Capítulo 1

"Acorda, Sophi. Eu te avisei ontem à noite que o Alfa não está na alcateia. Tenho que ir para a casa da alcateia mais cedo."

Eu estava num sono profundo quando ouvi uma batida forte na minha porta. Tentei voltar a dormir, desta vez com o travesseiro sobre os ouvidos.

Meu irmão, Abraham, estava esmurrando a porta.

Ele era três anos mais velho que eu e havia sido promovido recentemente a Gama da nossa Alcateia Sombra Noturna, fazendo com que suas responsabilidades aumentassem a cada dia.

"Se você não sair agora mesmo, vou matar seu namorado", ele ameaçou.

Imediatamente, abri os olhos e me sentei na cama.

"Aff! Por que está fazendo isso? Já estou indo, me espere."

"Boa garota."

Ao ouvi-lo, revirei os olhos. Ele sabia muito bem que meu ponto fraco era meu namorado, Bruce Morrison.

Ter um homem como ele na minha vida era uma bênção. Ele me amava, e eu confiava nele de olhos fechados.

Ele era o irmão mais novo do nosso Alfa, Bryan Morrison.

Apesar de serem irmãos, eles eram completamente diferentes.

Bruce era uma pessoa calma e serena, que se dava bem com todos.

Por outro lado, seu irmão mais velho, Bryan, era um homem extremamente frio. Todos na nossa alcateia tinham medo dele. Diziam que ele tinha um olhar tão penetrante quanto uma adaga, exalando um ar de perigo que causava arrepios em quem ousasse cruzar seu caminho. No mundo dos lobos, cada movimento seu era calculado e cada ação era deliberada.

Sua postura letal era capaz de matar qualquer Alfa a qualquer momento. Ele não era apenas o Alfa mais forte, mas também um magnata dos negócios que levou nossa alcateia ao topo das mais ricas do mundo.

Bom, foi isso que ouvi falar dele. Só o vi uma vez, no último aniversário de Bruce, quando o vi de relance.

Fiquei aliviada por Bruce não ser frio como ele. Bruce era um cavalheiro e, o mais importante, se importava comigo.

Tomei um banho, vesti um simples vestido longo azul e calcei um par de tênis. Em seguida, peguei meu celular e minha bolsa e desci as escadas correndo.

"Viu? Ela raramente chega na hora certa."

Ouvi meu irmão reclamando de mim para minha mãe.

"Mãe, não dê ouvidos a ele. Ele e o Alfa dele só estão me dando nos nervos. Ele me disse ontem à noite que sairíamos cedo, mas não disse a que horas. Não consigo nem dormir direito por causa dele."

Minha mãe riu, já acostumada com essas discussões.

Após nos despedirmos dela, Abraham e eu saímos.

Entramos no carro dele, que começou a dirigir.

"A mãe me pediu para te levar para a universidade todos os dias, caso contrário, você teria que ir a pé."

"Tudo bem, então não precisa me levar. Vou pedir para o Bru..."

"Nem pense nisso. Vou te levar todos os dias. Não gosto daquele cara."

"Claro que não gosta dele, porque ele não é seu namorado, e sim o meu. O conheço melhor do que ninguém, e ele me ama. Aliás, ele me prometeu que viria conversar com a mãe sobre nós depois do meu aniversário de dezoito anos", respondi num tom de zombaria.

Quando todos os membros da alcateia completavam dezoito anos, encontravam seus companheiros.

Atualmente, muitas pessoas preferem ficar com a pessoa que escolheram do que com seu companheiro destinado, então podiam rejeitá-lo se quisessem.

No entanto, havia uma lei diferente que só se aplicava ao Alfa líder.

O Alfa líder da nossa alcateia não podia rejeitar seu companheiro destinado. Se ele fizesse isso, seu companheiro morreria.

Além disso, os outros Alfas rebaixariam sua posição de líder da Alcateia Sombra Noturna, o que era pior do que a morte.

"Que é amanhã. Seu aniversário é amanhã, Sophia", meu irmão me lembrou.

"Então ele virá depois de amanhã."

"Vou ficar de olho nele primeiro, depois deixarei que você seja a companheira dele."

Bruce tinha a mesma idade do meu irmão, e por algum motivo que eu desconhecia, ele não gostava nada dele. No entanto, como ele achava que Bruce poderia ser meu companheiro, teve que nos aceitar juntos.

"Tudo bem, tudo bem, meu irmão. Como quiser", comentei com sarcasmo.

Em resposta, ele deu um leve tapa na minha cabeça com os nós dos dedos, o que me fez rir.

Pouco depois, ele me deixou na entrada principal da minha universidade.

'Universidade da Sombra Noturna'

Essa era a universidade dos meus sonhos, e tive que me esforçar muito para conseguir entrar. Eu estava no meu primeiro ano.

Depois de assistir a algumas aulas, comecei a ficar entediada. Minha melhor amiga, Luisa, não estava comigo, pois não apareceu hoje.

'Onde ela está? ', me perguntei enquanto discava o número dela. No entanto, ela não atendeu minha ligação.

Também estava sentindo falta de Bruce, que também não veio. Disquei o número dele, e ele atendeu após dois toques.

"Alô."

"Onde você está, Bruce?"

"Querida, já te disse que meu irmão foi para a Alcateia Vale da Lua trazer minha cunhada para cá. Ele está voltando hoje. O noivado deles é amanhã, então estou na casa da alcateia agora."

"Ah! Sim. Como pude me esquecer da cerimônia de noivado do meu futuro cunhado? Acho que foi por isso que meu irmão foi para lá cedo hoje. Ele também me informou que fomos convidados para a cerimônia."

"Não se preocupe, querida. Se você tivesse esquecido, eu teria te lembrado. Então não precisa se preocupar. Estou bastante ocupado agora. Queria que você estivesse aqui, mas tudo bem. Você deve estar na sua aula. Te ligo mais tarde."

"Está bem, tchau."

"Tchau."

Soltei um suspiro quando Bruce desligou o celular. Ele estava fazendo a coisa certa ao ajudar sua família.

De repente, uma ideia surgiu na minha mente.

'Devo ir à casa da alcateia para fazer uma surpresa para ele. Vou ajudá-lo no trabalho. Ele ficará muito feliz.'

Após sair da universidade, chamei um táxi e cheguei à casa da alcateia em vinte minutos.

Paguei o taxista e fui até a casa da alcateia.

A princípio, os guardas me impediram de entrar, mas quando disse que era irmã do Gama Abraham, eles me deixaram entrar.

Ao entrar na casa, uma onda de perfume me envolveu, enchendo o ar com o doce aroma de flores desabrochando. Cada canto estava adornado com uma abundância de pétalas vibrantes, criando um arco-íris de cores que dançava diante dos meus olhos. As paredes estavam decoradas com delicados buquês, cujas pétalas caíam suavemente como uma cascata da beleza da natureza.

A casa da alcateia inteira parecia uma noiva. Ri ao pensar em comparar uma casa a uma noiva.

Por que eles não decorariam a casa? Era o noivado do Alfa Bryan. Todos teriam sua Luna amanhã.

Olhei em volta para encontrar Bruce, mas ele não estava em lugar nenhum.

"Com licença, onde Bruce está?", perguntei a uma empregada.

"Ele não está aqui", ela respondeu com um sorriso gentil.

Achando que ele poderia estar no quarto, perguntei:

"Onde é o quarto dele?"

"No andar de cima, no canto", ela respondeu antes de voltar ao seu trabalho.

"Obrigada."

Subi as escadas e olhei para os dois cantos.

"Qual deles? O da direita ou o da esquerda?", me perguntei, me lembrando de que havia me esquecido de perguntar qual canto.

Seguindo minha intuição, fui para o canto mais à esquerda, percebendo que o quarto ficava no final do corredor.

Caminhei lentamente e parei em frente à porta.

Quando a abri, fiquei boquiaberta.

Era um quarto principal.

Uma sensação de ordem e limpeza tomou conta de mim. Cada canto estava meticulosamente organizado, como se cada item tivesse sido cuidadosamente colocado com um propósito.

Uma cama king-size estava no centro, sua presença imponente chamando a atenção.

O quarto tinha um ar de elegância, com móveis brancos impecáveis dispostos cuidadosamente para criar uma sensação de paz. As paredes eram pintadas de uma cor escura. A janela ao lado da cama dava vista para a floresta.

Para minha surpresa, senti uma energia completamente diferente neste quarto.

"Bruce?", chamei, mas não obtive resposta.

Onde ele estava? Ele não disse que estava na casa da alcateia?

Tentei ligar para ele, mas seu celular estava fora de área.

Achei que ele voltaria logo, então aproveitei para observar todo o quarto. De repente, meu olhar foi atraído para uma foto na mesa de cabeceira.

Dei um passo lento em direção a ela e peguei o porta-retrato. Era uma foto de dois irmãos.

Bruce e seu irmão mais velho.

Sem perceber, me sentei no colchão macio da cama e acariciei o rosto de Bruce através do vidro do porta-retrato.

Parecia que essa foto foi tirada na adolescência deles. Bruce estava fofo, e seu irmão tinha um ar frio, como os outros diziam sobre ele. Quando ele foi à festa de aniversário de Bruce no ano passado para parabenizá-lo, só vi seu rosto de relance à distância. Bruce nem pôde me apresentar a ele, já que ele teve que sair às pressas para uma reunião da alcateia.

A diferença de idade entre eles era de apenas dois anos. No entanto, Bruce respeitava muito seu irmão.

Nessa foto, seu irmão parecia bonito, mas era um garoto muito arrogante.

Quem diria que um dia esse garoto se tornaria o Alfa mais poderoso?

Os sussurros do seu nome ecoavam pelos corredores do poder, se espalhando como um incêndio entre aqueles que testemunharam seus ataques implacáveis na guerra.

Enquanto eu estava perdida em pensamentos, de repente, uma voz fria atrás de mim me tirou dos meus pensamentos e me fez estremecer por inteira.

"Como ousa entrar no meu quarto sem minha permissão?"

Capítulo 2

"Como ousa entrar no meu quarto sem minha permissão?"

Ao ouvir isso, me levantei e me virei para a porta, me deparei com o homem parado na porta, que era Bryan Morrison.

Sua aparência marcante lhe dava um charme inegável.

No entanto, o frio no seu olhar me causou arrepios, enquanto seus olhos sombrios me encaravam.

Soltei um grito abafado, fazendo com que minha mão começasse a tremer, e o porta-retrato escorregou da minha mão e caiu no chão, sem que eu me desse conta.

Eu não sabia que era o quarto dele.

"C-cunhado!", exclamei.

"Cunhado? Ouvi direito, Bryan?"

Após entrar no quarto, uma mulher se colocou ao lado de Bryan.

Ela era incrivelmente bonita, com uma beleza que os homens costumavam idolatrar. Ela usava um vestido branco que chegava até os joelhos, e suas curvas realçavam seu corpo esbelto e atraente.

Depois de me olhar da cabeça aos pés, ela desviou sua atenção para ele.

"Ela é a namorada de Bruce?"

Bryan ergueu a mão para impedi-la de continuar falando. De repente, seu olhar se desviou para o chão.

Quando olhei para baixo, vi que o vidro do porta-retrato estava quebrado!

Meus olhos se arregalaram ao ver a rachadura que separava os dois irmãos na foto.

Rapidamente, me agachei e estendi a mão para tocar a foto.

"Estou limpando", eu disse.

"Saia", o ouvi dizer.

Quando virei a cabeça para olhá-lo, seus olhos ainda estavam fixos na foto, como se estivesse com raiva demais para olhar para mim, e que se olhasse, me mataria.

Engolindo em seco, tentei me desculpar.

"S-Sinto muito."

"SAIA!", ele gritou para mim.

Me encolhi com seu tom frio, e um caco de vidro perfurou meu dedo.

Abaixei a cabeça e me levantei, saí correndo do quarto enquanto tentava conter minhas lágrimas.

Assim que saí, as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Parei e mordi o lábio inferior para tentar não chorar.

Ninguém nunca havia falado comigo assim. Soluçando, eu estava prestes a sair quando ouvi a mulher falando com ele.

"Bryan, ela é tão vulgar. Você viu o estilo dela?"

Ao ouvir isso, olhei para minhas roupas, me perguntando o que havia de errado com elas. Eu estava usando um vestido bem decente.

"O que há de errado com nosso Bruce? Ele realmente gosta dessa garota? Não consigo acreditar nisso. Ele tem um péssimo gosto!"

Com uma expressão de desaprovação, fui até as escadas. Eu não queria ficar nem mais um segundo ali, já que não havia ido até lá para ser humilhada.

Após descer as escadas, fui direto para a porta principal.

"Sophia?"

Ouvi alguém me chamando por trás. Quando me virei, vi a mãe de Bruce, Juliana Morrison.

Ela inclinou a cabeça e sorriu para mim. "Ei! Como você está aqui? E por que está indo embora?"

Tentando me recompor, sorri de volta para ela.

Eu já a havia visto no ano passado na festa de aniversário de Bruce, assim como seu irmão mais velho, mas a diferença era que Bruce havia me apresentado aos seus pais.

Eles me conheciam, e sua mãe era uma senhora muito simpática.

"Luna, como você está?", perguntei enquanto caminhava até ela.

Ela segurou minhas mãos e me pediu para me sentar no sofá com ela.

Em seguida, ela olhou para as empregadas, que se curvaram para ela e saíram da sala de estar.

Em resposta, ela riu e balançou a cabeça.

"Não sou mais sua Luna. Mila será sua Luna em breve", disse ela.

'Mila? ', pensei, me lembrando que ela estava falando da noiva de Bryan, a mulher que eu acabara de ver no quarto dele.

Como seu irmão iria se casar com ela em breve, Bruce sempre a chamava de cunhada. Na verdade, foi ele quem me pediu para chamar Bryan de cunhado. Ele disse que chamá-lo de Alfa seria estranho, já que em breve nos tornaríamos uma família.

"S-sim", eu disse, me lembrando das humilhações que havia acabado de passar.

"Ela é filha do Alfa da alcateia Vale da Lua. Ela é a melhor opção para meu filho, uma mulher competente que tratará bem toda a alcateia. Pelo menos, é o que espero", ela descreveu sua futura nora com um semblante radiante.

Ao ouvi-la, senti um desconforto. Eu também seria sua nora, mas não era de nenhuma alcateia com status elevado.

Eu pertencia a uma família comum. Meu pai não era um Alfa de nenhuma alcateia, mas um lobo guerreiro. Ele morreu num acidente, deixando minha mãe e nós sozinhos. Para criar meu irmão e eu, minha mãe teve que trabalhar muito. Para alcançar o posto de Gama, meu irmão trabalhou arduamente. Para entrar na melhor universidade e me formar para deixar minha mãe orgulhosa, estudei muito. Era isso que tínhamos. Tínhamos respeito próprio, mas nenhuma reputação elevada.

Como se tivesse lido meus pensamentos, ela colocou a mão na minha cabeça.

"Não pense que não estou feliz com você só porque estou falando da minha nora mais velha. Toda vez que Bruce fala, ele te menciona. Quando te conheci na festa, senti que ele havia tomado uma decisão sensata. Você é uma garota bonita. Ele te trata bem?"

Ao ouvi-la, olhei para ela, e a ansiedade que me atormentava desapareceu rapidamente. Com um sorriso no rosto, acenei com a cabeça.

"Ele é muito bom comigo. Tenho muita sorte de tê-lo."

Em resposta, ela acenou com a cabeça, e seu sorriso nunca saiu do rosto. Ela estava feliz que seus dois filhos estavam se casando com mulheres boas.

Nesse momento, algumas empregadas chegaram com lanches e os colocaram na mesa de chá.

"Onde Bruce está, tia?"

"O ouvi conversando com uma garota chamada Luisa. Talvez ele tenha algum trabalho fora."

"Ah..."

Luisa? O que Bruce estava conversando com ela?

Então, algo me veio à mente. Amanhã era meu aniversário. Será que eles estavam planejando algo para mim?

Pensando nisso, me levantei e disse:

"Tia, me dê licença para ir embora agora. Tenho algumas coisas para fazer."

Ao me ouvir, ela arqueou as sobrancelhas. "Você não comeu nada."

"Da próxima vez, tia. Estou com pressa agora."

"Você virá amanhã com Abraham, não virá?"

"Sim."

"Traga sua mãe com você."

Abaixei a cabeça timidamente e assenti.

Após sair da casa da alcateia, liguei para Luisa, mas ela não atendeu minha ligação novamente.

Então, peguei um táxi para ir até a casa dela.

'Vocês dois estão planejando uma surpresa para mim e acharam que eu nunca saberia disso? ', pensei, soltando uma risadinha.

Mas, no fundo, eu não queria estragar a surpresa deles. Só estava indo à casa dela para ver se ela estava bem, já que não foi à universidade naquele dia.

Eu não fazia ideia de onde Bruce estava. Mas, como ele mentiu para mim, devia estar tramando algo.

Quando cheguei à casa de Luisa, foi sua empregada quem abriu a porta.

"Olá. Onde Luisa está?"

"Ela está no quarto."

"Certo. Estou indo lá", eu disse, subindo as escadas até o quarto dela.

Eu estava feliz naquele dia. Por que não estaria? Tive a oportunidade de ouvir elogios da minha futura sogra.

Quando cheguei na frente da porta de Luisa, fiquei surpresa ao abri-la.

Ela estava usando seu celular. Eu não havia ligado para ela várias vezes? Por que ela não atendeu minhas ligações?

De repente, meus olhos se desviaram para seu corpo, que estava coberto com um cobertor.

Entrando no quarto, perguntei:

"Luisa? Você está com febre?"

Ela ficou chocada ao me ver, como se estivesse vendo um fantasma.

"V-Você! P-Por que está aqui?", ela perguntou, tentando cobrir seu pescoço e braços com o cobertor.

Eu não conseguia entender sua reação. Mas, de repente, ouvi o som de alguém abrindo uma porta.

Quando virei a cabeça em direção ao banheiro, vi um homem saindo com os cabelos molhados, usando um roupão branco.

Não pude acreditar no que vi. Senti uma pontada no coração, e meus olhos começaram a se encher de lágrimas enquanto eu pronunciava seu nome:

"Bruce?"

Capítulo 3

Senti como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés. Teria sido melhor se eu tivesse morrido antes de ver isso.

"Então... Sophia?"

Bruce ficou atordoado ao me ver. O que ele estava pensando? Que poderia continuar me traindo e eu não iria descobrir?

"Como pôde?", perguntei, dando um passo para trás. Nesse momento, senti um peso no meu peito.

Fui traída pela pessoa em quem mais confiava!

Sempre sonhei em passar o resto da minha vida com ele. Me achava sortuda por tê-lo, mas o que ganhei com isso?

Infidelidade?

"Sophia, seja lá o que estiver pensando, não é nada disso, querida."

Bruce tentou se aproximar de mim, mas o impedi erguendo a mão. Balançando a cabeça, senti que iria desmaiar a qualquer momento.

Em seguida, olhei para Luisa, que estava de cabeça baixa. Como ela pôde fazer isso? Ela não era minha melhor amiga?

"E você?", murmurei para ela.

Ela me olhou e balançou a cabeça. No entanto, ela se esqueceu de que estava enrolada em um cobertor, que acabou caindo do seu corpo.

Assim, algumas marcas no seu corpo nu apareceram.

Quando vi isso, quase desabei no chão, ficando sem palavras. Como eles puderam jogar tão sujo comigo?

"Sophia, me desculpe. Por favor, me perdoe, querida."

Quando Bruce se aproximou e segurou minha mão, senti nojo ao seu toque.

Puxando minha mão da dele, lhe dei um tapa.

"Há quanto tempo?", perguntei.

Ele permaneceu em silêncio. Por quê? Por que ele estava tão quieto agora? Já fazia dois anos que estávamos juntos. Ele havia me prometido ser um homem leal, e jurou que me marcaria e me tornaria sua companheira.

Há alguns anos, fui à casa da alcateia com meu irmão, quando ele ainda não era o Gama. Foi nessa época que conheci Bruce. Ele começou a aparecer na minha escola, e alguns meses depois, começamos a namorar. Naquela época, ele já havia rejeitado sua companheira. Ele me disse que foi porque ela o traiu.

Mas o que ele estava fazendo agora?

"EU PERGUNTEI HÁ QUANTO TEMPO???" Gritei com ele.

Ele permaneceu em silêncio, sem nem sequer fazer contato visual.

Então, fui até Luisa. "Me diga você. Há quanto tempo está fazendo isso pelas minhas costas com ele?"

Eu queria ouvir da boca dela há quanto tempo eles estavam me fazendo de boba.

"H-Há um ano", ela respondeu enquanto se afastava de mim.

Ao ouvir isso, mordi meus lábios com força, quase os fazendo sangrar. Eu não aguentava mais tanta dor.

"Eu não queria fazer isso, Sophia. Eu só te amo", ouvi Bruce dizer.

Ele ainda tinha coragem de falar?

Ao ouvir suas palavras, zombei dele. Depois do que ele fez, ele teve a audácia de dizer isso?

"Por que me traiu?"

"Você nunca me deixou te tocar. Sou um Alfa e tenho alguns desejos que preciso satisfazer, então tive que procurar outra pessoa."

"Eu estava esperando completar dezoito anos. Queria me tornar sua companheira e esposa. Antes de fazer qualquer coisa, eu queria dar um nome ao nosso relacionamento. Nunca pensei em outro homem. Estava me guardando só para você. Mas você não podia esperar por mim? Nem mais um ano? Você começou a me trair depois de apenas um ano de relacionamento?"

Apertando os punhos para não chorar, respirei fundo e disse a Bruce:

"Tudo acabou. Nosso relacionamento está encerrado."

Em seguida, olhei para Luisa, a quem eu chamava de melhor amiga. "Não apareça na minha frente nunca mais."

Ela não tentou se justificar, como se não tivesse nada a dizer.

Então, me virei para sair. Enquanto chorava, desci as escadas correndo.

"SOPHIA!"

Bruce desceu as escadas às pressas e segurou meu braço.

"Não me toque.

Como ousa dizer que terminou comigo? Você não pode ir embora. Ninguém vai te aceitar. Todos sabem que você é minha namorada. Você é uma Ômega fraca. Ninguém vai te tomar como esposa, mas sim um brinquedo. Você deveria ficar aliviada por eu ainda estar apaixonado por você. Então, esqueça tudo e finja que não viu nada."

O encarei, me perguntando como um homem poderia ser tão sem vergonha. Eu queria me dar um tapa por ter me apaixonado por ele. Suas palavras me deixaram ainda mais desprezada.

O empurrei com força.

"Não precisa se preocupar comigo. Vá brincar com sua Luisa como tem feito todo esse tempo."

Após dizer isso, saí da casa.

Minhas pernas estavam trêmulas. Eu não fazia ideia para onde ir. O que eu deveria fazer agora? Como eu lidaria com essa traição na minha vida?

Como eu explicaria Bruce para minha mãe e meu irmão? Eu havia prometido apresentá-lo a eles em breve. Meu irmão parecia conhecer bem as pessoas. Ele já havia me avisado sobre Bruce, mas eu nunca dei ouvidos às suas palavras.

Como eu fui estúpida!

Enquanto pensava nisso, comecei a caminhar pela estrada. Eu não tinha forças para esperar por um táxi, e minha mente estava confusa.

Amanhã seria meu aniversário de dezoito anos. O destino realmente me deu um ótimo presente!

Eu achava que eles estavam preparando algo para o meu aniversário, mas mal sabia que eles estavam me traindo há muito tempo.

Por que tudo isso aconteceu comigo? Eu era uma garota simples e feliz com sua pequena família. Por que ele veio e me destruiu tanto?

Ele me chamou de Ômega fraca! Será que ele pensava assim de mim o tempo todo?

Com a mente perturbada, caminhei como uma louca pela estrada. Eu não fazia ideia de onde estava ou há quanto tempo estava andando.

Quando o sol começou a bater, meus passos ficaram mais lentos, e sua intensidade quase me deixou louca. Eu estava suando, chorando e deprimida.

De repente, ouvi buzinas atrás de mim.

"Ei, garota! Vá morrer em outro lugar. Saia do nosso caminho. Nosso Alfa está atrasado."

Eu estava tão imersa nos meus pensamentos confusos que não consegui ouvir o motorista direito.

Quando me virei, fiquei espantada ao ver uma longa fila de carros pretos atrás de mim.

Nesse momento, um homem corpulento saiu de um carro que estava no meio dos outros e abriu a porta traseira para alguém.

Um homem de terno preto saiu e foi em minha direção.

Por causa da luz do sol e dos meus olhos marejados, não consegui ver seu rosto.

Após dar um passo lento, ele parou na minha frente, bloqueando a luz do sol que atingia meu rosto.

Pisquei para vê-lo melhor.

Era Bryan Morrison!

Como pude encontrá-lo duas vezes no mesmo dia?

Eu não sabia como chamá-lo agora.

Cunhado? Bryan? Alfa?

Ele estava com uma carranca enquanto me encarava. Provavelmente, ele se perguntava por que eu estava no meio da estrada.

"Eu... eu..."

Eu queria contar a ele o que seu irmão havia feito comigo, mas antes que eu pudesse, me senti instável.

De repente, a escuridão começou a me envolver, e senti meu corpo se chocar contra seu peito duro.

Seus braços fortes envolveram minha cintura quase que imediatamente. Quando ele me tocou, senti uma sensação estranha que nunca havia sentido antes.

Antes que eu pudesse compreender esse sentimento desconhecido, desmaiei nos seus braços.

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