Capa do Romance Servida com Restos pelo Meu Marido Cruel

Servida com Restos pelo Meu Marido Cruel

7.9 / 10.0
Ex-CEO de um império farmacêutico, vivo agora como prisioneira do meu marido, Breno. Após roubar minha empresa e assassinar meu pai, ele e sua amante me humilham, forçando-me a comer sobras enquanto finjo loucura para proteger meu filho, Léo. Eles acreditam na minha derrota, mas parei de tomar os remédios e planejo minha vingança. Após profanarem o túmulo do meu pai, decidi agir. Fugirei com as provas dos crimes deles e farei o império que me tiraram arder até virar cinzas.

Servida com Restos pelo Meu Marido Cruel Capítulo 1

Eu já fui a CEO de um império farmacêutico, a mulher que comandava reuniões e decidia o destino de milhares.

Agora?

Agora eu era um fantasma na minha própria cozinha, forçada a servir o marido que roubou minha vida.

Breno não apenas tomou minha empresa e armou para que eu fosse declarada louca. Ele se sentava à mesa com sua amante, Karina, e me obrigava a comer as sobras de seus pratos como se eu fosse um cachorro sarnento.

Eles envenenaram meu pai para tomar seu legado.

Fizeram o mundo acreditar que eu era instável, perigosa.

Me fizeram esfregar o chão de mármore até que minhas mãos estivessem em carne viva, sangrando e ardendo.

Cada dia era uma atuação de submissão total, um risco calculado para proteger meu filho, Léo, da crueldade deles.

Eles achavam que meu silêncio era derrota.

Acreditavam que os remédios tinham me transformado em uma casca vazia, sem saber que eu fingia tomá-los há semanas.

Mas quando eles demoliram a casa da minha infância e profanaram o túmulo do meu pai, a última brasa da minha antiga vida se apagou.

No lugar dela, nasceu uma determinação fria e impiedosa.

Esta noite, não vou apenas fugir com meu filho.

Vou levar as provas dos assassinatos e das fraudes comigo.

E não vou parar até que o império roubado deles vire cinzas.

Capítulo 1

A pesada colher de prata bateu contra a tigela de cerâmica. Minhas mãos estavam firmes. Firmes até demais para alguém que acabara de ouvir que não valia nada.

— Clarice, querida, o bisque precisa de mais sal. — A voz de Karina, doce como veneno, flutuou da sala de jantar. — A menos que você prefira sem gosto agora? Alguns de nós ainda têm paladar refinado.

Não respondi.

Meu reflexo no aço polido da colher não mostrava nada. Apenas olhos vazios, um rosto pálido. Um espectro rondando os eletrodomésticos de última geração.

— Não, Karina. Acho que está no ponto. — Minha voz saiu plana, sem vida. — O excesso de sal entorpece o paladar.

Ouvi uma expiração irritada vinda da sala de jantar. Eu podia sentir os olhos de Karina nas minhas costas, mesmo através da parede. Julgando. Sondando. Tentando encontrar uma rachadura na minha fachada.

Peguei um guardanapo de linho branco imaculado, alisando uma dobra imaginária. Meus dedos se moviam com uma lentidão deliberada. Cada gesto era uma performance agora. Cada respiração, um passo em campo minado.

Uma figura apareceu na porta, bloqueando a luz.

Karina.

Seu cabelo loiro perfeito, seu sorriso predatório. Ela me observava, o olhar demorando nas minhas mãos, depois no meu rosto. Um brilho de algo feio, algo triunfante, cintilou em seus olhos.

O silêncio se esticou, denso e sufocante.

Então, Breno entrou, envolvendo a cintura de Karina com o braço. Ele beijou a têmpora dela, um gesto lento e possessivo que me atingiu como um soco no estômago. A risada deles, leve e íntima, ecoou pela cozinha. Bateu na minha pele, deixando um resíduo frio e pegajoso.

— Bom dia, amor. — A voz de Breno, grave e suave. A voz que um dia me prometeu a eternidade. Agora, era apenas uma ferramenta de sua crueldade.

Karina recostou-se nele, o olhar ainda fixo em mim.

— Breno, querido, adivinha? Nosso pequeno Léo dormiu a noite toda! Sou praticamente uma supermãe. — Ela se gabou, a voz pingando um orgulho artificial.

Breno riu, os olhos encontrando os meus por cima do ombro de Karina. Um lampejo de algo ilegível ali. Diversão? Desprezo? Piedade?

Eu não me importava.

— Isso é maravilhoso, Karina. — Minhas palavras eram automáticas, um roteiro bem ensaiado. — Você deve estar muito satisfeita.

O sorriso de Karina endureceu, um tremor quase imperceptível no canto dos lábios. Ela não gostava da minha compostura. Era uma língua que ela não conseguia entender.

Olhei para a sopeira, fingindo interesse. O relógio na parede tiquetaqueava alto. Café da manhã. Era sempre o café da manhã. O início de mais um dia, mais uma encenação.

Fui até o fogão, mexendo o mingau que fervilhava. Era para o Léo, grosso e cremoso. Ele era apenas um bebê, inocente nesta casa de mentiras. Meu menino precioso.

Breno puxou uma cadeira para Karina e depois se acomodou na dele.

— Clarice, você vai se juntar a nós hoje? — Ele perguntou, o tom carregado de uma falsa preocupação.

Parei, com a concha na mão.

— Não, obrigada, Breno. Tenho muito o que fazer na cozinha.

— Ah, não seja boba, Clarice — Karina cortou, a voz doce demais. — Venha, sente-se conosco. Você tem trabalhado tanto. — Ela deu tapinhas na cadeira vazia ao lado dela, uma paródia grotesca de hospitalidade.

Balancei a cabeça, um movimento pequeno e educado.

— Está tudo bem. Prefiro ficar de pé. E é uma honra servir vocês.

Um lampejo de satisfação cruzou o rosto de Karina. Ela trocou um olhar com Breno, uma comunicação silenciosa de triunfo. Eu estava domesticada. Exatamente o que eles queriam.

Fiquei parada no balcão, ouvindo o tilintar dos garfos contra a porcelana. Minha coluna doía. Lembrava-me da última vez que me sentei àquela mesa, desafiando-os. Breno me fez ajoelhar no sol escaldante por horas, minha pele queimando, meus joelhos em carne viva. Foi um aviso. Uma lição brutal de que qualquer desafio, qualquer sinal de rebeldia, seria recebido com dor rápida e implacável.

Meu espírito tinha que quebrar para que o dele pudesse subir. E ele queria que eu soubesse disso.

A refeição terminou.

Breno raspou os últimos restos de seus ovos em um prato e o deslizou pela mesa em minha direção. Um croissant meio comido, uma mancha de geleia, algumas migalhas.

Peguei o prato, meus movimentos lentos e praticados. Meu primeiro instinto foi jogar os restos no lixo, como eu sempre fazia. Mas os olhos de Breno estavam em mim. O mesmo olhar de expectativa que eu já tinha visto tantas vezes antes.

— Clarice. — A voz de Breno cortou o ar, mais alta agora. Ele se inclinou para frente, o olhar fixo no meu. — Não se atreva a desperdiçar isso. Você tem ideia de quanto custam essas trufas? Um ingrediente tão precioso. — Ele falava com uma bondade falsa que fazia meu estômago revirar. — Tem gente passando fome, Clarice. Você não gostaria de ser desperdiçadora, gostaria?

Karina observava, os olhos arregalados, uma espectadora silenciosa do espetáculo. Havia um toque de curiosidade mórbida ali.

Minhas mãos tremeram levemente. A mensagem era clara.

Engoli em seco, o gosto da bile subindo na garganta. Peguei um guardanapo descartado, levantando o croissant. Estava amanhecido, sujo com gema de ovo coagulada. Levei-o aos lábios. Foi preciso cada grama de controle para não vomitar.

O gosto das sobras deles. O sal do desprezo deles.

Cada mordida era uma degradação, um grito silencioso.

— Obrigada, Breno — sussurrei, forçando um sorriso. — Está delicioso. De verdade.

Karina engasgou, um som pequeno e sufocado. Ela se levantou da mesa, empurrando a cadeira para trás com um ruído alto.

— Breno, não! Isso é demais! — Ela olhou para mim, o rosto pálido, um lampejo de algo quase humano nos olhos.

— Karina, sente-se. — A voz de Breno era baixa, perigosa. — Ela sabe o lugar dela.

Meus olhos encontraram os de Karina. Piedade? Nojo? Medo? Não importava.

Eu tinha um filho para proteger.

E então, eu mastiguei.

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