Capa do Romance Traição em Jogo Alto, A Mão Vencedora

Traição em Jogo Alto, A Mão Vencedora

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Horas antes do nosso noivado, Heitor me traiu ao casar com Dominique em Las Vegas. Alegando um erro de embriaguez, minha ex-amiga me desafiou para um jogo de pôquer cruel para me humilhar. Heitor não só a apoiou, como me obrigou a entregar uma herança de família após uma derrota proposital. Eles acreditam que sou vulnerável, mas ignoram meu passado no submundo das apostas. Agora, a suposta noiva frágil usará suas habilidades de tubarão para tirar tudo deles.

Traição em Jogo Alto, A Mão Vencedora Capítulo 1

Meu noivo, Heitor, casou-se com minha melhor amiga, Dominique, em Las Vegas. Esta noite. Apenas algumas horas antes da nossa luxuosa festa de noivado começar.

Eles anunciaram para nossas famílias e amigos, chamando de um "erro de bêbado". Dominique, agarrada ao braço dele, exibia um anel barato e um sorriso triunfante.

Ela então propôs um jogo de pôquer de apostas altas para "comemorar", uma piada cruel projetada para me humilhar ainda mais.

Heitor, meu noivo há anos, ficou ao lado dela. Ele até me forçou a entregar a pulseira da minha avó quando perdi uma mão, jogando a preciosa herança numa poça de champanhe.

Ele me disse que era só um jogo, que a pulseira não significava nada.

Mas eles não conheciam meu segredo. Eu cresci no cenário do pôquer clandestino. Eles achavam que estavam jogando com uma noiva frágil.

Eles estavam prestes a perder tudo para uma tubarão.

Capítulo 1

(Ponto de Vista de Abigaíl)

Meu noivo, Heitor, casou-se com Dominique em Las Vegas. Não na próxima semana, não no próximo mês. Esta noite. Horas antes da nossa luxuosa festa de noivado começar.

As palavras me atingiram como um soco. Não uma metáfora, mas um golpe real no estômago, roubando o ar dos meus pulmões. Eu cambaleei.

"Foi só uma brincadeira, Abigaíl. Um erro de bêbado", disse Heitor, sua voz vazia, seus olhos evitando os meus.

Ele estava ali, lindo e irritante, parecendo tão casual em seu terno sob medida. Dominique, sua "melhor amiga", estava ao seu lado. Ela usava um vestido justo e brilhante. Seu braço estava entrelaçado no dele.

Dominique apenas sorriu, um sorriso doce, doentiamente doce, que não alcançava seus olhos. Ela levantou a mão. Um anel barato e cafona brilhava em seu dedo esquerdo.

"Que brincadeira", consegui engasgar. Minha voz parecia uma lixa. Era quase um sussurro.

Dominique riu. Um som alto e agudo que cortou o silêncio do salão de festas. Os convidados tentavam fingir que não tinham ouvido.

"Ah, Abigaíl, não seja tão dramática", ela ronronou. Ela apertou o braço de Heitor. "É só um pedaço de papel, não é, querido?"

Heitor se encolheu. Ele não olhou para mim. Ele olhou para Dominique.

Minha visão embaçou. Os lustres de cristal acima de nós pareciam girar.

"Um pedaço de papel?" Minha voz estava subindo agora. Eu podia sentir o calor em minhas bochechas. "Tínhamos uma festa de noivado planejada. Nossas famílias estão aqui."

Dominique revirou os olhos. "Não é como se fosse de verdade. Certo, Heitor?"

Ela olhou para ele, seus olhos grandes e inocentes. Uma atuação perfeita.

Heitor finalmente encontrou meu olhar. Seus olhos estavam frios, distantes. "Ela está certa, Abigaíl. Não significa nada."

Ele deu de ombros. Um gesto casual, desdenhoso. Como se meus sentimentos fossem um pequeno inconveniente.

"Não significa nada?" O salão parecia estar encolhendo. O ar estava pesado. "Depois de tudo?"

Dominique riu de novo. Desta vez, estava cheia de pura malícia.

"Deveríamos comemorar!" ela anunciou para o salão. Sua voz estava alta demais. "Um casamento relâmpago em Vegas é motivo para festa, não é?"

Ninguém ousou responder. O silêncio era ensurdecedor, exceto pelo tilintar de copos vindo do bar.

Ela olhou ao redor, seu olhar demorando em mim. "Vamos tornar isso mais interessante. Um jogo de pôquer. Apostas altíssimas. Por minha conta."

Um jogo de pôquer? Aqui? Agora? Meu coração martelava contra minhas costelas.

Eu a encarei. Seus olhos brilhavam. Ela não estava pedindo. Estava exigindo.

Os convidados se mexeram desconfortavelmente. Eles evitaram meu olhar. Não queriam se envolver.

Senti um pavor gelado se infiltrar em meus ossos. Isso não era sobre um jogo. Era sobre outra coisa.

Era sobre ela. Sobre eles. Sobre me humilhar.

Um pensamento silencioso e perigoso se formou em minha mente. Um plano. Um lampejo de algo que eu pensei ter enterrado há muito tempo.

"Eu jogo", eu disse. Minha voz estava surpreendentemente firme.

A cabeça de Heitor virou bruscamente em minha direção. Seus olhos se arregalaram.

"Abigaíl, não seja ridícula", ele disse. Seu tom era ríspido. "Você não joga pôquer."

Ele estendeu a mão para o meu braço. Seus dedos roçaram minha manga.

Eu recuei. Seu toque parecia uma marca de ferro. Queimava.

"Ah, eu jogo", eu disse, minha voz baixa e carregada de um sarcasmo que eu não sabia que possuía. "Especialmente quando as apostas são tão altas. Ou você achou que eu ia simplesmente me curvar para você e sua... esposa?"

A palavra 'esposa' pairou no ar, um dardo envenenado.

O rosto de Heitor escureceu. "Ela não é minha esposa, Abigaíl! Foi um erro de bêbado! Exatamente como eu disse!"

Ele praticamente cuspiu as palavras. Sua mandíbula estava cerrada.

Um erro de bêbado. Essa era sua desculpa padrão para cada limite que ele já havia cruzado com Dominique. Cada noite até tarde, cada promessa esquecida, cada vez que ele me fez sentir como um segundo plano.

Eu olhei para ele. Olhei de verdade. Os anos de mágoa silenciosa, os pequenos cortes que lentamente me sangraram. As vezes em que ele desconsiderou meus sentimentos, ignorou minhas preocupações, sempre colocando Dominique em primeiro lugar. Sempre.

Ele sempre segurava a mão dela por tempo demais, ria das piadas dela alto demais, a defendia com ferocidade demais. Sempre.

Dominique, enquanto isso, se pressionou mais perto de Heitor. Ela passou o braço por cima do ombro dele, seus dedos traçando a linha de sua mandíbula. Ela olhou para mim, um brilho triunfante em seus olhos. Era uma mensagem clara. Ele é meu.

"Ah, Biga", Dominique arrastou as palavras, sua fala embolada. Ela se apoiou em Heitor, a cabeça em seu ombro. "Eu sinto muito. De verdade. Nós só... nos deixamos levar pelo momento. Las Vegas, sabe como é?"

Ela levantou sua taça. Estava quase vazia. Ela balançou um pouco.

"Só um pouco de champanhe a mais", ela acrescentou, dando um gole grande e teatral. "Não é, Heitor?"

Heitor olhou para ela, depois de volta para mim. Um lampejo de algo — pena? Culpa? — cruzou seu rosto.

"Ela não quis fazer mal, Abigaíl", ele disse, sua voz mais suave agora. Suplicante. "Ela só se empolga às vezes."

Ele olhou para mim, tentando me fazer entender. Me fazer perdoar.

Eu quase ri. Esse ciclo sem fim. Ela aprontando, ele a protegendo, eu sendo a compreensiva. Não esta noite.

"Claro que não", eu disse, minha voz pingando uma doçura falsa. "Mal nenhum. Apenas... uma certidão de casamento."

Meus olhos encontraram Darlan Glover, amigo de Heitor. Ele parecia desconfortável, seu olhar compassivo. Ele ofereceu um pequeno encolher de ombros, pedindo desculpas. Até ele sabia que isso era uma farsa.

Heitor enrijeceu. Ele puxou Dominique para mais perto. Uma declaração silenciosa.

"Certo, pessoal!" Dominique bateu palmas, forçando um sorriso. "Não vamos nos prender a trivialidades. É uma festa! E esta noite, jogamos com apostas de verdade!"

Algumas risadas nervosas ondularam pela sala.

Darlan, sempre o pacificador, deu um passo à frente. "Tudo bem, Domi, quais são as regras para este jogo de 'apostas altas'?"

Dominique sorriu radiante. Ela amava ser o centro das atenções.

"Simples!" ela chilreou. "Cada jogador coloca algo de valor pessoal significativo. O vencedor leva tudo. E se você perder tudo, está fora. O último de pé ganha o pote!" Ela fez uma pausa, seus olhos se estreitando em mim. "E para a Abigaíl", ela acrescentou, um toque cruel em sua boca, "já que ela é tão nova em nossos joguinhos, vamos tornar isso extra especial. Toda vez que ela perder uma mão, ela tem que tomar uma dose de... o que eu escolher."

Um silêncio caiu sobre o salão novamente. Aquilo não era apenas uma brincadeira. Era um ataque direto.

Alguém sussurrou: "Isso não é justo."

Heitor franziu a testa. "Dominique, talvez isso seja um pouco demais."

"Ah, Heitor, não seja um estraga-prazeres", Dominique fez beicinho. Ela beliscou sua bochecha. "É tudo brincadeira! Além disso, a Abigaíl concordou em jogar, não foi?"

Ela olhou para mim, seu olhar desafiador.

"Concordei", eu confirmei. Minha voz estava calma. Inabalável.

Mais alguns jogadores se aproximaram hesitantemente da mesa, intrigados pelo drama crescente.

Uma mulher, conhecida por suas joias extravagantes, colocou um colar de diamantes na mesa. Ele brilhava sob as luzes.

"Meu amuleto da sorte", ela anunciou com uma risada nervosa.

Outro homem, um magnata da tecnologia, colocou as chaves de seu carro esportivo antigo. As apostas estavam de fato subindo.

Então, Heitor, com um floreio, tirou uma pequena caixa de veludo do bolso. Ele a abriu. Dentro, aninhado em cetim, estava o relógio de bolso antigo que eu lhe dera em nosso primeiro aniversário. Era uma herança de família, passada por gerações. Eu passei meses rastreando-o.

"Meu relógio da sorte", ele disse, evitando meus olhos. Ele o colocou ao lado do colar de diamantes. Meu estômago revirou.

Dominique deu uma risadinha. Ela se inclinou para o ouvido de Heitor. "Ah, querido, você sabe o que eu realmente quero, não sabe?"

Ela olhou para o meu pulso. A pulseira da minha avó. Uma delicada corrente de prata, com pequenos e intrincados pingentes, cada um representando um marco na vida da minha avó. Era a única peça tangível que eu tinha dela.

Minha respiração falhou. Senti uma onda fria de náusea.

Eu toquei a pulseira, meus dedos traçando o metal frio e familiar. Parecia pesado, reconfortante.

Respirei fundo. Minha determinação se fortaleceu.

"Eu aumento a aposta", eu disse, minha voz clara e firme. Abri o fecho da pulseira. Os pequenos pingentes tilintaram suavemente.

Eu a coloquei gentilmente na mesa, bem ao lado do relógio de bolso de Heitor. Ela ficou ali, brilhando sob as luzes do salão, um símbolo silencioso e poderoso. Todos olharam.

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