Capa do Romance Uma mãe para o meu herdeiro - o casamento do magnata.

Uma mãe para o meu herdeiro - o casamento do magnata.

9.7 / 10.0
Aos 32 anos, o magnata Ethan Blake vive para os negócios e para o filho de oito meses após a morte da esposa. Amargurado pelo luto, o bilionário americano radicado no Brasil decidiu fechar seu coração para sempre. No entanto, sua postura fria é testada quando Ellen Vasconcellos é contratada. O que deveria ser apenas um vínculo profissional como babá transforma-se em algo profundo. Com doçura, ela desafia as barreiras de Ethan, trazendo luz e uma nova chance ao amor que ele julgava enterrado.

Uma mãe para o meu herdeiro - o casamento do magnata. Capítulo 1

Ethan Blake.

Dois meses se passaram.

Sessenta dias se arrastaram desde o dia em que enterrei a minha esposa. Desde que minha vida perdeu a cor, o cheiro, o som... tudo que me lembrava que eu ainda era humano.

Carla se foi. E com ela, se foi a melhor parte de mim.

Desde então, tenho vivido no automático. Acordo, me visto, finjo trabalhar, atendo reuniões onde mal presto atenção. Assino papéis, participo de decisões importantes que não consigo sequer registrar na minha cabeça. Tudo ao meu redor continua girando, mas dentro de mim, o tempo parou. Fiquei congelado naquele quarto de hospital. Naquele último adeus.

E agora, como se o mundo achasse que ainda não fosse o bastante, a babá de Carlos também resolveu partir.

O que senti naquele momento? Foi desespero.

Não a culpo, claro que não. Ela tinha seus motivos. Família, problemas pessoais... mas a verdade era que eu mal conseguia sustentar a minha sanidade, quem dirá a de outra pessoa.

Carlos, meu filho.

Ele era só um bebê. Pequeno demais para entender o que aconteceu, mas grande o bastante para sentir. Pois ele chora a maioria do tempo, como se buscasse a mãe no vazio. E eu... eu não sei mais o que fazer.

Quando olho para aqueles olhos lacrimejados, sinto o mesmo que ele, a saudade de Carla, daqueles olhos doces dela, da sua voz me chamando no meio da noite. De como ela amava brincar com Carlos, cantar para ele.

Tentei me concentrar hoje, mesmo que a minha mente esteja um caos, preciso me organizar.

Preciso trabalhar.

Hoje, durante uma reunião com os sócios na Blake Holdings, eles deixaram claro que minha vida profissional também estava por um fio. Que a rotina exaustiva, entre reuniões intermináveis e noites em claro acalentando meu filho, estava afundando o que me restava de energia e sanidade.

Coloquei minhas mãos sobre a mesa e olhei para um dos meus sócios.

- Você precisa de ajuda em casa, Ethan. - Leonardo falou, direto como sempre. - Contrate alguém. Pelo amor de Deus, pelo bem do Carlos. E pelo seu também.

Ele sempre foi assim, direto, descontraído. Não é atoa que é um dos meus melhores sócios, um dos meus melhores amigos. Ele é o vice-diretor da minha empresa principal do Brasil, a Blake Holdings.

Não respondi. Só assenti. Naquele momento, qualquer resposta minha teria saído atravessada, amarga, e isso era tudo o que eu não queria naquele momento.

Não queria descontar em ninguém o que sentia, ainda mais nele.

- Bom, vou para casa agora, nos falamos depois. - Saí da cadeira, acenei para todos e peguei minha pasta.

Saí da sala de reuniões e fui até o estacionamento.

Voltei para casa com um aperto no peito.

Entrei no meu carro e, após dar a partida, dirigi apressado até minha mansão.

Em poucos minutos estacionei o carro e dei a chave para um dos meus homens, todos me cumprimentavam e apenas assenti com a cabeça.

Entrei rapidamente na sala de estar.

O silêncio do lado de dentro das portas realmente machuca. Os corredores grandes da mansão, que antes tinham risos, passos apressados, cheiro de comida recém-feita... agora são só sombras e lembranças.

Ao subir os degraus e ir para o segundo andar, escutei algo. Que apertou meu coração.

Era um choro. Aquele choro estridente que me arrancou do torpor e me jogou de volta para a realidade.

Apertei os lábios com força e corri até o quarto do Carlos, e lá estava ele: em pé no berço, rosto avermelhado, braços estendidos, pedindo ajuda em um idioma que só um pai devastado entenderia.

- Shhh... papai está aqui, meu amor. - murmurei, pegando-o nos braços, sentindo o calor do seu corpinho agitado contra o meu peito.

Balancei com cuidado, como Carla fazia. Eu observei seus traços e me perguntei se um dia ele vai lembrar dela. Do sorriso, do colo. Se vai lembrar do amor dela. Ou se isso tudo vai se apagar com o tempo.

Alisei o rostinho dele e disse.

- Você é tão pequeno ainda... tão inocente, não deveria ter que passar por isso. - sussurrei, o abraçando com carinho.

Enquanto o embalava, peguei o telefone e comecei a ligar para alguns velhos amigos. Preciso de ajuda. Preciso de alguém que possa cuidar do meu filho como ele merece, como a mãe dele fazia.

Carlos começou a se acalmar no meu colo, me sentei em uma poltrona no quarto dele e então coloquei o celular sobre a orelha. A chamada foi atendida, então perguntei se meu socio poderia me indicar alguém para olhar o meu filho.

- Não conheço ninguém de imediato, Ethan - falou Gustavo, a voz hesitante. - Mas vou ver o que consigo. Prometo... Assim que encontrar alguém, te ligarei, ok? Você não vai ficar sozinho nessa. - Como sempre, Gustavo foi o primeiro que propôs ajudar, eu o conheço há alguns anos, um corretor de imoveis de idade, sério, firme, mas que sempre está disposto a fazer o que for preciso para ajudar os amigos.

- Obrigado, Gustavo. Vou desligar agora, mantemos contato. - Me despedi.

Desliguei a ligação e bloqueei o celular. Olhei para Carlos, que começou a soluçar entre um choro e outro. Me sinto um fracasso. Um homem com dinheiro, influência, poder... incapaz de confortar o próprio filho. De dar o que ele realmente quer, o que ele precisa.

Uma batida leve na porta me chama a atenção. É Marta, uma das funcionárias mais antigas da casa. Ela entra com uma mamadeira nas mãos.

- Fiz como a senhora Carla costumava preparar - falou, com a voz baixa, quase reverente.

- Obrigado, Marta - respondi, forçando um sorriso que não chegou aos olhos. - De verdade.

Sentei-me na poltrona do quarto e dei a mamadeira para Carlos. Ele pegou com mais calma dessa vez. Os olhos dele começaram a se fechar. Um suspiro escapou dos meus lábios. Finalmente.

Ele mamou rapidamente e seus olhos amoleceram. Coloquei a mamadeira sobre a comoda e deixei meu filho alguns minutos em meu colo, até escutar ele arrotar.

Coloquei-o no berço de lado, o cobri com o cobertor de que ele mais gostava e beijei seu rostinho. Ele dormia tranquilamente agora. Após desligar a luz, saí do quarto do meu filho e caminhei até o escritório.

Esse lugar, antes cheio de projetos e sonhos compartilhados com ela, agora... se tornou minha maldição, meu pesadelo.

Me aproximo da estante. Meus olhos vão direto para a foto.

Minha Carla.

O sorriso mais bonito que eu já vi. Tão viva naquele retrato. Tão ausente em todos os outros cantos.

Me sentei na poltrona. Acendi o abajur, encarei o retrato mais de perto. A luz suave iluminou a moldura e o reflexo no vidro quase escondeu seus olhos azuis. Mas eu lembro. Como se ainda a tivesse diante de mim. Como se ela estivesse prestes a entrar na sala e reclamar da bagunça.

- Eu estou tentando, querida... - falei, ainda olhando para o retrato dela, com a voz falha. - Mas não sei se vou conseguir sozinho.

Fiquei ali, em silêncio, encarando aquele pedaço de lembrança. Meus olhos ardiam, mas as lágrimas não vinham. Fazia tempo que não descia uma sequer. Talvez porque eu tenha aprendido a sufocá-las.

A única coisa que me restava agora... era continuar fingindo que estou inteiro. Mesmo quando tudo dentro de mim ainda sangra.

Porque, no fim, o que importa é manter Carlos bem. Mesmo que eu tenha que fingir estar feliz, que eu tenha que fingir estar bem e tranquilo por fora.

Ele é tudo que me restou, é a única coisa que importa.

Continuar lendo

Uma mãe para o meu herdeiro - o casamento do magnata. de Conteúdo

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Novos lançamentos de romances

Capa do Romance A Infiel I
8.1
Aprisionada em um matrimônio por conveniência com um magnata, Lígia busca escapar da amargura de sua rotina sem afeto. Durante uma viagem, ela se entrega a uma noite de paixão com um desconhecido atraente. Contudo, o que parecia ser apenas um alívio momentâneo revela-se uma armadilha do destino. Ela logo descobre que esse encontro foi meticulosamente planejado, desencadeando consequências profundas que transformarão sua existência de forma irreversível.
Capa do Romance Casamento por Contrato: A Herdeira e o CEO
8.4
Isabela Almeida retorna ao Maranhão e é surpreendida pelo testamento da avó: ela deve casar-se em um ano para garantir sua herança. Para salvar o patrimônio, ela propõe um matrimônio de conveniência a João Pedro Santana, um antigo conhecido e CEO em crise financeira. Em uma cidade pequena, manter a farsa é um desafio constante. Entre brigas e aparências, o casal descobre que a linha entre o fingimento e a realidade é perigosamente tênue e cheia de sentimentos reais.
Capa do Romance Desejo Pegando Fogo
8.8
No perigoso jogo da sedução, Kate estabeleceu uma regra clara: jamais se apaixonar. No entanto, sua resistência é testada por Elliot Hollman, um oponente que desperta nela uma atração avassaladora. Enquanto a chama do desejo consome suas certezas, ela se vê presa a sentimentos que prometeu enterrar no passado. Disposta a lutar até o fim, Kate usará todas as suas armas para vencer esse duelo, mesmo que a linha entre o prazer e o amor se torne cada vez mais tênue.
Capa do Romance É tão errado estar apaixonado pelo meu irmão adotivo
8.7
Após sete anos de uma paixão unilateral, a herdeira Rosalyn Wright decide encerrar seu casamento. Ela reconhece que o amor impossível por Saul, seu irmão adotivo, só trouxe sofrimento e ilusão. Ao ligar para o pai, com quem havia rompido laços para se casar, Rosalyn admite seus erros e planeja assumir o império da família. Convencida de que Saul nunca a amou de verdade, ela busca o divórcio para finalmente retomar sua identidade e seu lugar nos negócios.
Capa do Romance Ela o construiu, depois o destruiu
9.0
Fui a mentora por trás da ascensão política do meu marido, mas sua gratidão veio em forma de traição com uma estagiária. Ao ser confrontado, ele me humilhou e ainda usou a morte do meu irmão, provocada por ele, para me chantagear. Quando um escândalo de fraude ameaça sua campanha, ele exige que eu limpe sua sujeira e proteja seu cargo. Prometi enterrar o problema como ele pediu, mas ele não imagina que o alvo da minha destruição final será ele mesmo.
Capa do Romance Casar com Um Docinho Impertinente: Não Consigo Parar de Te Amar
8.7
Pressionada por dívidas hospitalares, Elise aceita ser mãe de aluguel para Cherry, sem imaginar que caiu em uma cilada planejada pela própria mulher. Ao se mudar para a residência do casal para gerar a criança, ela conhece Adam, o marido frio e atraente. Embora o contrato estabeleça limites rígidos entre eles, o desejo do homem ultrapassa o acordo profissional. Agora, ele está determinado a fazer com que ela lhe pertença para sempre, ignorando todas as regras.

Dramas Curtos Populares

Capítulos
Leia agora
Compartilhar
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED