Capa do Romance Seu Sacrifício, Sua Fria Indiferença

Seu Sacrifício, Sua Fria Indiferença

8.1 / 10.0
Dante Castilho, um magnata implacável, transformou meu ódio em paixão, mas tudo ruiu com o retorno de sua ex, Júlia. Ele escolheu protegê-la, ignorando meu sofrimento e acreditando em mentiras que me culparam pela morte do meu cão. Enclausurada em sua mansão, fugi daquela prisão psicológica. Na perseguição, escolhi a morte sob um caminhão a voltar para ele. Contudo, em um ato final de redenção, Dante lançou o próprio carro contra o impacto, sacrificando-se para me manter viva.

Seu Sacrifício, Sua Fria Indiferença Capítulo 1

Fui forçada a casar com Dante Castilho, um tubarão da Faria Lima com o dobro da minha idade. Lutei contra ele com unhas e dentes, mas seu controle gélido lentamente se transformou em uma paixão avassaladora à qual eu não conseguia resistir.

Então, sua ex-namorada, Júlia, retornou, alegando que uma doença terminal a havia trazido de volta para ele.

Ele a escolheu. Quando fui ferida e deixada sangrando no saguão de um hotel, ele correu para confortá-la.

Quando ela assassinou meu cachorro, Paçoca, e me incriminou, ele acreditou nas mentiras dela sem questionar.

Sua punição pela minha "traição" foi me trancar em sua mansão, uma gaiola de ouro que ele chamava de proteção.

Ele sacrificou minha segurança, minha sanidade e minha liberdade pela mulher que ele realmente amava. Eu era apenas uma substituta.

Então eu fugi. E quando ele me perseguiu por uma rodovia, eu lhe dei um ultimato: deixe-me ir, ou me veja morrer. Eu me joguei na frente de um caminhão em alta velocidade.

Eu nunca esperei que ele jogasse seu próprio carro na trajetória do caminhão, sacrificando-se para me salvar.

Capítulo 1

Disseram que eu ia me casar com ele, um homem com o dobro da minha idade, um titã do mercado financeiro que chamavam de "O Ceifador". Eu ri. Eles não sabiam com quem estavam lidando.

Meu nome é Clara Mendes, e a liberdade era minha religião. Aos vinte e um anos, São Paulo era minha, ou pelo menos, era assim que eu me sentia quando acelerava pela Avenida Paulista em meu Maverick GT antigo, o vento chicoteando meus cabelos, as luzes da cidade um borrão. Eu era uma herdeira dos Mendes, sim, mas construí meu próprio império de rebeldia. Meu pai, Frederico Almeida, chamava isso de "selvageria". Eu chamava de viver.

Então veio o decreto: eu deveria me casar com Dante Castilho. Trinta e um anos, uma década mais velho que eu, e supostamente a mente mais formidável da Faria Lima. Ele era a disciplina em um terno, um homem que provavelmente passava as próprias meias. Eu era o caos em alta-costura. A simples ideia fazia meu estômago revirar. "Ele vai te domar", meu pai declarou, um brilho de triunfo em seus olhos. Me domar? Esse era um desafio que eu nasci para aceitar.

A primeira tentativa de me livrar dele foi na nossa festa de noivado. Um evento luxuoso, naturalmente, realizado em sua cobertura. Cheguei duas horas atrasada, usando um vestido escarlate com uma fenda até o quadril, e prontamente comecei uma competição de dança regada a champanhe em cima de uma mesa com um bando de modelos masculinos. O rosto do meu pai estava roxo. Dante? Ele apenas se encostou no bar, observando com um sorriso irritantemente calmo.

Ele me comprou um colar de diamantes no dia seguinte. "Pela sua... performance espirituosa", ele disse, sua voz um ronronar baixo. Valia facilmente milhões de reais. Ele achava que podia me comprar. Ele achava que podia me satisfazer até a submissão. Isso só alimentou meu fogo.

Meu próximo movimento foi mais direto. Peguei seu conversível clássico premiado e meticulosamente restaurado – um carro que ele adorava mais do que tudo, eu tinha certeza – e o dirigi direto para o espelho d'água em frente ao seu prédio comercial no Itaim Bibi. O mergulho foi glorioso. As manchetes, ainda mais. Esperei pela fúria, pelos papéis da anulação.

Em vez disso, recebi uma ligação. "Clara", sua voz estava surpreendentemente desprovida de raiva. "Você errou um lugar. O conversível fica muito melhor com uma piscina combinando." Ele riu. Uma risada genuína e perturbadora. "Da próxima vez, me avise. Vou arranjar um guindaste para nós. Podemos transformar isso em uma peça de performance." Meu queixo caiu. Ele não estava apenas me satisfazendo; ele estava escalando o jogo.

No dia anterior ao casamento, eu desapareci. Deixei um bilhete: "Noiva em fuga. Encontre-me se puder, Ceifador." Fretou um jato particular para Angra dos Reis, convencida de que ele finalmente desistiria. Ele não arriscaria a humilhação pública de uma noiva que não aparece.

Eu estava errada.

No meio do voo, o avião tremeu de repente. Uma voz familiar e profunda cortou o intercomunicador da cabine. "Clara, querida, é o Dante. Você realmente achou que eu a deixaria escapar tão facilmente?" Meu sangue gelou. Ele me encontrou. Mais do que isso, ele havia sequestrado o avião.

O avião pousou em uma pista de pouso deserta. Dante estava esperando, encostado em um SUV preto elegante, parecendo impossivelmente calmo. Ele usava uma camisa de linho branca impecável que o fazia parecer menos um titã da Faria Lima e mais um deus praiano predador. "Entre", ele ordenou, seus olhos brilhando. Hesitei, mas algo em seu olhar, um fogo possessivo que eu não tinha visto antes, me fez mover.

Aceleramos por uma estrada costeira sinuosa, o oceano um azul cintilante ao nosso lado. Eu estava furiosa, planejando minha próxima fuga. De repente, um cervo saltou para a estrada. Dante desviou violentamente. Gritei enquanto o carro derrapava. Ele instintivamente jogou o braço sobre meu peito, empurrando-me de volta contra o assento, me protegendo. A próxima coisa que soube foi um barulho ensurdecedor de metal se contorcendo, o cheiro de borracha queimada e, em seguida, a escuridão.

Acordei com o som de sirenes, uma dor latejante na cabeça. Meu peito estava apertado, mas eu conseguia respirar. Olhei para o lado. Dante estava caído sobre o volante, seu rosto pálido, sangue florescendo em sua camisa branca impecável. Minha respiração falhou. Ele me salvou. Às custas de si mesmo.

"Dante!" Minha voz estava rouca, desconhecida. A culpa, afiada e fria, atravessou minha rebeldia. Ele se mexeu, gemendo suavemente. Seus olhos se abriram, desfocados a princípio, depois se fixaram nos meus. "Clara?", ele murmurou, sua voz fraca. "Você... você está bem?"

Ele estava perguntando sobre mim. Não sobre seu carro quebrado, não sobre seu próprio corpo sangrando, mas sobre mim. Um calor estranho e desconhecido se espalhou pelo meu peito, afugentando o fio frio do medo. Era uma sensação que eu não havia antecipado, um tremor profundo dentro das minhas paredes cuidadosamente construídas.

Mais tarde, no hospital, meu pai esbravejava sobre minha imprudência. Dante, com o braço na tipóia e a cabeça enfaixada, simplesmente olhou para mim. "Ela está abalada, Frederico", disse ele, sua voz suave, quase terna. Ele viu além da minha raiva, além da minha fachada rebelde. Ele me viu.

Naquela noite, deitada na minha cama de hospital, não conseguia parar de pensar em seu braço sobre meu peito, em sua preocupação sussurrada. Foi uma constatação aterrorizante e emocionante. Ele podia ser frio, controlador e irritante, mas naquele momento, ele me deu algo que ninguém mais jamais havia dado: proteção completa e incondicional. Meu coração batia forte, um ritmo que eu não sentia antes.

Na manhã seguinte, ele veio ao meu quarto. "Ainda planejando fugir?", ele perguntou, um toque de vulnerabilidade em seus olhos. Olhei para minhas mãos. "Talvez", sussurrei, então encontrei seu olhar, uma nova determinação endurecendo minha voz. "Mas só se você prometer me perseguir direito da próxima vez. E talvez... talvez me deixar dirigir às vezes."

Um sorriso lento se espalhou por seu rosto, um calor genuíno alcançando seus olhos. "Fechado", disse ele, e pela primeira vez, senti uma emoção que não era sobre rebelião, mas algo mais profundo.

Casamos uma semana depois, uma cerimônia discreta que ninguém esperava. A rebelião desapareceu, substituída por uma dança intoxicante de poder e paixão. Ele era possessivo, mas de uma forma que me fazia sentir querida, não enjaulada. Ele satisfazia todos os meus caprichos, mas agora, eu me via satisfazendo os dele. No quarto, ele era totalmente dominante, exigente, e eu, a selvagem, me via submetendo-me com prazer a cada toque, a cada comando. "Minha", ele sussurrava, seus lábios pressionados contra meu pescoço, seus braços se apertando ao meu redor. "Você é irrevogavelmente minha." E eu acreditava nele, completamente, totalmente perdida no mundo intoxicante que ele havia tecido ao meu redor.

Então ele partiu para uma viagem de negócios a Hong Kong. "Apenas uma semana, Clara", ele prometeu, beijando minha testa. Senti falta dele antes mesmo de ele partir. Decidi surpreendê-lo, planejando um jantar romântico de boas-vindas. O silêncio da mansão parecia estranho sem ele.

Meu celular vibrou. Um número desconhecido. Uma mensagem de texto: "Por favor, Clara, preciso da sua ajuda. Dante está com ela. Ela está doente, morrendo. Ele não sabe o que fazer."

Meu coração deu um salto. O que era isso? Morrendo? Dante? Comecei a responder, perguntando quem era, mas a mensagem sumiu. Apagada. Não fazia sentido. Dante não esconderia nada de mim. Ou esconderia?

Uma suspeita doentia começou a se arrastar em meu estômago. Minhas mãos tremiam enquanto eu digitava o nome de Dante em um mecanismo de busca. Os resultados eram inócuos, notícias de negócios, nada pessoal. Mas então, um vislumbre. Um artigo antigo de cinco anos atrás. "O Coração Partido do Titã da Faria Lima, Dante Castilho: A Batalha Trágica de Júlia Soares." Meu sangue gelou. Júlia Soares. A pianista clássica. Sua ex-namorada. Aquela sobre quem ele nunca falava.

A mensagem de texto. "Ele está com ela." "Ela está doente, morrendo." Um pavor frio se instalou em meu estômago. Não. Não podia ser. Não agora. Não quando tudo parecia tão perfeito.

Eu tinha que ver por mim mesma. Reservei o primeiro voo para Hong Kong, meu coração martelando contra minhas costelas. Eu sabia que Dante estava hospedado no The Peninsula. Quando cheguei, o saguão era um borrão de ouro e mármore. Eu o vi. Meu Dante. Ele não estava sozinho.

Ele estava sentado no elegante café do hotel, a cabeça baixa, ouvindo atentamente uma mulher. O cabelo dela, longo e escuro, caía suavemente sobre seus ombros. Ela era magra, quase frágil, com olhos grandes e luminosos. Júlia Soares. Havia uma intimidade em sua postura, uma vulnerabilidade compartilhada que me atingiu como um golpe físico. Ele estendeu a mão, sua mão grande cobrindo gentilmente a dela. Sua expressão era suave, preocupada, um olhar que eu agora reconhecia como ternura. Mas não era para mim.

Minha garganta se apertou. Observei, sem ser vista, enquanto ela falava, sua voz baixa e melancólica. Ele se inclinou para mais perto, sua cabeça escura quase tocando a dela. Ele olhou para ela como havia olhado para mim no hospital, com aquela mesma preocupação profunda. Mas era mais do que isso, agora. Era algo mais profundo, mais antigo, uma conexão forjada em um passado do qual eu não sabia nada.

Então ela olhou para ele, seus olhos marejados de lágrimas. Ela sussurrou algo, baixo demais para eu ouvir. Mas a maneira como sua mandíbula se contraiu, a maneira como seu olhar demorou em seu rosto, dizia tudo. Esta não era apenas uma amiga doente. Este era seu passado, sua dor não resolvida, encarando-o bem no rosto. E eu, sua esposa, de repente, agudamente, estava ciente do meu lugar: uma substituta, uma substituta para a mulher que ele realmente amara.

O ar parecia rarefeito. Meu mundo, antes vibrante e cheio de sua presença, era agora apenas um palco para uma cena à qual eu não pertencia. A mão de Júlia se apertou na de Dante, e ela encostou a cabeça no ombro dele. O braço dele a envolveu, um gesto reconfortante e possessivo. A faca se aprofundou. Sua ex-namorada. Seu grande amor platônico. Ele ainda nutria sentimentos por ela. E eu era apenas a garota com quem ele se contentou.

Meu mundo cuidadosamente construído desmoronou ao meu redor, um colapso silencioso e devastador. Era tudo mentira. Tudo.

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