Capa do Romance Entre Lençóis e Negócios

Entre Lençóis e Negócios

9.1 / 10.0
Bonnie enfrenta uma crise financeira devastadora, enquanto London, um influente CEO bilionário, busca uma esposa para consolidar seus planos. Diante de necessidades distintas, os dois selam um contrato de casamento com duração de um ano. No entanto, o que deveria ser apenas um acordo estritamente profissional e temporário começa a se transformar. Entre as obrigações do negócio e a convivência íntima, eles descobrem que sentimentos reais não seguem regras.

Entre Lençóis e Negócios Capítulo 1

Acordei de novo antes do despertador. O quarto ainda estava meio escuro, iluminado apenas pela luz tênue que passava pelas frestas da persiana, e o silêncio da manhã era tão pesado, quanto o aperto no meu peito.

Acima da cafeteria, o pequeno apartamento que herdei junto com o negócio, era o único lar que Noah e eu conhecíamos. Era simples, antigo e com um cheiro constante de café moído o que, honestamente, era melhor do que o cheiro de desespero que às vezes parecia tomar conta.

Me espreguicei com esforço e me sentei na beirada da cama por um segundo, tentei respirar fundo como se isso fosse organizar meus pensamentos, mas não funcionou.

Me levantei devagar, fazendo o mínimo de barulho possível para não acordar Noah no quarto ao lado e a última coisa que ele precisava, era ver minha cara de derrota logo pela manhã.

Na cozinha, preparei o café quase no automático. A cafeteira chiava e soltava aquele aroma que, em outros tempos, me trazia conforto, hoje, só me lembra das contas.

O envelope do banco ainda estava ali, sobre a bancada, como se me observasse. Me sentei à mesa com a caneca quente nas mãos, os olhos fixos naquela carta dobrada. Eu já sabia o que dizia, mas mesmo assim, abri mais uma vez, como se torturar minha esperança fosse um hábito matinal.

Prezada senhora Bonnie Dawson, informamos que o processo de execução hipotecária referente à propriedade, será iniciado em 30 dias, caso não haja regularização da dívida.

Casa e cafeteria, as duas coisas que me restaram dos meus pais. Trinta dias. Era tudo o que eu tinha.

Fechei os olhos e tentei manter a calma, meus pais não tinham deixado herança, fortuna ou garantias. Tinham me deixado esse prédio de dois andares, a cafeteria embaixo, lar em cima e um irmão de oito anos que ainda sonhava em pintar a fachada de amarelo com flores vermelhas na porta.

Trinta dias.

Passei as mãos no rosto, afastando o cansaço, Noah ainda dormia no quarto ao lado, respirei fundo, me obrigando a parecer forte quando abrisse a porta do quarto dele.

- Noah? Hora de acordar, amor - chamei com suavidade.

Ele se mexeu devagar, enfiando o rosto no travesseiro antes de se levantar com um bocejo enorme.

- Já? Mas eu estava sonhando que na cafeteria tinha um dragão! - murmurou, os cabelos bagunçados e os olhos ainda pesados de sono.

- Que bom! Talvez o dragão ajude com os boletos - respondi baixinho, mais para mim mesma.

Dei o café da manhã a ele, ajudei com o uniforme, penteei seu cabelo rebelde e conferi o lanche na mochila.

- Pronto, guerreiro? - perguntei, entregando a mochila nas costas dele.

- Pronto! Mas hoje você me leva com a joaninha, né?

- Claro. A joaninha sempre cumpre sua missão - forcei um sorriso.

Descemos juntos os fundos da cafeteria, e ele correu até o fusquinha vermelho estacionado no beco lateral. O carro tossia antes mesmo de ligar, como um velho ranzinza, mas ainda era nosso único meio de transporte.

- Vai, mana, acelera! - Noah gritou, animado, assim que entrou.

- Isso aqui não é uma Ferrari, pequeno - retruquei, dando partida e torcendo para o motor colaborar.

Pegamos a rua principal com o trânsito começando a esquentar. Noah cantava baixinho no banco de trás, e eu olhava de um lado para o outro, tentando prever os movimentos malucos dos motoristas ao redor.

Faltava apenas uma quadra para chegar à escola, quando meu telefone vibrou no painel. Olhei por um segundo e era do Banco Central, o meu coração acelerou, a respiração ficou curta. Seria um retorno? Uma chance?

E foi nesse segundo, um único segundo que quando voltei os olhos para a frente, o carro já estava perto demais.

- Merda! - gritei, pisando no freio.

Mas era tarde.

O som do impacto me fez gelar. A frente da joaninha encontrou com a traseira impecável de um SUV preto, brilhante, que parecia recém-saído de um comercial de TV.

Noah soltou um gritinho de susto, e eu instintivamente estiquei o braço à frente dele, mesmo com o cinto preso.

- Você tá bem?! - virei para ele, o coração martelando no peito.

- Tô bem! - ele respondeu, assustado, mas ileso.

Saí do carro correndo, o coração aos pulos, dei a volta, engolindo o pânico, e encarei o estrago. A joaninha agora tinha mais personalidade do que nunca, pena que isso significava um prejuízo que eu jamais poderia pagar, e então, com o estômago revirando, levantei os olhos.

A porta do SUV se abriu devagar, como se até isso tivesse sido ensaiado, o homem que saiu dali parecia esculpido por deuses, alto, ombros largos, terno impecável, cabelo penteado para trás, e uma expressão de puro desgosto.

Ele passou as mãos pelo rosto, como quem não acredita no que acabou de acontecer.

- Mas é claro... - murmurou para si mesmo, fechando a porta com firmeza. - Como se meu dia já não tivesse começado uma merda.

- Moço... eu sinto muito! - me adiantei, encolhendo os ombros, o rosto pegando fogo. - Eu... eu tava levando meu irmão para a escola e... foi só um segundo. Eu vou pagar! Nem que leve a vida inteira, mas eu vou pagar!

Ele virou o rosto lentamente na minha direção, os olhos dele de um azul quase cortante pousaram em mim com intensidade, mas nada disse e o meu corpo todo se arrepiou com aquilo. - Eu juro que não costumo dirigir distraída - continuei, nervosa. - Só... só me dá um tempinho. Não tenho como pagar agora, mas...

- Pare. - Ele levantou a mão. A voz era baixa, autoritária.

Engoli em seco.

- Só me dá os seus dados que o meu advogado entra em contato - completou ele, tirando o celular do bolso com impaciência.

Voltei para o carro correndo, peguei minha bolsa no banco do carona e peguei um papel e caneta que sempre carregava por precaução e no meio da tremedeira anotei tudo o que precisava e voltei até o homem e entreguei o papel.

Ele pegou o papel sem nem sequer olhar muito, apenas assentiu e voltou para dentro do carro.

Eu voltei para a joaninha, entrei no banco do motorista com as mãos ainda tremendo e olhei para Noah.

- Tá tudo bem, amor? - perguntei, tentando recuperar o fôlego.

- Tô bem. Só... assustado. Você vai ter que pagar o carro dele?

- É... mas a gente dá um jeito. - Sempre dá. Assenti devagar, engolindo seco.

Dei partida novamente. A joaninha, milagrosamente, ainda funcionava. Dirigi até a escola com cautela redobrada, deixei Noah no portão e só voltei a respirar quando ele sumiu pelos corredores.

E eu? Eu ainda não sabia o nome daquele homem.

Mas aquele carro, o acidente... ia mudar tudo em minha vida.

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