Alexia ergueu os olhos lentamente, e o que viu fez seu coração vacilar.
Sob as luzes intermitentes da rua, distorcidas pela chuva fina, um olhar firme e implacável a encarava — Waylon Mason estava ali, imponente e impecável, com uma aura poderosa que fazia o mundo ao redor parecer pequeno demais.
Atrás dele, uma fileira de carros de luxo dominava a calçada, chamando atenção de todos.
Seus assistentes, sempre atentos, se mantinham dos dois lados, um deles segurando um guarda-chuva sobre a cabeça dele.
Mas o que realmente chamou a atenção de Alexia foi o guarda-chuva que ele prórpio segurava — inclinado cuidadosamente para protegê-la da chuva.
O homem deu um passo à frente devagar, parando diante dela e inclinando-se para que seus olhos se encontrassem em silêncio. Então, com um gesto decidido, removeu delicadamente os óculos de armação grossa que ocultavam o rosto dela.
Agora, os olhos de Alexia estavam completamente visíveis: grandes, expressivos e vulneráveis.
Waylon sorriu de canto. "Já faz anos, Alexia. Olhe só para você… que estado lamentável. Finalmente deixou de ser aquela garota iludida ou ainda cultiva esses sonhos inúteis?"
Cada palavra foi como um golpe seco, fazendo os olhos de Alexia se encherem de lágrimas, enquanto a força que restava em seu corpo se dissolvia diante dessa crueldade.
Ela tentou responder, os lábios se entreabrindo num gesto hesitante, mas antes que pudesse soltar uma sílaba, Waylon a envolveu em seus braços.
Com um movimento firme, o homem a ergueu do chão, protegendo-a da chuva e dos olhares julgadores enquanto avançava em direção ao carro preto que os aguardava, cercado por seguranças que abriam caminho como se seguissem um protocolo ensaiado.
O barulho da rua, os cochichos, os olhares invasivos... tudo se calou — as pessoas assistiam à cena em completo silêncio, hipnotizadas.
...
Dentro do carro, Alexia segurava o vestido encharcado e sujo de lama com as mãos trêmulas, evitando encarar o homem ao seu lado.
"Por que você apareceu justo agora, Waylon? Por que agora, quando tudo está desmoronando?", ela perguntou, a voz rouca, quase um sussurro.
Virando o rosto para ela com olhos indecifráveis, Waylon estendeu a mão e segurou seu queixo com firmeza, a forçando a encará-lo.
"O que você acha? Vim ver como estava a mulher de quem menos gostei." Um sorriso irônico se formou em seus lábios, mas seus olhos estavam sombrios. "Então, Alexia, ainda se lembra do que eu te disse sete anos atrás?"
Claro que ela lembrava.
Waylon era o herdeiro brilhante da família Mason, seu maior rival naqueles tempos.
A última vez que se viram foi no aeroporto, em uma despedida que terminou em um dos piores confrontos de suas vidas.
Waylon detestava a forma como ela se humilhava diante da família Jenkins, agindo como se não tivesse valor próprio, especialmente ao implorar por um amor que nunca foi recíproco.
Alexia, por sua vez, odiava o orgulho ferino dele e sua tendência a julgar os outros com um olhar superior.
Naquele dia, Waylon a alertara de que buscar a afeição de quem nunca a aceitaria seria sua ruína.
Ela, teimosa, não ouviu, pois estava tão desesperada por pertencimento que se convenceu de que o esforço a faria merecedora.
"Tudo bem se eles não gostam de mim agora. Se eu me esforçar o suficiente e colocar todos acima de mim, uma hora vão me aceitar", pensou ela.
A família queria que ela se casasse com Roger, e assim ela concordou. Seus irmãos não queriam que ela se tornasse muito poderosa, então agiu como se fosse ingênua e medíocre. Nos bastidores, no entanto, eliminava riscos silenciosamente, protegendo tanto os Jenkins quanto os Gibson com suas ações discretas.
As lágrimas quentes deslizavam pelo rosto de Alexia e caíam sobre os dedos de Waylon, que ainda seguravam seu queixo.
Presenciando essa tristeza, o olhar dele vacilou por um momento, enquanto a frieza dava lugar a algo que ela não conseguiu identificar. Então, ele a soltou.
A voz de Alexia saiu trêmula, com a dor escancarada nas entrelinhas. "Waylon, você estava certo. Eles me usaram até não terem mais o que tirar. Dei tudo de mim por mais de vinte anos, e no fim... Eu fui uma idiota."
Passou-se um longo tempo antes de Waylon finalmente falar novamente: "Você não foi idiota, Alexia... Eles é que nunca mereceram nada da sua bondade."
Mas Alexia não respondeu.
A falta de resposta o levou a se virar, apenas para encontrar a jovem adormecida, exausta, com o rosto ainda marcado pela dor que transbordava sem controle.
...
Horas depois, no silêncio da madrugada, Alexia foi tomada por uma febre alta.
Santino Blake, médico pessoal de Waylon, recebeu uma ligação urgente e, mesmo no meio da noite, agarrou sua maleta e partiu sem hesitar.
Ao chegar, ele efetuou um exame minucioso, mostrando a eficiência de quem já havia visto muitas situações. Após terminar, observou a expressão cansada de Alexia e soltou um suspiro profundo.
Santino lançou um olhar por sobre o ombro e viu Waylon fumando na varanda. A névoa suavizava seus traços marcantes, como se quisesse esconder a rigidez que havia em seu rosto.
Era raro vê-lo fumar. Na verdade, Santino só se lembrava de uma outra ocasião semelhante, ocorrida dois anos atrás.
Sem dizer uma palavra, ele atravessou a sala e se juntou a Waylon no lado de fora. "Ela está estável agora. Pegou um resfriado forte por ter ficado muito tempo na chuva. Ela estava abalada, mas já apliquei uma injeção e deixei os medicamentos prontos. Ela vai ficar bem."
As palavras pairaram entre os dois, acompanhadas pelo silêncio da noite.
O médico continuou: "Li as manchetes. A família Jenkins não só a afastou de vez, como também fez questão de humilhá-la publicamente, bem no meio da festa da Marilee. Eles sequer fizeram um teste de DNA antes de trazê-la de volta do exterior? Isso me parece uma armação..."
Antes que pudesse continuar, o zumbido insistente do celular de Alexia ecoou no ambiente, cortando-o.
Waylon entrou com a intenção de encerrar a chamada, mas parou ao ver o nome na tela, e seus olhos escureceram por um instante.
No entanto, ele atendeu e colocou no viva-voz.
A voz do outro lado da linha veio carregada de raiva ao exclamar: "Alexia, você ignorou todas as minhas ligações e mensagens. O que está tentando fazer? Sumir do mapa? Isso não vai mudar nada. Amanhã você assina o divórcio e pronto. Já esperei demais. Pare de atrapalhar a minha vida com Marilee. Você já dependeu demais da minha família. Se ainda tem alguma dignidade, vá embora de vez — é o mínimo que pode fazer pela Marilee. Não se preocupe com sua parte — você vai receber o que é seu, já que cuidou bem da minha mãe e da minha avó. Mas não ultrapasse os limites. Saiba a hora de parar. Ei, por que não responde? Onde você está?"
O silêncio que se seguiu pareceu corroer a confiança de Roger, que começava a vacilar.
Santino apertava os punhos, tomado por uma tensão crescente que ameaçava explodir como uma tempestade, e mal conseguia se manter de pé, com os joelhos prestes a ceder, desejando desesperadamente que alguém interrompesse isso.
Desde a primeira palavra de Roger, ele percebeu a transformação no semblante de Waylon, cujos olhos se tornaram frios e desprovidos de qualquer calor, deixando apenas uma atmosfera gelada e sufocante.
Com a voz carregada de desprezo, Waylon finalmente falou: "Então é assim que você fala com ela?"
Do outro lado da linha, Roger congelou, e sua postura, antes agressiva, cedeu à confusão. "Quem é você? Onde está Alexia?"
Waylon desviou o olhar para a cama, onde Alexia descansava, sua respiração fraca, mas regular.
Com um murmúrio suave, ele respondeu: "Ela está dormindo."
Depois de uma pausa calculada, acrescentou: "Ela está bem aqui comigo."
O silêncio foi quebrado por um grito furioso — Roger parecia à beira de um colapso.
"O que você disse?! Quem diabos é você?!"
Waylon deixou escapar uma risada baixa, quase divertida. "Calma. Logo, logo você vai descobrir... Claro, se você ainda estiver vivo."
Sem mais uma palavra, ele encerrou a ligação.
Na manhã seguinte, a chuva havia se dissipado, e a luz do sol se filtrava pelas cortinas.
Alexia despertou, esticou a mão até o celular, e foi recebida por uma avalanche de chamadas perdidas e mensagens de texto — todas de Roger.
Deslizando os olhos pelas palavras agressivas, ela não demonstrou qualquer emoção e, em seguida, simplesmente largou o aparelho sobre os lençóis. Nesse momento, um banho quente importava mais.
No banheiro, o vapor do banho quente cobria o espelho enquanto ela se encarava com atenção.
Algo havia mudado: seus olhos, que por tanto tempo refletiram cansaço e submissão, agora brilhavam com uma firmeza quase desafiadora.
Pela primeira vez em muito tempo, sorriu de verdade — um sorriso genuíno que brotava do fundo e iluminava seus olhos.
Parecia que uma febre tinha limpado tudo por dentro — a dor, a culpa e as falsas lealdades.
A fase de se deixar ser enganada havia acabado, e ela não precisava mais fingir que tudo estava bem.
Com os cabelos ainda úmidos e enrolada em uma toalha, Alexia pegou o celular novamente e rolou a lista de contatos. Seus dedos pararam em um nome que não contatava há anos e, sem hesitar, apertou o botão de chamada.
"Luna! Até que enfim! Vai me dizer que é verdade? Que você finalmente vai se divorciar?"
Do outro lado da linha, risos e vozes de seus amigos se sobrepunham.
Alexia respondeu calmamente: "Sim, vou assinar o divórcio hoje."
Uma explosão de comemoração atravessou o celular — assobios, gargalhadas, e tilintar de taças.
"Já era hora, mulher! Chega desse drama de dona de casa. Nossa Luna voltou!"
"Sério, esse divórcio é a melhor coisa que te aconteceu. Roger nunca te mereceu. E se ele fizer qualquer coisa, me fala. Eu resolvo."
"E nem vamos começar a falar dos Jenkins. Se não fosse por você, já teriam afundado na crise do ano passado. Luna, estamos do seu lado. O Helix Consortium está com você."
O calor das vozes, assim como o apoio incondicional, era como voltar para casa depois de um exílio, e isso arrancou um sorriso genuíno de Alexia. "Nesse caso, vou precisar de uma carona."
Sem hesitar, uma voz masculina interrompeu, vibrando de entusiasmo: "Carona? Para o seu grande retorno? É só dizer o lugar. Mando o campeão de corrida te buscar pessoalmente!"