Capa do Romance O Pós-Nupcial, Sua Queda, Minha Ascensão

O Pós-Nupcial, Sua Queda, Minha Ascensão

9.3 / 10.0
Após flagrar a traição do marido em seu próprio clube, exigi um acordo pós-nupcial rigoroso. Contudo, a infidelidade persistiu e ele me agrediu, deixando-me hospitalizada com um grave ferimento na cabeça. Enquanto ele me chamava de dramática e socorria a amante, percebi que ele me deixaria morrer. Agora, busco justiça: acionei meu advogado para executar o contrato, tomar todo o seu império financeiro e garantir que ele pague por seus crimes na prisão.

O Pós-Nupcial, Sua Queda, Minha Ascensão Capítulo 1

Eu peguei meu marido me traindo no próprio clube dele. Fiz ele assinar um acordo pós-nupcial: mais uma vez, e eu ficaria com tudo. Ele não só me traiu de novo; quando o confrontei, ele me empurrou com tanta força que eu rachei a cabeça em uma mesa de mármore.

Ele me deixou sangrando e com uma concussão no hospital.

Ele correu para o lado da amante depois que ela fingiu uma tentativa de suicídio para chamar atenção.

A mãe dele me disse que ele me chamou de "dramática" enquanto me abandonava.

Deitada lá, eu vi o post dele nas redes sociais, chamando-a de "minha querida" enquanto eu era tratada por um ferimento na cabeça que ele causou.

Eu finalmente entendi. Ele não apenas me traiu; ele teria me deixado morrer por ela.

Então eu peguei o telefone e liguei para o meu advogado. "Execute o acordo pós-nupcial. Cada cláusula. E abra um processo por agressão grave. Vou tomar todo o império dele, e depois vou colocá-lo na cadeia."

Capítulo 1

Meu mundo não se despedaçou com um estrondo, mas com o clique suave da câmera de um celular. Eu vi tudo no lounge da cobertura, bem acima do horizonte cintilante de São Paulo, refletido na janela panorâmica do clube exclusivo de João Ricardo. Meu marido, João Ricardo Bastos, o homem que construiu este império, estava beijando Késia Rosa, uma bartender cujo nome eu mal conhecia das listas de funcionários. A mão dele estava na parte inferior das costas dela, os dedos dela entrelaçados em seu cabelo perfeitamente penteado. Não foi um selinho casual. Foi um abraço que não deixava espaço para dúvidas, uma intimidade brutal que roubou o ar dos meus pulmões.

Meu coração não se partiu. Ele congelou, sólido e afiado, um pedaço de gelo no meu peito.

Eu fiquei ali, escondida pelas cortinas de veludo do camarote privado, assistindo ao replay no meu celular. O vídeo foi um erro, uma captura acidental do meu bolso enquanto eu passava por um espelho. Mas estava lá, a prova inegável, ecoando os sussurros que eu havia descartado como ciúme mesquinho.

Minha visão embaçou, não por lágrimas, mas por uma fúria súbita e vertiginosa. Como ele ousa? Como ela ousa?

Eu atravessei as cortinas, meus passos ecoando alto demais no chão polido. A música, as risadas, o tilintar dos copos – tudo se tornou um zumbido distante, a trilha sonora do meu desmoronamento.

Os olhos de João Ricardo encontraram os meus do outro lado da sala lotada. Seu sorriso, geralmente tão confiante, vacilou. Késia, ainda em seus braços, olhou para cima, seu olhar inocente se arregalando. Ela se afastou, um retrato de vulnerabilidade assustada.

"Ana?" A voz de João Ricardo era um murmúrio baixo, tingido de uma surpresa que soou como um insulto.

Eu caminhei em direção a eles, cada passo um ato deliberado de desafio. O mundo pareceu desacelerar. Eu podia sentir todos os olhos se voltando para nós, atraídos pela tensão repentina.

"Não finja", eu disse, minha voz perigosamente calma, um contraste gritante com o terremoto dentro de mim. "Eu vi vocês."

A mão de Késia voou para a boca, seus olhos se enchendo de lágrimas. "Sra. Almeida, eu... eu sinto muito. Não é o que parece."

Eu ri, um som áspero e sem humor. Foi tão alto que a música pareceu diminuir. "Não é o que parece? Vocês dois estavam apenas praticando reanimação cardiopulmonar, Késia? Porque de onde eu estava, parecia muito que você estava tentando engolir meu marido inteiro."

João Ricardo deu um passo à frente, colocando-se entre Késia e eu. "Ana, pare com isso. Você está fazendo um escândalo." Sua voz era baixa, imponente, a mesma que ele usava para acalmar investidores rebeldes.

"Um escândalo?" Minha voz subiu, traindo a calma que eu desesperadamente tentava manter. "Você quer falar sobre um escândalo, João Ricardo? Vamos falar sobre o que você acabou de fazer com ela." Apontei um dedo trêmulo para Késia.

Késia gemeu, agarrando-se ao braço de João Ricardo. Seus olhos, arregalados e marejados, saltavam de mim para ele. Ela estava interpretando a vítima perfeitamente, uma aula magistral de inocência fingida.

A mandíbula de João Ricardo se contraiu. "Késia, vá para casa", ele ordenou, seus olhos ainda fixos em mim, um apelo silencioso por discrição.

"Mas João Ricardo..." Késia começou, sua voz um sussurro frágil.

"Agora, Késia", ele repetiu, seu tom não deixando espaço para discussão. Ele se virou para mim, sua expressão uma máscara cuidadosamente construída de preocupação. "Ana, vamos para casa. Precisamos conversar."

"Conversar?" Minha voz falhou. "O que há para conversar, João Ricardo? Eu vi você. Com ela. No seu clube. Você tem alguma ideia de quão humilhante isso é?"

Ele pegou meu braço, seu aperto firme. "Você está transtornada. Não vamos fazer isso aqui."

Eu puxei meu braço com força. "Eu estou muito além de transtornada, João Ricardo. Para mim, já deu."

Seus olhos endureceram. "Não seja dramática, Ana. Isso é um mal-entendido."

"Um mal-entendido?" Eu zombei. "É assim que você chama? Porque para mim parece muito com traição." Eu me virei e saí furiosa, deixando o silêncio atordoado do lounge para trás. Cada passo era uma declaração de guerra.

Mais tarde naquela noite, em nossa cobertura, o ar crepitava com acusações não ditas. João Ricardo implorou, suplicou, prometeu que foi um erro, um momento de fraqueza, alimentado por estresse e solidão. Ele jurou que nunca mais aconteceria. Suas palavras eram uma torrente, caindo sobre mim, tentando apagar a imagem gravada em minha mente.

Eu o encarei, exausta, esvaziada. Havia uma parte de mim, uma parte pequena e tola, que ainda queria acreditar nele. Os anos que construímos, os sonhos que compartilhamos... tudo poderia ser jogado fora tão facilmente?

"Eu quero um acordo pós-nupcial", eu disse, minha voz neutra, desprovida de emoção.

Ele parou, seus olhos arregalados. "Ana, do que você está falando?"

"Se você, alguma vez, fizer isso de novo", continuei, ignorando sua pergunta, "se você sequer olhar para outra mulher com desejo, se eu sequer suspeitar que você está me traindo, tudo o que você possui, João Ricardo, cada um dos seus bens, cada hotel, cada centavo, vem para mim. Você sai sem nada."

Seu rosto perdeu a cor. Ele era um magnata da hotelaria, sua fortuna era sua identidade. "Ana, isso é... isso é extremo."

"É mesmo?" Eu desafiei, meu olhar inabalável. "O que você fez foi extremo. Este é o meu seguro. Pegar ou largar."

Ele hesitou por um momento longo e agonizante, sua ganância lutando contra o desejo de me manter, ou pelo menos a ilusão do nosso casamento. Finalmente, ele assentiu lentamente. "Ok, Ana. O que você quiser. Eu assino. Apenas... por favor. Nos dê outra chance."

Por um tempo, as coisas ficaram... calmas. Uma paz frágil se instalou em nossa cobertura. Fizemos terapia. Ele me trouxe flores. Ele me levou para sair, segurou minha mão em público, sussurrou palavras doces que soavam vazias em meus ouvidos. Eu tentei. Deus, eu realmente tentei acreditar nele. Reconstruir. Esquecer os olhos cheios de lágrimas de Késia, seu ato de inocência.

Uma noite, meses depois, estávamos na cama. As luzes estavam fracas, a cidade zumbia do lado de fora da nossa janela. Ele me puxou para mais perto, sua respiração quente contra meu pescoço. Seu toque parecia... distante. Uma performance.

"Eu te amo, Ana", ele murmurou, seus lábios roçando minha orelha. "Obrigado por me dar outra chance, Késia."

Minha respiração engasgou. O mundo girou. Késia. Ele me chamou de Késia.

O nome pairou no ar, um dardo envenenado. Meu corpo enrijeceu, cada terminação nervosa gritando. Foi um erro, ele diria. Um lapso. Mas não foi. Era a verdade, crua e feia.

Eu o empurrei, um empurrão súbito e violento. "Saia de cima de mim!" Minha voz era um soluço sufocado.

Ele recuou, assustado. "Ana? O que há de errado? Você está agindo como louca."

"Louca?" Eu me arrastei para fora da cama, puxando os lençóis de seda mais apertados ao meu redor, como se pudessem de alguma forma me proteger do fedor de sua enganação. "Você me chamou de Késia, João Ricardo! Késia! Não se atreva a me dizer que estou louca!"

Seus olhos se estreitaram, um lampejo de irritação substituindo a ternura fingida. "Foi um lapso! Um erro! Você está exagerando, Ana. É exatamente por isso que não podemos ter coisas boas."

"Coisas boas?" Minha risada foi amarga. "Você acha que isso é bom? Você acha que mentir na minha cara, e depois me chamar pelo nome dela, é 'bom'?"

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo. "Eu não consigo lidar com isso agora. Você está sendo irracional." Ele jogou as cobertas para trás e saiu da cama, pegando uma camisa. "Vou sair. Não me espere."

Ele bateu a porta, me deixando sozinha no silêncio opressivo. Minhas mãos tremiam. Meu estômago se revirava com uma mistura doentia de raiva e desespero. Ele ainda estava a vendo. Ele nunca tinha parado.

Minha mente disparou. Como eu poderia provar? Ele era cuidadoso agora. Cuidadoso demais. Então me lembrei do aplicativo da Tesla. O acesso remoto. O recurso de gravação de áudio do carro. Ele me mostrou uma vez, gabando-se de suas funcionalidades avançadas. Uma calma fria e determinada se apoderou de mim. Peguei meu celular, os dedos desajeitados enquanto abria o aplicativo. O carro de João Ricardo ainda estava na garagem.

Eu ativei o áudio. Silêncio. Então, o ronco do motor, o zumbido familiar do nosso Tesla. Ele estava saindo. Meu coração batia um ritmo frenético contra minhas costelas. Eu tinha que saber. Eu tinha que ouvir. A traição já era uma ferida aberta; eu precisava cauterizá-la com a verdade.

O carro navegava pelas ruas da cidade. Ouvi o som baixo do rádio, uma música pop esquecida. Então, a voz dele, mais suave do que eu a ouvia há meses. "Késia? Você está acordada?"

Um murmúrio fraco e sonolento, definitivamente feminino. Então a voz de Késia, clara como o dia. "João Ricardo? Que horas são?"

Minha respiração engasgou. Meus dedos se fecharam em volta do celular, o plástico cravando na minha palma. Ele tinha ido direto para ela. Para o apartamento dela. Todos esses meses, todas as suas promessas, toda a terapia... uma mentira.

Ouvi o som dela entrando no carro, o farfalhar de roupas, uma risadinha suave. "Você sentiu minha falta."

"Sempre", respondeu João Ricardo, sua voz densa com uma ternura que ele nunca mais me mostrou.

Eu escutei. Eu me torturei. Ouvi seus sussurros carinhosos, suas risadas, a intimidade nojenta de sua conversa. Eles falaram sobre o dia deles, coisas triviais, como um casal normal. Minha vida normal, roubada e desfilada na minha frente através de um alto-falante.

Então, o carro parou. O motor ficou em marcha lenta. Ouvi os sons inconfundíveis de amassos, de roupas farfalhando, de beijos famintos. Meu estômago se rebelou, a bile subindo pela minha garganta. Eles estavam no nosso carro. O carro que eu às vezes dirigia. O carro onde havíamos compartilhado inúmeras conversas, sonhos, discussões, reconciliações.

Eu ouvi cada gemido, cada suspiro, cada som doentio do caso deles se desenrolando, bem ali, dentro do Tesla. Meu corpo tremia com soluços silenciosos, mas nenhuma lágrima veio. Meus olhos estavam secos, ardendo. Não era mais apenas traição. Era uma invasão, uma profanação.

O áudio continuou, minutos intermináveis de sua paixão, seu descaso cruel por mim, por tudo que tínhamos. Quando finalmente parou, quando o carro ligou novamente e Késia foi deixada em casa, e João Ricardo finalmente voltou para casa, o silêncio no meu quarto era ensurdecedor. Mas os sons do caso deles ainda ecoavam na minha cabeça, uma sinfonia atormentadora.

Eu saí da cama, minhas pernas bambas, mas minha determinação sólida como concreto. Fui até minha escrivaninha, peguei a elegante pasta de couro. Dentro estava o acordo pós-nupcial, assinado e selado, uma arma legal que eu nunca pensei que teria que usar. E embaixo dele, os papéis do divórcio, esperando.

Minha mão não tremeu desta vez. A caneta arranhou o documento legal, selando não apenas o destino do meu casamento, mas também o de João Ricardo.

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