Capítulo 2

BILLY

— É, parece que você não vai conseguir nada ali! — Kevin sussurrou provocativo, apontando discretamente na direção de Briana.

— E quem disse que eu queria algo com ela? — Respondi com uma ponta de irritação, sentindo a tensão aumentar.

— Te conheço muito bem, Billy! — Ele gargalhou, sua expressão desafiadora.

— Que se dane, cuide da sua vida! — Respondi firme, sentindo a necessidade de impor limites.

— Existe outro impedimento: a Alison. Ela está no seu pé também! — Ele gargalhou mais alto, como se encontrasse humor na situação.

— E desde quando eu devo satisfação a ela? — Sentei-me sobre a mesa, deixando claro meu descontentamento. — Você sabe muito bem que nosso lance não é sério, nunca foi! — Encarei os cabelos ruivos da garota à minha frente, determinado a deixar as coisas claras.

— Pessoal, escolhi o tema sobre meio ambiente! — Alison exclamou, segurando uma cartilha nas mãos.

— Legal, eu adoro a natureza! — Briana murmurou com um brilho nos olhos, enquanto Alison revirava os dela.

— Depois da aula vamos a um barzinho, tá afim de ir com a gente? — convidei, tentando manter a animação apesar do desconforto que já se instalava.

— Obrigada, mas não vou. Moro um pouco distante da cidade, não posso perder a minha carona! — Briana disse, ajeitando algumas mechas de cabelo atrás da orelha com um gesto delicado.

— Suponho que sua carona seja o seu irmão? — perguntei, estreitando os olhos para tentar entender melhor sua situação.

— O próprio! — ela sorriu de canto, um sorriso que escondia mais do que revelava.

— Convide ele pra ir com a gente! — sugeri, tentando encontrar uma solução para sua relutância em participar.

— Seria uma grande perda de tempo, tenho certeza que ele não iria, além do mais, o que vão fazer em um bar? Ainda são menores de idade, não deveriam vender bebidas pra vocês! — Ela falou com um lindo biquinho formando-se em sua boca, uma expressão que misturava preocupação e curiosidade.

— O Billy não é menor de idade, ele já tem 18, e mesmo que fosse, ele pode tudo, o pai dele é praticamente dono dessa cidade! — Kevin interveio, dando ênfase à influência de minha família.

— Uau, então você vem de uma família influente e poderosa? — Briana me olhou com ainda mais curiosidade, parecendo querer decifrar algo em mim.

— Não gosto de falar sobre a minha família! — soltei um sorriso forçado, tentando desviar o assunto.

— Pelo visto você também foi reprovado algumas vezes, não é? Já que é maior de idade! — Ela arqueou uma sobrancelha, parecendo ter encontrado um ponto sensível.

— Duas vezes pra ser exato, estou a caminho da terceira reprova! — pisquei discretamente para ela.

— Quase tive uma reprova também! — notei ela dando uma leve mordida no lábio inferior, um gesto que denunciava uma certa tensão.

— Então, Briana, você vai com a gente ou não? — Kevin entrou novamente na conversa, parecendo não entender a relutância dela.

— Já disse que não, moro bem distante daqui! — sua voz assumiu uma certa rispidez, indicando que não queria mais prolongar o assunto.

— Levo você depois! — Olhei nos olhos castanhos da garota, decidido a encontrar uma solução.

— Como é? — Alison se intrometeu, mostrando-se surpresa com a minha oferta.

— É isso mesmo que você ouviu, me ofereci para levá-la depois, algum problema com isso? — meu tom de voz tornou-se mais firme, deixando claro que não aceitaria interferências.

— Gente, eu não quero causar problemas! — Briana suspirou, preocupação transparecendo em seu rosto.

— E não terá, não é mesmo, Alison? — Encarei os olhos enojados da garota que costumava impor suas vontades sobre mim.

— Não! — sua voz mal saiu audível, refletindo seu desconforto diante da situação.

— Não ouvi direito, quero que fale em voz alta! — segurei firmemente em seu maxilar, exigindo uma resposta clara.

— Não, ela não terá problemas! — Alison acabou por gritar, cedendo à pressão.

— Boa garota! — soltei minha mão de seu rosto, percebendo o olhar surpreso de Briana sobre mim, uma mistura de espanto e admiração que eu não conseguia decifrar completamente.

Certamente ela deveria estar me achando insensível, mas eu estava pouco me importando com o que pensavam de mim naquele momento. A maioria que me conhecia já sabia como eu era, e eu não fazia questão de mudar essa percepção. Foi então que o treinador do time de futebol pediu licença ao professor e entrou na sala de aula.

— Tenho uma vaga para jogador e duas para animadoras de torcida. Alguém se habilita? — perguntou ele, e o silêncio na sala foi total, dando para ouvir até os grilos cantando lá fora, no jardim do colégio.

— Parece que ninguém aqui vai querer participar! — comentou o professor, que parecia já esperar por essa reação.

— Quem é a senhorita Foley? — o treinador perguntou, e percebi que Briana apertou os olhos com força, suas bochechas ficando vermelhas como pimentões. Não demorou muito para ela se virar para ele e levantar a mão, visivelmente envergonhada.

— Ah, é a aluna nova! — o professor esclareceu, sorrindo.

— Seu irmão disse que você era animadora de torcida na escola anterior! Ele me informou que você comandava as garotas, quero você na minha equipe, não aceitarei um não como resposta! — o treinador aproximou-se, encarando-a de forma determinada.

— Pelo jeito não terei escolhas, não é? — ela cruzou os braços e o encarou de volta, resignada.

— Te espero para ensaiar com as garotas depois das aulas! — ele avisou e saiu da sala.

— É, parece que ela não vai ao bar do Joe! — Alison comentou, com um sorriso pretensioso no rosto.

— Vai sim, a gente espera o treino acabar! — Eu arquei as sobrancelhas, decidido a incluí-la em nossos planos.

— Não precisa, eu não quero acabar com o programa de vocês! — Briana desviou o olhar depois de me encarar por um instante.

— Tá vendo? Ela disse que não precisa! — Alison bufou, irritada.

— Você é tão irritante, Alison. Vamos encerrar isso de uma vez! — exclamei, colocando a mão sobre a cartilha do trabalho e mudando completamente de assunto, querendo evitar mais discussões desnecessárias.

As horas seguintes foram consumidas pela tarefa que o professor havia designado. No entanto, Kevin e eu permanecemos inativos, enquanto as garotas realizavam o trabalho em nosso lugar.

— Por que esses dois preguiçosos não estão ajudando? — questionou Briana, com uma expressão de desaprovação evidente em seu rosto.

— Eles nunca fazem nada! — acrescentou Hanna, demonstrando sua frustração com a situação.

— Estão brincando comigo? Eles vão levar crédito pelo meu esforço? — Briana cruzou os braços e me encarou, buscando uma resposta que justificasse nossa inação.

— Apenas faça o trabalho, Briana! — levantei-me abruptamente, inclinando-me para frente com as mãos apoiadas na mesa, tentando manter a compostura diante da acusação.

— Não sou sua empregada, idiota! — ela explodiu, pegando um livro e o lançando em minha direção, surpreendendo a todos na sala com sua reação impulsiva.

— Peça desculpas! — murmurei, desviando o olhar para evitar encará-la diretamente, sabendo que sua raiva era justificada.

— Você vai ajudar ou não? — ela colocou os cabelos de lado, esperando uma resposta firme.

— Não, eu não vou fazer merda nenhuma! — rosnei entre dentes, deixando claro que não cederia à pressão. 

— Então não espere que eu peça desculpas! E mais uma coisa, os nomes de vocês não serão incluídos na entrega! — Ela assumiu uma postura firme, apoiando uma mão na mesa e a outra na cintura, deixando claro que estava determinada em suas decisões.

— Você não faria isso! — Gargalhei, tentando minimizar a situação com um pouco de humor.

— Quer apostar? Não me subestime, você não tem ideia do que sou capaz! — Ela deu um leve tapa em minha bochecha, mantendo seu olhar desafiador. Por um momento, hesitei, tentando articular uma resposta, mas percebi que, de certa forma, ela tinha razão.

— O que devo fazer então? — Perguntei, sentindo os olhares da turma sobre mim, enquanto ao mesmo tempo, um sorriso audacioso surgia nos lábios de Briana.

— Sabe desenhar? — Ela perguntou, e concordei com a cabeça. — Ótimo, então desenhe algo relacionado a uma floresta! O Kevin pode colorir quando você terminar! — Falou como se estivesse comandando a situação. Acabei seguindo suas instruções, desenhando elementos naturais e relacionados à natureza. Briana pediu permissão para sair da sala, enquanto Hanna, Kevin e Alison me encaravam com curiosidade.

— Que foi isso, Billy? — Questionou Hanna, intrigada com minha mudança de atitude.

— Desde quando você obedece a alguém assim? — Alison cruzou os braços, demonstrando descrença na situação.

— Por que não fez algo a respeito? — Kevin gesticulava com as mãos, querendo entender minha escolha.

— Calma, pessoal, eu só não quis criar um problema com o professor! Se ela contasse a ele, certamente daria razão a ela. Além disso, ela é nova por aqui, não me conhece tão bem! — Tentei explicar, buscando minimizar qualquer mal-entendido.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, pesado como se uma tempestade estivesse prestes a desabar sobre nós. Concentrei-me ao máximo para concluir o desenho, tentando afastar os pensamentos conflitantes que rodopiavam em minha mente. De repente, como se quebrasse o silêncio tenso, senti uma mão tocar meu ombro. O toque foi sutil, mas o suficiente para me tirar momentaneamente da minha concentração. Virei-me para ver quem era, esperando encontrar algum dos meus colegas de classe. No entanto, me deparei com os olhos de Briana, fitando-me com uma expressão indecifrável. A tensão entre nós era perceptível, como se estivéssemos em um cabo de guerra emocional, cada um tentando manter sua postura e controle da situação. Por um instante, nossos olhares se encontraram, e naquele breve momento, pude sentir uma mistura de desafio e curiosidade emanando dela. Aquela simples ação de tocar meu ombro fez com que eu percebesse o quanto a dinâmica entre nós havia mudado desde o momento em que nos conhecemos naquela sala de aula. E, ao mesmo tempo, despertou em mim um sentimento de intriga e cautela, pois eu sabia que aquela não seria a última vez que nossos caminhos se cruzariam de forma tão intensa.

— Uau, você desenha muito bem, Billy! — Briana comentou ao se aproximar. Franzi a testa, incomodado com o toque, e não demorou muito para que ela percebesse, recuando imediatamente.

— Terminei! — Joguei o lápis sobre a mesa, sentindo uma tensão no ar.

— Não foi tão ruim, né? — Briana murmurou, e impulsivamente segurei firme em seu maxilar, reagindo ao incômodo que sua presença me causava.

— Quem você pensa que é? — Rosnei entre dentes, deixando claro minha insatisfação.

— Da próxima vez, me deixe fora do seu grupinho, assim não teremos problemas, certo? — Ela empurrou minha mão com agressividade, demonstrando seu descontentamento, e ajeitou os cabelos com um charme peculiar, encerrando o momento de tensão com uma aura de desafio.

Fiquei observando-a por um momento, ponderando sobre a dinâmica que acabara de se estabelecer entre nós. Estava bastante intrigado e percebi que enfrentaríamos sérios problemas no futuro. Briana demonstrava ser uma pessoa ousada e determinada, características que podiam gerar conflitos, especialmente porque eu não tinha paciência para lidar com esse tipo de situação. Parecia que estávamos destinados a colidir, nossas personalidades confrontando-se em uma batalha silenciosa que eu não tinha certeza se estava pronto para enfrentar. Seu comportamento desafiador e sua determinação em fazer valer suas vontades deixavam claro que não seria alguém fácil de lidar. Enquanto refletia sobre isso, uma sensação de desconforto se instalava em meu peito. Talvez fosse o início de uma relação conflituosa ou simplesmente um mal-entendido que poderia ser resolvido com o tempo. Mas, naquele momento, uma coisa era certa: Briana Foley não era alguém que eu podia ignorar ou subestimar.

Capítulo 3

BRIANA

Devido a uma oferta irrecusável de emprego, meu pai tomou a decisão impactante de mudar nossa família de Nova Iorque para a cintilante São Francisco. A notícia ecoou pelo nosso apartamento como uma tempestade imprevista, lançando minha mente em turbilhão. Desprezei a ideia de imediato; afinal, aquela seria a terceira vez que nos mudaríamos em menos de três anos. Meu pai havia prometido, com convicção, que seria a última vez, e eu sinceramente esperava que essa promessa se concretizasse. Minha estrutura psicológica estava abalada pelas mudanças constantes, e a perspectiva de lidar com mais uma me era quase insuportável. Meu irmão, já com 18 anos e eu, prestes a alcançar a maioridade, nos posicionamos com firmeza diante dos nossos pais. Deixando claro que não os seguiríamos se decidissem mais uma vez mudar. Nesse caso, eu teria que encontrar um emprego para me sustentar, e sem dúvidas aceitaria essa responsabilidade de bom grado para preservar minha estabilidade emocional. A vida em Nova Iorque era agitada; eu mantinha uma rotina rigorosa e acreditava que a única coisa que realmente sentiria falta seria a equipe de artes marciais, na qual me engajava diariamente nos últimos meses. Decidi começar aulas de defesa pessoal após ser vítima de um assalto que me traumatizou profundamente. Na minha mente, estar preparada para reagir seria crucial caso algo semelhante acontecesse novamente, embora soubesse que reagir a assaltos não fosse a melhor abordagem. No meu primeiro dia de aula na nova cidade, uma série de eventos marcantes se desdobrou. O sol dourado de São Francisco derramava-se pelas ruas, lançando reflexos brilhantes nos prédios imponentes. No ar denso da sala de aula cheia de promessas daquela manhã, fui abordada por um rapaz com um sorriso confiante que desarmou minha resistência instantaneamente. Seus cabelos, de um castanho escuro, eram curtos na parte de trás e alcançavam a altura dos olhos na frente. Ele os penteava para trás, mantendo-os domados com a ajuda de gel, o que o tornava irresistivelmente charmoso. Vestia uma calça preta que abraçava suas pernas firmes, uma jaqueta de couro igualmente preta que realçava sua silhueta musculosa e uma regata branca por baixo, destacando os contornos de seu corpo. Seus sapatos pretos pareciam pesar uma tonelada, e sua imponência era ressaltada por uma altura de aproximadamente um metro e noventa. Os únicos destaques em seu rosto pálido eram sua boca carnuda e avermelhada, juntamente com seus encantadores e expressivos olhos castanhos claros, semelhantes ao mel. Ele exalava uma aura de confiança e controle, que não passava despercebida por quem o cercava. Eu não podia negar a atração que ele exercia, mas, infelizmente, sua personalidade era tão dominadora quanto seu visual atraente. Fiquei surpresa ao observar como as pessoas pareciam obedecer cegamente às suas ordens, como se fossem marionetes sob seu controle. Decidi, desde então, que não me submeteria a essa dinâmica. Já estava habituada a lidar com personalidades assim e faria questão de colocá-lo em seu devido lugar, mesmo que isso significasse confrontá-lo. O sino indicando o final das aulas soou, encerrando esse peculiar primeiro dia. Recolhi meus pertences e, com o objetivo de pegar o uniforme de animadora de torcida, passei pelo almoxarifado. Assim que o obtive, dirigi-me ao banheiro para trocar de roupa. Escolhi uma das muitas portas abertas e entrei discretamente. Enquanto me trocava, ouvi gemidos provenientes de uma das portas. Girei o trinco lentamente, tentando não chamar muita atenção, e observei os sapatos expostos pela abertura na parte de baixo. Para minha surpresa, constatei que pertenciam ao rapaz que me convidara para participar de seu grupo mais cedo; seus sapatos pesados eram inconfundíveis. Inadvertidamente, acabei franzindo o cenho diante da cena, pois testemunhava uma situação inapropriada dentro do banheiro feminino da escola. Pouco depois, a porta foi aberta, e o garoto saiu, visivelmente ofegante. Não me surpreendi ao perceber a identidade de sua companhia: Alison, era o nome dela. O garoto passou por mim, encarando-me intensamente. Logo em seguida, a Alison fez o mesmo, porém, de maneira agressiva, ela empurrou-me com força e derrubando meus livros no chão; eu sabia que era intencional. Enquanto recolhia o que havia caído, ouvi uma voz familiar ecoando atrás de mim.

— Posso assistir ao seu treino? Estou interessada na outra vaga de animadora de torcida! — Hanna abaixou-se e me ajudou a recolher minhas coisas, mostrando-se amigável desde o início.

— Claro, será um prazer, acredito que vai gostar! — Sorri, agradecida pela gentileza dela.

— A Alison vai surtar! — Ela suspirou, revelando um pouco da dinâmica tensa entre elas.

— Não deixe que ela controle sua vida! — Arqueei a sobrancelha, compartilhando um momento de empatia diante das dificuldades.

— Você não a conhece, ela é a pessoa mais complicada que já vi. Tem ciúmes até da própria sombra! — Cochichou Hanna, revelando um pouco mais sobre a natureza difícil de Alison.

— Acho que ela me odeia! — Sorri, tentando desconversar um pouco sobre os problemas entre elas.

— Odeia todas que representam ameaça entre ela e o Billy! — Hanna levantou-se e estendeu a mão para me ajudar a levantar.

— Não represento ameaça alguma, tenho um namorado. Mas me conte, há quanto tempo eles estão juntos? — Indaguei curiosa, interessada em entender melhor a relação entre Alison e o garoto rebelde.

— Eles não estão juntos, o Billy sempre deixou claro que não quer nada sério. Apenas se divertem e depois cada um segue seu caminho. Mas na cabeça iludida dela, eles têm um compromisso formal! — Hanna suspirou, revelando um pouco da situação confusa de Alison.

— Deve ser constrangedor para ela! — Murmurei, compreendendo um pouco mais a perspectiva de Alison.

— Se eu fosse ela, mudaria de atitude, mas sempre que o Billy quer algo, ela corre para satisfazer seus desejos! Ele só precisa estalar os dedos pra ela ir correndo! — Hanna revirou os olhos, expressando sua frustração com a situação. — Mas isso não é da minha conta! Me diz, você tem Facebook? — Retirou o celular da bolsa e me encarou, mudando de assunto de forma amigável.

— Tenho sim, é Briana Foley! — Informei, para que ela pudesse enviar o convite virtual de amizade.

— Beleza, te mandei uma solicitação, depois me aceita lá! — Ela deu uma leve piscada, acompanhada de um sorriso, mostrando uma simpatia genuína.

— Pode deixar, aceito sim! Bom, eu preciso ir, caso contrário, o treinador vai pensar que não aceitei fazer parte da equipe! — Segui diretamente para o centro de concentração, com Hanna logo atrás de mim, mostrando determinação em integrar a equipe.

Enquanto me esforçava ao máximo durante o ensaio, focando em cada movimento e detalhe para impressionar o treinador, uma garota loira e muito bonita se aproximou de Hanna. A energia entre elas era contagiante, trocando palavras animadas e sorrisos sinceros. Não demorou muito para que elas se dirigissem até mim, trazendo consigo uma aura de empolgação. 

— Briana, essa é a Lauren, ela é irmã do Billy! — Apresentou Hanna, introduzindo-me a outra pessoa do grupo.

— Do nosso Billy? — Acabei dizendo sem pensar, revelando minha surpresa com a conexão.

— Nosso? — Lauren arqueou a sobrancelha e sorriu, intrigada com a expressão.

— É que ele é da mesma classe que a gente, nesse caso, nosso Billy! — Tentei explicar, aliviando a tensão do momento.

— A Lauren quer a vaga! — Hanna sorriu, compartilhando a novidade.

— E você? Não quer mais? É por causa da Alison? — Estreitei os olhos, mostrando curiosidade sobre a mudança repentina de interesses.

— Talvez em uma próxima oportunidade! A Lauren leva bem mais jeito com isso do que eu, e pelo visto, vocês vão se dar muito bem! — Ela gargalhou, demonstrando sua descontração diante da situação.

— Certo, e como posso te ajudar? — Peguei um guardanapo de papel que havia em minha bolsa e passei sobre o pescoço, que escorria suor devido ao esforço no ensaio.

— Bom, você poderia dar uma olhada na minha coreografia de apresentação? A escolha será em três dias, e quero muito fazer parte disso! — Notei que ela estava completamente insegura, o que era compreensível dada a importância do momento para ela.

— Claro que sim! — Peguei a garrafa com água, beberiquei para me refrescar e me sentei na arquibancada, de frente para ela, pronta para ajudar no que fosse necessário.

— Vou deixar vocês à vontade, preciso resolver algumas coisas, em breve a gente se fala! — Hanna despediu-se dando um beijo no meu rosto, mostrando seu apoio antes de partir para suas tarefas. Assenti com a cabeça, agradecida pela oportunidade de colaborar.

Lauren tirou a jaqueta, lançando-a em minhas mãos com um sorriso nervoso, enquanto iniciava uma dança envolvente. Seus movimentos eram fluidos e precisos, revelando um talento natural, mas também a barreira de seu medo. A insegurança transparecia de longe, como se ela estivesse lutando contra seus próprios receios durante cada passo. À medida que a música se desenrolava, Lauren se entregava cada vez mais à dança, deixando para trás suas dúvidas e se perdendo na expressão artística. Sua coreografia transmitia uma história, uma jornada emocional que ela parecia estar vivendo ali mesmo, diante dos meus olhos. Após concluir sua performance, aplaudi entusiasmada e me aproximei para parabenizá-la. Percebi a mistura de emoções em seu olhar, que revelava não apenas o domínio da dança, mas também um desafio interno a ser superado. Era como se aquele momento fosse um passo importante em sua jornada pessoal, uma oportunidade de enfrentar seus medos e se destacar no que amava fazer.

— Uau, você foi absolutamente incrível! Pode se considerar parte da equipe, tenho certeza de que vai passar no teste de primeira! — Iniciei uma salva de aplausos, expressando minha empolgação e confiança na capacidade dela.

— Será? Estou um pouco receosa — murmurou, revelando sua vulnerabilidade apesar do brilhante desempenho.

— Não deixe o medo te dominar; você foi perfeita, só precisa manter o foco! — Sorri de canto, tentando transmitir confiança e incentivo.

— Bom, se você está dizendo, com toda certeza eu acredito. Você parece entender muito do assunto, pelo que pude perceber! — Ela me deu um longo abraço, agradecendo pelo apoio e reconhecimento.

— Imagina, nem precisa agradecer! Bom, eu preciso me trocar, em breve meu irmão vai embora! — Peguei a bolsa que havia ficado sobre o banco da arquibancada, lembrando-me de outros compromissos.

— Vou acompanhar você! — Ela avisou prontamente, demonstrando sua disposição em continuar interagindo comigo. Seguimos juntas até o vestiário feminino, compartilhando o momento de comemoração e expectativa pelo que estava por vir.

Decidi tomar um banho frio, pois estava suando demais, e minhas roupas certamente ficariam difíceis de vestir. Enquanto a água gelada caía vigorosamente sobre minha cabeça, Lauren permanecia sentada próxima aos armários do vestiário, provavelmente ainda absorvendo a emoção do momento. Ao concluir o banho revigorante, percebi com um leve choque que não havia uma toalha para me secar. Minha entrada repentina na equipe havia me feito esquecer de alguns detalhes básicos, como levar uma toalha própria para o vestiário. Rapidamente, tentei pensar em soluções alternativas.

— Ah, droga! — Exclamei, frustrada ao perceber minha falta de preparo.

— Briana? O que aconteceu? — Perguntou Lauren, demonstrando preocupação imediata.

— Não tenho uma toalha para me secar! — Suspirei, sentindo o desconforto aumentar.

— Acho que tenho uma extra no meu armário! Espere só um minuto, vou verificar e já volto! — Avisou, saindo rapidamente para resolver o problema. Enquanto esperava, pressionava os cabelos para remover a água.

Pouco tempo depois, ouvi a porta abrir e passos em minha direção.

— Briana, aqui está! — Lauren estendeu sua mão sobre a porta, segurando uma toalha de banho felpuda, na cor branca.

— Muito obrigada, vou levar para casa, lavar e já te devolvo amanhã! — Aliviei minha frustração, agradecendo pela gentileza.

— Não se preocupe com isso, pode ficar com essa, tenho mais duas no meu armário! — Deu uma leve piscada, mostrando generosidade.

— Nesse caso, muito obrigada! — Sorri genuinamente, sentindo-me grata pela amabilidade de Lauren. O gesto amigável criou um clima descontraído, e o sorriso no meu rosto refletia o alívio da situação. 

Após concluir o processo de secagem, optei por vestir novamente a roupa que utilizava antes de trocar para o uniforme de animadora de torcida. Realizei uma breve ajeitada nos meus cabelos, optando por usar meus próprios dedos em vez de um pente. Em seguida, reuni meus pertences e dirigi-me para fora do vestiário, com Lauren seguindo-me de perto em cada passo. Juntas, atravessamos o caminho que nos levou ao estacionamento, onde meu irmão havia estacionado o carro. Ao focar meu olhar à frente, deparei-me com o jovem rebelde que compartilhava a mesma sala de aula que eu. Ele estava descontraído, apoiado em um carro clássico da década de 70. Entre os dedos, segurava um cigarro, elevando-o com uma elegância singular em direção à sua boca. Sua postura despojada contrastava com a atmosfera da escola, e seu olhar curioso me capturou por um momento antes de voltar a sua atenção para o que estava ao redor.

— O Billy veio me buscar! — Lauren sorriu, mostrando-se animada com a presença dele.

— Estou vendo! — Murmurei enquanto nos aproximávamos dele, observando a interação entre os irmãos.

— Vim pegar vocês! — Ele grunhiu, exibindo sua típica atitude descontraída.

— Vocês? — Franzi o cenho, surpresa com a inclusão.

— Vou levar minha querida irmãzinha pra casa, e depois, eu e você vamos ao bar do Joe! — Depositou um longo beijo na testa da irmã, demonstrando seu afeto.

— Já disse que não vou, não posso perder minha carona, moro muito longe! — Suspirei, lembrando das responsabilidades.

— Já disse que vou te levar em casa depois, entre no carro! — Abriu a porta e apontou com a mão para o interior do veículo, insistindo para que eu o acompanhasse.

— Eu preciso avisar meu irmão antes de ir! — Murmurei, considerando o impacto da mudança de planos.

— Então avise, olha ele vindo ali! — Gesticulou com a cabeça, indicando a chegada de Peter. 

Andei ao encontro dele e expliquei a situação, informando que não precisaria me esperar, pois teria uma programação com meus novos amigos.

— Cuidado com esse mané, não fui com a cara dele! — Peter encarou o Billy por um tempo, expressando sua desconfiança.

— Não se preocupe, ele parece ser gente boa! — Sorri para tranquilizá-lo e dei um rápido abraço nele antes de me afastar.

— Não se esqueça de ligar e avisar a mamãe! — Gritou ele quando me afastei, mostrando sua preocupação.

— Pode deixar, vou avisar sim! — Caminhei até o veículo do Billy e acomodei-me no banco de trás, pronta para a próxima parte da noite que se aproximava.

Ele girou a chave no contato e começou a percorrer as movimentadas ruas de São Francisco, ao som de uma música vibrante da banda Ramones. Distraída, eu enviava uma mensagem para minha mãe, que prontamente questionava minha decisão de sair com pessoas que eu mal conhecia. “Esse é um dos grandes erros da humanidade. Como vou conhecer as pessoas se não der a elas um voto de confiança?” Ponderava, refletindo sobre a importância de se abrir para novas experiências e conexões. Desviei meu olhar do celular em direção ao para-brisa, percebendo os olhos de Billy me encarando pelo retrovisor central. Estreitei meus olhos em resposta, e ele logo captou a mensagem, compreendendo que eu não estava disposta a ser subestimada ou julgada pelas minhas escolhas.

— Sábado teremos uma festa à beira-mar, o típico luau, tá afim de ir? — Convidou enquanto continuava me observando pelo espelho, mostrando seu interesse em passar mais tempo junto a mim.

— Pensei que nosso desentendimento de hoje mais cedo tivesse sido a gota d'água para você! — Pressionei os lábios, lembrando do momento tenso anteriormente.

— O que posso dizer? Você é uma garota bastante misteriosa, e isso me deixou um tanto intrigado! — Sorriu de canto, revelando sua curiosidade e admiração pela minha personalidade enigmática.

— Realmente sou uma caixinha de surpresas! — Peguei o batom e retoquei a cor vermelha nos lábios, mantendo um ar de mistério e charme.

— Me fale mais sobre você, do que você gosta? — Indagou com curiosidade genuína, buscando conhecer mais sobre mim.

— Bem, já viu o filme "50 tons"? Digamos que sou a versão feminina do senhor Grey! — Guardei o batom na bolsa, provocando-o de forma brincalhona.

— Hum, gosta de dominar as pessoas? — Um sorriso maquiavélico surgiu em sua boca, entrando na brincadeira.

— Nada disso, eu gosto de torturar e causar dor! — Expliquei de forma sarcástica, vendo-o arquear as sobrancelhas em surpresa. — Brincadeira, bobinho! Não tem muito o que falar sobre mim; com o tempo, você vai me conhecer e descobrir tudo que eu gosto, e o que não gosto também! — Suspirei, encerrando o momento leve e descontraído, deixando um ar de mistério para o futuro. Ele sorriu, demonstrando sua aceitação e disposição para descobrir mais sobre mim.

Logo nos aproximamos de uma majestosa mansão, situada em um bairro extremamente nobre. Ao cruzar o imenso portão, pude admirar seus detalhes, todos meticulosamente esculpidos em ouro, exalando luxo e opulência. Avançamos por um pátio adornado com uma coleção de carros antigos, claramente pertencentes a um apreciador de veículos clássicos. A atmosfera ao redor era de sofisticação e requinte. Assim que estacionamos, Lauren desceu do veículo, seguida por Billy. Embora tenha sido gentilmente convidada a entrar na casa, senti-me desconfortável e optei por aguardar dentro do carro, observando os arredores e absorvendo a grandiosidade da propriedade.

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