RENATA RODRIGUES
Já cheguei no trabalho para baixo.
- boa noite, esse é o fardamento!
Recebo a roupa que tenho de usar, me visto, a equipe com a qual trabalharei essa noite está super entrosada, todos comunicativos, faltantes, mas não me sinto bem perto deles, tenho certeza que todos estão julgando meu corpo, me achando gorda e feia, então fico no meu canto, fazendo meu trabalho, respondendo só o necessário, não quero muito papo com ninguém.
Quando estamos com tudo organizado para a chegada dos convidados e os noivos na recepção, uma mulher entra na cozinha esbaforida!
- não vai ter mais recepção!
-COMO ASSIM?
Minha voz sai mais alto do que esperava.
- a mãe do noivo passou mal e foi socorrida, os noivos casaram e estão indo direto para o hospital, parece que foi grave.
Fico chocada em saber disso e com pena dos noivos, principalmente do noivo, coitado!
A moça diz que vai pagar a todos e que podemos ir para casa, penso em avisar ao Henrique que estou largando mais cedo, na mesma hora desisto, ele deve está dormindo.
As crianças vão dormir na casa da minha irmã, ela as levará de volta a amanhã, então pego um Uber e volto para casa.
Entro em casa sem fazer barulho, pois tenho certeza de que o Henrique está dormindo, já entro com meus sapatos nas mãos, coloco ele no canto da porta e vou até a cozinha, bebo um copo d'água, me sentido cansada começo a caminhar para meu quarto, só quero dormir pois sei que amanhã o dia será cansativo cuidando da casa, subo as escadas e quando estou no corredor indo para meu quarto, escuto um barulho, na verdade um gemido!
Henrique está assistindo filmes porno a essa hora? Me aproximo com cuidado e sem fazer barulho, a porta está entreaberta, quando espio dentro do quarto vejo um filme de terror!
Minha melhor amiga Carol dando o cu para meu marido, em cima da minha cama! Ela está montada em cima dele, meu marido com seu pau dentro da bunda de Carol que está pulando sem parar!
Meu mundo inteiro desaba, o chão se abre embaixo dos meus pés, estou tão nervosa que sinto que vou desmaiar.
- Henrique? Carol?
Os dois paralisam e me olham, Henrique está branco como papel e Carol da um sorriso que me faz espumar e fala:
- chegou cedo amiga!
Todo meu nervosismo se transforma em fúria! Eu trabalhando e eles me fazendo de palhaça!
- VAGABUNDA DOS INFERNOS!
vou até ela e arranco de cima do meu marido pelos cabelos!
- comendo meu marido pelas minhas costas!
Nessa hora até agradeci por está com uns quilos mais, pois Carol magricela não teve forças para mim!
- puta safada! Traidora do caralho, vou quebrar sua cara!
Dou um soco no rosto de Carol que berra, mas não solto seus cabelos.
- me larga sua gorducha, me larga!
- desde quando você está comendo meu marido sua vagabunda? Em? desde quando?
- a meses, que culpa tenho se você é uma balofa? Eu sou gostosa e magra!
- desgraçada dos infernos!
Acerto um tapa na cara dela, em seguida finco minhas unhas em sua bochecha e arranho sua cara.
- aí aí aí, Henrique me ajuda, a gorda da sua mulher vai matar!
Quando Henrique fez menção de interferir, eu olho para ele de um jeito, que ele só um passo pra trás.
Puxo Carol pelos cabelos escada a baixo e saio rebocando ela, para fora da minha casa.
- deixa eu pegar minhas roupas!
- pegar suas roupas um caralho, a vizinhança toda vai ver que você é uma puta, vai voltar andando para sua casa nua!
Falo, pois conhecendo meus vizinhos como conheço, sei que já saíram de dentro de casa por conta dos gritos e devem estar ouvindo todo barraco.
Vou estapeando ela no meio do caminho e quando chego na porta de casa, abro e a jogo na rua completamente palada! Como imaginei, a rua está repleta de vizinhos fofoqueiros espiando tudo, então eu enchos os pulmões de ar e berro para todo mundo ouvir:
- PEGUEI ESSA PUTA DANDO O CU PARA MEU MARIDO, EM CIMDA DA MINHA CAMA!
Todos fazem um barulho de espanto e começa o borburinho.
- ISSO É UMA TALARICA!
Bato as mãos uma na outra, como se tivesse pegado em algo sujo, Carol que caiu sentada, se levanta e tenta cobrir os peitos e a boceta com as mãos, enquanto caminha para casa dela.
- AGORA EU TENHO QUE ME LIVRAR DO OUTRO LIXO!
Digo e entro para casa, Henrique já está vestido com uma bermuda, ele anda pela sala de um lado para o outro.
- não era para você ter visto isso Renta, você chegou cedo!
Quando eu escuto a idiotice que ele fala, eu avanço até ele e rodo a mão na cara dele, dou um tapa que sinto a palma da minha mão queimar!
- Seu vagabundo dos infernos! Você quer que eu peça desculpas por ter chegado cedo? Vai te foder!
Eu nunca fui de chamar palavrão e não estou me reconhecendo!
- Renata, calma, vamos conversar, você sabe, eu sou homem!
Não aguento ouvir tanta escrotice e pulo em cima dele, mordo seu pescoço e não solto por nada.
- caralho Renata!
Quando eu o solto, sinto o gosto de sangue na boca, eu só quero que ele sai da minha frente.
- pegue suas coisas e vai embora!
- eu não vou embora da minha casa!
- essa casa é minha!
Essa casa foi da minha mãe, após sua morte passou a ser minha herança, após a divisão de bens.
- eu tenho meus direitos!
- Henrique, eu vou ligar para polícia se você não sair!
Ele me olha e vendo que não estou para brincadeiras, decidi sair.
- eu vou, mas volto para conversamos, você está nervosa!
Ele tem a cara de pau de falar, então ele pede para ir buscar umas roupas e eu digo a ele para esperar lá fora, que vou preparar uma mala com suas roupas, peço a chaves que ele tem da casa, Henrique reluta, mas me entrega a chave, quando ele vai para fora esperar a mala que prometi, tranco a porta de chave, meu corpo treme e minhas mãos também, mesmo assim caminho até o quarto!
Quando abro o guarda roupa e vejo as roupas de Henrique, tenho uma ideia, ele pediu as roupas dele, eu falei que daria, só não disse como...
RENATA RODRIGUES
Peguei uma tesoura e no fervor da raiva, comecei a cortar todas as camisas do meu marido, não sobrou uma para contar a história, desde as mãos baratas, até às mais caras! Cortei as calças, bermudas e até cuecas e tudo virou retalhos! E tão comecei a lançar todas pela janela!
- AI ESTÃO SEUS TRAPOS!
Henrique começou a me chamar de louca e foi embora daqui sem levar nada, apenas a bermuda que estava em seu corpo.
Quando ele se foi eu desabei e comecei a chorar! Mas não era um simples choro, como já tinha chorado várias vezes, era um choro que vinha da alma, um choro sofrido, eu sentia uma dor de luto, como se eu tivesse perdido um ente querido e ali eu chorei até não ter mais forças, chorei até não ter mais lágrimas, até me sentir oca, vazia, eu estava dilacerada.
Meu casamento com Henrique tinha esfriado, entrado na rotina, mas nunca imaginei que ele fosse capaz de me trair e ainda mais trazer sua amante para dentro de nossa casa, em cima da nossa cama! Voltei a chorar, me sentir a pior mulher do mundo, um lixo, feia e sem expectativa de nada, tudo que eu sabia era que amanhã teria que está de pé e bem para ir buscar meus filhos e cuidar deles.
Passei a noite sem conseguir dormir, chorei a madrugada toda, tentei descobrir onde eu tinha errado, me sentir pouca, insuficiente, mas eu tinha que continuar pelos meus filhos.
Quando o dia amanheceu, tomei um banho, coloquei uma roupa qualquer e fui obrigada a passar um corretivo e base no rosto para esconder a noite mal dormida, as olheiras e fui na casa da minha irmã.
Quando chego na casa de minha irmã Sara, ainda era bastante cedo, as crianças ainda dormiam, meu cunhado também estava dormindo, então aproveito para contar a ela o que aconteceu.
- aquele arrombado de merda, eu bem que não ia com a cara da Carol e te falei isso várias vezes, ela era boazinha demais, tinha caroço nesse angu.
Era verdade, Sara sempre me alertou sobre a Carol, sobre ela sempre se enfiar dentro da minha casa toda prestativa, mas eu achava que era implicância da minha irmã e nunca dei ouvidos, agora deu no que deu.
- não chora irmã, aquele trambolho não merece suas lágrimas!
Choro um pouco no ombro de minha irmã.
- deixa as crianças aqui comigo uns dias, até você ficar melhor, não vai ser bom para elas te verem assim, eu cuido de tudo, levo elas a escola, vou seguir toda a rotina!
- você faria isso por mim?
Pergunto com os olhos cheios de lágrimas e minha irmã me responde prontamente em segundos, sem nem precisar pensar:
- eu faria qualquer coisa por você Rê, você é minha irmã amada, minha casula, se você precisar do meu sangue ele é seu, do meu rins eu te dou, eu amo você!
Nos abraçamos e me sinto emocionada, eu faria o mesmo por minha irmã!
- obrigada Sara, eu também amo você!
- eu quero que você fique bem, se precisar conversar é só ligar, se precisar passar uns dias aqui também, minha casa é sua casa!
Eu agradeço e me despeço, já em casa, faço duas mochilas, uma para cada um dos meus filhos, com roupas, fardamento escolar e tudo que eles vão precisar, para passar uns dias na casa de minha irmã, meu cunhado passa em minha casa para buscar as mochilas.
- sabe que pode ir ficar lá com a gente, não sabe Rê?
Ele fala, me olhando com pena, meu cunhado é um cara legal, mas seu olhar de pena acaba comigo.
- eu sei Gustavo, obrigada, mas eu vou ficar bem, vocês já estão fazendo tanto ficando com as crianças.
- imagina, nos amamos seus filhos, assim como amamos a Luiza, vamos cuidar muito bem deles.
Luiza é minha sobrinha, filha da minha irmã e do Gustavo, ela tem 6 anos e eles optaram por terem apenas um filho.
- eu sei disso, obrigada mais uma vez.
Meu cunhado se vai, eu entro em casa e me tranco, me jogo no sofá, só quero ficar aqui quieta, sem fazer nada!
Não sei quantas horas se passaram quando ouço meu celular virar, me arrasto até ele e vejo o nome Marido! Fecho os olhos e deixo o celular tocar, eu não quero falar com Henrique, a cena dele fodendo a Carol não sai da minha cabeça, então começo a pensar várias bobagens! E se eu perdoa-lo e tentar salvar meu casamento? Afinal, temos dois filhos juntos e como ele disse: Ninguém iria me querer com dois filhos!
Não, eu não posso aceitar ele de volta, onde está meu amor próprio? Começo a pensar como será minha vida de mulher separada e sinto medo de não conseguir, eu vou conseguir dar conta de tudo? Fico com medo, a insegurança do futuro bate forte e eu choro!
Henrique liga muitas outras vezes, eu não atendo, será que ele não tem bom senso e não se toca que não quero falar com ele?
Eu não voltaria para Henrique, ele me traiu e não confiava mais nele, não importa o quanto as coisas ficariam difíceis, eu não o aceitaria novamente em minha vida, procuraria um emprego, criaria meus filhos com dignidade, exigira que ele pagasse a pensão pois era direito dos meus filhos, eu sabia o que tinha que ser feito, só precisava ter forças para fazer, por hora eu só conseguia priorizar a minha dor.
continua...
Postado mais um capítulo meus amores.