SARAH CAMPBELL
As coisas ficaram extremamente esquisitas com o Adam, porque eu não conseguia olhar para a sua cara sem lembrar da madrugada que ele esteve no meu quarto, apertando meu queixo e falando que eu era gostosinha. Eu sentia nojo e medo quando estava na sua presença.
Cheguei a cogitar a hipótese de contar para a Katie o que havia acontecido, mas pensei na possibilidade dele expulsar nós duas do apartamento se a minha irmã o confrontasse e provavelmente, não teríamos para onde ir, porque embora ela tenha o seu próprio dinheiro devido ao seu trabalho, não é muita coisa se compararmos com quanto o seu marido ganha por mês
Não sei exatamente no que o Adam trabalha, porém sei que ele é bastante conhecido na cidade e assim como a sua família, é rico. Talvez por esse motivo, a Katie aguente todas as consequências de como ele age como um escroto os outros sem pedir o divórcio.
Após algumas semanas convivendo com ambos, eu continuava tentando me adaptar a minha nova realidade, sem meus pais para me dizer o que fazer 24 horas por dia, poder sair sozinha, apesar de que eu só tenha ido passear na área externa do condomínio, e estar em em uma cidade nova totalmente diferente da que eu cresci, o que é assustador.
Aqui tem prédios gigantescos no lugar das árvores e pessoas transitando de carro para ir a qualquer lugar ao invés de irem andando. Onde eu morava era tão minúsculo que até o local mais longínquo continuava sendo perto.
A Michele me ligou para saber como andava a adaptação durante os primeiros dias e eu disse que estava amando, especialmente por ter a Katie por perto. Ocultei que a parte ruim era o Adam, que vivia sendo ríspido comigo quando a minha irmã não estava por perto e me olhando torto como se eu tivesse culpa por ele ter dado em cima de mim quando estava bêbado.
Sinceramente, esse homem deve ter algum tipo de transtorno psicológico, provavelmente bipolaridade ou psicopatia, segundo o que pesquisei no Google.
O melhor que eu faço é ignorar completamente a sua existência.
[...]
Estávamos os três tomando café da manhã na cozinha do apartamento e eu como sempre, me mantinha calada na presença do Adam, evitando assim receber as respostas rudes do babaca do meu cunhado.
Eles conversavam entre si sobre assuntos relacionados aos seus trabalhos e eu, sinceramente, não entendia nada.
Em um determinado momento, a minha irmã parou de conversar com o seu marido e me encarou com um sorriso animado, me deixando confusa.
— O que foi?
— Nós vamos fazer compras mais tarde. Semana que vem, começa as suas aulas, então precisamos comprar seu material escolar e aproveitamos para comprar roupas novas — ela falou empolgada, fazendo-me sorrir ao mesmo tempo que concentrava-me em comer os ovos mexidos com bacon e ignorar o olhar de Adam em cima de mim.
— Achei que ficaríamos juntos, Katie. Hoje é a minha folga e acho que você anda esquecendo que tem marido — Adam reclamou. — A Sarah já tem 16 anos e pode se virar.
— Podemos ir outro dia ou eu posso ir sozinha — respondo rapidamente antes que aquilo torne-se uma briga entre de casal.
— Ótimo, Sarah. O nosso motorista pode te levar e buscar. — Ele sorri enquanto a Katie não parece muito feliz com a solução.
— Ela é minha irmã, a minha responsabilidade, Adam. Será que você não percebe que eu não posso ficar pedindo para os outros fazerem o que é a minha obrigação?
— Engraçado você falar em obrigações, mas esquecer de cumprir a sua na nossa cama — Adam retrucou na mesma hora e eu engasguei com um pedaço de bacon.
Apesar de ter pais conservadores, eu não era tão ingênua a ponto de não saber o que aquela frase significava, afinal a Katie me explicou o que era sexo, me ensinou a como me defender e até alguns palavrões depois que acordei do coma.
— Adam, a Sarah está na mesa. — Ela levantou-se, indo na sua direção e deu um tapa forte no seu braço. — Você estava ciente que ao adotar a Sarah teríamos novas prioridades. Eu não acredito que você está criando um caso, porque quero ficar com a minha irmã.
Adam ergueu seu corpo, ficando face a face com a sua esposa.
— Eu vou para o meu quarto. — Saio depressa da cozinha antes daquela cena piorar e vou em direção ao meu quarto.
[...]
Mesmo com a porta fechada, eu ainda escuto os dois gritando no andar de baixo e começo a chorar baixinho com o rosto enterrado no travesseiro.
A culpa era minha, eu deveria ter morrido naquele acidente junto com os meus pais. Agora, a minha irmã está brigando com o seu marido, porque tem que cuidar da inútil que não sabe sair sozinha.
[...]
— Sarah? — Ouço a Katie me chamar e bater três vezes na porta minutos depois. — Eu posso entrar?
— Pode — respondi com a voz abafada.
— Você está chorando? — Minha irmã indagou assim que entrou no quarto, senta ao meu lado e começa a acariciar as minhas costas. — Não chora, por favor. A nossa briga não é a sua culpa, se é isso que você está pensando.
— Claro que é a minha culpa.
— Claro que não é. — Ela inicia uma sessão de beijinhos por todo meu pescoço.
— Para, isso faz cócegas! — Comecei a rir.
— Promete que vai parar de chorar?
— Prometo.
Katie se dá por vencida quando levanto meu rosto, limpando as lágrimas e deita-se ao meu lado, dando um longo suspiro e fecha os olhos.
— Eu amo o Adam, Sarah, mas está cada vez mais difícil ficar perto dele — a garota disse de um fôrma tão frustada que eu sinto um aperto no coração. — Eu não sei mais o que fazer.
— Não entendo nada de relacionamentos, eu sequer beijei na boca — confesso, sentindo-me uma fracassada. — Não sei como te ajudar, nem dando conselhos, mas posso colocar um laxante na comida dele.
Minha irmã gargalha e joga um travesseiro no meu rosto.
— Só me abraça, bebê. Eu preciso da minha melhor amiga comigo.
Eu a abracei forte e ficamos assim ali até pegarmos em um sono profundo.
ADAM REDWEST
Pode não parecer, porém sou muito apaixonado pela Katie e depois que brigamos pelo fato dela parecer só se preocupar com o bem-estar da Sarah, resolvi dar um tempo na casa do Dylan, porque não quis continuar a nossa discussão para não piorar a relação que já encontrava-se por um fio.
Eu e o meu melhor amigo estávamos sentados um ao lado do outro no sofá e de frente para televisão assistindo um jogo de basquete enquanto bebíamos cerveja.
— E aí, Adam? Vai querer conversar ou fingir que nada está acontecendo? — Dylan provocou depois de quase uma hora de silêncio.
— A Katie sai todos os dias para comprar algo para a Sarah ou resolver algum problema relacionado aquela menina, daí quando vou tentar transar com ela, adivinha? Está muito cansada, com dor de cabeça... — desabafo e o Dylan me olha incrédulo. — Eu não estou mentindo, cara. Aquela vadiazinha só veio atrapalhar a minha vida.
— A Sarah não tem culpa de nada, ok? Tira isso da sua cabeça. Ela só tem 16 anos e perdeu os pais há pouco tempo. Você precisa conversar com a Katie e tentar arranjar uma solução juntos e parar de culpar uma adolescente que já sofreu pra caralho — meu amigo disse com uma certa raiva e eu dei um sorriso sarcástico ao notar seu interesse na minha cunhada.
O pior era que o Dylan tem razão. A minha relação com a Katie esfriou bem antes da Sarah chegar nas nossas vidas, mas como não posso descontar as minhas frustrações na minha esposa, acabo afogando as mágoas na bebida, usando prostitutas para me satisfazer sexualmente e muitas vezes em pessoas inocentes que não tem nada a ver com os meus problemas conjugais.
— Você deveria investir na Sarah, brother — instiguei, pensando em uma solução fácil.
— Não é como se eu não tivesse interesse, só que ela é nova demais pra mim.
— E daí, cara? Em Redwest não é um problema.
— Sempre acho estranho que a nossa cidade tem o mesmo nome da sua família.
— Você deveria estar habituado com o seu melhor amigo sendo membro da família fundadora da nossa cidade — me gabei, tomando mais alguns goles da cerveja.
— Ok, senhor dono do mundo.
— Cala a boca e vê se me ajuda a resolver esse caralho de problema.
— Bom, eu posso ajudar vocês a cuidar da Sarah sempre que precisarem de um tempo a sós — afirmou, piscando um olho e com um sorriso malicioso. — Não é novidade que tenho vontade de ficar com a irmã da sua mulher, mas não quis ultrapassar os limites para não estragar a amizade que tenho com vocês.
Eu sempre soube que ele tem uma paixonite pela Sarah e apesar de nunca ter tentado nada para se aproximar da menina, já flagrei alguns olhares entre eles.
Provavelmente, ela vai sentar no pau dele antes dos 18 anos, principalmente se ela for tão precoce quanto a irmã que perdeu a virgindade antes de me conhecer.
— Não acho que você vai ter muitos obstáculos para conseguir o que tanto quer da minha cunhadinha, Dylan. — Fizemos um brinde com as garrafas de cerveja. — Vamos falar a verdade, ok? É muito mais fácil iludir uma menina mais nova do que uma adulta.
— Fala por experiência própria, né? Porque a Katie tinha 16 anos quando você começou a namorar com ela. A sorte é que na nossa cidade isso não é crime, porque em outros locais, você seria facilmente preso por pedofilia.
— Só eu, filho da puta? Você sempre correu atrás dessas garotas que ainda estão na escola também, Dylan, mas o importante é que nem eu e nem você seremos obrigados a viver na cadeia por gostar de meninas dez anos mais novas.
— Graças a Deus.
— Só toma cuidado para não magoar a Sarah ou a Katie vai surtar. — Cutuquei seu braço e ele franzi a sua testa.
— Eu não pretendo magoar ninguém, vou tratar a Sarah como uma princesa. Será que ela ainda é virgem?
— Certeza que sim. A minha cunhada não deve saber nem pagar um boquete.
— Que bom, porque verdade seja dita: nada melhor do que uma bucetinha virgem de uma novinha. Você deveria experimentar qualquer dia desses se a Katie continuar negando fogo, mas não com a Sarah, pois ela é minha.
Nego com a cabeça rindo e respondo rapidamente:
— Se um dia for experimentar transar com alguma garota inexperiente, não será com a Sarah Campbell.
[...]
Após ter passado quase o dia inteiro com o Dylan, resolvi voltar para o meu apartamento e para a minha surpresa, quando estava chegando no prédio onde moro, vejo a Katie saindo com muita pressa de um carro que me pareceu familiar e logo em seguida, um homem que eu não consigo reconhecer sair do banco de motorista e ir atrás dela.
Katie estava vestida apenas com um vestido florido até a altura do joelho e o homem trajava uma calça e uma blusa de manga cumprida com capuz, o que dificultava saber quem era ele.
Meu carro estava estacionado longe o suficiente para ninguém me ver e como já estava noite, permaneci a alguns metros sem ser notado.
Os dois começaram a discutir calorosamente como se fossem dois namorados por alguns minutos e assim que ambos pareceram se acalmar, Katie abaixou a cabeça e começou a chorar desesperadamente.
Não aguentando mais ver aquela merda de longe, resolvi descer do carro e ir até eles, entretanto, consegui dar apenas três passos e tive que parar no instante que as mãos do desconhecido alcançaram a cintura da minha esposa, puxando-a de encontro ao seu corpo e os dois beijaram-se apaixonadamente.
Eles sequer se preocuparam com o fato de estarem na frente do condomínio onde moramos e todos os moradores saberem que somos casados.
Eu não estava acreditando que Katie estava me traindo. Agora, só agora, comecei a entender o motivo dela nunca estar em casa e de me rejeitar na cama. Ela tinha outro.
Será que todo mundo sabe que estou sendo traído?
Não consigo ficar por muito tempo ali parado, vendo aquela cena nojenta, então volto para o carro sem ninguém notar a minha presença e saio dali para dar uma volta para espairecer.
Precisei ser muito frio e agir com a razão para não chegar arrebentando a cara dos dois. Sabia que se batesse nela ou nele, eu ainda sairia como errado diante de toda a cidade.
Mas uma coisa é certa: eu vou me vingar daquela vadia e irei fazer isso da pior maneira possível.
Ah, Katie. Você vai se arrepender muito de tudo que está fazendo comigo.
[...]
Ao regressar para o meu apartamento, resolvi fingir que nada aconteceu e ao encontrar Katie e Sarah preparando o jantar na cozinha, cumprimentei as duas com um beijo na bochecha e obviamente, mais nova pareceu estranhar o meu jeito repentinamente carinhoso.
Comecei a ajudar ambas e a qualquer oportunidade, passei a ficar mais perto da mais nova e percebi que a garota se arrepiou quando fiz um carinho discreto nas suas costas.
Sorri ao lembrar do que o Dylan falou sobre eu ter que experimentar uma bucetinha virgem e honestamente, teria vingança melhor do que conquistar o coração da irmãzinha da Katie e fodê-la na nossa cama?