Capa do Romance Tarde Demais para o Arrependimento do Rei da Máfia

Tarde Demais para o Arrependimento do Rei da Máfia

8.0 / 10.0
No sétimo aniversário de casamento, Lucien jurou amor eterno a Eleonora, mas a abandonou logo depois por Sophia, irmã dela. Ao descobrir que a amante carregava um herdeiro, o mafioso desprezou a esposa. Sem alarde, Nora simulou o próprio sumiço através do Protocolo Fantasma. Quando Lucien percebeu a farsa da gravidez e a lealdade de Nora, já era tarde. Após eliminar Sophia, ele caçou a ex-mulher até a Suíça, mas encontrou apenas uma inimiga implacável.

Tarde Demais para o Arrependimento do Rei da Máfia Capítulo 1

No nosso sétimo aniversário, o Chefão iluminou o horizonte de São Paulo com drones que soletravam meu nome, jurando pela própria vida que eu era sua única Rainha.

Momentos depois, ele me abandonou no cais para correr até sua amante — minha própria irmã, Sophia.

Sophia me enviou uma foto dele beijando sua barriga com a legenda: "Ele finalmente tem uma mulher de verdade. É um menino."

Lucien queria um herdeiro acima de tudo. Eu era apenas um tapa-buraco; ela era o recipiente.

Eu não gritei. Não o confrontei.

Eu simplesmente iniciei o Protocolo Fantasma.

Deixei a aliança de casamento, assinei os papéis do divórcio e apaguei Eleonora Marino da existência.

Quando Lucien encontrou o teste de DNA provando que o bebê de Sophia não era dele — que ele havia traído sua esposa leal por uma mentira — eu já tinha desaparecido.

Ele executou minha irmã em um acesso de fúria e gastou sua fortuna incendiando o mundo para me encontrar.

Seis meses depois, ele comprou o laboratório suíço de alta segurança onde eu estava escondida, forçando sua volta à minha vida.

Ele parou diante de mim, cadavérico e desesperado.

"Eu a matei, Nora. Ela pagou pelo que fez conosco. Volte para casa."

Eu olhei para o homem que um dia adorei.

"Infidelidade é uma escolha, Lucien. Mas assassinato? Isso é quem você é."

"Somos inimigos agora."

Capítulo 1

Nora POV

Eu estava parada no centro de um salão de festas que custava mais do que um país pequeno, meus dedos brancos de tanta força ao redor de uma bolsa de noite cravejada de cristais que guardava dois segredos capazes de destruir a organização criminosa mais poderosa de São Paulo.

Um era um teste de gravidez com duas linhas rosas — o herdeiro que meu marido exigiu por sete anos.

O outro era um celular descartável com uma única mensagem de rascunho endereçada à Polícia Federal.

Feliz aniversário para mim.

Sete anos atrás, meu pai me vendeu para Lucien Marino para evitar uma guerra de territórios. Eu fui o preço da paz, uma filha Vittori trocada pelo Chefão, o Dono de Tudo. Eu esperava um monstro. Em vez disso, recebi um deus. Um deus sombrio, implacável e lindo que me fez esquecer que eu era uma prisioneira em uma gaiola dourada.

Ou pelo menos era nisso que eu me deixava acreditar. Até esta noite.

Eu estava perto das pesadas cortinas de veludo, observando Lucien comandar a atenção de todos. Ele estava terrivelmente bonito em seu smoking, as linhas afiadas de sua mandíbula e a graça predatória de seus movimentos atraindo todos os olhares no salão. Ele era o sol em torno do qual todos orbitavam, queimando qualquer um que chegasse perto demais.

Marco, seu braço-direito, inclinou-se para perto dele. Eles achavam que o crescendo da orquestra abafava suas vozes. Eles achavam que eu era apenas a esposa médica, bonita e alheia, que só sabia sorrir e organizar festas.

Eles se esqueceram que minha avó era siciliana. Aprendi o dialeto antes de aprender a dizer 'papai'.

"A passarinha está ficando impaciente, Chefe", disse Marco, girando seu uísque. "Ela não para de perguntar quando terá sua vez na cabeceira da mesa."

Meu coração parou de bater. Agarrei minha taça de champanhe com tanta força que temi que a haste se partisse e cortasse minha palma.

Lucien riu. Foi um som baixo e sombrio que geralmente me deixava de pernas bambas. Agora, tinha gosto de bile.

"Sophia é um pêssego verde", disse Lucien, sua voz escorrendo arrogância. "Fresca. Delicada. Mas ela é uma distração, Marco. Nada mais."

Sophia.

Minha irmã.

O mundo girou. Os lustres se transformaram em borrões de fogo de cristal. Minha própria irmã. Aquela que pegava minhas roupas emprestadas, que chorava no meu ombro por problemas com garotos, que me abraçou esta manhã e me desejou um feliz aniversário.

"Mas ela tem um gosto doce", Marco se inclinou mais, um sorriso lascivo no rosto. "Melhor que a doutora frígida?"

A expressão de Lucien endureceu, mas não em minha defesa. Ele parecia um homem guardando um brinquedo com o qual ainda não tinha terminado de brincar.

"Mede suas palavras", Lucien avisou, mas não havia calor em sua voz. "Nora é a Rainha. Ela é a imagem que precisamos. Sophia é... um luxo. Mantenha os homens quietos. A lei do silêncio. Se Nora descobrir, complica as coisas."

Complica.

Era isso que eu era para ele. Uma complicação a ser gerenciada. Sete anos de devoção. Sete anos suturando suas feridas no meio da noite com as mãos trêmulas. Sete anos amando um homem que acabara de me reduzir a uma necessidade de relações públicas.

Tomei um gole de champanhe. Tinha gosto de cinzas.

Eu me virei, meus movimentos mecânicos. Eu tinha que sair daquele salão. Eu tinha que sair daquela vida.

Caminhei em direção às portas do terraço, acenando educadamente para as esposas dos outros chefes. Elas me olhavam com inveja. Viam os diamantes em meu pescoço, o marido poderoso, a proteção do nome Marino. Elas não viam a faca cravada nas minhas costas.

Saí para o ar fresco da noite. O barulho da festa desapareceu atrás do vidro. Fui até o parapeito de pedra e olhei para a propriedade. Era uma fortaleza. Guardas patrulhavam o perímetro com fuzis de assalto. Câmeras vigiavam cada sombra.

Abri minha bolsa. Minha mão tremeu ao tocar o plástico frio do teste de gravidez.

Um herdeiro. Um filho. Era o que ele queria mais do que tudo. Se eu contasse a ele agora, ele ficaria em êxtase. Ele me giraria no ar, me beijaria e me prometeria o mundo. E então voltaria para a cama da minha irmã.

Eu não podia trazer uma criança para isso. Não para ser criada por um pai que via a lealdade como uma sugestão e a família como uma transação.

Peguei o celular descartável.

Não enviei a mensagem para a Polícia Federal. Isso era suicídio; trocar uma jaula por outra. Eu tinha uma opção melhor. Mais limpa.

Disquei um número que havia memorizado anos atrás.

"Sou eu", sussurrei.

"Dra. Marino", a voz do outro lado era calma, estéril. O Professor. "Não esperava ouvir de você."

"A vaga em Zurique", eu disse, minha voz firme apesar das lágrimas queimando meus olhos. "Ainda está disponível?"

"Para você? Sempre. Mas a autorização de segurança exige um protocolo fantasma total. Você sabe o que isso significa."

"Eu sei", eu disse. "Preciso de extração. Alta prioridade."

"Prazo?"

Olhei de volta através das portas de vidro. Lucien estava rindo de algo que um Senador disse, sua mão repousando possessivamente nas costas de uma cadeira. Ele parecia um rei.

"Três dias", eu disse. "Preciso de três dias para liquidar e limpar tudo."

"Fechado. A janela se abre em setenta e duas horas. Esteja pronta. Assim que você pisar naquele avião, Eleonora Marino deixa de existir."

"Ela deixou de existir há dez minutos", eu disse.

Desliguei e joguei o celular de volta na bolsa.

Respirei fundo, compondo meu rosto. Alisei a seda do meu vestido. Eu era uma médica. Eu lidava com traumas. Eu lidava com sangue. Eu podia triar isso.

Senti uma presença atrás de mim. O ar mudou, carregado de eletricidade.

"Nora."

A voz de Lucien me envolveu. Antes, parecia um cobertor quente. Agora, parecia uma forca.

Eu me virei. Ele estava perto, perto demais. Ele cheirava a colônia cara, tabaco e o leve e enjoativo cheiro de baunilha.

O perfume de Sophia.

Quase vomitei.

"Você está aqui fora há muito tempo", ele disse, seus olhos examinando meu rosto. Ele era perspicaz. Ele era um predador que notava o menor mancar em uma gazela. "Algo errado?"

Forcei um sorriso. Foi a melhor atuação da minha vida.

"Apenas uma dor de cabeça", menti. "A música está alta."

Ele estendeu a mão e colocou uma mecha de cabelo solta atrás da minha orelha. Seus dedos roçaram meu pescoço. Minha pele se arrepiou.

"Você parece tensa", ele murmurou. "Quem te aborreceu? Me diga, e eu resolvo."

A ironia era sufocante.

"Ninguém", eu disse. "Apenas cansada."

Ele se aproximou mais, me encurralando contra o parapeito. Sua possessividade era um peso físico.

"Temos uma surpresa mais tarde", ele disse, sua voz baixando uma oitava. "Pelo aniversário."

"Mal posso esperar", eu disse.

Ele franziu a testa ligeiramente, sentindo a distância que eu não conseguia esconder completamente. Seus olhos se estreitaram.

"Você é minha, Nora", ele disse, a escuridão transbordando em seu tom. "Lembre-se disso."

"Eu sei", eu disse.

Ele se inclinou para me beijar. Virei a cabeça no último segundo, então seus lábios roçaram minha bochecha.

"Preciso de um pouco de água", eu disse, escapando de debaixo de seu braço.

Voltei para a festa, deixando-o sozinho no terraço.

A contagem regressiva havia começado.

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