Capítulo 2

Barbara Souza Narrando

Abro os olhos um pouco devagar, a claridade invade o quarto, os raios do sol passam

através das cortinas, á 15 anos esse dia amanhecia ainda mais lindo, até porque era

aniversário do nosso filho, ainda deitada coloco minha mão para o lado para encostar em

Paulo, mas encontro a cama vazia. Eu me sento na cama e olho para o meu lado esquerdo

não o encontrando e acho tudo aquilo estranho, Paulo nunca acorda antes de mim e se isso

acontece, ele sempre me acorda, ainda mais hoje que era um dia tão especial para nós. Eu

olho para o criado mudo ao lado da cama e vou até ele e pego um bilhete que era de Paulo.

“Bom dia meu amor, voltarei apenas para o horário do jantar. Não se preocupe, estou

resolvendo alguns problemas com um amigo. Te amo”

Sem acreditar no que eu acabei de ler, vou até o closet para colocar uma roupa, Paulo

não era de sair sem avisar, ele nunca tinha feito isso,

Eu tento ligar para o seu celular, mas está caindo na caixa postal, deixo algumas

mensagens e fico olhando para ver se ele as visualizava e nada, aonde que ele foi? Com

quem? E por que não me falou nada? Ele nunca foi de fazer isso.

Saio do meu quarto com o celular no bolso, se caso Paulo me mandar mensagens,

saberei.

— Bom dia meu amor — eu falo batendo na porta de Pedro que está encostada.

—Bom dia mamãe — ele fala.

—Parabéns meu filho — eu falo me aproximando dele e o abraçando — Eu amo

muito você, saiba que te ter, foi o meu sonho realizado e desejo as melhores coisas do

mundo para você.

— Obrigado mãe — ele fala — Amo muito a senhora. Vamos descer para tomar café?

— ele pergunta.

—Você já não tomou com seu pai? — eu questiono

— Não, mãe — ele fala — O meu pai não passou no meu quarto hoje — eu o encaro

arqueando a sobrancelha — ele não disse aonde ia? Que estranho! — ele fala indo até a

janela — o carro dele está aí.

— Está? — eu falo indo até a janela e paro ao lado de Pedro .

— Quem sabe ele está caminhando?! — Pedro fala.

— Não! — eu respondo — O bilhete que ele deixou, está escrito que só vai voltar

para o jantar do seu aniversário — Pedro me encara.

— Nossa! — ele fala — estranho.

— Muito — eu respondo para ele. — Seu pai não é de fazer isso, sumir dessa forma,

ainda mais hoje no dia do seu aniversário. — vejo que Pedro fica preocupado e tento

amenizar a situação — Seu pai deve estar preparando alguma surpresa, deve ser isso para

ele sumir assim — sorrio e ele me olha — Vamos descer e tomar nosso café especial de

aniversário? — ele sorri.

— Vamos! — ele fala e eu coloco minha mão em seu ombro e depois abraço ele,

descemos as escadas abraçados um ao outro.

Paulo não era de sumir assim, ele nunca tinha feito isso, tento passar para Pedro que

não estava muito preocupada com esse sumiço do pai dele e além disso, ainda tem essa

mudança de comportamento repentinamente. Eu sei que Paulo iria ter uma boa explicação

depois, até porque ele nunca fez nada de errado, ele era um homem perfeito e em toda a

minha vida, nunca imaginei que iria encontrar um parceiro de vida que nem o Paulo, não

somos um casal perfeito, existia todos os conflitos de uma vida a dois, brigas, reconciliação

e tudo mais, mas a gente sonhou com cada pedacinho da nossa vida e conforme fomos

realizando, deixamos algumas besteiras de lado.

Eu e Pedro tomamos um café da manhã delicioso, só eu e ele. Gosto da conexão que

criei com meu filho, antes de ser sua mãe, me tornei sua melhor amiga, ele dividia tudo

comigo.

— Eu vou subir — Pedro fala.

— Eu vou tentar falar com seu pai — eu respondo para ele.

— Ele ainda não respondeu? — Pedro pergunta.

— Não! — eu respondo — Mas logo ele atende ou responde às mensagens — ele

assente com a cabeça — Arruma as suas malas Pedro, deixe tudo pronto para a gente passar

o final de semana na casa de praia — ele apenas faz um joia com a mão e sobe as escadas

Eu pego o meu celular para ligar para ele de novo e Liliane que era nossa funcionária,

se aproxima para retirar a mesa do café da manhã.

—Liliane, você viu quando Paulo saiu hoje de manhã? — eu pergunto para ela.

— Ele saiu bem cedo, eram umas 7h da manhã — ela fala — não quis nem tomar

café da manhã, até achei estranho.

— Você viu se ele saiu acompanhado? — eu digo a ela. — Pergunto por que o carro

dele está aí fora.

— Ele saiu sim — ela fala — Um carro azul o buscou, estava indo buscar os pães

quando eu o vi entrar em um carro azul no carona, mas não vi quem dirigia.

—Obrigada — eu falo para ela.

Eu me afasto da mesa do café, indo para a varanda da sala e tento ligar diversas vezes,

mas nem completa a chamada. Ele nunca tinha feito isso, nunca saía sem me avisar, nem

mesmo sem tomar café da manhã com a gente. Tomar o café da manhã juntos, era uma

tradição da nossa família e em 15 anos ele nunca tinha falhado nisso. Eu tento ligar e dessa

vez a chamada completa e fico na ansiedade esperando ele me atender, mas não atende e a

chamada vai para a caixa postal.

—Ele não me atende! — falo olhando para o jardim — Um carro azul? — eu

questiono, falando comigo mesma — O que está acontecendo com meu marido? — seguro

o celular perto do rosto e suspiro tentando imaginar o que poderia estar acontecendo.

Capítulo 3

Se aproximava da hora do jantar e Paulo ainda não tinha me dado notícias, não respondeu às minhas mensagens e muito menos retornou as inúmeras ligações que eu tinha feito.  Eu já estou pronta para o jantar e Pedro, já deve estar também.

Saio do meu quarto com o celular na mão ligando para ele e mais uma vez a ligação chama, chama e ele não me atende, caindo na caixa postal.

— Pedro? — entro em seu quarto chamando-o e vejo que ele está terminando de se arrumar. — Seu pai falou com você hoje? — ele me encara.

— Não — ele fala. — Não ligou e nem me mandou nenhuma mensagem.

— Você tem certeza?— pergunto-lhe e vou até à janela do quarto, vendo que o carro de Paulo está no mesmo lugar. —Vê no seu celular, se ele enviou alguma coisa.

— Não tem nada mãe — ele responde pegando seu celular na mão. — A última vez que meu pai olhou o celular dele foi às 6h da manhã — encarou Pedro. —Você acha que está tudo bem com ele? — Pedro pergunta preocupado.

— Sim — respondo para ele, tentando amenizar a preocupação de Pedro — Você nem está pronto? — falo olhando para ele.

— Estou sim! — ele diz sorrindo e eu o encaro, observando aquelas roupas largas.

— Eu ainda não me acostumei com esse seu estilo — falo olhando para ele. — É descolado mãe, modernidade — ele diz e eu o encaro, ele começa a rir.

Escutamos buzinas lá fora, olho pela janela e vejo Paulo chegar com um carro novo, Pedro me olha e saio do quarto correndo, desço as escadas e assim que abro a porta falo apressadamente.

— Paulo, onde você estava? Não me respondeu e nem me atendeu — eu já digo nervosa.

— Estava resolvendo a nossa vida — ele diz descendo do carro, com um ar misterioso. — Não se preocupa querida, eu deixei tudo resolvido para qualquer problema futuramente —  eu o encaro sem entender nada.

— E esse carro pai?— Pedro pergunta para ele e eu olho para aquele carro.

— É seu presente de aniversário — ele diz e eu encaro Paulo, Pedro abre um sorriso.

— Você está louco? — perguntei-lhe e os dois me encararam — Ele está fazendo 15 anos — Paulo me encara. — Ele não tem idade para andar de carro.

— Eu sei — Paulo responde — O carro cará estacionado na garagem e eu ensinarei Pedro a dirigir nele e quando ele tiver 18 anos, não precisará de um, porque ele já tem o carro.

— Isso é um presente que você daria quando ele completasse 18 e não 15 anos! — eu falo para ele.

— É lindo pai — Pedro fala. — Adorei! — ele entra no carro e Paulo se aproxima de mim.

— Quando ele completar 18 anos, eu não sei se estarei vivo para dar esse presente a ele —Paulo fala passando a sua mão pelo meu rosto.

— Você está escutando o que está dizendo? — eu falo para ele.

— Amo você — ele fala. —É só um presente, Pedro não sairá dirigindo pelas ruas — ele me olha e passa sua mão pelo meu rosto, como se o estivesse memorizando cada pequeno detalhe.

— Onde você estava? Saiu sem me avisar, você nunca fez isso e nem com Pedro, você falou — falo para ele. — Quem foi a pessoa que te buscou aqui? de quem era o carro azul?

— eu o questiono.

— Ciúmes Bárbara?— ele fala rindo. —Não se preocupe! — ele beija a minha testa. — Fui resolver algumas pendências importantes, para nossa vida e para a empresa — ele diz e passa por mim, entrando em casa.

— Que pendências são essas que eu não estou sabendo? — falo indo atrás dele.

— Con a em mim! — ele fala se virando e paro na sua frente. — Eu precisava resolver essas coisas, deixar tudo em ordem.

— Você não pode resolver as coisas sozinho Paulo, nós dois somos um casal e sempre resolvemos tudo juntos e por que isso agora? Por que você não me conta? — ele abre um sorriso de lado.

— Calma, eu não z nada de errado — ele diz me olhando. — Está tudo certo, não tem porque você car nervosa dessa forma — Suspiro angustiada. —Hoje é o aniversário do nosso lho e precisamos comemorar, eu juro que está tudo bem e não z nada de errado, tudo o que z hoje foi pensando na felicidade de vocês dois.

— Eu só não entendo por que você fez algo escondido de mim?! — eu falo para ele — É só isso que eu queria entender, sempre fomos transparente em tudo.

— Não se preocupe, eu não estou morto e nem preso. — Ele fala me olhando. — Ainda! — ele faz gesto com as mãos.

— Como assim ainda? — questiono sem entender, quando ele iria falar novamente a nossa empregada Liliane interrompe.

— Desculpe-me, senhora Barbara — ela diz e Paulo aproveita para subir para o quarto — O bu et chegou aqui, não era para ir para empresa? — Encaro Paulo subindo e depois olho para ela.

— Sim, eles estão errados. Só problemas hoje! — resmungo. —Vou lá falar com eles — Ela assente com a cabeça.

(***)

Após falar com o pessoal do bu et e os enviar para o endereço certo, eu olho para o lado vendo Paulo falar com um dos garçons contratados ao lado da Van. O garçom olhava para ele intrigado, mas presta muita atenção no que ele dizia, é quando Paulo entrega um envelope pardo nas mãos dele e ele abre o envelope conferindo o que tinha dentro, tira um maço de dinheiro e eu me aproximo.

— Paulo! — eu o chamo. — Se arrumou rápido — ele me encara assustado.

— Babi, meu amor — ele fala me olhando. — Estou só pagando o bu et.

— Em dinheiro? — Pergunto intrigada

— A metade antes da festa é obrigatória ser em dinheiro, senhora — aquele homem vestido de garçom me fala.

— Então, você já sabe o endereço, tudo tem que estar impecável — Paulo fala para o garçom que assente com a cabeça.

Sorrio fraco para Paulo que pega a minha mão e a beija.

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