Capítulo 2

As portas do elevador se abriram para a garagem subterrânea.

Jett saiu para o ar úmido e frio da noite de Manhattan.

Uma chuva fina caía do lado de fora da saída da garagem, transformando o asfalto em um espelho escuro.

Antes que ela pudesse dar cinco passos, um Maybach preto, enorme e blindado, surgiu silenciosamente das sombras.

Ele parou exatamente a dois pés na frente dela.

O motorista, um homem de ombros largos em um terno escuro, saiu imediatamente.

Ele abriu um grande guarda-chuva preto com um estalo, protegendo Jett da garoa, e abriu a pesada porta traseira com um aceno de cabeça respeitoso.

Jett deslizou para o cavernoso banco de trás.

O couro estava quente, um forte contraste com a frieza que se espalhava por seu peito.

Ela colocou a Birkin preta no banco ao seu lado.

Ela abriu o compartimento secreto sob o apoio de braço, revelando um cofre biométrico.

Ela pressionou o polegar no leitor, colocou os documentos do fundo fiduciário offshore lá dentro e o trancou com um clique mecânico e pesado.

Ela abriu seu celular criptografado.

Fileiras de dados verdes desciam em cascata pela tela.

Ela já estava rastreando as flutuações em tempo real do portfólio de ativos pessoais de Arthur.

Do outro lado da cidade, bem acima da Fifth Avenue, a atmosfera era completamente diferente.

Arthur empurrou com força a pesada porta de carvalho do apartamento de luxo de Serena.

Ele invadiu a sala de estar, o peito arfando, a gravata arrancada do colarinho.

Ele marchou direto para o decantador de cristal no carrinho de bar e despejou uma dose generosa de uísque âmbar em um copo.

Serena surgiu do corredor.

Ela usava um robe de seda transparente que se agarrava às suas curvas, seu cabelo loiro caindo perfeitamente sobre os ombros.

Ela se aproximou por trás dele e envolveu seus braços em volta de sua cintura, pressionando seu calor contra as costas tensas dele.

— Ela assinou? — Serena perguntou, sua voz um ronronar suave e ensaiado.

Arthur agarrou a borda do carrinho de bar.

— Ela se recusou — ele rosnou com os dentes cerrados.

Ele engoliu metade do uísque em um único gole ardente.

— Ela está exigindo quatro por cento do capital original. Ela ainda teve a audácia de esfregar na minha cara um documento forjado de um fundo fiduciário offshore.

As mãos de Serena congelaram em sua cintura.

Seus dedos se moveram subconscientemente para tocar o pesado pingente de diamante que repousava em sua clavícula.

Uma pontada aguda e feia de ciúme revirou seu estômago, rapidamente mascarada por uma onda de cálculo frio.

— Uma conta offshore? — Serena murmurou, contornando-o para olhar em seu rosto.

Ela modulou a voz para soar inocente e preocupada.

— Arthur, como alguém da origem dela poderia administrar um fundo fiduciário offshore? Isso não faz o menor sentido.

Arthur franziu a testa, o álcool subindo à sua cabeça.

Ele pensou no nome que estava no documento.

— Dark Web Ventures — ele murmurou, esfregando as têmporas.

— Ela alegou que foi ela quem resgatou o grupo três anos atrás. É uma insanidade absoluta.

Os olhos de Serena se arregalaram em falso horror.

— Arthur... você não acha que ela encontrou uma brecha na contabilidade do grupo, acha?

Ela colocou uma mão gentil em sua bochecha.

— E se ela esteve desviando fundos da família por anos e escondendo-os em empresas de fachada?

A respiração de Arthur falhou.

Seu preconceito se agarrou à ideia instantaneamente. Era a única explicação que protegia seu ego.

— Ela está roubando de nós — Arthur sibilou, seu rosto ficando de um vermelho escuro e feio.

— Não podemos deixá-la sair impune com dinheiro sujo e arruinar a reputação dos Vanderbilt — Serena insistiu, seu polegar acariciando o maxilar dele.

— Você precisa isolá-la. Cortar o contato dela com todo mundo.

Arthur assentiu bruscamente. — Vou ligar para a equipe jurídica logo pela manhã.

— Deixe-me ir me refrescar — disse Serena, pressionando um beijo suave em sua bochecha.

Ela se virou e entrou em seu enorme closet à prova de som, fechando a porta pesada atrás de si. Ela não parou por aí. Serena era meticulosa demais para deixar sua sobrevivência ao acaso. Ela passou pelas fileiras de vestidos de grife, sua mão deslizando sobre a seda, até chegar à parede do fundo. Ela pressionou o polegar em um leitor biométrico oculto. Uma segunda porta, reforçada, se abriu com um clique, revelando seu cofre de joias particular. Ela entrou, e o aço espesso a selou em um vácuo acústico perfeito. Só então a expressão suave e amorosa desapareceu de seu rosto.

Ela tirou o celular do bolso do robe e discou um número.

Tocou duas vezes antes que uma mulher atendesse.

— Serena? É meia-noite. O que está acontecendo? — a voz gemeu.

— Acorde, Chloe. Tenho uma dica enorme sobre o Vanderbilt Group — disse Serena, sua voz caindo para o tom arrastado, casual e venenoso de uma socialite do Upper East Side.

Do outro lado da linha, a gerente de fundos de cobertura de Wall Street de repente pareceu bem acordada.

— Estou ouvindo.

Serena tocou seu pingente de diamante novamente.

— Jett Whitfield está sendo investigada pela família. Os fundos dela são sujos. Lavagem de dinheiro internacional em grande escala.

— Você está falando sério? — Chloe ofegou, sentindo o cheiro de sangue na água.

— Lembra daquela viagem que ela fez sozinha para a Europa Oriental logo antes do casamento? — Serena mentiu com fluidez, inventando a narrativa na hora.

— Ela estava abrindo as contas de fachada. A família está prestes a descartá-la.

— Isso vai derrubar as ações deles amanhã — disse Chloe, a voz vibrando com excitação gananciosa. — Vou operar a descoberto assim que o sino tocar. A rua inteira saberá ao amanhecer.

Serena sorriu para seu reflexo no espelho de corpo inteiro.

— Divirta-se, querida.

Ela desligou.

De volta ao Maybach, os pneus sibilavam contra o asfalto molhado.

O tablet de Jett tocou com um alerta de alta prioridade.

Ela tocou na tela.

Era uma postagem anônima em um fórum interno altamente restrito de Wall Street.

A manchete gritava sobre uma esposa Vanderbilt envolvida em um sindicato de lavagem de dinheiro da Europa Oriental.

Os olhos de Jett percorreram o texto.

Ela reconheceu a formulação desleixada e dramática instantaneamente.

O manual de relações públicas de Serena era dolorosamente previsível.

O motorista olhou para ela pelo espelho retrovisor, notando a queda súbita na pressão do ar da cabine.

— Precisamos retaliar, senhora? — ele perguntou, a voz baixa e séria.

Jett soltou uma risada curta e gélida.

— Não — disse Jett, seus dedos batucando um ritmo lento no apoio de braço de couro.

— Esse tipo de boato barato é exatamente o que eu preciso para criar um enorme short squeeze.

Ela abriu seu aplicativo de mensagens criptografadas.

Ela rolou a tela para baixo até um contato salvo simplesmente como 'Lord'.

Ela digitou uma única frase.

Iniciar Plano B.

Ela apertou enviar.

Três segundos depois, a tela mostrou 'Lido'.

Um momento depois, um único emoji apareceu em sua tela.

Um cavalo de xadrez preto.

Capítulo 3

Na manhã seguinte, o ar em Manhattan estava fresco e cortante.

Jett saiu do carro, vestindo um smoking preto perfeitamente ajustado.

Ela subiu os degraus de pedra do clube de charutos privado mais exclusivo e secreto da cidade.

Não havia placa na porta, apenas uma pesada aldrava de latão.

Jett empurrou a porta e se aproximou do balcão de mogno da recepção.

O concierge, um homem mais velho de postura rígida, ergueu o olhar, pronto para pedir uma reserva.

Jett não disse nada.

Ela enfiou a mão no bolso e colocou um cartão de metal maciço, de ouro negro, sobre o balcão.

Os olhos do concierge baixaram para o cartão.

Sua postura tornou-se instantaneamente deferente.

"Por aqui, senhora. Ele a está esperando no lounge VIP."

Jett o seguiu por um corredor mal iluminado.

Ele empurrou um par de pesadas portas de carvalho.

O aroma rico e intenso de charutos cubanos e couro envelhecido a envolveu.

Sentado em uma poltrona de couro de espaldar alto, perto da lareira, estava Lord Harrison.

O titã de Wall Street tinha cabelos prateados e olhos que não perdiam absolutamente nada.

Ele ergueu um copo de cristal com uísque em direção a ela, um sorriso lento se espalhando por seu rosto vincado.

"Jett", ele disse com sua voz de cascalho.

Jett sentou-se no sofá de couro à sua frente.

Ela dispensou as formalidades.

Ela enfiou a mão na bolsa, tirou um arquivo grosso contendo o relatório financeiro interno do Vanderbilt Group e o jogou sobre a mesa baixa entre eles.

Harrison pousou sua bebida.

Ele pegou o arquivo, abriu-o e ajustou seus óculos de leitura.

Seus olhos percorreram as seções destacadas: as falhas fatais de liquidez que Jett havia mapeado.

Uma expressão de profundo apreço se instalou em seu rosto.

"Estou oficialmente saindo do Vanderbilt Group", declarou Jett, sua voz calma e categórica.

Harrison fechou o arquivo.

O sorriso desapareceu de seu rosto.

Ele sabia exatamente o que isso significava.

"Isso vai provocar um terremoto gigantesco no centro da cidade", disse Harrison, inclinando-se para a frente. "Por que agora?"

"A infidelidade de Arthur", disse Jett, simplesmente. "E sua profunda estupidez."

O rosto de Harrison se fechou.

Ele pegou sua bengala com ponta de prata e bateu no pesado piso de madeira com um baque alto e violento.

"O rapaz é um tolo cego", cuspiu Harrison, a raiva genuína apertando seu peito.

"As portas do meu consórcio estão abertas para você, Jett. Traga seu capital. Vamos esmagá-los juntos."

"Agradeço a oferta", respondeu Jett, ajustando os punhos do paletó.

"Mas primeiro preciso vencer este processo de divórcio de um bilhão de dólares. Tenho que limpar o patrimônio."

Harrison assentiu lentamente, girando o resto do uísque em seu copo.

"Eu vi o lixo circulando nos fóruns esta manhã. Lavagem de dinheiro? Leste Europeu?"

"Obra de Serena Sinclair", disse Jett, um sorriso frio tocando seus lábios. "Pretendo usar isso para lavar as ações."

Harrison pegou o telefone.

Ele discou um número, o polegar pressionando a tela com força.

"Chame os editores do Journal e do Times", Harrison latiu no telefone.

"Diga a eles que, se publicarem uma única palavra daquela fofoca não verificada sobre Jett Whitfield, retirarei cada dólar de publicidade que meus fundos controlam."

Ele desligou e jogou o telefone no sofá.

"Considere a grande mídia suprimida", disse ele.

"Obrigada", disse Jett. "Você terá prioridade de investimento no meu próximo empreendimento."

Harrison deu uma risadinha, a tensão deixando seus ombros.

Ele se recostou e girou sua bebida novamente.

"Depois que a poeira baixar nesta guerra, Jett, você precisará de uma fortaleza, não apenas de um fundo", disse Harrison, seu tom mudando para algo profundamente solene. Ele se inclinou para a frente, o gelo tilintando em seu copo. "Meu neto está voltando de Londres para assumir a divisão europeia no próximo mês. Ele entende de lealdade de uma forma que os Vanderbilts nunca conseguiriam. Quero que você considere uma parceria estratégica com ele. Não um casamento de conveniência, mas uma aliança de predadores de topo."

Jett ofereceu um sorriso cansado, mas genuíno, apreciando a mente tática do velho.

"Atualmente, sou imune ao conceito de associar meus ativos ao legado de qualquer pessoa, Harrison. Por enquanto, luto sozinha."

Harrison não insistiu.

Em vez disso, ele enfiou a mão no bolso interno do paletó.

Ele tirou um elegante cartão de visita preto fosco.

Não havia nome nele. Apenas uma sequência de números criptografados.

Ele o deslizou pela mesa em direção a ela.

"Se você vai entrar em guerra com os Vanderbilts, precisa do predador de topo do litígio", alertou Harrison, sua voz baixando uma oitava.

"Este homem é extremamente perigoso. Mas ele nunca perdeu um caso."

Jett pegou o cartão.

O papel do cartão era grosso, frio ao toque.

Ela o guardou no bolso interno do paletó.

Jett se levantou. Ela alisou a frente do paletó, seus olhos se transformando em lascas de gelo escuro.

"Preciso ir encontrar esse seu advogado", disse Jett, sua voz desprovida de qualquer calor.

Harrison a observou sair da sala. No momento em que as pesadas portas de carvalho se fecharam com um clique, Harrison apertou um botão no console de sua mesa.

"Coloque meu investigador particular na linha", ordenou Harrison à sua assistente. "Quero que toda a sujeira sobre Arthur Vanderbilt seja desenterrada até a meia-noite."

Enquanto isso, Jett desceu o corredor mal iluminado e saiu do clube. O vento frio de Manhattan imediatamente cortou suas bochechas. Enquanto ela descia os degraus de pedra, um homem em um terno cinza indefinido saiu da sombra de um poste de luz, bloqueando seu caminho até o Maybach que a esperava.

"Sra. Whitfield", disse o homem, sua voz monótona e ensaiada. Ele estendeu um envelope jurídico grosso em direção ao peito dela. "Você foi intimada."

Jett não vacilou. Ela estendeu a mão lentamente e pegou o envelope, rasgando-o sob a luz âmbar dos postes. Era uma intimação judicial do departamento jurídico da família Vanderbilt, alertando sobre um iminente congelamento de bens. O velho Richard estava ficando desesperado. Ela amassou a borda do papel, seus olhos se estreitando enquanto entrava no calor de seu carro.

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