Capa do Romance Minha flor de Lótus

Minha flor de Lótus

8.4 / 10.0
Separados por um muro e décadas de conflito, os reinos do fogo e do gelo vivem em uma guerra constante onde cruzar as fronteiras é proibido. A paz é uma memória distante até que a herdeira do domínio das chamas, em uma caminhada solitária por suas terras, depara-se com um inimigo infiltrado. Diante desse encontro inesperado entre opostos, eles precisam decidir se alimentam a rivalidade histórica ou se permitem o surgimento de uma conexão capaz de mudar tudo.

Minha flor de Lótus Capítulo 1

Ninguém podia atravessar o lado dos dominadores de fogo, assim como ninguém podia atravessar o lado dos dominadores de água, eles viviam em guerra e por muitos anos a paz não reinava entre os dois mundos, pois o fogo queria dominar o seu inimigo e a água jamais gostava de ser controlada, mas com o tempo e grandes guerras, a paz chegou. O povo cansado de lutas exigiu dos dois reinos distância, assim como paz, eles não queriam viver juntos, pois suas diferenças eram muitas a divisão entre o fogo e a água era necessária, então o mundo foi dividido entre o povo do fogo e o povo da água.

O povo do fogo ficou com o lado esquerdo, enquanto o povo da água com o direito uma linha feita de fogo e água dividia os territórios, esta mesma linha impedia a entrada e saída de povo, assim como mantinha a distância entre os dois mundos. O lado do fogo chamou seu reino de “Quemoor” e o lado da água chamou-se “catar” esta divisão formou-se no outono quando a flores ainda caindo no chão de ambos os lados os dois homens mais poderosos estavam construindo a linha que dividiria o mundo com os seus soldados, eles mal encarava o rosto um do outro a linha que dividiu os dois territórios demorou mais de dois anos para ser completa.

A linha que foi construída seguia toda a divisão do mundo, ela prosseguia com duas camadas a do lado esquerdo uma primeira camada de água e a segunda camada do lado direito de fogo. A camada impedia que qualquer pessoa que não dominasse a primeira camada fosse capaz de passar, mas esta é uma história que será descoberta ao longo do tempo, pois nunca surgiu um ser que dominasse ambos os dois elementos, pois as raças jamais haviam se misturado entre elas, pois havia muito preconceito e pelo mesmo motivo as inúmeras guerras aconteceram entre os dois povos.

O fogo era manipulador e ninguém conseguia dominar a sua fúria, ele era rebelde e indomável, ele mexia conforme a sua própria dança e o calor era a sua energia, eles odiavam o frio o gelo ou temperaturas imundas que impedia que o corpo deles ficassem quentes, eles eram um povo colorido e com bastante destreza e o medo não os dominava, temidos eles eram sempre temidos até pelos seus inimigos mais corajosos, o fogo continha uma chama interior que apenas os mais habilidosos era capaz de controlo ar aqueles que tentavam muitas vezes eram consumidos pelo seu próprio fogo. Os dragões foram seus ancestrais,eles dominaram o fogo e distribuíram para o povo do fogo como um prêmio pela ao homem que havia conseguido dominar o seu interior, por isto, o povo do fogo dominava e usava os dragões em seu mundo.

Haviam dois tipos de fogo, a maioria do povo tinha o calor em seu corpo, o calor do fogo beirando pela sua pele e correndo pelas suas veias, mas não dominavam nenhum fogo para fora de seu corpo, pois estava contido em sua pele apenas, porém o segundo aqueles que dominavam o fogo com as mãos e com todo o corpo, eles governavam, assim como criavam fogo com os pés, mãos, eles controlavam e geravam fogo. Aqueles que criavam fogo eram chamados de “criadores”, enquanto os que não geravam nenhum fogo eram conhecidos como “neutros”.

A água tinha mais que uma leveza, ela era pura, assim como fria, mas tinha momentos em que transmitia seus sentimentos, mas sempre bem controlados, eles eram contidos e por muitas vezes silenciosos. Estavam sempre um passo à frente e pensativos, podiam ser calmos e tranquilos, assim como furiosos quando sentia demasiadamente pressionados, então podia tornar-se revolto, porém por serem controlados seu poder era tão mais majestoso, que muitos não se atreviam a passar dos limites com um dos superiores. Eles viam do polo norte o frio e o tempo mais gelado, assim como as águas mais límpidas eram a transmitida pela calmarias, eles tornaram-se o povo de Catar, através dos anos e de muita meditação um único homem por sacrifico ao proteger a sua família ganhou um dom de manipular as águas, assim esta mesma forma passou de geração a geração. Poucas famílias dominavam tal poder, a concentração devia ser equilibrada e poucos tinham essa habilidade.

Lisa, a filha do fogo havia nascido na época do verão, ela cresceu forte e saudável, ela dominava o fogo, porém a arte de controlar o seu fogo interior estava longe de ser cumprida, ela era um fogo descontrolado onde a chama ela ainda não havia dominado. Os conselheiros ajudavam em seu treinamento sempre orientando a sua majestade que ela ainda estava em uma fase crítica, pois ela já estava completando seus dezoito anos e seu fogo era incontrolável. Lisa, já havia deixado o castelo e colocado chamas em várias de suas coisas, ela não o dominava, ela estava sendo dominada, algo que por milênios jamais havia acontecido entre os dominadores de fogo.

Não controlar seu próprio fogo era um fardo pesado e além de pesado era considerado por muitos uma verdadeira lástima, então todos consideravam a princesa, apenas uma garota com pouca importância. Lisa cresceu regada de privilégios como a filha do Rei, mas desprezada pela sua falta de conhecimento sobre controlar seu fogo interior e seu fogo externo. Ela passou a não mais utilizar seu fogo, apenas aprendendo sobre a teoria de como o fogo devia ser domado e controlado, Lisa ficou proibida de usar o fogo em qualquer lugar ou ambiente.

-- Não pode exigir tal proibição. Disse ela ao seu corpo com o corpo já quente querendo subir ainda mais a temperatura, naquele pequeno quarto em que ambos estavam ela podia sentir a raiva do próprio Rei em sua direção.

-- Não consegue controlar ele -- disse seu pai apontando para o seu corpo -- então, não deveria usar. Ela tentava não dizer nada, já sabia que toda vez que a situação fugia de seu controle o fogo parecia ter uma vida própria tomando a sua decisão antes consultar com Lisa.

-- Eu tenho que tentar. Disse ela sussurrando, ela escondeu as suas mãos atrás de si, percebendo que as chamas já estavam vindo e circulando para os seus braços.

-- Terá tempo -- disse seu pai colocando a mão em seus ombros -- no momento certo e na hora certa saberá controlar.

-- Quanto tempo ? Dizia ela mais para si mesma do que para o seu próprio pai, ele puxou o seu rosto na direção dele e como um Rei, ele mostrou o olhar mais duro.

-- A questão não é o tempo, mas o que fará quando souber dominar o fogo ou por que quer tanto aprender a dominar o fogo que a em você. Ele não entendia as suas palavras estava nublada pela ganância, assim como o poder que vinha, ela queria ser vista pelos homens como a mulher que sabia dominar o fogo, que deixou de lado os motivos e as razões de um homem aprender a controlar o fogo, ele não era para a ganância do prazer de estar um passo à frente, pelo contrário, ele era para proteger e cuidar daqueles mais precisavam e Lisa estava nublada por outros pensamentos que não chegavam perto desse a vaidade a tomava de tal forma que ela não conseguia dominar o que seu poder.

Lisa andou de um lado para o outro antes de sentar em sua cama, ela sabia que não podia praticar a dominar o fogo, então decidiu não mexer nisso por enquanto. Ela obedeceria seu pai, mas não por muito tempo, ela ficou pouco mais de dois dias sem mexer com isto e já estava irritada pelo progresso de seu irmão mais velho Alex. Além de dominar o fogo com tamanha perfeição, ele conseguiu em menos tempo do que todos os outros guerreiros a dominar o seu fogo interior e a raiva em Lisa, crescia conforme o seu irmão crescia no que ela gostaria de crescer.

-- Lisa -- dizia Alex vindo em sua direção, ela havia acabado de sair de uma de suas aulas teoricas sobre a ancestralidade do fogo -- papai está certo,o mais importante e que entenda o motivo de usarmos o fogo, então poderá usar ele corretamente.

-- Está dizendo que estou usando ele errado ? Disse ela parando virando seu rosto na direção do irmão, Alex balançou a cabeça indignado com a acusação, mas já estava acostumado com as interpretações de vítima que sua irmã mais nova sempre fazia.

-- Não -- disse ele dando um empurrão em Lisa, ela encarou seu rosto ainda perplexa, mas nada disse -- estou dizendo que você deve entender o que você tem que fazer com o seu poder. Disse ele como se estivesse falando como uma criança como deveria fazer uma coisa muito simples o que a deixava cada vez mais possessa de ódio.

-- Dominar. Disse ela irritada voltando a andar, ele a seguiu disposto a tentar continuar a conversa, Alex tinha a intenção de ajudar ela, mas primeiro ela precisava entender o que o seu pai também tentava lhe explicar.

-- Proteger. Disse ele fazendo um movimento circular com o fogo e depois fechando a sua mão e abrindo deixando uma pequena mão no centro, então ele fechou de novo com ela sumindo por completo.

-- Não venha filosofar para mim, irmão. Disse Lisa, agora parada em dois corredores do castelo. Havia soldados em todo o lugar vigiando o local, assim como vigiando ela, pois Lisa podia fugir a qualquer momento como já havia feito algumas vezes.

-- Está muito longe de entender o significado das coisas. Dessa vez ele foi mais duro, ela fechou o seu rosto e encarou os seus olhos e ambos permaneceram assim.

-- É você como sempre muito perto.

Mais nada ela disse, ela virou o rosto para outra direção, assim como ele, então cada um deles andou para um lado oposto indo para fazer suas tarefas. Por mais que soubesse que seu irmão, apenas queria ajudar Lisa, ela sentia-se indignada e irritada, ela não permitia ser tratada como seu irmão a tratava e muito menos ouvir tal ladainhas sobre como dominar o fogo, ela sabia que podia conseguir, ela precisava de tempo e ficar sozinha consigo mesma, ela sentia que precisava deste tempo para permanecer consciente de seus próprios problemas.

Não dominar o fogo para ela era como não dominar a si mesma, ela não podia deixar que seu irmão estivesse um passo à sua frente, ela não podia deixar que ele conseguisse estar certo e ela errada. O ódio crescia, assim como sentia o fogo cada vez mais dominando o seu corpo e a suas veias, ela fez o que havia aprendido com seu pai quando criança, ela tampava a boca puxando todo ar para dentro, então ficava desse jeito por mais de quatro segundos, então o fogo goberto soltava uma fumaça que depois ela abria a boca e ele saiu tranquilamente de fora dela. Ela fazia tantas vezes este mesmo truque a deixava mais irritada, pois era um truque para crianças, que pessoas que já tinham alto controle, já não precisavam mais usar, Lisa não gostava de ter que estar sempre utilizando ele, pois lembrava da vez que teve que fazer este mesmo movimento em público com todos a observando, ela lembrava das caras fechadas em sua direção e dos olhares de reprovação.

“Lisa, tinha quinze anos quando participou do grande evento era a celebração do verão, o sol e o calor intenso estavam chegando, então o castelo era aberto para todo o povo e para todos os outros reinos de fogo participarem. Ela andava do lado do seu irmão como seu pai havia exigido, Alex devia ficar perto de Lisa, para que ela não causasse nenhum tipo de acidente. Algo que ela prometeu não fazer, mas no fim seu pai acabou decidindo que ela não devia ficar sozinha e seu irmão devia cuidar dela, mas Lisa tinha planos de mostrar que era capaz de cuidar de si mesma e este fora seu maior erro naquele dia.

Ela conseguiu com muito esforço ficar longe de seu irmão, ela começou a andar entre o castelo indo diretamente para a reunião dos reinos, que só podiam entrar pessoas de níveis altos. Ela ficou do lado de fora perto da porta vendo aquela emoção de estar perto de guerreiros condecorados que lutaram contra os dominadores de água. Ela queria falar com um deles e pedir permissão para que os maiores segredos sobre dominar o fogo fossem contado a ela, mas as coisas não aconteceram como Lisa desejava.

-- O que está fazendo, garota ? Quando Lisa virou-se ela não teve reação para o homem que estava à sua frente, ele tinha o corpo todo desenhado por por linhas que faziam curvas em todo o seu corpo e seguia para o seu rosto, elas pareciam veias de fogo que ficavam acesas e circulavam um por todo ele.

-- Eu… meu pai. Ela não terminou de falar, pois o homem cuspiu o fogo em sua frente, ela pulou para trás, então o medo foi passando pelo seus olhos e o velho homem começou a rir, ele encarou o rosto de Lisa, que agora podia ser visto de mais perto.

-- É a filha do Rei -- disse fazendo um breve reverência de mau jeito para Lisa -- é filha do fogo e tem medo dele -- Ela estava prestes a responder mais o fogo já estava dominando o seu corpo, ela sentia a respiração arfa, então sentia o fogo descontrolado em seu corpo, ela queria correr, mas o homem não saia de sua frente, então ela puxou o ar para dentro envergonhada, então contou até quatro segundo e fumaça saiu de sua boca, ela pode sentir a risada do velho que balançava a cabeça em sua direção -- truque de criança -- disse ele ainda rindo -- seu pai devia ter vergonha de você. Alex havia chegado na hora, ele levantou sua Lisa do chão pedindo desculpa ao homem e correu para longe com a sua irmã, desde desse dia, Lisa jamais foi a mesma menina com Alex, aquela amizade entre irmãos havia acabado no mesmo instante que o velho havia falado aquelas coisas para Lisa e no mesmo dia elogiado a destreza e dominação do fogo de seu irmão.”

Ela foi dominada pela inveja e seu fogo cada vez mais deixava ela de lado, Lisa não entendia como funcionava e muito menos dava ouvidos para o que os outros diziam. Ela era difícil de lidar, pois não aceitava conselhos com facilidade a sua teimosia falava mais alto e mais alto a impedindo de prestar a devida atenção no que os outros diziam a ela. Sua característica era muito parecida com a da sua mãe, reclamava sempre de seu pai, pois ela tinha nascido do mesmo jeito, ele sempre a olhava com um olhar de ternura e balançava a cabeça para um lado e para outro negativamente.

A Rainha era um símbolo de força e de teimosia como o povo já estava acostumado a falar e dizer, mas a rainha não dominava o fogo, ela apenas mantinha a chama quente em seu corpo, mas o dom da dominação não havia sido dado a ela. Muitos foram aqueles que foram contra o casamento, mas o Rei casou-se mesmo assim, então a Rainha para não tornar-se um peso pesado aprendeu a usar uma arma e arco e flecha, ela sempre dizia aos seus filhos que aprendera a lutar com apenas um propósito.

-- Não quero deixar seu pai descontente comigo -- dizia ela passando a cabeça nos cabelos de cada um dos seus filhos -- sou a companheira dele e ajudante -- falava ela sorrindo docilmente -- então, não posso ser um fardo pesado.

Mais Lisa, jamais havia entendido tamanho sacrifício, ela não entendia a postura de sua mãe em lutar pelo amor de seu marido, ela sempre observava de dia e de noite a sua mãe aprender sobre a luta para estar preparada para tudo ao lado do Rei. Ela concentrava em cada dia ser melhor para o Rei e todos os sacrifícios eram feitos por ela e nunca havia falado nada. O Rei falava contra todos que falavam mal da Rainha, mas ele não podia controlar para sempre o silêncio do povo, por fim a decisão da Rainha de aprender a lutar fez toda a diferença, pois ela tornou-se uma guerreira digna de estar ao lado de sua majestade.

Ninguém esperava a morte repentina da Rainha, ela morreu protegendo os seus filhos. Lisa lembrou daquele dia pensando sempre em sua fraqueza, ela não pode utilizar seu fogo, ela nada pode fazer e nem seu irmão, quando um grupo rebelde da colina decidiu invadir o quarto e atacar o posto da Rainha, ela correu para esconder os seus filhos de baixa da cama, Lisa tentou impedir, mas o olhar da Rainha já dizia tudo, a partir daquele dia, ninguém mais ousou dizer nada sobre ela a não ser de sua forma corajosa e teimosa de defender aqueles que estavam ao seu lado.

Esta mesma garra corria nos olhos de Lisa, mas tinha um outro objetivo, pois ela lutava e tentava vencer pela luxúria. Ela tentava subir no pedestal daqueles que estavam na primeira fila, ela lutava por ela e este era o problema, Lisa saiu andando chutando o ar. Ela só conseguia identificar a quentura que corria pelo vento, mas nenhum fogo saia de dentro dele de forma regular, às vezes pequenas faíscas, mas nada além disso. Ela parava quando os empregados passavam por ela de longe ela sentia aqueles risos, pois todos conheciam a sua história e todos riam dela como se fosse uma aberração.

Lisa entrou para dentro de seu quarto jogando-se em sua cama pensando nas empregadas que arrumavam o seu quarto. Ela ficou deitada encarando teto colocou a sua mão em sua frente encarando as veias vermelhas que passeavam pelo seu corpo, ela podia sentir o fogo seguindo pelo seu corpo, mas ainda não conseguia dominá-lo, ela não entendia o motivo de não conseguir, mas sabia que precisava conceder tal ato a si mesma. Este era seu desafio diário e estava pronta para fazer o que tivesse que fazer para conseguir.

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