Capa do Romance O filho da CEO

O filho da CEO

9.0 / 10.0
Clarice vive uma fase excelente em um novo país, trabalhando para a patroa ideal. No entanto, a doença de sua chefe interrompe a calmaria, obrigando-a a convocar Giovanni, o único herdeiro da empresa. Criado pelo pai, ele é um homem marcado pela frieza e pela desconfiança extrema. Diante desse executivo implacável e amargurado, Clarice tentará usar seu otimismo para quebrar o gelo. Será que ela conseguirá transformar o coração desse herdeiro tão rígido?

O filho da CEO Capítulo 1

Atrasada. Eu raramente me atrasava, e a senhora Rosa sabia disso. Mesmo sendo australiana, ela preferia que eu a chamasse pelo primeiro nome, e eu, típica brasileira, aceitei. Nunca imaginei que um dia viria para a Austrália e ainda traria o meu pai junto. Mas a dona Rosa foi um verdadeiro anjo na minha vida.

Meses depois da trágica perda da minha mãe para o câncer de mama, encontrei dona Rosa em São Paulo, na clínica onde a minha mãe fazia o acompanhamento médico, infelizmente ela estava no tratamento também para combater a doença.

Ela era australiana, mas seu ex marido era brasileiro. Ela estava indo visitar o filho na sua casa de férias, pois não se dava bem com o seu ex-marido, que morava na Inglaterra, junto ao filho, que cuidava dos seus negócios por lá, tendo inclusive ocupado o cargo de CEO.

Lembro-me daquele dia como se fosse ontem. Estava na sala de espera da clínica, perdida nos meus próprios pensamentos, tentando lidar com a dor avassaladora da perda recente. Foi quando dona Rosa se aproximou de mim, com aquele sorriso gentil e acolhedor que parecia trazer um pouco de conforto para minha alma despedaçada.

Começamos a conversar, e descobri que dona Rosa tinha uma história de vida incrível. Ela entendia a dor que eu estava sentindo, pois também tinha enfrentado perdas e desafios na sua jornada. Aquela conexão, aquele encontro inesperado, foi o começo de uma amizade verdadeira e de uma jornada que mudaria a minha vida para sempre.

Dona Rosa se ofereceu para nos ajudar, para ser nossa ponte até a Austrália. Ela sabia da dificuldade que o meu pai estava enfrentando, tentando lidar com a tristeza da perda e ao mesmo tempo sustentar a nossa família. Com a sua generosidade e amor, ela nos deu uma oportunidade de recomeçar em um lugar novo e promissor.

E assim, um pouco hesitante, mas cheia de esperança, aceitamos a sua proposta. Embarcamos em uma jornada que nos levaria para além das fronteiras do Brasil, para uma terra distante e desconhecida. A Austrália se tornou o nosso novo lar, um lugar onde eu poderia encontrar paz e construir um futuro melhor para mim e para meu pai.

Dona Rosa foi como um anjo que apareceu nas nossas vidas no momento mais sombrio. A sua bondade e compaixão nos deram forças para seguir em frente, para abraçar as oportunidades que surgiram e transformar a dor da perda em motivação para conquistar os nossos sonhos.

E assim, com o coração cheio de gratidão, embarcamos nessa nova jornada, prontos para enfrentar os desafios que a vida nos reservava. A Austrália se tornou um símbolo de esperança, um lugar onde eu poderia encontrar a minha própria identidade e honrar a memória da minha amada mãe. E tudo isso, graças a dona Rosa, que se tornou não apenas uma amiga, mas uma verdadeira família para nós.

Eu estava cursando a faculdade de Moda, seguindo a minha paixão pelo mundo do design e das tendências. Dona Rosa, por sua vez, era uma empresária no ramo têxtil. A sua empresa, chamada "Textiluxe", era uma das principais companhias do setor, ocupando um lugar de destaque entre as cinco empresas do ex-marido, cujo filho agora assumira o cargo de CEO das quatro. Dona Rosa havia decidido não brigar na justiça pela sua parte nas empresas durante o divórcio, contando-me essa parte da sua história em um dos nossos encontros, ficando apenas com uma.

Fascinada pelo universo da moda, enxergava em dona Rosa não apenas uma mentora, mas também uma inspiração. Ela compartilhava comigo a sua vasta experiência no setor têxtil, ensinando-me sobre as tendências do mercado, técnicas de estamparia e as nuances da indústria da moda. Era um privilégio ter acesso a todo esse conhecimento e poder aplicá-lo nos meus estudos e futuros projetos.

Dona Rosa era uma mulher forte e decidida, que havia superado muitos obstáculos na sua vida. Ela tinha uma visão clara dos seus objetivos e trabalhava arduamente para alcançá-los. Ao ouvir as suas histórias, eu me sentia inspirada a seguir em frente, mesmo diante dos desafios que a indústria da moda apresentava.

Ela me encorajava a explorar a minha criatividade, a arriscar e acreditar nas minhas habilidades. Dona Rosa acreditava que eu tinha talento para deixar a minha marca no mundo da moda. A sua confiança em mim despertava uma chama de determinação, fazendo-me querer provar a ela, e a mim mesma, que era capaz de alcançar grandes feitos nessa indústria competitiva.

As nossas conversas iam além do âmbito profissional. Dona Rosa também me orientava sobre a importância de manter o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, de não deixar que o sucesso e a ambição tomassem conta de tudo. Ela compartilhava histórias da sua própria jornada, dos momentos em que teve que fazer escolhas difíceis, mas sempre valorizando a sua própria felicidade e bem-estar. Principalmente quando teve que deixar o seu filho aos cuidados do pai, ou ele ia priva-la de ver ele para sempre, e com a influência que tinha, com certeza conseguiria.

A minha vida não era perfeita, ainda mais com a morte recente de mamãe, apenas dois anos, mas está melhor do que eu poderia imaginar, e poder oferecer conforto e segurança ao meu pai, não tem preço.

Saí do táxi e adentrei a imponente e luxuosa Textiluxe. O prédio era um verdadeiro símbolo de elegância e sucesso, com a sua fachada espelhada reluzindo sob os raios de sol. Ao entrar, fui recebida pelo hall espaçoso, adornado com obras de arte modernas e um lustre deslumbrante que pendia do teto alto.

Enquanto caminhava em direção aos elevadores, cumprimentava os funcionários com um sorriso amigável. A atmosfera era vibrante, com o burburinho de conversas e o som dos passos ecoando pelas paredes revestidas de mármore. Cada detalhe denotava o cuidado e o requinte presentes naquele ambiente corporativo.

Os elevadores, com as suas portas de vidro reluzentes, eram o portal que me levaria ao andar onde trabalhava como assistente de dona Rosa. Subindo, as portas se abriram revelando um espaço ainda mais luxuoso. O piso era de madeira escura, polido a perfeição, contrastando elegantemente com as paredes claras revestidas de painéis de vidro que permitiam uma vista panorâmica da cidade.

Enquanto percorria os corredores, passava por salas de reuniões elegantes, onde executivos imbuídos de confiança e poder discutiam estratégias de negócios. Os móveis eram de design sofisticado, combinando o conforto com o bom gosto, e a iluminação cuidadosamente projetada conferia um ambiente acolhedor e profissional.

Chegando à minha estação de trabalho, o meu coração se enchia de gratidão. Ali, eu desempenhava as minhas funções como assistente de dona Rosa, uma mulher admirável que não apenas me pagava a faculdade, mas também me concedia um generoso salário. Olhando ao redor, podia apreciar o ambiente de trabalho ideal, onde eu era encorajada a crescer profissionalmente e onde cada detalhe era pensado para criar um espaço produtivo e inspirador.

— Amiga, tira esse sorriso de princesa sem sapato de cristal, porque o filho do capiroto tá ai. — A minha amiga, nada discreta, me tira dos meus pensamentos, entrando na minha sala sem bater.

Debora era cinco anos mais velha que eu, com os seus 31 anos. Trabalhava desde os seus 23 anos com Dona Rosa. Era a sua secretaria também, e havia me ensinado tudo o que sei.

— Ai amiga, credo. — Respondo com um sorriso no rosto, deixando o meu sob tudo no descanso e indo lhe dar um beijo de bom dia.

— É serio amiga, sem cerimonias, vim pegar o cafezinho da dona Rosa, ela inventou que você avisou que chegaria atrasada.

Eu não sabia muito sobre o filho de dona Rosa, exceto que era um homem deslumbrante, de pele clara e cabelos castanhos. A sua foto, sempre perfeitamente enquadrada na mesa de dona Rosa, era um objeto de admiração para mim. A cada troca de foto, parecia que ele ficava ainda mais bonito, embora a sua aparência não mudasse.

No entanto, a minha amiga me alertou sobre o seu temperamento. Segundo ela, apesar da sua beleza estonteante, ele era considerado ordinário e ranzinza. E hoje, finalmente, eu teria a chance de conhecê-lo pessoalmente.

Enquanto caminhava pelo corredor em direção à sala de reuniões, o meu coração batia um pouco mais rápido. Sentia uma mistura de curiosidade e nervosismo diante desse encontro tão esperado. Dona Rosa tinha mencionado anteriormente que o seu filho estaria visitando a empresa, e agora eu teria a oportunidade de ver com os meus próprios olhos se os rumores eram verdadeiros.

A porta se abriu e, ao entrar na sala, me deparei com a sua presença imponente. Ele estava lá, com seu olhar penetrante e postura confiante. Os seus cabelos estavam impecáveis, e a fisionomia bem-cuidada realçava ainda mais os seus traços masculinos. Eu mal conseguia desviar os meus olhos dele, cativada por sua beleza magnética.

Mas, ao mesmo tempo, a sua expressão séria e fechada não me passava despercebida. Era como se um véu de melancolia pairasse sobre ele, contradizendo a sua aparência deslumbrante.

O meu coração se dividia entre a admiração por sua beleza e a cautela em relação à sua reputação.

Me perguntava por que eu não conseguia simplesmente sair dali, por que não conseguia pronunciar nem mesmo um simples "olá" ou "bom dia". Mas cometi o erro de olhar para aqueles olhos verdes, um verde tão profundo que parecia congelante.

Era como se aquele verde fosse capaz de penetrar na minha alma, despertando uma sensação de frieza e distância. Naquele momento, tudo ao meu redor parecia perder um pouco de cor, enquanto aqueles olhos dominavam o meu campo de visão.

Eu sabia que não era apenas a cor dos olhos, mas a intensidade que emanava deles. Era como se estivessem cobertos por um véu de tristeza, deixando transparecer apenas uma fração do que realmente se passava dentro daquele homem.

Mas aquele verde profundo, embora frio, também despertava uma inexplicável curiosidade em mim. Eu me via perdida naquele esverdeado, querendo desvendar os segredos e as histórias que se escondiam por trás daquela expressão séria.

No entanto, a timidez e a incerteza me dominavam. Eu não conseguia encontrar as palavras certas para me dirigir a ele, nem mesmo para quebrar o gelo e iniciar uma conversa. Tudo o que restava era aquela troca de olhares, onde as emoções e as perguntas sem resposta pareciam flutuar no ar.

Enquanto o meu coração se debatia entre a vontade de fugir e a curiosidade de permanecer, eu sabia que aquele verde profundo guardava histórias que poderiam mudar o rumo das coisas.

Eu me perguntava se um dia teria a coragem de enfrentar aquele olhar congelante e descobrir o que realmente havia por trás daquela aparência inacessível.

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