídeos, apenas com uma nova e preciosa curva na barriga.

Ele respondeu com uma urgência perturbadora, uma fome que parecia mais desespero do que paixão. Suas mãos se moviam sobre mim com uma familiaridade que de repente se tornou estranha, seu toque ao mesmo tempo íntimo e impessoal.

— Eu amo essa sua pintinha bem aqui — ele murmurou, seus lábios traçando um caminho pela minha clavícula.

Eu congelei.

— André, eu não tenho uma pintinha aí.

Ele não parou.

— Claro que tem. Eu a beijo toda noite. — Ele pressionou os lábios no local novamente, insistente. — A minha favorita.

Um pavor gelado começou a se infiltrar nos meus ossos, um calafrio que não tinha nada a ver com o ar-condicionado. Ele estava errado. Tinha tanta certeza, e ainda assim estava completamente errado. Era um detalhe que um marido de cinco anos não deveria errar. Não um marido que afirmava adorar cada centímetro do meu corpo.

— André — sussurrei, minha voz tremendo um pouco. — Olhe para mim. Você ao menos sabe quem eu sou?

Seus movimentos pararam. Por um momento, houve apenas o som de nossas respirações no quarto silencioso. Então, ele se inclinou, sua voz carregada de uma ternura que não era para mim.

— Claro que sei, minha doce Karina.

O nome me atingiu com a força de um soco. Meu ar sumiu. O mundo girou, o som se transformando em um zumbido baixo nos meus ouvidos. Ele disse de novo, um suspiro suave e amoroso.

— Karina.

Uma onda de náusea e repulsa me invadiu. Minhas mãos voaram para o peito dele e o empurraram, com força. Ele foi pego de surpresa, seu corpo caindo para trás da cama com um baque surdo quando sua cabeça bateu na quina afiada do criado-mudo.

Uma dor aguda, como uma cãibra, atravessou meu abdômen. Eu ofeguei, me encolhendo, a traição um veneno se espalhando por minhas veias.

Karina.

Karina Couto. A advogada júnior do meu escritório. A garota brilhante, de olhos inocentes, que encontrou o erro crítico nas plantas do projeto do Edifício Mirante, salvando minha carreira de um desastre apenas três meses atrás. André insistiu em "orientá-la" como um agradecimento pessoal, uma forma de pagar a dívida que ele sentia que ela merecia em meu nome. Ele comprou um carro novo para ela, pagou seus empréstimos estudantis, gestos que eu vi como generosos, talvez um pouco excessivos.

Como eu pude ser tão cega? Como confundi uma víbora com uma salvadora?

A frieza que começou nos meus ossos agora alcançou meu coração, envolvendo-o em gelo.

O celular dele, que havia caído do criado-mudo, começou a tocar. Era o próprio número dele ligando. Confusa, percebi que devia estar conectado ao carro. Ele deve ter apertado o botão de emergência. Observei, paralisada, enquanto ele gemia e procurava o aparelho.

— Alô? — ele disse com a voz rouca, atordoado.

— Sr. Bastos, aqui é da Central de Segurança do Veículo. Recebemos uma notificação de colisão. O senhor está bem?

— Estou bem — ele murmurou. — Só... caí da cama. Bati a cabeça.

— Tem alguém com o senhor? Sua esposa, a Sra. Salles, está aí?

Uma pausa. Então sua voz clareou, tornando-se o tom suave e preocupado que eu conhecia tão bem.

— Não, ela... ela está na casa da mãe dela hoje. Estou sozinho. — Ele estava mentindo. Mentindo para um estranho sobre eu estar bem ali. — Você pode... pode ligar para ela para mim? Não quero preocupá-la, mas quero ouvir a voz dela.

Ele recitou meu número e, um momento depois, meu próprio celular acendeu na mesa de cabeceira. Eu o encarei, meu coração martelando contra minhas costelas. Deixei cair na caixa postal.

Ele falou ao telefone novamente, sua voz carregada de uma preocupação fabricada.

— Ela não atendeu. Deve estar dormindo. Ela precisa descansar, especialmente agora. Por favor, não liguem de novo. Não quero acordá-la.

Ele encerrou a chamada e lentamente se sentou, esfregando a nuca. Olhou ao redor do quarto escuro, seus olhos sem foco. Ele não me viu.

Então ele pegou o celular e discou. Meu celular acendeu novamente. Desta vez, eu atendi, minha voz uma coisa morta e sem expressão.

— Helena?

— Estou aqui.

— Ah, graças a Deus — ele suspirou, uma onda de alívio em sua voz. — Meu bem, você está bem? Tive um pesadelo e acordei no chão. Minha cabeça está me matando.

Eu estava na sala de segurança do prédio de Karina Couto. Tinha dirigido até lá em pânico cego, minha mente um turbilhão de choque e dor. Uma ligação discreta para um contato de segurança que eu usava para projetos corporativos me deu acesso às câmeras do saguão. Eu o estava observando agora, em um monitor granulado, enquanto ele andava de um lado para o outro em nosso quarto, a mão pressionada na cabeça.

— Estou bem — eu disse, minha voz oca. — Só tomando um ar.

— Você não deveria estar fora a essa hora — ele repreendeu gentilmente. O marido perfeito e atencioso. — O bebê está bem? Você tomou suas vitaminas pré-natais? Lembre-se do que o Dr. Evans disse sobre seus níveis de ferro. Não se esqueça de tomar a sopa que deixei para você na geladeira.

O cuidado meticuloso, a performance impecável de devoção que ele havia aperfeiçoado ao longo dos anos, agora parecia uma zombaria cruel. Ele me amou, eu sabia que sim. Ele me abraçou durante abortos espontâneos, celebrou minhas vitórias e beijou minhas lágrimas. Ele era o homem que mantinha uma lata extra do meu chá caro favorito em seu escritório, para o caso de eu ter um dia ruim.

Aquele homem era um fantasma. Ou talvez nunca tivesse existido.

— André — perguntei, as palavras rasgando minha garganta. — Você ainda me ama?

— Que tipo de pergunta é essa? — ele riu, o som irritando meus nervos em carne viva. — Claro que eu te amo. Mais do que tudo no mundo. Eu estava justamente pensando em você. Sinto tanto a sua falta que dói. Mal posso esperar para você voltar para casa.

Enquanto ele dizia essas palavras, o elevador do saguão no meu monitor se abriu. Karina Couto saiu. Ela estava ao telefone, um sorriso brilhante e triunfante no rosto.

— Eu também sinto sua falta, André — ela arrulhou em seu telefone, sua voz audível mesmo através do alto-falante barato do monitor. — Estou quase em casa.

No meu telefone, a voz de André era uma carícia quente.

— Estarei esperando, meu bem. Eu te amo.

— Eu também te amo — sussurrei de volta, meus olhos fixos na tela.

Ele desligou.

No monitor, eu o vi guardar o celular no bolso. Vi Karina desligar sua própria chamada. Ela atravessou o saguão e saiu pelas portas da frente. Um momento depois, o sedã preto de André parou na calçada. Ela deslizou para o banco do passageiro sem hesitar. O carro acelerou e sumiu.

Eu não precisava adivinhar para onde estavam indo. Nossa casa. Minha cama.

Um único soluço gutural escapou dos meus lábios, um som de pura agonia. Meu casamento perfeito, minha vida cuidadosamente construída, tinha sido uma mentira. Uma mentira linda, intrincada e devastadora. Lembrei-me de como ele sempre foi tão cuidadoso comigo, tão terno, quase reverente em nosso amor, especialmente depois que engravidei. Ele me tratava como uma obra de arte frágil.

Agora eu sabia por quê. Ele estava guardando sua verdadeira paixão, seu desejo cru e desenfreado, para ela.

Meu celular vibrou com uma notificação. Era do aplicativo da babá eletrônica, aquele conectado à câmera em nosso quarto. Um aplicativo que ele insistiu que instalássemos. Eu o abri.

A imagem era cristalina. André estava puxando Karina para dentro do quarto, suas bocas já coladas. Ouvi a risada dela, um som como vidro se quebrando.

— Sua preciosa Helena está dormindo na casa da mamãe?

— Claro — a voz de André era áspera, faminta. — Ela é tão ingênua. Acredita em tudo que eu digo.

— Você não tem medo que ela descubra? — Karina perguntou, suas mãos desabotoando a camisa dele.

— Nunca — ele disse com uma certeza arrepiante. — E mesmo que descobrisse, o que ela faria? Ela está grávida. Aquele bebê vai ser minha coleira. Ela não vai a lugar nenhum.

O som que rasgou meu peito foi desumano. Foi o som de um coração sendo partido em dois. O som de uma alma se quebrando. Ele não estava apenas me traindo. Ele estava usando nosso filho, nosso precioso bebê ainda não nascido, como uma jaula para me manter presa em sua teia de enganos.

— Não — sussurrei para o quarto vazio, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. — Não, você está errado, André.

Fiquei lá a noite toda, observando a tela, minhas lágrimas eventualmente secando, substituídas por uma determinação fria e dura que se instalou no fundo dos meus ossos.

Na manhã seguinte, enquanto o sol nascia sobre a cidade, não fui para casa. Fui para o escritório do meu advogado.

— Quero ativar a cláusula de infidelidade do meu contrato pré-nupcial — eu disse, minha voz firme. — E quero entrar com o pedido de divórcio.

Então fiz outra ligação, esta para um número que não discava há anos.

— Júlio Guedes, por favor.

Um momento depois, uma voz familiar e profunda atendeu.

— Helena?

— Júlio — eu disse, minha voz desprovida de emoção. — Preciso da sua ajuda. Preciso da sua ajuda para destruir meu marido.

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