Capa do Romance Laçada por um Alfa

Laçada por um Alfa

9.4 / 10.0
Dash Kavanaugh é o último descendente de uma linhagem de lobisomens quase extinta. Após uma guerra civil devastadora entre humanos e seres sobrenaturais, a ONU impôs a paz global. Agora, como novo alfa, Dash deve viver na sociedade humana para encontrar sua companheira predestinada. Sua missão é inaugurar uma era de igualdade e encerrar conflitos secretos. Contudo, ele não esperava que a mulher escolhida pelo destino transformaria completamente suas convicções.

Laçada por um Alfa Capítulo 1

Dash Kavanaugh é irlandês. Mesmo não existindo mais o conceito de países e dele mesmo ter votado em uma ação Global, para a existência de um governo único, mesmo com a descoberta dos não naturais, como são chamados, os supra humanos, assim catalogados pela ciência genética, ainda assim, nasceu na região da Irlanda e assim continua se considerando. É o filho mais jovem da alcateia dos Kavanaugh e por isto um dos guardiões da floresta, e pelo rumo da apresentação, você já deve ter percebido que ele é um lobisomem. Não um lobo e não um humano, um lobisomem, nascido de mãe e pai lobisomens. De uma longa e antiga alcateia. Uma das esperanças de seu povo para demonstrar que é tão normal quanto um humano comum. Os humanos agora, obviamente os caçam, como se fossem um perigo para a sociedade. Uma injustiça! Eles são até pacíficos demais, por isto vivem em locais encantados da floresta e cidades secretas no subsolo do planeta, não apenas os lobisomens, mas todos os tipos de criaturas existentes no mundo e que hoje se escondem nos lugares mais inóspitos possíveis. Apenas para preservar suas raças. A ONU é a maior responsável por sua preservação e é também quem detém o poder do planeta. Por causa dela a caça foi criminalizada e mesmo assim as pessoas ainda têm sociedades secretas que continuam caçando-os.

Mas os lobisomens continuam tentando mudar isso. Antes, os supra humanos uniam-se apenas com os da mesma raça, por segurança apenas, mas agora decidiram se unir com os humanos para que seus filhos sejam meio humanos e meio supra humanos. Para isto precisam ficar em uma lista de espera, apenas os que querem, óbvio e viajam para locais pré-definidos, onde terão suporte e viverão tranquilamente entre os humanos. Estudam, trabalham e conseguem se relacionar. Muitos passam a viver com suas famílias e realmente se apaixonam pelos parceiros. Hoje, Dash fará a primeira viagem para terminar a faculdade.

Entrará na nova faculdade como veterano em transferência. Terá sua própria casa e carro. Trabalhará e ganhará o mesmo que os humanos ganham normalmente nesta nova sociedade. Mas estará o tempo todo com o suporte que o programa oferece e se precisar, será retirado para proteção. Mas isto é uma outra realidade. Só retiram o participante se ele for descoberto ou se houver uma mínima ameaça. Cada casa usada pelos supra, tem uma entrada para o subsolo ultra secreta. São casas comuns mas que todos os supra conhecem, assim como algumas igrejas, secretamente, abrigam entradas para cidades de supra abaixo delas.

No momento, ele usa sua caminhonete apenas com seus pertences e a ansiedade de viver uma nova vida o invade. O relógio do painel mostra que são apenas 17h. É uma sexta feira. Segunda será o seu primeiro dia de aula na faculdade de humanos. Mal consegue esperar para conhecer e interagir com pessoas normais, para viver em uma cidade e em uma casa. Ter uma vida normal, como antes da grande revelação e subsequente caça aos supra naturais.

Passaram por tantos testes, ninguém saía da zona de proteção para viver com humanos tão facilmente. Tinham que provar que podiam se controlar.

Da mesma forma que existiam sociedades secretas de caça aos lobisomens, os supra também tinham uma parcela pequena de retaliadores, que se vingavam de humanos que haviam prejudicado algum deles. Eram tão procurados quanto os humanos que os caçam. Ambas, as sociedades têm os seus criminosos e preconceituosos, aos que chamamos suprafóbicos e humanfóbicos.

O objetivo geral é que nenhuma das duas categorias exista mais.

Dando a seta para a esquerda, Dash entrou em uma rua arborizada. O dia havia sido de pleno verão e ele estava indo a uma das melhores faculdades do continente. Havia estudado nas melhores escolas do subsolo e das florestas supra e passou com as melhores notas da turma. O programa da ONU os protegia dos humanos e protegia os humanos dos supra.

Eles escolhiam locais onde a maioria era a favor da convivência harmoniosa entre as raças os intercâmbios, por precaução.

Este local, onde Dash estava, era um deles.

Avistou sua casa e sorriu satisfeito. Ele trabalhou muito por ela. Nada disso era grátis. Todos trabalhavam e conquistavam todas as coisas que usariam na transição. Estacionou em frente a garagem e desceu do carro, colocando os pés pela primeira vez na cidade que moraria, fora da floresta protegida.

O vento fresco soprou, fazendo as mechas dos seus cabelos, recém cortados, roçarem sua testa. Os cheiros vieram com a brisa e ele parou por um instante, para gravar na memória, todas as sensações dali. O aroma de pinho plantado no entorno, das aroeiras e ipês floridos, e mais ao fundo, das árvores nativas. Olhou em volta, todas as casas eram do mesmo tamanho e padrão, o local era arborizado e logo atrás de sua casa havia uma pequena floresta, onde poderia fazer as corridas... O lobo, é claro.

Ao contrário do que as lendas diziam, os lobisomens tinham total controle sobre o corpo, a não ser em casos extremos de ameaça a ele ou a sua família . Não eram psicopatas assassinos. Não atacavam a esmo e muito menos transformavam as pessoas em lobisomens, os lobisomens nasciam assim, eram imutáveis e passavam os genes apenas de geração em geração. Da forma comum, fazer amor com sua fêmea e ter com ela um bebê. E Dash havia sido alocado em um lugar propício para achar a mulher que tinha os genes que combinavam com o dele. Então, sua companheira estava por ali, com noventa por cento de certeza, nesta cidade.

Abriu o porta malas e pegou suas coisas, carregaria com facilidade suas duas malas grandes, mas colocou uma delas no chão e a outra levou até a porta de entrada. Abriu com a chave que havia pego no porta-luvas e entrou, depositando a mala no Hall de entrada. Deu uma rápida olhada e voltou ao carro para buscar o restante das coisas. Era bem final de tarde e aparentemente poucas pessoas circulavam por ali. Um rapaz veio correndo com roupas de exercício na sua calçada. Passou e cumprimentou Dash, que acenou de volta e voltou a pegar suas coisas no porta-malas. Vida normal. Era isso o que ele deveria fazer, ter uma vida normal, com amigos, vizinhos e todos tipo de outras coisas que isso acarretava. Festas, interações com humanos e humanas., trabalho, faculdade e todo tipo de coisas que os humanos faziam normalmente. Usaria o fim de semana para ir ao mercado, cinema e fazer um passeio pelo campus da faculdade para conhecer os arredores e a disposição das salas.

Entrou na casa pela quinta vez e trancou a porta, finalmente havia terminado. Depois de uma viagem extensa de avião e de carro, sem paradas longas, como foi instruído, chegava a sua casa. Caminhou pelos cômodos e sentiu-se feliz. Tudo estava como ele havia escolhido. Os móveis e a disposição deles, do jeito que ele e o decorador haviam preferido.

Colocou as malas ao lado da entrada do closet e as abriu, pegou todos os cabides com as roupas de trabalho e da faculdade, juntou as meias e sapatos e dispôs nas araras, gavetas e prateleiras, deixando tudo organizado do seu jeito.

Foi até a cozinha e colocou as poucas coisas que havia trazido na geladeira. Tomou uma copo de água e pediu comida por uma aplicativo. Ligou a TV e configurou seus apps de filmes e séries para assistir enquanto esperava o jantar.

O celular tocou e ele o pegou para verificar a notificação. Era uma mensagem de sua mãe.

- Chegou bem filho? - Ele sorriu. Ela deveria ter contado o tempo em que ele chegaria em casa.

- Olá mãe, cheguei bem. Como estão todos?

- Que bom. Estão bem mas todos com saudades já.

- Sim, também estou. Vou fazer uma chamada de vídeo para você conhecer minha casa. - Ele ligou para ela e ela prontamente atendeu. Aqueles olhos mel que ele havia herdado um, já que o outro era verde, o olharam com carinho.

- Oi, filho! Parece que você saiu daqui faz uma vida!

- Oi, mãe, sinto o mesmo. Eu vou mostrar a casa. Está é a sala.. - ele foi caminhando e girando o celular para que ela visse o local inteiro. Sua família já havia visto a planta da casa e o planejamento de decoração, mas ele queria mostrar ao vivo como todas as coisas ficaram. - Aqui é o hall de entrada, esta é a cozinha, e tem mais dois quartos e um escritório. - Caminhou até os fundos e abriu a porta saindo para uma varanda, viram uma piscina aquecida. Sua mãe, Elizabeth estava muito feliz por ele. Ficaram mais alguns minutos conversando e quando terminaram a conversa, Dash se despediu prometendo ligar mais vezes durante a semana. Família era algo essencial para ele e sempre mantinha suas promessas. Suspirou ao se lembrar dos seus e sorriu. Ficaria longe deles e lutaria por uma vida melhor para todos, mais digna.

Dash tomou uma ducha e se vestiu, iria ao mercado e depois a um barzinho. Precisava começar a sua procura.

Penteou os cabelos castanhos com mechas naturais de cor mel. Uma das características genéticas de sua família por parte da mãe, assim como um dos seus olhos dourados e o verde era de seu falecido pai. Ele havia nascido com os olhos díspares e desde sua adolescência era muito popular nos círculos que frequentava. Dash havia se formado e havia inaugurado sua própria empresa voltada a genética e biomedicina e depois de alguns anos resolveu fazer mais uma faculdade e terminar seu doutorado em ciências. Tinha um contingente de biomédicos que trabalhavam com ele.

A ONU havia apoiado e até dado incentivo a muitos estudantes de medicina, ciências e tecnologia, voltados ao total benefício das populações de todos os continentes. Fazia mais de um século e meio desde a Guerra Civil e a dissolução dos governos, e mesmo com as novas leis de incentivo e proteção da humanidade, fauna e flora do planeta, ainda persistiam núcleos de insurgentes fascistas tanto de humanos, quanto de supra humanos que lutavam em uma guerra oculta para se destruírem.

Dash era um líder e protetor, o alfa de seu continente e estava no programa de incentivo a mistura de raças. Por isso ele estava ali. Os cientistas haviam descoberto uma pré disposição genética entre algumas fêmeas e machos de raças diferentes para reprodução, uma parcela minúscula era compatível e já que durante a guerra civil a população da Terra diminuiu drasticamente para dois bilhões de pessoas, era viável a miscigenação. O objetivo era que não existisse mais as duas raças e sim a mistura das duas.

- Tudo pela paz e pela liberdade dos povos. - Dash murmurou enquanto caminhava para o seu carro.

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