Capa do Romance Tarde demais, Sr. White! Me casei com seu rival

Tarde demais, Sr. White! Me casei com seu rival

9.2 / 10.0
Após doze anos de dedicação, Aria Jones vê seu noivado ruir num instante de perigo. Diante de uma arma, Liam escolhe proteger a ex-namorada, deixando Aria para trás ferida e ignorada. Consumida pela dor da traição, ela decide se casar com o maior rival dele, o magnata Aiden Carter. O que começou como vingança se torna intenso quando o possessivo Aiden exige sua entrega total. Agora, Aria precisa descobrir se finalmente será valorizada ou se cairá em uma nova armadilha do destino.

Tarde demais, Sr. White! Me casei com seu rival Capítulo 1

Ponto de Vista de Aria

Nunca imaginei que o Dia dos Namorados seria o dia em que meu coração realmente se partiria.

Liam tinha reservado uma mesa no La Perle, o ápice da gastronomia em Manhattan – lustres de cristal brilhando sobre nós, o ambiente repleto de jazz suave e o perfume de rosas em cada mesa. Era para ser o encontro perfeito de Dia dos Namorados, do tipo que você conta para seus filhos um dia.

"Você está linda, Aria," Liam sussurrou, estendendo a mão para segurar a minha.

Sorri, tentando ignorar o quão distante ele estava ultimamente. Desde que Sophia Clarke voltou para Nova York dois meses atrás, meu relacionamento com Liam havia mudado. Ainda assim, eu me agarrava à esperança. Afinal, estávamos prestes a nos casar em apenas cinco dias.

"Ficou feliz por podermos passar o Dia dos Namorados juntos," eu disse suavemente.

Liam acenou com a cabeça, mas seu olhar parecia distraído. "Claro. Eu não perderia isso."

Apesar das palavras, não conseguia deixar de lembrar de todos os jantares que ele cancelou recentemente. Sempre com a mesma desculpa: "Sophia precisa de mim."

Assim que nossos aperitivos chegaram, notei os olhos de Liam se arregalarem. Seguindo seu olhar, senti meu coração afundar.

Sophia estava ali, radiante em um vestido branco que abraçava sua figura esguia, seu cabelo loiro descendo pelos ombros. Seus olhos - grandes, aparentemente inocentes e azuis - varreram o ambiente até pousarem na nossa mesa. Um sorriso lento se espalhou em seu rosto.

"Nossa!" A voz de Sophia se destacou enquanto ela se aproximava. Seu vestido de seda branco era tão ajustado que parecia pintado no corpo. "Liam, Aria - quais são as chances? Manhattan é enorme, e ainda assim continuo esbarrando com vocês dois." Seu sorriso era doce como açúcar, mas seus olhos diziam outra coisa.

Mordi o interior da bochecha. Essa já era a terceira "coincidência" nesse mês.

Liam se levantou imediatamente. "Sophia, que surpresa."

O calor em sua voz era inconfundível.

"Estou só esperando alguns amigos," ela disse, seus olhos passando brevemente por mim antes de voltarem para Liam. "Mas parece que eles estão atrasados."

"Por que não se junta a nós enquanto espera?" Liam disse - rápido demais, ansioso demais.

Eu fiquei momentaneamente atordoada, mas meu peito pareceu ser atingido por algo pesado, uma dor surda se espalhando.

Nosso jantar romântico de Dia dos Namorados havia acabado de se tornar um encontro a três.

Conforme a noite avançava, Sophia dominava a conversa com histórias que aparentemente estavam ali só para lembrar Liam de seu passado compartilhado. Cada vez, Liam assentia entusiasmado, perdido em memórias que não me incluíam.Eu estava ali, invisível, observando enquanto meu noivo e seu primeiro amor flertavam bem na minha frente.

"Sophia," eu finalmente disse, já perdendo a paciência, "hoje é Dia dos Namorados. Liam e eu estávamos tendo um jantar privado."

"Ah, Aria," a voz de Sophia era cheia de uma falsa simpatia. "Não seja tão possessiva. Liam e eu somos apenas velhos amigos colocando o papo em dia. Não é mesmo, Li?"

"Aria," a voz de Liam era incisiva. "Não seja tão sensível. Sophia só está conversando."

Olhei para ele, chocada com a repreensão. Essa noite deveria ser nossa, e mesmo assim ele estava defendendo ela?

"Melhor eu ir embora," eu disse baixinho, colocando o guardanapo sobre a mesa. A dor da traição dele era demais para insuportável.

Antes que eu pudesse me levantar, o som de vidro se quebrando encheu o restaurante. A voz de um homem, alta e frenética, cortou o ambiente elegante.

"SOPHIA! CADÊ ELA?"

Vi um homem desgrenhado na casa dos trinta, com os olhos enlouquecidos e os passos instáveis. O que fez meu sangue gelar não foi a aparência dele, mas a arma que ele segurava com a mão trêmula.

"Ryan," Sophia engasgou da nossa mesa, com o rosto ficando pálido como papel.

"Se eu não posso ter você, ninguém vai!" Ryan gritou, sua voz embargada de emoção.

Era como se tudo acontecesse em câmera lenta.

O rosto de Ryan se contorceu de raiva. Ele levantou a arma, mirando diretamente em Sophia.

Liam nem olhou para mim. A cadeira dele fez um barulho estridente ao ser arrastada para trás, enquanto ele corria em direção a Sophia, envolvendo-a como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. Seus braços a seguraram firmemente, sua voz estava desesperada, sussurrando promessas que nunca eram para meus ouvidos.

E eu? Fui empurrada para o lado, ficando completamente exposta ao cano da arma.

O disparo foi ensurdecedor.

Senti uma dor aguda atravessar meu braço enquanto caía no chão. O sangue quente manchava meu vestido, mas tudo que ocupava minha mente era a cena à minha frente: Liam, protectivamente ao redor de Sophia, cobrindo seu corpo com o dele, seus braços segurando a cabeça dela com cuidado.

Ele nem sequer olhou para mim. Naquele momento, eu me tornei invisível para ele. Aos olhos dele, só havia Sophia.

"Senhorita, você está bem?" Um garçom preocupado se ajoelhou ao meu lado, os olhos arregalados ao ver o sangue na minha manga.

Felizmente, escapei com apenas um ferimento de raspão. Quando o tiro ecoou, seguranças derrubaram Ryan, desviando o tiro do alvo. A bala atingiu apenas meu braço de leve, em vez de ser um impacto direto.

A dor no meu braço não era nada comparada à agonia no meu coração.

Só quando os paramédicos chegaram que Liam finalmente notou minha presença. Seus olhos se arregalaram ao ver a mancha vermelha se espalhando pela minha manga.

"Aria!" O rosto dele ficou pálido ao ver o sangue. "Meu Deus, você está machucada?"

"Estou bem," sussurrei, apesar de saber que nada estava bem. Nada nunca estaria bem de novo.

"Me desculpa," ele gaguejou, me ajudando a levantar. "Sophia estava mais perto, eu só reagi. Tudo aconteceu tão rápido."

Assenti mecanicamente, aceitando a explicação dele porque o contrário seria ainda mais doloroso. Mas a verdade pulsava dentro de mim a cada batida do meu coração – ele não escolheu Sophia porque ela estava mais perto. Ele escolheu porque ela era mais importante.

"Precisamos te levar para o hospital," ele insistiu, finalmente demonstrando preocupação ao examinar meu ferimento.

O pronto-socorro estava um caos. Enquanto o médico limpava e suturava meu braço, Liam andava nervosamente de um lado para o outro na pequena sala de atendimento.

"Você me assustou", ele disse, parando para afastar uma mecha do meu cabelo. "Quando vi o sangue..."

Por um momento, deixei-me acreditar que ele realmente se importava. Que talvez o que aconteceu no restaurante fosse mesmo um instinto... e não uma janela para o que ele sentia de verdade.

Então o telefone dele vibrou. Ele olhou para a tela, e a expressão de culpa, urgência, algo que eu nunca tinha visto dirigido a mim, me contou tudo antes mesmo dele dizer o nome dela.

"É a Sophia," ele murmurou, quase como uma desculpa. Como se eu devesse compreender. Como se fosse normal deixar sua noiva sangrando enquanto corre para sua ex.

"Ela está tendo um ataque de ansiedade... Preciso atender."

"Vai," eu disse, minha voz vazia.

"Eu volto logo," ele prometeu, mas a porta mal havia se fechado atrás dele e as lágrimas que eu segurava escorreram silenciosamente pelo meu rosto.

Quando o médico terminou de enfaixar meu braço, vinte minutos haviam se passado. Liam não tinha voltado.

"A bala pegou bem de raspão," o médico explicou. "Você teve sorte de não ter atingido nada vital. Vou prescrever um antibiótico e analgésicos. Seria bom que alguém ficasse com você esta noite."

Assenti em silêncio, me perguntando quem seria essa pessoa, já que meu noivo estava claramente ocupado em outro lugar.

"Aria!" Lillian entrou na sala de tratamento, seus olhos cheios de preocupação. "Vim assim que recebi sua mensagem. Meu Deus, você está bem?"

"Estou bem," eu disse automaticamente, embora a mentira pesasse na minha língua.

Lillian olhou ao redor da sala vazia, seu olhar escurecendo. "Onde está o Liam?"

Eu não consegui encará-la nos olhos. "Ele teve que atender uma ligação."

"Uma ligação? Você levou um tiro e ele está atendendo uma ligação?" Sua voz aumentava a cada palavra. "Por favor, me diga que não é quem eu estou pensando."

Meu silêncio foi suficiente como resposta.

"Não. Eu não vou deixar isso passar dessa vez," ela disse, cruzando os braços. "Doze anos, Aria. Doze anos você o amou, e é assim que ele te retribui?"

"Lili, por favor." Eu estava cansada demais, magoada demais para ter essa conversa. "Podemos ir embora, por favor? Não quero ficar na minha casa hoje à noite. Meu pai ficaria preocupado demais se me visse assim."

Quando chegamos ao apartamento dela, mal conseguia me segurar. Assim que me sentei, o nó na garganta não pôde mais ser contido. As lágrimas desciam, encharcando a manga da camisa de Lillian. Lillian se sentou ao meu lado, segurando firme minha mão que não estava machucada, seu calor me mantendo firme.

"Você não pode se casar com ele, Aria," ela disse suavemente, enxugando uma lágrima que escorria pela minha bochecha. "Não depois disso."

Balancei a cabeça, tentando controlar os soluços. "Eu não posso simplesmente desistir, Lili... Eu o amo há doze anos."

"Nos conhecemos desde crianças, Lili. Ele estava lá quando minha mãe morreu. Ele me segurou nas piores noites da minha vida. Ele foi... tudo. Eu não posso jogar tudo fora por causa de um erro."

"Um erro?" ela repetiu, as sobrancelhas franzindo. "Aria, um homem puxou uma arma-e Liam correu para proteger Sophia. Não você. Isso não foi um deslize, foi instinto. Foi o coração dele reagindo antes que a boca dele pudesse inventar desculpas."

Eu olhei para o chão frio do apartamento, com a garganta apertada, o peito doendo. Eu não queria admitir... mas também não podia negar o que vi.

"Ele me disse que não era nada," sussurrei, rouca. "Que eles são apenas amigos."

Lillian soltou um suspiro trêmulo, então segurou minha mão de novo. "Eu acredito que você o ama. Acredito mesmo. Mas amor nem sempre é suficiente. Especialmente quando é unilateral. E Aria... acho que só você ainda está se agarrando a isso.."

Suas palavras eram como facas, rasgando feridas que já estavam abertas e sangrando. Senti minha cabeça latejar com uma dor intensa.

Eu sabia que Lillian estava certa. Mas como poderia desistir agora? Nossas famílias haviam planejado esse casamento por meses. Todo mundo estava esperando por um final de conto de fadas para os nossos doze anos juntos.

E, apesar de tudo, uma parte pequena e boba de mim ainda tinha esperança de que nossa história pudesse ter um final feliz. Que Liam se lembrasse do motivo pelo qual me pediu em casamento. Que o garoto que um dia prometeu me proteger encontrasse o caminho de volta para mim antes que fosse tarde demais.

"Vou dar a ele uma última chance," sussurrei, enxugando minhas lágrimas. Minha voz tremia, mas minhas palavras não. "Cinco dias. Se ele não conseguir provar que eu sou a mulher que ele escolhe, então acabou. Chega de desculpas. Chega de implorar por migalhas."

Lillian não discutiu. Ela apenas me puxou para seus braços e me abraçou como já havia feito tantas vezes antes-quando éramos meninas.

Cinco dias.

Era tudo que eu daria a ele.

Depois disso... eu teria que encontrar uma maneira de me devolver a mim mesma.

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