Capítulo 2

Saio da sala entorpecida e me sento jogando o bloquinho e a caneta na mesa, os dados da planilha a minha frente é um emaranhado de números e letras, piscando os olhos lentamente levanto a cabeça e encontro o olhar de Tori do outro lado.

- O que foi?

- Fui colocada em outro cargo – eu respondo e ela arregala os olhos fascinada

- Sério? Ai meu deus, você conseguiu! – Ela se levanta e vem para o meu lado, ficando de costas para a sala de Colton – Você vai para onde? Contabilidade?

- Secretária

- O que?? - ela grita na sala e eu belisco o seu braço, recebendo uma careta de volta – Como assim? Você saiu de lá, porque voltaria?

- Secretária de Campbell – eu falo e coloco a mão sobre a cabeça sentindo um leve latejar nas têmporas – Puta merda, o que eu faço?

- Aí caramba, sinto muito

Franzo a testa com o seu tom de voz e levanto o olhar para ela, desconfiada.

- Como assim, sinto muito? O cargo é só enquanto Celine não volta.

- Ah, então a situação melhora – ela responde eu levanto uma sobrancelha esperando, ela olha para os lados resmungando e diz em voz baixa – É que ouvi algumas meninas comentando sobre quão irritante e arrogante é Campbell, ele basicamente demitiu as três últimas secretárias… Tipo, em menos de dois meses.

- Merda – eu digo e ela lança um olhar solitário para mim

- Mas eu ouvi dizer que o salário é bem melhor do que o que ganhamos aqui

- Deve ser, já que ninguém consegue ficar no cargo por muito tempo – falo ironicamente e ela sorri dando de ombros.

Minha cabeça traz milhões de pensamentos e um montante deles é bem negativo…. Todos são, para dizer a verdade. Puxo uma respiração e começo a organizar eles de modo classificativo, primeiro os problemas de agora, depois lido com o resto.

- Preciso que fique no meu lugar, mas se não der para você, coloco Jane – eu falo e ela acena confirmando.

- Eu fico, pelo menos você pode me ajudar quando eu precisar. A Jane é um tanto atrapalhada em questão de organização.

Concordo com a cabeça e volto para o computador clicando em algumas páginas.

- Vou te explicar o básico por enquanto, depois a gente resolve.

- E quanto a Campbell?

- Vou pensar nele depois

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Já teve aquela sensação de que um caminhão pode ter passado por cima de você? É como um terrível pressentimento de que seus ossos foram triturados e sua pele arrancada de você. Minha alma deve estar por aí, divagando de um lado a outro. Se a encontrar mande me avisar por favor.

Mas ainda resta muita coisa para fazer depois do trabalho. Metrô, ônibus e uma caminhada e então enfim consigo chegar em casa. O trinco foi consertado, ou melhor dizendo, remendado, tem alguma espécie de cola ou sei lá, olho para o trinco e franzo a testa pensando, tomara que não seja fita, porque acho que senti alguma coisa descolando.

Tranco rapidamente e subo as escadas, forçando minhas pernas a se movimentarem, puxo uma respiração e ando pelo corredor até a minha porta. Dou um sorriso para o gatinho da senhora Prout que parece bem descansado deitado no carpete fofinho, e abro a porta.

- Olha só quem chegou – Tiro o casaco e o penduro em um dos ganchos desocupados enquanto sigo pelo minúsculo corredor em direção a sala – Esqueceu de levar o guarda chuvas de novo?

- Está surpreso? – pergunto ironicamente enquanto me jogo no sofá ao lado de Jasper, ele se afasta e estremece quando sente os meus cabelos úmidos. Eu sei que deveria ir para o quarto, tomar um banho e me encolher na minha cama, mas minhas pernas pararam de funcionar, então inclino a cabeça para trás e suspiro baixinho fechando os olhos.

- Você deveria trocar de roupa, sabia?

- Sim, mas meio que estou dormindo aqui, então....

Sinto ele resmungando algo sobre molhar o sofá, mas não abro os olhos para confirmar.

- Se eu disser que fiz aquele macarrão ao molho que você tanto gosta você promete ir tomar um banho e tirar sua bunda molhada daqui?

- Prometo – falo animada abrindo os olhos, jesus, estou morrendo de fome – Mas sem pegadinha

- Fechado, mas vá logo 

Ele me empurra com as mãos e eu me impulsiono para frente, mas não antes de sacudir o cabelo em cima dele, ele solta um “vaca” e eu me levanto rindo. Jasper Corrigan é meu companheiro de apartamento, e meu melhor amigo, ele basicamente é um gênio na cozinha, o restaurante em que ele trabalha pode confirmar isso. Ele é uma das minhas pessoas favoritas, mesmo que tenha alguns pontos negativos, vou citar alguns deles.

Primeiro, ele adora me pegar de surpresa, então meio que gosta de trazer caras para dentro do apartamento e não me avisar. Já perdi a conta de quantas vezes vi homens pelados andando pela casa.

Segundo, quando estávamos no início da faculdade e começamos a morar juntos, eu sem querer coloquei açúcar nos seus ovos mexidos, e desde então temos seguido uma série de pegadinhas sem tamanho, mesmo que eu tenha dito por semanas que foi sem intenção.

Terceiro e último, ele tem a incrível personalidade de pintar todos os dias os seus cabelos com uma cor diferente, isso meio que é um ponto que gosto muito, mas o ponto negativo é que minhas toalhas brancas sofrem com os respingos de tinta, e minhas escovas de cabelo sempre ficam coloridas.

Estando tudo citado, fica claro que minha amizade com Jasper vai bem além disso, e prometo que ele tem mais pontos positivos do que negativos, só não vou começar a citar eles agora, meio que estou com um problema para tirar minha calça colada em minhas pernas.

Vinte minutos depois, estou parcialmente seca e de pijama quentinho. Meus cabelos ainda pingam de vez em quando, mas não estou com vontade de secá-los agora, então só penteio e os deixo solto, passo a mão no espelho tirando a umidade e suspiro vendo a imagem diante de mim.

Minhas olheiras escuras se sobressaem no meu rosto, o azul dos meus olhos agora parece mais cinzas do que outra coisa. Tiro a água do meu cabelo e os jogo para trás, as ondulações de loiro escuro batem em minhas costas e por preguiça os deixo assim.

- Bon appétit – Jasper faz um pequeno floreio para o seu prato delicadamente feito e eu dou um sorriso faminto antes de me sentar no sofá com o prato em meu colo. Jasper se senta ao meu lado com o seu e começamos a comer enquanto o filme O Poderoso Chefão passa na televisão nos distraindo momentaneamente.

Com a barriga cheia e o corpo relaxado, coloco o prato em cima da mesinha de centro e apoio os meus pés ao lado de Jasper que faz o mesmo só que o contrário.

- Novidades no trabalho? – ele pergunta e eu apoio minha cabeça no travesseiro olhando para a televisão.

- Digamos que irei voltar para o cargo de secretária por um tempo

- O que? Porquê? – com o canto do olho o vejo se virando para mim com uma expressão de assombro, levanto um ombro com descaso enquanto cubro um bocejo com a mão.

- Celine ainda está repousando e o meu chefe está impaciente para encontrar uma secretária para Campbell

- Campbell? – Ele se senta com os olhos arregalados – Estamos falando daquele cara milionário, gostoso para caramba?

- Gostoso na sua avaliação, mas sim, Declan Campbell 

- Cacete 

- Pois é – falo com a voz sussurrada e ele percebe o tom.

- O que foi? Não é uma boa coisa?

- Não muito, eu sei que pelo visto o salário é bem melhor – ele abre a boca, mas eu interrompo antes dele continuar – Mas, ele demitiu todas as secretárias dele. Tipo nos últimos meses foram umas três.

- Isso é mal – ele fala e eu concordo – Mas olha para o lado positivo, você vai ser secretária de um CEO, vai ver coisas que nunca viu, segredos que nunca ouviram, vai ser um máximo.

- Você está assistindo filmes demais Jasper – falo arqueando a sobrancelha, ele dá de ombros e sorri sensualmente.

- Gosto de um bom clichê, não pode me culpar.

- Deus me livre – falo revirando os olhos e ele belisca o meu braço – Aí Jasper, seu idiota, isso doí.

- É a intenção

- Bundão – ele abre a boca, mas é impedido pelo meu celular vibrando na cozinha, me levanto do sofá em um pulo e pego meu celular desbloqueando rapidamente. 

Bianca: Acabei de sair, ela estava dormindo tranquilamente.

Kallie: Alguma mudança?

Bianca: Ainda não querida, ela mal falou hoje

Kallie: Tudo bem então

Bianca: Sinto muito

Kallie: Não é sua culpa, está tudo bem mesmo, e obrigada Bianca, de verdade.

Bianca: Imagine, pode contar comigo. Até amanhã.

Kallie: Até

Bloqueio o celular de novo, e fico olhando por alguns segundos esperando alguma coisa, mas só o que eu vejo é o meu reflexo nele, desamparado e sem esperança. Coloco-o no balcão e começo a girar minha pulseira de um lado para outro, pensando, memorizando, adaptando-se.

- Kallie? – Pisco os olhos até que consiga me concentrar em Jasper, pego os olhos preocupados já em mim – É a Melina? Ela está bem?

- Sim, está bem, mas....

- Nenhuma mudança? – ele termina e eu concordo com a cabeça, meus dedos ainda tocando a pulseira fria em meu pulso – Sinto muito gatinha.

- Tudo bem – eu falo e suspiro me aproximando do sofá, Jasper me puxa para mais perto e minha cabeça se apoia no seu ombro, seus braços me apertam em volta de si e eu me permito relaxar um pouquinho.

- Que tal sorvete? 

- Acho perfeito – respondo e é a vez dele pular do sofá indo em direção a cozinha. 

Viu? Pontos mais que positivos, pontos perfeitos

Capítulo 3

- Você deve saber como é, já trabalhou com isso. O senhor Campbell tem muitos compromissos e precisa ter uma pessoa que possa ajudá-lo quando ele mais precisa, você irá atender ligações, organizar a sua agenda, seguir ele em alguma reuniões, e acima de tudo atender às expectativas dele no que ele pedir – Sônia continuava falando com a voz rápida enquanto eu ia anotando tudo em meu bloco, ou fingindo que estava anotando, porque eu meio que me perdi no começo da conversa – Ele ainda não disse quando chegará, mas deve ser logo, há algumas coisas que requer sua atenção imediata, sabe como é né?

- Claro 

Minha resposta nem é escutada por ela, porque ela passou por minha resposta seguindo com suas instruções longas e detalhadas, suspiro irritada enquanto continuo olhando para ela fingindo prestar atenção. Sônia Williams é uma mulher em torno de seus cinquenta anos, seus cabelos loiros são cortados de forma Chanel e seus olhos escuros são totalmente delineados por muita maquiagem, ela é uma mulher muito bonita e alguém (provavelmente muito rico dado por seu anel com uma pedra gigante no dedo) tinha percebido isso.

- Quantos anos a senhorita tem? – ela pergunta e eu pisco saindo de algum lugar da minha mente

- Perdão?

- Sua idade florzinha

- Faço vinte e seis em algumas semanas – respondo e tento ignorar a “florzinha” 

- Tão nova, o Colton falou bastante de você, mas me surpreendi, eu jurava que Jones era um homem.

- Homem? 

- Sim, ele só falou seu sobrenome – Ela pisca seus longos cílios e eu fico me perguntando se isso pesa em seus olhos, será que empata sua visão? – Bom, vou deixar você se adaptar, a primeira coisa que quero que faça é atualizar o sistema e organizar os documentos para que ele assine assim que chegar, você precisa ler todos eles, para ver se tem algo errado. Tudo bem?

- Sim, tudo bem

- Qualquer coisa me ligue e conversamos, estou só alguns andares abaixo

Ela sorri com seu batom rosa e sai rebolando pelo saguão, seus saltos estalando pelo chão, tec, tec, tec.

Aproveitando o momento livre, olho para o meu novo e temporário lugar de trabalho. O escritório de Campbell fica no último andar, estilo privativo, o elevador precisa de identificação de entrada que só pode ser confirmada por mim (por enquanto) ou por ele. O elevador fica a minha frente a alguns metros de distância, todo o ambiente é em cores pretas e brancas, parecendo um pequeno dominó ou um tabuleiro de xadrez, minha mesa é um dos pontos positivos, a mesa grande e espaçosa tem um belo computador e várias divisões compactadas por gavetas.

A cadeira? De excelente material, macia e fazem com que minhas costas se apoiem em vez de me deixar curvada. Ao todo parece uma nova dimensão, algo fora do comum, então eu aproveito enquanto posso, e a primeira coisa que faço é entrar na sua sala e averiguar. Eu sei, a curiosidade matou o gato blá, blá

Abro a porta grande e ao mesmo tempo tão leve e arfo quando vejo a sala. As cores mudam drasticamente aqui dentro, as paredes são de uma cor parecida com creme, a mesa de mogno grande habita no meio da grande sala, papéis estão espalhados de forma desorganizada, me aproximo da mesa e espio, documentos, projetos, e alguns desenhos.

Mas o que realmente chama a atenção? Pode ser dividida em duas partes

A primeira delas é a imensa vista atrás da mesa que rodeia uma parte do escritório, janelas altas que dá para ver uma parte da cidade, carros, pessoas, letreiros enormes, tudo, como se fosse uma imensa televisão.

A segunda é a minha preferida, e é para lá que meus olhos ficam voltando a cada minuto, uma pintura enorme que ocupa toda a parede esquerda do escritório. A pintura era uma réplica perfeita de A Noite Estrelada de Van Gogh, com todos os detalhes, com toda a mágica. 

Isso certamente era a minha parte preferida desse escritório, giro a pulseira e me forço a desviar o olhar da pintura depois de alguns minutos. Mordendo o lábio penso no que eu devo fazer primeiro: Organizar os documentos da minha mesa ou da dele?

Sei que provavelmente é uma má ideia mexer em algo dele, mas eu sou secretária, e não me foi impedido de mexer lá, então opto pela segunda opção e começo a organizar.

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Horas depois, com uma coluna dolorida e olhos pesando eu saio da sala dele, e dou um sorriso fraco quando vejo os papéis organizados por assunto, por empresa e por data. Fecho a porta com um clique e vou para a minha mesa, pesco o meu celular da bolsa e observo as mensagens, mas nenhuma de Bianca, pelo menos não pelas últimas horas, puxo uma respiração e movimento os ombros antes de começar a organizar a bagunça da mesa, e sei pelo barulho da minha barriga que deve estar na hora do almoço, mas não quero que Sônia volte e não veja nenhuma mudança, então começo a organizar sentada, mas paro quando o telefone começa a tocar.

- Escritório do sr. Campbell 

- Olá florzinha, tudo certo por aí? – Reviro os olhos, mas me arrependo na mesma hora, e se essa bendita sala tiver câmeras de segurança? Forço um sorriso no rosto e digo com a voz animada.

- Sim, tudo bem 

- Que bom, olha eu sei que você ainda não deve ter almoçado, então pensei que poderíamos ir comer algo, uma salada é claro, porque estou no meu regime – Merda, penso rapidamente em uma resposta e desbloqueio o meu celular na mesma hora.

- Sabe o que é Sônia, é que eu já tinha combinado de ir almoçar com minha colega aqui do prédio – Faço uma pausa para mostrar um pesar que certamente não estou sentindo – Talvez outro dia?

Kallie: Diga que não almoçou ainda

Tori: Não almocei, o que houve?

Kallie: Te explico daqui a pouco, me encontra no saguão

Tori: Ok.

- Ah, tudo bem. Mas vamos marcar o mais rápido possível, certo? Quero conhecer você

Ela dá aquela risadinha e depois desliga, coloco os papéis que ainda não organizei de lado e tranco minha bolsa em uma gaveta antes de ir até o elevador com a carteira e o celular na mão.

Tori está me esperando como combinado no saguão, conversando com Oliver o segurança, ele é um cara bem alto com pele escura e olhos pretos, você nunca iria confundi-lo, não com aquela altura, ele sempre sorri quando nos vê, só não nas raras vezes em que molho o saguão por conta da chuva e da falta de um guarda-chuva.

- Estão indo almoçar? – ele pergunta quando eu me aproximo, vejo Tori confirmando com a cabeça enquanto digita algo em seu celular.

- Quer algo Oliver? - eu pergunto e ele nega, mas depois olha para mim.

- Espera, se vocês forem ao Ocean quero aquelas empadinhas doces, vou levar algumas para Miranda 

- Pode deixar – eu falo e sigo Tori pela saída.

- E então vai me contar esse convite inesperado? – ela pergunta e eu desvio de uma senhora com seu cachorrinho.

- Acho que preciso me alimentar primeiro

- Então não é coisa boa

Não posso discordar.

꧁꧂

O restaurante Ocean é basicamente um local pequeno, mas muito bonito, a entrada é uma construção de cores azuis e verdes. As mesas de madeira são distribuídas na parte de dentro e do lado de fora, nós sempre optamos pelo lado de dentro, mesmo que esteja cheio, como hoje.

Não me pergunte o porquê do nome ser Ocean se estávamos a quilômetros de distância do oceano, mas Connor (o dono do local) meio que é fissurado por mar, ele é um senhor muito gentil, e junto com sua esposa Marguerite eles conseguem fazer com que o restaurante seja familiar e amigável.

- O mesmo de sempre meninas? - Marguerite pergunta do balcão e nós acenamos concordando antes de nos sentarmos na mesa mais distante.

- Acho que somos previsíveis demais – Tori diz e eu sorrio em resposta

- Não diga isso, somos bem imprevisíveis quando queremos

- Vou fingir que acredito nisso – Uma garçonete coloca uma pequena cestinha com pães crocantes e nós nos fartamos enquanto a comida não vem – Mas me conta, o que aconteceu?

- Conhece Sônia Williams?

- A diretora financeira? A que se veste como se fosse dona do prédio?

- Exato, ela mesma – Jogo o último pedacinho na boca e mastigo antes de continuar – Ela basicamente cuida das coisas de Campbell quando ele não está, passamos exatamente uma hora somente com ela me dando instruções de como não errar e entrar na lista negra dele. E horas depois ela vem com um “vamos almoçar florzinha”.

Tori começa a rir da minha expressão e eu reviro os olhos divertida.

- Espera, você dispensou o convite para almoçar com a chefona?

- Ela disse que ia comer salada Tori, salada. E sabemos muito bem que os locais que ela almoça, deve pagar até a entrada.

- Isso é verdade

- É claro que é, eu não estou pagando nem minhas meias direito, quem dirá um prato com um monte de coisa chique que nem eu sei o nome.

- Você deveria ter aprendido com Jasper – ela bate na minha mão quando eu vou pegar o último tasquinho de pão, mas divide entre a gente um segundo depois

- Não tenho interesse, obrigada

- Mas me diz, como é lá em cima?

Abro a boca para responder, mas paro quando a garçonete traz os nossos pratos e os coloca na nossa frente.

- Obrigada Tabatha – leio a plaquinha com o nome e ela sorri antes de se virar e ir para outra mesa. Coloco uma garfada de purê com ervilhas na boca e mastigo bem devagar saboreando antes de responder Tori que está com a boca cheia também – O escritório dele parece mais um tabuleiro de xadrez, preto no branco. Mas a sala dele é outra coisa.

- Como assim? – ele pergunta antes de beber um gole do suco de laranja

- Tem uma vista incrível, janelas altas e isso sem contar a pintura na parede

- Pintura? 

- Noite Estrelada de Van Gogh

- Está brincando? O cara além de rico tem bom gosto?

- Acho que sim – respondo rindo enquanto coloco mais uma garfada na boca – É impressionante a sala.

- E você já o conheceu?

- Ainda não, ele está em viagem, mas deve chegar nos próximos dias 

- Que tensão – ela diz e eu concordo.

Meia hora depois terminamos com o nosso almoço e saímos com a barriga cheia, a energia recuperada e uma caixinha de isopor contendo algumas empadinhas para Oliver e a esposa dele.

E eu ainda escapei de Sônia. Eu meio que considero um bônus por ter sobrevivido ao primeiro dia.

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