Antônio
O desgraçado do Sampaio age como fosse imune. Mas não é. Ele estava na cobertura dele. Depois de procurar o desgraçado em vários lugares onde poderia estar, descobri que estava embaixo do meu nariz. Ele devia estar rindo de nós, mas não vai rir por muito tempo.
Fui sozinho. Seguranças ou outros assassinos levantaria suspeitas.
Aluguei um apartamento no prédio, de onde, com a ajuda de André, desligamos a câmeras de segurança tempo o suficiente para eu sair do meu apartamento e entrar no dele.
Subi e toquei a campainha tranquilamente. Obvio que ele não abriu. O azar dele é que não precisava. Usar sistema de segurança em porta tem suas desvantagens. Assim como fez com as câmeras, meu irmão abriu a porta remotamente. Às vezes gostaria de ter o dom dele. O meu se resume a matar mesmo.
“Enfim sós!”
Coloquei meu celular para reproduzir essa fala clichê ― que gravei de algum personagem ― ao entrar e encontrar o projeto malfeito de homem pela casa com um roupão branco.
Ele arregalou os olhos.
Mostrei a arma e fechei a porta atrás de mim.
― O que você quer? Posso te dar o que quiser se não me matar. Eu tenho dinheiro, tenho poder.
Acho que não tem tanto assim, ou estaria melhor protegido.
Se ele achou mesmo que a segurança do prédio era suficiente, sua inteligência é que não era.
Ele caiu sentado no sofá enquanto me olhava.
― Eu sei que você não fala. Pode escrever. Escreva a quantia que quiser ― mostrou com a cabeça um bloco de notas na mesa de centro.
Balancei a cabeça negando e rindo.
Depois fui realmente até o bloco de notas, peguei e escrevi:
“Seu tempo acabou.”
― Por favor, eu tenho família.
Dei de ombros e busquei uma cadeira na cozinha. Tinha lugar de apoiar os braços, era perfeita.
O amarei na cadeira, com carinho para não deixar marcas. E novamente escrevi no bloco de notas.
“Fique quieto para não deixar marcas.”
Esse negócio vai ser útil.
― Filho da puta, me deixa sair daqui. ― Ele começou a gritar.
Tive que cobrir sua boca. Não gosto que falem de mamãe.
Ele continuou implorando.
Sentei no sofá e procurei um livro. Havia bastante títulos. Achei um de Agatha Christie e comecei a ler. Ficaríamos alguns dias sozinhos.
Dormi em sua cama. Mexi em suas coisas, sempre tomando cuidado para não deixar vestígios. Queria que pensassem que ele esteve esses dias isolado em casa, sozinho. Não deixei que morresse de fome ou de sede.
No segundo dia lhe entreguei papel e caneta. Deu trabalho, mas ele escreveu uma carta de suicídio confessando seus crimes.
Quando Alexandre voltou da lua de mel, fiz contato e ele ordenou o suicídio do canalha. O motivo de ficar no apartamento foi para não atrapalhar a lua de mel do meu irmão e nem correr o risco de perder o cliente de vista.
Já sabia o destino do miserável, então era só finalizar meu trabalho.
Com a arma na sua cabeça, fiz ele entrar na banheira e joguei um aparelho elétrico, dessas coisas que mulheres usam para secar cabelo. Pelo jeito é vaidoso. Tem várias coisas para cuidar da beleza no banheiro.
Ele se contorceu na banheira até morrer. E eu só conseguia pensar que seria muito bom ter uma banheira em casa. Vou comprar uma, preta para combinar com a decoração do meu quarto. Meu banheiro é pequeno, vou colocar na varanda de trás. Vai ser perfeito.
Deixei tudo bem organizado no apartamento do defunto e sai no mesmo esquema de desligar as câmeras de quando entrei.
A primeira coisa que fiz foi ir até uma loja. Escolhi uma banheira que não precisa de instalação e pedi que entregassem no meu endereço.
Para evitar qualquer tipo de suspeita, fiquei morando mais alguns dias no apartamento que aluguei. Só quando a poeira abaixou foi que optei por sair, mas decidi comprar e alugar para outra pessoa. Gosto de ser cuidadoso.
As notícias ficaram agitadas com a morte do Sampaio. Por todo lugar se lia:
“Jogador de basquete suspeito de matar e esquartejar modelo grávida comete suicídio após ficar dias isolados em sua residência. O corpo foi encontrado eletrocutado na banheira e perto dele uma carta confessando o crime que assustou a população. A polícia ainda vai investigar o ocorrido para descartar possível assassinato.”
A polícia pode investigar o quanto quiser que será confirmado o suicídio. Eu não deixo rastros.
Antônio
O dia em que matei Sampaio foi um dia especial. Ele era o número 99 na lista de canalhas que apaguei.
Eu estava muito a fim de comemorar. E como se ela tivesse bola de cristal, recebi uma mensagem:
“É meu aniversário. Seja meu presente. E vamos comemorar daquele jeito que você gosta.”
Sorri de canto para a mensagem. Era Miriam, uma das minhas parceiras fixas. Eu gosto de controle. Não sou o tipo romântico. Antônio Rodrigues é adepto de cordas, correntes, tapas na cara, na bunda, enforcamento. Gosto de extremos. Claro que sempre com permissão e prazer mútuo. O mundo ficaria chocado se saísse em números a quantidade de pessoas que curtem o misto de dor e prazer. Como já senti muita dor, gosto de proporcionar.
“Claro.” Respondi.
Vai ser ótimo comemorar meus 99 com ela. Miriam é minha favorita quando o assunto é sexo, em nenhuma ocasião ela usou palavras de segurança. Ela tem uma certa tara por dor.
Cheguei no apartamento dela e fui recebido por ela vestida apenas com lingerie branca e segurando um bolo.
― Feliz aniversário para mim! ― disse sorridente.
“Feliz aniversário, princesa.”
Ela colocou o bolo sobre a mesa e veio me beijar.
― Eu fui má. Por favor, me castigue. ― Não fez rodeios sobre o que queria.
Minha resposta foi pegá-la pelas nádegas e jogar nas costas como um saco de batatas. A levei para o quarto, onde muitas vezes já transamos, e a amarei com pernas e braços abertos na cama. Ela tinha todo tipo de acessórios para isso.
Com as portas do seu guarda-roupa abertas, escolhi chicotes e um vibrador. Seu presente vai ser uma dupla penetração.
Ela ficou empolgada. Gozou só com a antecipação e algumas chicotadas.
― Esse olhar, gato, gozo horrores só de olhar para ele ― disse enquanto eu a desamarrava.
Liguei o vibrador e ela gemeu de antecipação.
― Esse é o melhor aniversário.
Apenas sorri, tirei minha roupa e começamos a brincadeira.
**
Depois que terminamos, vesti minha calça e sentei na cama enquanto abotoava a camisa.
― Amanhã tenho que comemorar com meus pais, mas podemos repetir domingo ― sugeriu.
Dei de ombros. Miriam sabe que nosso negócio é apenas sexo, sabe que tenho outras. Inclusive ela tem um namorado. Às vezes ela demonstra querer mais que isso. Fala bastante sobre brigar com o namorado. É quando deixo claro que se ela terminar com ele vai perder os dois. Gosto das nossas transas e só. Não me vejo capaz de um relacionamento ou uma família.
Se não houver nada mais para fazer, podemos sim repetir a comemoração de hoje. Caso contrário, ela que comemore com o namorado.
Fui para casa. Sempre que posso durmo na minha cama. Apesar da dificuldade para entrar na casa é onde me sinto vivo e seguro.
**
No sábado, o compromisso com Miriam foi adiado. Um cliente de última hora. Alexandre me ligou questionando se eu poderia fazer o serviço rapidinho antes de entrar no outro. Ao ver a ficha, disse sim rapidamente. Seria o meu número 100, mas esse não comemoro. É só mais um.
Peguei meu rifle, subi o prédio e me posicionei. No meu ouvido, os fones tocavam minhas canções favoritas de rock. Assim que avistei a vítima mirei e atirei. Fim. De onde eu estava não conseguia ouvir os gritos, mas podia ver os movimentos.
Guardei minha arma calmamente e fui para a empresa. Afinal, com a história de Sampaio faz dias que não apareço lá. Não posso esquecer que além de assassino, sou CEO. O jeito é “trabalhar” sábado para compensar.