Capa do Romance Devaneio Imparável

Devaneio Imparável

8.0 / 10.0
Briana e Billy se conhecem ao recomeçarem a vida em uma cidade nova. O cotidiano dela é abalado pelo sumiço súbito da mãe, enquanto Billy, herdeiro rebelde de um império, sente uma atração incontrolável pela jovem. Encurralados por segredos sombrios e uma obsessão perigosa contra Briana, eles mergulham em um romance repleto de riscos. Para sobreviver a revelações impactantes, o casal deve enfrentar o desconhecido, testando os limites entre a paixão e o perigo real.

Devaneio Imparável Capítulo 1

BILLY

Estados Unidos - São Francisco, 2018.

Era uma manhã cinzenta, daquelas que pareciam prenunciar um dia monótono e sem graça. Mesmo após uma noite inquieta, minha mãe, sempre preocupada com meu futuro, insistiu que eu me levantasse da cama para mais um dia de aula. Era o último ano do ensino médio, uma fase que muitos descrevem como a mais intensa e memorável de suas vidas. No entanto, para mim, esse período tinha sido marcado por desafios e frustrações. Tinha sido reprovado duas vezes devido ao excesso de faltas, o que gerava constantes cobranças por parte da minha mãe. Morávamos em um bairro aparentemente tranquilo, embora eu fosse alvo constante de fofocas dos vizinhos bisbilhoteiros. Depois de um café da manhã rápido, entrei no Dodge Challenger e dirigi até a escola. Ao chegar, saí do carro e acendi um cigarro, observando a movimentação ao meu redor com um misto de tédio e desânimo. Estava cansado da rotina e das pessoas com as quais convivia diariamente, até que meus olhos se fixaram em uma garota. Ela estava parada ali, como se fosse o ponto de luz em meio a um cenário opaco. Seus cabelos ondulados dançavam suavemente com o vento, e seu olhar parecia capturar toda a beleza escondida naquele dia nublado. Eu nunca a tinha visto antes, o que era surpreendente em um ambiente tão pequeno quanto o da nossa escola. Um arrepio percorreu minha espinha quando nossos olhares se encontraram por alguns segundos, tempo suficiente para sentir uma corrente elétrica desconhecida passar por mim. Tentei disfarçar meu interesse, mas algo naquela garota mexeu comigo de uma forma inexplicável. Ela sorriu brevemente e continuou seu caminho, mas sua imagem ficou gravada na minha mente, como se fosse o começo de algo novo e emocionante em meio à minha rotina entediante. Presumi que ela fosse nova na escola, pois não conseguia recordar de tê-la visto antes, mesmo em locais públicos da cidade. Observando-a mais atentamente, percebi que ela usava uma calça jeans rasgada e uma jaqueta preta, que ocultava sua camiseta do uniforme escolar. Seus lábios vermelhos destacavam-se entre a multidão, um contraste marcante com o ambiente cinzento ao redor. Enquanto eu a observava, a sirene tocou, anunciando o início das aulas. Após fumar o segundo cigarro, joguei a bituca no gramado, apagando-a intencionalmente com o pé antes de pegar minha mochila e entrar no prédio da escola. Enquanto caminhava pelo corredor dos armários, peguei alguns livros e me encaminhei para a sala de aula. Como de costume, entrei atrasado, sem que os professores demonstrassem surpresa. Já me consideravam um caso perdido, e eu, sinceramente, concordava com eles. Acomodei-me em uma carteira qualquer e mergulhei nos pensamentos enquanto o professor dava início à aula. Foi então que o diretor entrou na sala, acompanhado da garota que havia capturado minha atenção pouco antes. Meu coração deu um salto inesperado, e uma onda de nervosismo tomou conta de mim ao vê-la ali, tão perto. 

— Bom dia a todos, quero apresentar a nova colega de classe de vocês, o nome dela é Briana. Ela se juntará a nós pelos próximos meses. Espero que a recebam bem! — O diretor anunciou, e a simples menção do nome "Briana" parecia trazer uma aura diferente à sala. Todos os olhares se voltaram para ela, e era impossível não notá-la; seus lábios vermelhos contrastavam de forma marcante com seus longos cabelos ondulados e vermelhos.

Briana parecia um tanto envergonhada ao entrar na sala, o que eu entendia perfeitamente, pois a sensação de estar em um lugar desconhecido sem conhecer ninguém deveria ser bastante desconfortável. Ela escolheu uma carteira não muito distante da minha, e eu mal conseguia disfarçar minha curiosidade enquanto observava cada movimento dela. O professor começou a lecionar sua matéria, e os olhos da maioria se voltaram para ele, mas os meus permaneceram firmemente na garota. Uma atração forte e imediata surgiu dentro de mim, como se algo magnético nos unisse naquele momento. Enquanto todos pareciam absorvidos pela aula, minha mente estava totalmente focada em Briana. Fiquei perdido em meus próprios pensamentos por um longo período, até que o professor chamou minha atenção, trazendo-me de volta à realidade abruptamente. Foi como se eu tivesse sido arrancado de um sonho para encarar novamente a rotina monótona da escola.

— William, abre o teu livro na página 32! — ordenou o professor, sua voz ecoando pela sala enquanto todos os olhares se voltavam para mim, incluindo os da Briana, que parecia intrigada. Sem proferir palavra, apenas assenti com a cabeça e executei o pedido, sentindo a pressão dos olhares concentrados em mim. — Hoje teremos três aulas seguidas e faremos um trabalho em equipe. Formem grupos com cinco pessoas, nem mais e nem menos, se organizem da melhor forma possível! — alertou ele antes de sair da sala com uma pilha de livros nos braços, deixando-nos todos agitados e ansiosos com o desafio.

— Ei, gatão, junte-se a nós! — Alison lançou-se sobre meu colo com uma empolgação maliciosa.

— Sabe que não vou fazer absolutamente nada, certo? — Respondi com um ar de desafio, meu olhar cruzando o dela.

— Nem eu farei nada, as garotas farão por nós! — Kevin aproximou-se com um sorriso travesso e sentou-se em cima da minha mesa, como se estivesse pronto para uma grande aventura.

— Ótimo, nosso grupo já está formado: Eu, Billy, Kevin e Hanna! — Alison prontificou-se a dizer, com uma determinação divertida.

— Mas falta uma pessoa, o professor disse que quer grupos com cinco! — Levantei a questão, sentindo o peso da expectativa nos ombros.

— Já prestou atenção ao seu redor? Ninguém aqui vai querer se juntar com a gente, cara! — Kevin gargalhou, seu olhar brincalhão varrendo a sala, até que meus olhos encontraram a nova garota; ela ainda não havia se juntado a ninguém. Alison percebeu meu olhar malicioso e me cutucou forte com o cotovelo, trazendo-me de volta à realidade.

— Nem pense nisso, Billy, eu não fui com a cara dela! — Rosnou entre dentes, sua voz carregada de desdém e desconfiança.

— Vamos fazer amizade, seria mais uma para fazer parte da nossa turma, ela parece ser gente boa! — Tentei manter a voz calma, apesar da crescente excitação e curiosidade em relação à garota que despertava tanto interesse.

— Por mim, tudo bem, ela é bem atraente! — Kevin a mediu de cima a baixo, seus olhos brilhando com uma chama de interesse.

— Ela parece ser legal! — Hanna grunhiu, sua voz indicando uma aceitação relutante, mas não desinteressada.

— É, Alison, parece que a maioria venceu! — Sorri de canto, sentindo uma energia pulsante no ar, uma mistura de desafio e fascínio pela garota desconhecida.

— Vocês são patéticos! — Ela saiu de cima de mim com um empurrão leve, mas sua voz carregada de desprezo ecoou pela sala, criando um silêncio momentâneo à sua passagem enquanto ela caminhava para fora da sala, pisando duro a cada passo que dava, deixando-nos todos curiosos e com um sentimento de expectativa pela nova dinâmica que se formava em nosso grupo.

O problema com Alison era que ela parecia acreditar que tínhamos um relacionamento sério, mas eu sempre deixei claro, desde o primeiro encontro que tivemos, que eu não buscava compromissos. O que compartilhávamos era apenas físico, limitando-se ao sexo, e nada mais. No entanto, em sua mente, ela se via como minha proprietária. Ficava extremamente irritada ao me ver conversando com outras garotas, mas, honestamente, pouco me importava. Já tinha deixado claro que não desejava nada além de momentos casuais com ela, no entanto, ela persistia em oferecer prazer, e nesse aspecto, eu não podia recusar. Mais uma vez voltei minha atenção para a nova garota na sala. Ela estava concentrada, folheando um livro de capa dura enquanto mascava discretamente uma goma de chiclete. De longe, não consegui identificar qual obra ela estava lendo. Ao cruzar o olhar com Kevin, percebi um certo desafio refletido em seus olhos. A situação prometia ser interessante.

— Você vai chamá-la ou chamo eu? — Sussurrou ele, sua voz carregada de expectativa e diversão.

— Que pergunta mais idiota, é claro que vou! — Levantei-me com uma mistura de desafio e curiosidade, determinado a abordar a nova garota. — Oi, meu nome é William, mas todos me chamam de Billy. Seja bem-vinda, novata! Notei que está sozinha e quero saber se quer fazer parte do nosso grupo! — Estendi a mão para cumprimentá-la, sentindo uma eletricidade sutil no ar enquanto nossos olhares se encontravam.

— Sou Briana, mas acho que você já sabe, pois o diretor fez questão de me apresentar a todos! — Ela revirou os olhos com uma leve provocação, mas aceitou o cumprimento estendendo a mão. Levei-a até a boca e depositei um beijo suave, prolongando o contato por um instante.

— Muito prazer, Briana e então? Vem com a gente? — Arqueei a sobrancelha, indicando um convite que aguardava sua resposta.

— Claro, se não for incômodo pra vocês! — Ela pareceu um pouco tímida, mas sua curiosidade também estava visível.

— Incômodo? De jeito nenhum! Pegue suas coisas e venha comigo, vou te apresentar à galera! — Peguei sua bolsa gentilmente, oferecendo-me para ajudá-la com o restante dos pertences. Dirigimo-nos ao restante do grupo, onde os apresentei. — Briana, esse é o Kevin e essa é a Hanna! — Apontei para cada um, dando-lhe um sorriso de boas-vindas.

— Oi gente, muito prazer! — Ela murmurou de forma educada, demonstrando um interesse genuíno em interagir.

— Você é de onde? — Perguntei curioso, querendo conhecê-la melhor.

— Nova Iorque — ela respondeu com um tom de resignação.

— Tá brincando? O que veio fazer nesse fim de mundo? — Hanna questionou com surpresa nos olhos.

— Meu pai precisou mudar por conta do emprego! Odiei a ideia, mas não tive muita escolha! — Briana retirou um pirulito da bolsa, oferecendo um gesto amigável. — Querem pirulito? — Ela ofereceu, demonstrando uma disposição em compartilhar.

— Eu quero! — Hanna aceitou animadamente.

— Também aceito! — Kevin sorriu, pegando um para si.

— E você? — Briana ergueu o doce na minha direção, e eu recusei com um gesto leve.

— Tô de boa, valeu! — Respondi, sentindo a presença de Alison se aproximando por trás, seus braços se pendurando sobre mim.

— Sobre o que estão falando? — Alison perguntou com uma ponta de ciúmes na voz.

— A Briana morava em Nova Iorque! — Hanna explicou rapidamente, poupando-me de ter que dar uma explicação. 

— Hum, legal! — Alison respondeu com um tom de indiferença, mas seu olhar ainda denotava uma certa tensão.

— Aceita um pirulito? — Briana ofereceu de forma educada, tentando manter a calma diante da situação.

— Não quero nada de você e quero que saiba que o Billy é meu homem, mantenha-se bem longe dele! — Alison cruzou os braços com uma expressão carregada de possessividade e ciúme.

— Fique tranquila, não tenho interesse algum nele, já tenho compromisso com alguém! — Briana respondeu com firmeza, seus olhos encontrando os meus com um olhar que misturava desdém e determinação.

— Ah, tem? — Arqueei a sobrancelha, desafiador. — E cadê ele? Estuda aqui também? — Disparei com uma pergunta direta, enquanto um rapaz de cabelos avermelhados aparecia na porta, chamando pelo nome da Briana.

— Eu já volto! — Ela avisou com um sorriso e correu até o rapaz que chamou por ela.

— Deve ser o namorado! — Hanna afirmou com um tom animado, enquanto observávamos a cena com interesse. 

Eu sabia que algo estava errado pela forma como meu coração disparava, ansioso para confirmar aquelas suspeitas. A cada passo que ela dava em direção ao rapaz, a expectativa crescia, carregando o ar com uma eletricidade palpável. O silêncio em torno de mim era tenso, como se o universo também aguardasse a revelação próxima. Quando ela finalmente se aproximou, seu sorriso radiante entregou um afeto contido, uma mistura de alegria e respeito transbordando em seu rosto. Seus olhos, embora brilhantes, escondiam segredos que eu ansiava decifrar. Cada gesto, cada palavra, era um quebra-cabeça emocional que eu estava disposto a montar. Eu permaneci observando, capturando cada detalhe, buscando qualquer indício que explicasse a natureza da relação entre eles. O calor do momento era como um fogo crepitante, a intensidade aumentando a cada segundo. Sem rodeios, ela se despediu dele e voltou em minha direção. Seu olhar encontrou o meu, e naquele instante, eu soube que talvez a verdade não seria fácil de enfrentar. A emoção se misturava ao temor enquanto eu me preparava para as palavras que viriam a seguir.

— Ele é seu namorado? — perguntei assim que ela se aproximou novamente, curioso para desvendar mais sobre ela.

— Não, aquele é o Peter, meu irmão mais velho. Ele acabou de ser aceito no time da escola e veio me contar a novidade! — ela explicou com um sorriso, revelando um pouco mais sobre sua vida e me deixando estranhamente aliviado por ele não ser o tal namorado.

— Ele é repetente? — Hanna perguntou com uma curiosidade suspeita.

— É sim. Ele repetiu o primeiro ano por duas vezes, até hoje não sei bem qual foi o motivo! — Briana explicou com um ar de descontração. — Olha, esse aqui é o meu namorado, o nome dele é Alex. Ele ficou em Nova Iorque, vamos tentar manter um relacionamento à distância! — Ela mostrou a imagem de um rapaz no celular, nos dando um vislumbre de sua vida pessoal.

— Uau, ele é muito bonito! — Hanna elogiou a imagem com entusiasmo. — Seu irmão também é um gato, e o melhor de tudo é que ele é atleta! — Comentou, demonstrando uma admiração óbvia.

— Acha mesmo que esse namoro a distância vai dar certo? — Perguntei, intrigado com a dinâmica do relacionamento de Briana, mas antes que ela pudesse responder, o professor retornou à sala, interrompendo nossa conversa.

— Muito bem, turma! Eu trouxe alguns temas para os líderes dos grupos escolherem, venham até minha mesa, por gentileza! — Avisou o professor, e Alison, que se considerava líder do grupo, foi até ele de imediato, como se assumisse naturalmente o papel.

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