Capa do Romance Uma dose de natal, uma pitada de sacanagem

Uma dose de natal, uma pitada de sacanagem

9.7 / 10.0
Após sofrer uma traição devastadora e ser humilhada ao flagrar o marido com sua melhor amiga, uma mulher decide recomeçar do zero. Em busca de uma nova fase, ela aceita um trabalho temporário durante as festividades de Natal. O que parecia ser apenas uma ocupação passageira para curar as feridas do passado acaba se tornando o ponto de virada definitivo em sua trajetória, abrindo portas para transformações profundas que mudarão seu destino para sempre.

Uma dose de natal, uma pitada de sacanagem Capítulo 1

Renata Rodrigues

Deixo meus filhos com minha irmã, Iza de quatro anos e Artur de cinco anos, estou indo fazer um bico! A verdade é que estou muito feliz por ter conseguido esse trabalho provisório, afinal está chegando o Natal e preciso comprar roupas novas para as crianças, vou trabalhar em um casamento, vou servir as comidas as convidados.

Me chamo Renata e tenho trinta e um anos, minha vida está um caos e não consigo por em ordem, sou casada com Henrique, estamos juntos a quase dez anos, nos conhecemos na faculdade, eu era a garota mais popular, desejada e simpática da escola, tinha um corpo violão, os cabelos castanhos claros e longos, olhos cor de mel, os garotos se jogavam aos meus pés e eu flertava com todos, mas não ficava com nenhum, até que conheci o Henrique, foi amor a primeira vista, pedir enfim minha virgindade, tudo aconteceu rápido demais e em menos de um anos estava casada! No auge da minha juventude eu me casei.

Meu marido é corretor e é ele quem sustenta a casa, quando engravidei da Iza eu trabalhava num escritório como secretária, mas meu marido me mandou pedir demissão do emprego, falando que eu deveria me dedicar a gestação e depôs a criança, quando a Iza estava perto de completar um ano, falei ao Henrique que queria voltar a trabalhar, ele fez uma cena e me xingou!

Falou que eu estaria abandonando minha filha, que eu era uma péssima mãe e que não merecia que ele sustentasse a casa!

Me sentir péssima, um lixo! Foi nesse período que descobri que estava grávida do Arthur, meu corpo mudou bastante nesse processo, ganhei uns quilos a mais, meus peitos ficaram maiores e meus quadris mais largos, muito mais largo, estava tentando me achar em meio a essa drástica mudança!

Os anos passaram e eu sentia falta de um elogio do meu marido que deixaram de vim, então uma certa noite deixei meu filho com minha irmã que é uma grande rede de apoio para tudo que preciso, depois de deixar as crianças com a Sara, fiz um jantar gostoso e fui me arrumar.

Coloquei uma lingerie nova e bonita, meu corpo estava maior, mas mesmo assim usei, pus um vestido mais curto e justo, vi que tinha algumas gordurinhas aparecendo, porém nada que fosse exagerado, me maquiei e arrumei os cabelos, me perfumei, no final gostei do resultado, me achei linda, achei que Henrique iria dizer que eu estava uma gostosa e teríamos uma noite maravilhosa, doce ilusão!

- porque você colocou essa roupa ridícula?

Foi a primeira coisa que ele disse quando chegou em casa!

- está indo para algum circo?

A princípio achei que ele estava brincando, porém ele continuou e falou palavras duras que nunca conseguir esquecer:

- você está gorda, seus peitos parecem tetas, você é uma piada!

Tentando manter meu orgulho, ergui a cabeça e disse:

- você pode achar isso, mas concertar tem vários homens que me acham uma gostosa!

Henrique deu uma risada seca e feia, depois ele me olhou frio e disse:

- não seja ridícula, nenhum homem vai te querer, quem vai querer uma mulher com dois filhos? Te enxerga! Você tem levantar aos mãos para os céus por eu não me separar de você!

Minha noite perfeita se transformou na pior noite da minha vida, passei a noite chorando sem conseguir dormir, enquanto Henrique dormia tranquilamente, ali eu acreditei em tudo que ele falou: ninguém iria me querer, eu tinha que fazer de tudo para não perder meu marido, eu era um lixo de mulher!

Fui me fechando para todos, minha vida era acordar cedo, preparar o café da mãe do Henrique, das crianças, levá-las a escola, fazer almoço, buscar as crianças da escola, limpar casa, lavar roupa, lavar pratos, fazer jantar, as crianças brigavam e choravam toda hora por tudo, a noite eu estava sempre exausta.

- você está com cara de enterro!

Era isso que Henrique falava toda noite quando chegava do trabalho, eu estava morta, minhas unhas estavam um lixo, meus cabelos secos e sem corte, só usava roupa larga, não estava me importando com minha aparência, afinal não importava o que eu fizesse, eu nunca ficaria bonita novamente.

Foi então que a casa ao lado foi alugada, pela Carol, uma loira linda de 1,70m, ela era tudo que eu j fui um dia, magra e sorridente, muito prestativa Carol se tornou minha amiga e começou a frequentar minha casa, o Henrique não se metia em nossa amizade, eu precisa da Carol ela era minha única amiga após anos, solteira e bem sucedida, Carol trabalhava com eventos e foi ela quem me arrumou esse bico, ela sempre me escalava para trabalhar nas festas em que ela organizava.

Antes de sair para a festa ela passou lá em casa.

- entra amiga, estou quase pronta!

Henrique está no sofá vendo TV com as crianças, mas percebo ele olhar a Carol, nessas horas me bate um ciúmes, eu percebo o Henrique olhando a Carol cobiça, hoje como todos os dias ela está linda, com um vestido vermelho colado em seu corpo magro e sem nenhuma gordinha fora do lugar, meu consolo é que a Carol não olha para o Henrique, eu confio em minha amiga de olhos fechados, ela nunca me faria nada de ruim comigo.

- você vai de branco?

Ela pergunta ao me ver com o vestido tubinho branco que estou usando.

- sim, tem algum problema com cor de roupa?

Pergunto para saber se posso ir com qualquer cor, afinal lá sei que colocarei um uniforme.

- é que você sabe, o branco marca muito.

- não entendi?

Pergunto realmente sem entender, afinal esse vestido vai até o joelho e é muito composto.

- amiga, você sabe que sou sincera, você está um pouco acima do peso, deveria usar apenas roupas escuras, combina mais com você!

Henrique não falou nada, apenas deu uma risada, ali eu me sentir a mulher mais feia, mais acaba, a pior mulher do mundo.

Dei as costas e fui para o quarto chorar, mas nem tinha muito tempo para isso, troquei de roupa, pus uma calça jeans escura e um blusão folgado que mais parecia uma sacola, peguei minha bolsa e fui para sala pegar a crianças!

Quando chego na sala encontrou Carol sentada ao lado de Henrique rindo de algo que ele falou, quando os dois ficaram tão próximos?

- amiga!

Quando me ver, Carol vem até mim.

- espero que não tenha ficado com raiva de mim, sabe que tudo que falou é para seu bem amiga.

- não fiquei, não se preocupe.

- ah vem aqui amiga, me dá um abraço.

Carol me abraça e eu só quero ir trabalhar.

- eu te amo.

Ela diz.

- também amo você!

Nós afastamos.

- agora vamos crianças, eu ainda vou deixar voces na casa da tia de vocês.

Porque estou levando as crianças para casa da minha irmã, sendo que meu marido está em casa?

Ele diz que chega cansado do trabalho e não tem paciência para cuidar dos seus próprios filhos.

- amor você vai me levar?

Pergunto achando que ele pode pegar nossos carro e me levar até a casa da minha irmã, pois estou com duas crianças e com bolsa.

- está louca? Não me amola, estou cansado e não tenho tempo, pede um Uber ou vai andando.

Pego meus filhos e saio de casa, peço um Uber assim como todos os dias, vou vivendo, sem ter, sem esperança e sem motivação.

-mãe!

A Iza me chama quando estamos dentro do carro.

- a senhora está tão linda, eu te amo.

Meus olhos enchem de água e sinto vontade de chorar.

- eu também te amo mãe!

O Artur diz e eu os abraços.

- vocês são minha vida, amo vocês mais que tudo!

Meus filhos eram o motivo de continuar vivendo, pois de mim já tinha desistido.

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