Capa do Romance Tarde Demais Para Implorar: Meu Ex-Marido Frio

Tarde Demais Para Implorar: Meu Ex-Marido Frio

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No nono aniversário de casamento, Domênico Rezende humilhou Anaís ao assumir a amante grávida diante da máfia. Sob coerção, a esposa, que sofria do coração, foi forçada a uma transfusão fatal para salvar a rival. Abandonada para morrer enquanto ele cuidava de Jéssica, Anaís sobreviveu e decidiu se vingar. Após incendiar a cobertura e fugir para Lisboa, ela deixou provas da crueldade do ex-marido. A esposa submissa morreu; agora, uma mulher implacável declara guerra.

Tarde Demais Para Implorar: Meu Ex-Marido Frio Capítulo 1

No nosso nono aniversário de casamento, meu marido Domênico não brindou a nós. Em vez disso, ele pousou a mão sobre a barriga grávida de sua amante na frente de toda a família do crime.

Eu era apenas o pagamento de uma dívida para ele, um fantasma em um vestido de cem mil reais.

Mas a humilhação não terminou no salão de festas. Quando a amante dele, Jéssica, começou a ter uma hemorragia mais tarde naquela noite, ele não chamou uma ambulância. Ele me arrastou para a clínica da família.

Ele sabia que eu tinha um problema cardíaco grave. Ele sabia que uma transfusão daquela magnitude poderia desencadear um evento cardíaco fatal.

"Ela está carregando meu filho", ele disse, seus olhos desprovidos de qualquer humanidade.

"Você vai dar a ela o que for preciso."

Eu implorei. Negociei minha liberdade. Ele mentiu e concordou, apenas para enfiar a agulha no meu braço.

Enquanto meu sangue vermelho escuro fluía pelo tubo para salvar a mulher que estava destruindo minha vida, meu peito se apertou. Os monitores começaram a apitar desesperadamente. Meu coração estava falhando.

"Sr. Rezende! Ela está tendo uma parada!", o médico gritou.

Domênico nem sequer se virou.

Ele saiu da sala para segurar a mão de Jéssica, me deixando para morrer na maca.

Eu sobrevivi, mas Anaís Ferraz morreu naquela clínica.

Ele pensou que eu voltaria para a cobertura e continuaria a ser sua esposa obediente e silenciosa. Ele pensou que era dono do sangue em minhas veias.

Ele estava errado.

Voltei para a cobertura uma última vez. Risquei um fósforo.

Deixei o quarto queimar.

Quando Domênico percebeu que eu não estava nas cinzas, eu já estava em um avião para Lisboa.

Deixei minha aliança em um envelope, junto com os prontuários médicos que provavam sua crueldade.

Ele queria uma guerra? Eu lhe daria uma.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Anaís

Eu estava no centro do salão de festas, usando um vestido de cem mil reais, observando meu marido pousar a mão na barriga grávida de outra mulher enquanto nossos convidados brindavam aos nove anos do nosso casamento.

A taça de cristal em minha mão não se estilhaçou. Eu não gritei. Não joguei minha bebida na cara dele.

Apenas tomei um gole do champanhe vintage — uma garrafa que custava mais que a vida do meu pai — e engoli o veneno que subia pela minha garganta.

Domênico Rezende não era apenas um marido. Ele era um Capo na família Medeiros, um homem que havia matado sete homens antes de seu vigésimo quinto aniversário e dobrado o território da família nos últimos três anos. Ele era um predador em um terno sob medida, e eu era o pagamento da dívida que sua família havia aceitado nove anos atrás.

Esta noite deveria ser sobre nós.

Em vez disso, ele trouxe Jéssica.

Ela vestia vermelho. Uma seda vibrante, vermelho-sangue, que se agarrava à curva de sua barriga, um contraste gritante com meu azul pálido e gélido. Ela parecia a vida. Eu parecia um fantasma.

A mão de Domênico permaneceu na base das costas dela enquanto ele a guiava pela multidão de homens feitos e suas esposas silenciosas. Todos os olhos no salão saltavam entre mim e a amante, famintos pelo desfecho.

Mantive meu queixo erguido. A Omertà não era apenas um código para os homens. Era uma jaula para as mulheres. O silêncio era minha armadura.

Domênico a guiou em minha direção. Seus olhos, escuros como óleo e duas vezes mais escorregadios, encontraram os meus. Não havia desculpa neles. Apenas o peso frio e duro da posse.

"Anaís", ele disse. Sua voz era um ronco baixo que costumava me arrepiar. Agora, apenas revirava meu estômago. "Você se lembra da Jéssica."

Olhei para a mulher que carregava o filho que eu não podia lhe dar. Ela sorriu de lado, um sorriso pequeno e cruel.

"Feliz aniversário, Sra. Rezende", disse ela. Sua mão repousava protetoramente sobre a barriga. "Dom achou que seria mais seguro se eu ficasse na sede principal esta noite. São Paulo é tão imprevisível."

Olhei para Domênico.

"Ela vai ficar na ala de hóspedes?", perguntei. Minha voz estava firme. Eu havia praticado essa firmeza no espelho por duas semanas, desde que encontrei o recibo do berço.

Domênico tomou um gole de seu uísque.

"Não", disse ele. Ele nem piscou. "Ela precisa de conforto. Vai ficar na suíte master. Você pode pegar o quarto de hóspedes no fim do corredor."

O ar sumiu da sala.

Ele não estava apenas me traindo. Ele estava me expulsando da minha própria cama de casamento na frente de toda a organização. Ele estava me despindo do meu posto, da minha dignidade e do meu lugar, tudo sem sacar uma arma.

Eu assenti uma vez.

"Como você desejar, Domênico."

Virei-me para ir embora, meus saltos batendo um ritmo oco no chão de mármore. Eu precisava chegar ao quarto antes deles. Precisava da bolsa que havia escondido dentro do duto de ventilação há duas semanas.

Eu estava a meio caminho do corredor quando os ouvi rindo.

Parei perto de um pilar, escondida por um enorme arranjo floral de lírios brancos — flores de funeral.

"Ela é uma capacho, isso sim", Jairo, o braço direito de Domênico, riu. "Aposto dez mil que ela te pede desculpas por existir até de manhã."

A voz de Domênico chegou até mim, carregada de arrogância.

"Anaís sabe o seu lugar. Ela é um bom investimento. Quieta. Obediente. E a dívida do pai dela está paga enquanto ela usar meu anel. Ela não vai a lugar nenhum."

Toquei o terço de platina no meu pulso. Era a única coisa que me restava da minha mãe. A única coisa que Domênico não havia comprado.

Fui para a suíte master. Não chorei. Já tinha chorado o suficiente. Puxei a pequena mala de lona do duto. Dinheiro. Um celular pré-pago. Um passaporte com um nome que não carregava o peso do dinheiro sujo.

Virei-me para sair, mas a maçaneta da porta girou.

Domênico entrou, com Jéssica agarrada ao seu braço como um parasita.

"O que você está fazendo?", Domênico perguntou. Seus olhos caíram para a bolsa em minha mão.

"Estou me mudando para o quarto de hóspedes, como você pediu", menti.

Os olhos de Jéssica se fixaram no meu pulso.

"Oh, Dom, olhe", ela arrulhou, apontando para o terço da minha mãe. "Aquele terço. Combinaria perfeitamente com o meu vestido. E já que estou carregando o herdeiro... não deveria ter as joias da família?"

"Não é uma joia da família", eu disse, meu aperto na bolsa se intensificando. "Era da minha mãe."

Domênico não se importava com sentimentalismo. Ele se importava com poder. E agora, dar à sua amante o que ela queria era uma demonstração de poder.

"Dê a ela, Anaís", disse ele.

"Não."

A palavra pairou no ar. Eu nunca tinha dito não a ele. Nem quando ele se casou comigo. Nem quando me forçou a cortar os laços com minha irmã. Nem quando chegava em casa cheirando ao perfume de outras mulheres.

Domênico deu um passo à frente. A temperatura na sala caiu. Ele agarrou meu pulso. Seu aperto era brutal.

"Você é minha esposa porque eu permito", ele sussurrou, seu rosto a centímetros do meu. "Tudo o que você tem é meu. Até o sangue em suas veias. Dê a ela o terço."

Ele o soltou com dedos rudes e entregou a Jéssica.

Ela o ergueu contra a luz, sorrindo. Então, olhando diretamente para mim, ela esticou a delicada corrente de platina entre as mãos.

"Ops", disse ela.

E a arrebentou.

As contas se espalharam pelo chão de madeira como granizo.

Ela ofegou, largando os pedaços quebrados e segurando o dedo. Uma pequena gota de sangue brotou onde o metal a arranhou.

"Ela me atacou!", Jéssica gritou, encolhendo-se contra Domênico. "Ela tentou pegar de volta e me cortou!"

Era uma mentira tão desajeitada que uma criança perceberia. Mas Domênico não queria a verdade. Ele queria submissão.

Ele me empurrou. Cambaleei para trás, batendo com força na parede.

"Peça desculpas", ele rosnou.

Olhei para ele. Olhei para o homem que passei nove anos tentando agradar, tentando amar, tentando sobreviver.

"Não", eu disse.

O rosto de Domênico se contorceu de fúria. Ele apontou para a porta.

"Saia. Antes que eu me esqueça que não bato em mulheres."

Peguei minha bolsa. Não olhei para as contas no chão. Saí da cobertura, desci pelo elevador de serviço e fui para o ar fresco da noite.

Um sedan preto blindado estava esperando no meio-fio. O vidro desceu.

Heitor Bastos olhou para mim do banco do motorista. Seus olhos eram gentis. Seguros.

"Entre, Anaís", disse ele.

Abri a porta. Não olhei para trás, para o prédio que havia sido minha prisão. Eu só queria desaparecer.

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