SINOPSE:
A Páscoa é um momento de reflexão e novas descobertas.
A ingênua Becca Summer foi seduzida pelo magnata grego Christos Carides. E ele sabe de um segredo que pode acabar com esta irresistível paixão: suas famílias há muito alimentam um grande ódio. Porém, Christos também não conhece todos os segredos de Becca, e quando a gravidez é revelada, uma doce vingança começa a ser arquitetada por ele...
Trecho:
— Acho que é melhor darmos juntos a notícia a seus pais.
Becca o fitou estupefata e soltou uma gargalhada.
— Ouviu alguma coisa do que eu disse até este momento?
— Sim, mas agora é sua vez de escutar o que tenho a dizer. Espera de fato que eu permita que crie um filho meu, sozinha? — A pergunta podia parecer bruta a alguém tão frágil, mas tinha de ser feita.
Becca fechou os olhos e meneou a cabeça.
Comentário da Revisora:
A ingênua Becca Summer é seduzida pelo magna¬ta grego Christos Carides. Ciente da hostilidade exis¬tente entre suas famílias, Christos oculta deliberadamente sua verdadeira identidade. O amor físico entre os dois é ardente, mas Becca descobre que está espe¬rando um filho de Christos!
Christos está furioso por Becca tentar esconder a gravidez. Seria o casamento uma vingança apropriada?
Divirta-se!
CAPITULO UM
O domínio de Carl Stone sobre seu império financei¬ro era total, contudo o tempo em Home Counties, no dia do casamento de sua única filha, permanecia fora do seu controle.
O instituto de meteorologia previra uma nevasca fora de época em todo o país. E as nuvens carregadas sugeriam que a promessa seria cumprida.
De fato, quando alguns dos convidados começa¬ram a chegar, espremendo-se pelo cordão de segu¬rança ao redor da Catedral, os primeiros flocos bran¬cos e finos desabaram sobre a cidade.
Porém, a intempérie não era suficiente para umedecer os espíritos daqueles convidados. A maioria te¬ria lutado de bom grado contra todos os fenômenos da natureza para assistir ao que era considerado o ca¬samento do ano!
Só uma pessoa parecia não apreciar a boa sorte de estar presente a tão esperado acontecimento. A figura alta e esguia encontrava-se um pouco afastada, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça e o tórax largo apoiado no tronco de um antigo teixo. Aparentemen¬te, parecia alheio ao vento frio e à neve que lhe polvilhava de branco os cabelos escuros e os ombros do terno bem-talhado.
A expressão na face morena era de puro enfado. A fisionomia sombria só era iluminada vez ou outra, quando respondia à.saudação de um amigo ou o cum¬primentava um membro da família.
Uma jovem, ofegando ao testemunhar tal momen¬to, declarou fervorosamente que venderia a alma para ser presenteada com um daqueles sorrisos. A irmã, mais afoita, replicou que gostaria de receber mais do que um simples sorriso!
— Jocasta... Lídia... comportem-se, meninas. — Reunindo as filhas amuadas à sua frente, a mãe, fin¬gindo indiferença aos atributos físicos do rapaz, relanceou um olhar em sua direção, antes de seguir para o interior da esplêndida construção-gótica.
Se os outros convidados desconheciam a identida¬de da figura alta e enigmática, sua cor o colocaria imediatamente na lista de convidados do noivo. Um típico grego, teriam dito, observando os cabelos es¬curos, a pele bronzeada e o perfil que se assemelhava ao de uma estátua grega. Os mais familiarizados, po¬rém, poderiam dizer que aquele homem nada tinha de típico!
Contudo, a pergunta sobre sua identidade não sur¬giu, porque não havia uma alma entre os proeminen¬tes convidados que não o conhecesse. Qualquer um saberia responder qual seu signo, o tamanho de seu sapato e até mesmo arriscar uma suposição educada sobre sua conta bancária.
Christos Carides, diretor do império Carides, era de fato reconhecido imediatamente pela alta socieda¬de presente no local, assim como seu anfitrião e, de acordo com algumas fontes, era ainda mais rico! E, sem dizer, mil vezes mais bem afeiçoado.
Após ter passado o último mês desfrutando o sol e o calor da Austrália, apesar de não deixar transpare¬cer, Christos ressentia-se com o frio. Um frio que quase se assemelhava ao sentimento que devotava ao primo, o noivo.
Um espasmo de desprezo retorceu os contornos bem definidos dos lábios sensuais, quando seus pen¬samentos se voltaram para o primo Alex.
Naquele instante, um jovem baixo e louro surgiu na lateral do prédio e deu um suspiro de alívio ao avistá-lo. Ofegante, com o paletó aberto, revelando um colete de seda listrado, o estressado padrinho cir¬culou ao longo do caminho, evitando várias colisões com os convidados que o olhavam assustados.
— Olá, sou Peter — disse bruscamente ao se de¬parar com a figura alta e dominante do financeiro grego.
— Sim, eu me lembro. Você é o afilhado de Carl, não é?
Peter assentiu com a cabeça.
— Sim. Sou o padrinho de casamento depois que...
— Depois que eu recusei — concluiu Christos.
— Sim... Bem, não sabe como estou contente em vê-lo.
— Em que posso ajudá-lo?
— Você tem que vir comigo!
Ao ouvir a declaração dramática, Christos endirei¬tou os ombros e se desencostou com extrema desen¬voltura do tronco da árvore.
— Tenho...? — indagou num tom educado.
A inflexão sardônica e o brilho frio dos olhos es¬curos fizeram o sorriso nos lábios do outro homem enfraquecer. Não era um começo promissor.
— Alex está perguntando por você. Por favor... Sr. Ca... Carides — gaguejou o padrinho. — Não sei o que fazer. Seu primo está um caco. Bebeu o suficiente para afundar um couraçado de guerra, ontem à noite. Nem parece ele!
Christos não demonstrou surpresa. Ficaria mais surpreso se o primo não tivesse caído do cavalo. Nos momentos de tensão — e, presumivelmente, casar-se com a herdeira de um dos homens mais ricos da Inglaterra seria um deles —, o primo sempre procurava uma muleta.
— Creio que quando o conhecer melhor, verá que Alex está sendo ele mesmo.
O jovem parecia um pouco confuso pela resposta vaga.
— Acho que não entendeu. Ele mal pode ficar de pé e está... — o rapaz loiro fez uma pausa e olhou por sobre o ombro — ... chorando.
Para Christos ficou claro que aos olhos do jovem inglês aquelas lágrimas masculinas eram o detalhe mais embaraçoso da situação.
— E porque eu deveria me preocupar...?
A expressão do outro homem era um misto de cho¬que e revolta.
— Então, não vai ajudar?
— Não.
— Quando Alex me disse que você era um sujeito frio e mau-caráter, eu duvidei!
Christos sorriu, revelando uma fileira de dentes brancos e pouca cordialidade.
— Problema seu — observou num tom suave. — Se me permite dar um conselho, eu mergulharia a ca¬beça dele em um balde de água gelada e encheria uma xícara com café forte e empurraria pela goela dele abaixo. Não se preocupe tanto. Ele dispõe de um bom plano hospitalar. Agora, se me dá licença, estou espe¬rando alguém. — Com uma leve inclinação de cabe¬ça, dispensou o jovem.
— Tio Carl tem razão. A família Carides pensa que está acima de todos. Mas na verdade, você não passa de um pirata maldito, sem moral, sem escrúpu¬los e sem modos.
O rapaz percebeu que Christos, em vez de ficar ofendido pelo desabafo insultante, sorriu.
Peter não era um jovem muito forte, mas o escár¬nio que vislumbrou nos olhos escuros do grego des¬pertou-lhe um desejo sem precedentes de recorrer à violência física. Mas não o fez, é claro. Estava furio¬so, não insano! E tampouco falava com um homem de negócios sedentário. Christos Carides mal tinha entrado na casa dos trinta e parecia gozar de pleno vi¬gor físico.
O padrinho se deu conta de que os convidados fita¬vam-no curiosos e procurou se acalmar. E, muito mais incomodado com esse fato do que o seu adver¬sário, rangeu os dentes e partiu com tanta dignidade quanto pôde reunir.
Por certo, se sentiria melhor se soubesse que havia alguém por perto que teria aplaudido suas observa¬ções sobre o caráter dos Carides e ainda acrescentaria outras tantas!
Becca Summer, misturada aos convidados, chega¬va próximo ao cordão de segurança. Naquele mo¬mento, sua garganta estava tão seca que por certo não poderia formar mais que duas palavras e não seria capaz de ouvir o que disse, devido às batidas aceleradas de seu coração.
Seis semanas atrás estava atipicamente falante!
— Pessoas como os Carides me deixam enojada! — declarou furiosa, rosnando o nome com desdém.
— Pensam que só porque têm dinheiro e poder po¬dem fazer tudo que bem entendem. — Olhou para a irmã, Erica, e engoliu em seco. — A despeito de quem possam prejudicar.
— Becca, não adianta ficar zangada — retrucou Erica num tom de derrota.
— Quer dizer não se zangue, se vingue? — isto nunca fizera tanto sentido como naquele momento.
— Vingança? — exclamou Erica com um sorriso.
— Isso é sério? Estamos falando dos Carides.
— Então, você pensa que pessoas como os Carides acham que podem fazer tudo que querem? — esbra¬vejou Becca.
— Eu sei que podem, mana.
A réplica desanimada marejou-lhe os olhos de lá¬grimas, que ela lutou para conter e declarou num tom ameaçador:
— Um dia vou ensiná-los que não podem passar por cima das pessoas e escapar ilesos! Você vai ver.
Aquilo fora dito no calor do momento e por certo Becca não acreditara que tal oportunidade pudesse surgir, mas ali estava ela, prestes a fazer um pequeno ajuste na balança da justiça.
E já lamentava o fato de ter sido bem-sucedida!
Naquele instante, pegou um dos transeuntes olhando para sua cabeça e depressa retirou o chapéu de tricô, era o tipo de adorno que as pessoas não cos¬tumavam usar para ir a casamentos elegantes. Passando a mão sobre os cachos pré-rafaelitas, jogou-os para trás, deixando-os cair como uma cascata sobre o tecido escuro do seu casaco.
Não desista da tarefa do dia, Becca. Trabalhar sob disfarce definitivamente não é para você, disse a si mesma, reprimindo um sorriso preocupado.
Parte do problema era que não estava apenas apreensiva, mas também exausta. Não era de admi¬rar, considerando que no dia anterior entrara em seu velho fusca e dirigira a noite toda até chegar ali.
Durante o trajeto descobriu que a adrenalina, a afronta e o artigo de jornal noticiando o casamento do ano podiam fazer uma irmã mais velha protetora ir muito longe.
Por outro lado, carros precisavam de gasolina, o que a fez caminhar quase cinco quilômetros ao longo de uma estrada deserta até o posto mais próximo, às três da manhã.
Depois que tudo aquilo terminasse seria um alívio voltar ao seu estado normal, sensata, consciente e cautelosa. Não costumava agir daquela forma. Não era de sua natureza lançar a precaução ao vento. Na realidade, a inabilidade para ser espontânea fora uma das razões às quais Roger atribuíra o fracasso do re¬lacionamento deles.
A família e os amigos a incentivaram e apoiaram, quando o anúncio do compromisso de Roger com uma loira deslumbrante aparecera no jornal local, na semana seguinte ao rompimento deles. Becca, saben¬do que na condição de noiva abandonada deveria es¬tar se sentindo mais traumatizada, recebera as condo¬lências com um certo grau de culpa.
Depois de algumas semanas o papel de vítima pa¬tética começou a incomodá-la.
Quando contara o ocorrido à irmã, Erica lhe dis¬sera:
— Não se preocupe. Daqui a algumas semanas eles terão um novo escândalo para se deliciarem.
Na ocasião, nenhuma das duas podia suspeitar que seria Erica a protagonista do novo escândalo!
A irmã contara à família sobre sua gravidez não planejada no mesmo dia em que a ambulância fora chamada ao asseado trailer Edwardian onde Becca e Erica haviam crescido.
Mas fora muito tarde para salvar o bebê.
Depois, em casa, com a promessa de que tudo fica¬ria bem e que a filha mais nova teria alta no dia se¬guinte, a família Summer sentara na sala, encarando-se mutuamente.
Reconhecendo que os pais idosos ainda estavam muito chocados com a notícia, Becca fizera a única coisa que lhe ocorreu no momento: um chá.