Capa do Romance A Irmandade acima de tudo -

A Irmandade acima de tudo -

9.3 / 10.0
Ambientada na Rússia, esta ficção de máfia e romance foca no entretenimento adulto, apresentando um glossário para termos estrangeiros. A trama contém cenas explícitas de erotismo e passagens com violência física e verbal, sendo restrita a maiores de 18 anos. A autora ressalta que as ações dos personagens não refletem suas opiniões pessoais e concede os devidos créditos às marcas reais citadas, valorizando a importância de cada empresa mencionada ao longo da narrativa.

A Irmandade acima de tudo - Capítulo 1

Kyara Smirnov

“Pode abrir os olhos, meu amor. Você já

está em casa.”

As palavras pareciam gentis, contudo, foi a

voz que imediatamente reconheci que me fez abrir

os meus olhos, em pânico.

— Boris?

Tentei me levantar, mas eu me sentia

aturdida, então, apenas me rastejei pela cama

tentando colocar o máximo de distância possível

entre nós dois. A minha cabeça pesava e eu sentia

como se meu corpo tivesse sido sacudido e girado

em várias direções.

— Onde eu estou? — indaguei fracamente

— O que estou fazendo aqui, Boris?

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Aos pouquinhos, parte do que eu

conseguia recordar vinha como flashes em minha

mente. A visita de Sonya, o presente de casamento

que ela disse que iria me dar.

Meu casamento.

— Dmitri!

Ao chamar por ele, os olhos cheios de

rancor de Boris caíram sobre mim, ele avançou em

minha direção, agarrando forte meus braços.

— Nunca mais suje sua boca com o nome

dele — ordenou ele, fixando os olhos carregados de

ódio nos meus.

Sempre temi a Boris, conhecia seu lado

cruel e como ele se transformava em uma pessoa

emocionalmente instável, mas nunca senti tanto

pavor como agora. Ele tinha ultrapassado todos os

limites e seria capaz de qualquer coisa.

— Você me sequestrou — acusei-o e

tentei me soltar sem sucesso — Um dia antes do

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meu casamento.

Um dos meus braços foi liberado quando

ele passou a mão em meu rosto. Isso me lembrou

Dmitri e de seu toque suave em mim.

— Nunca permitiria que se casasse com

ele — avisou Boris — Eu já disse, Kyara, você é

minha. Sempre foi e sempre será.

Boris era louco, não havia outra forma de

poder descrevê-lo. Amar alguém não era forçá-la a

ficar com você, mas sim, deixar que ela decidisse

se queria ficar, como Dmitri havia feito na Suíça.

— Você tem que me libertar, Boris —

disse angustiada — Se Dmitri...

Ele segurou firme o meu queixo, apertando

forte meus lábios, impedindo que eu continuasse a

falar. Lágrimas se formaram em meus olhos, de dor

e de desespero.

— Já disse para não falar dele. Não me

obrigue a ser violento com você para que entenda,

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Kyara.

Ao som de sua ameaça, entendi uma coisa,

não havia nada que eu pudesse dizer para conseguir

fazê-lo mudar de ideia, pelo menos não agora. Eu

tinha era que me manter viva, até encontrar uma

forma segura de sair daqui, porque eu sairia daqui

ou morreria tentando.

Isso me fez lembrar de algo que Irina me

disse uma vez sobre Dmitri. Excluindo os dias que

estive trancada no quarto e passei fome, nunca tive

realmente o desejo de fugir dele, não como sentia

com Boris. Porque por mais que eu tenha sido

mantida contra a minha vontade por algum tempo e

sido privada de minha liberdade, eu nunca consegui

ver nos olhos de Dmitri o mesmo tipo de escuridão

e maldade.

— Eu sei que você pode estar confusa

agora — disse ele ao me soltar — Estava prestes a

realizar o sonho de toda garota na Bratva, ser a

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escolhida do Pakhan.

Nunca almejei esse sonho, pelo contrário,

sempre desejei ir para bem longe desse mundo. Eu

me apaixonei por Dmitri e não pelo o que ele

representava. Aceitava e entedia o Pakhan porque

era parte de quem ele era, mas eu sempre iria

preferir sermos apenas Kyara e Dmitri, o casal que

teve dias incrivelmente lindos nas montanhas.

— Você ainda irá conseguir isso, minha

pequena — Boris se afastou da cama e eu me

encolhi mais contra a cabeceira — Vou acabar com

o Milanovic e serei o novo Pakhan.

Sem que eu pudesse controlar, um ganido

angustiado escapou de minha garganta. Pensar que

Boris pudesse ao menos tentar ferir Dmitri me

aniquilava por dentro.

— Vou dar um tempo para que assimile

tudo — disse ele antes de caminhar em direção à

porta — Descanse e depois voltamos a conversar.

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Vou esperar que esteja mais acolhedora.

Saltei da cama quando a porta do quarto

fechou logo após Boris sair. Uma vertigem me fez

tatear o ar até encontrar a parede onde consegui me

equilibrar. Poderia ser algum sintoma da gravidez,

mas eu tinha certeza que ainda era efeito do

clorofórmio que Sonya usou para me manter

desacordada e, assim, poder me sequestrar.

Será que teria algum efeito colateral para o

meu bebê? Apoiei as costas contra a parede e levei

a mão ao meu ventre.

Lágrimas pesadas deslizaram pelo meu

rosto. Eu nem havia contado a Dmitri sobre o nosso

filho, e me arrependia tanto por isso. Agora, eu

estava longe, nas mãos de um louco que poderia

fazer qualquer coisa comigo e com nosso filho

porque odiava o pai dele.

Não, eu precisava manter isso em segredo.

Precisava manter a calma e tentar agir com

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racionalidade. Eu não deixaria que Boris ou

qualquer outro colocasse em risco a vida de um

inocente que nem tivera a oportunidade de vir ao

mundo, cruel, mas que teria pessoas que o

amariam.

Rastejei-me até a porta, estava trancada,

isso não foi surpresa alguma para mim, mas eu

precisava tentar. Fiz o mesmo caminho de volta,

sustentando-me na parede, já que ainda não tinha

total controle do meu corpo, no entanto, fui em

direção à janela em vez da cama.

Esta não era a mansão Kamanev, percebi

isso assim que abri os olhos. Este quarto não era

igual a nenhum dos que tinha em minha antiga

casa. Quando puxei a cortina, o pânico começou a

me fazer suar frio.

Existiam grades com espaço apenas para

uma mão. O material da janela antiga e os ferros

novos soldados nele indicavam que foram

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colocados há pouco tempo. O pouco que conseguia

ver ao redor da casa também não animava muito.

Muitas árvores revelando um floresta densa e

muros altos.

Isso queria dizer que Boris estivera o

tempo todo arquitetando seu plano monstruoso de

me arrancar de Dmitri, e Sonya, a quem sempre

amei e protegi, havia agido ao lado dele, traindo a

minha confiança. Tudo o que eu vivia agora era

culpa dela, pois, eu teria fugido de Moscou naquela

mesma semana em que ela pediu minha ajuda para

enganar Boris e o médico dele.

Eu não conseguia me arrepender

totalmente por ter saído em socorro de Sonya –

embora ela nunca tivesse merecido a minha ajuda –

porque com isso, mesmo com a confusão inicial,

duas coisas maravilhosas tinham acontecido em

minha vida: Dmitri e nosso bebê.

Também havia todas as outras pessoas que

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entraram em minha vida para ficar e que jamais me

fariam sofrer como Sonya fazia. Vladic e seu jeito

irônico, sempre arrancando um sorriso de mim;

Irina com sua inteligência, fazendo-me olhar com

coragem meus sentimentos, e me tratava com mais

consideração e respeito do que minha irmã de

criação a vida toda; Amarillo, Darya, Kalina e seus

avós. Tantas pessoas boas que eu queria muito

rever, pessoas que eu desejava compartilhar minha

felicidade.

Fiquei olhando para o céu escuro. Eu

gostava de observar a lua e descobri que Dmitri

também apreciava. Pensar nele me causava um

novo tipo de dor, uma dor literalmente física que

começava em meu coração e irradiava por todo o

meu corpo. Enquanto novas lágrimas deslizavam

por meu rosto, eu pensava em tudo o que poderia

estar acontecendo em casa.

Quando ele havia percebido que eu já não

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estava mais lá? Ele acharia que fugi ou perceberia

logo de início que eu havia sido levada à força?

Quanto tempo Dmitri e Vladic levariam para me

encontrar? Eles conseguiriam me encontrar? Como

ele estava se sentindo ao saber que horas antes de

fazermos nossos votos um ao outro, eu tinha sido

arrancada dos seus braços? Ele saberia que foi o

Boris ou imaginaria que foi algo da Tambovskaya

em retaliação?

Eram tantas perguntas rondando minha

cabeça que cheguei a me sentir fraca. Olhei para a

lua uma última vez e voltei para a cama. Escorei

contra os ferros da cabeceira e ergui minhas pernas

abraçando os joelhos, enquanto o choro

inconsolável que eu tentava com muito custo

controlar, vencia a batalha sobre mim.

Como eu sentia falta dele. Do seu abraço,

do seu carinho, de me sentir protegida do mundo

com ele.

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— Dmitri — solucei enquanto me afogava

nas lágrimas banhando meu rosto — Venha nos

encontrar, meu amor.

Eu repetia isso como se fosse uma oração.

Por minutos, por horas, não sei dizer, mas nunca

pareceu o suficiente.

Só percebi que havia cochilado quando a

porta foi novamente aberta e Boris entrou ao lado

de um homem alto e musculoso. Aquele era Feliks,

o Boyevik que sempre andava com ele e que agora

deveria ter se tornado o segundo em comando,

depois que Boris se tornou o Kapitan Kamanev.

— Você está horrível, mílaya — disse

Boris ao avançar pelo quarto em direção a mim.

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— Não me chame assim! — as palavras

escaparam da minha boca antes que eu pudesse

controlar minha raiva.

Apenas Dmitri usava essa forma carinhosa

comigo, Boris não tinha o direito de manchar isso.

— Por que não? — seu olhar duro caiu

sobre mim.

Precisava pensar rápido, eu não podia

dizer meus reais motivos a Boris, não tinha a menor

ideia de como ele iria reagir à resposta sincera.

— Era como Roman me trava — disse,

sabendo que a desculpa era fraca demais, mas no

momento era tudo que eu tinha — Me traz

lembranças desagradáveis.

A arrogância de Boris era tão grande

quanto sua tolice. Porque somente um tolo teria

coragem de enfrentar Dmitri como ele fazia.

— Eu dei um jeito nele, não foi? — ele

acariciou as maçãs do meu rosto com o polegar e o

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gesto fez meu estômago revirar — Farei com que

esqueça completamente Roman e o desgraçado do

Milanovic.

Roman foi só um encantamento juvenil

por quem eu sentia mais ter sido a razão dele ter

perdido a vida do que amargava lembranças

românticas interrompidas.

Mas com Dmitri? Ele era e sempre seria o

homem da minha vida. Nunca poderia amar alguém

como eu o amava. Ele estava dentro do meu

coração como em meu ventre.

— Mas olha para você — disse Boris,

movendo meu rosto de um lado a outro para me

assustar — Milanovic não a tratava bem, não é?

Eu havia perdido um pouco de peso com o

início da gestação, mas o Dr. Kushin disse que era

normal e que após o primeiro trimestre isso

mudaria, mas eu não podia dizer isso ao Boris,

então, me mantive em silêncio enquanto ele me

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analisava com seu olhar asqueroso.

— Eu vi que não queria ficar com ele no

dia que fui trocar a Sonya por você — confessou

ele — É claro que tive que dar um castigo nela

quando aquilo não foi possível.

Eu não queria ter qualquer sentimento de

empatia pela Sonya, por tudo que me fez, mas

nesse caso, não conseguia evitar. Parte da razão de

ela ser assim foi a criação que teve e por crescer

vendo Boris conquistando tudo o que queria pela

força. Fjodor Kamanev foi bom comigo, mas fez

um péssimo trabalho na construção do caráter do

filho.

— Tome um banho, há roupas que

comprei para você no guarda-roupa, depois, aprecie

o seu jantar. Eu te faria companhia, mas preciso

cuidar de alguns detalhes. Você entende, não é?

Queria Boris o mais distante possível de

mim. Queria nunca mais ter que colocar meus olhos

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nele. E pensar que minha última preocupação em

relação a Kamanev foi que não comparecesse ao

meu casamento.

— Depois, descanse um pouco, nos

veremos amanhã — disse ele — Teremos muito

tempo para ficar juntos, Kya. A vida toda.

Não se dependesse de mim. Observei

Boris sair novamente, dessa vez, com alívio. Pelo

menos ele ainda não havia forçado a barra, o que

poderia acontecer a qualquer momento.

A porta fechou-se atrás dele mais uma vez,

aguardei um pouco até ir à bandeja de comida. Eu

não agiria aqui como agi nos primeiros dias com

Dmitri, ficando dias sem comer. Além de precisar

de força para aproveitar o melhor momento para

escapar, tinha que pensar em meu filho.

Enchi minha boca até que as minhas

bochechas virassem duas bolas enormes e usei um

pouco de chá para engolir tudo.

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Então era isso. Eu precisava armazenar o

máximo de energia que conseguisse, manter a

frieza e estudar todas as possibilidades que me

ajudariam a escapar deste lugar.

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