Capa do Romance Quinze Anos, Depois Uma Foto

Quinze Anos, Depois Uma Foto

9.0 / 10.0
Casados há quinze anos, Ricardo e eu éramos o par ideal. Ele, um CEO de sucesso; eu, a esposa fiel. Tudo ruiu quando recebi fotos dele com a assistente. A amante passou a me torturar com registros na minha cama e a notícia de sua gravidez. Enquanto ele mentia, planejei minha fuga. Mudei de nome, limpei nossas contas e doei cada móvel da mansão. Quando ele partiu para Paris com ela, fugi para Portugal, deixando apenas papéis de divórcio e nossas alianças derretidas.

Quinze Anos, Depois Uma Foto Capítulo 1

Por quinze anos, meu marido Ricardo e eu éramos o conto de fadas. O casalzinho do colégio que deu certo, o CEO de uma gigante de tecnologia e sua esposa dedicada. Nossa vida era perfeita.

Até que uma mensagem de texto chegou de um número desconhecido. Era uma foto da mão da assistente dele na coxa dele, na calça de terno que eu comprei para ele.

As mensagens da amante dele continuaram a chegar depois disso, uma tortura implacável de veneno. Ela mandou fotos dos dois na nossa cama e um vídeo dele prometendo me deixar. Ela se gabou de que estava grávida de um filho dele.

Ele chegava em casa e me beijava, me chamava de sua âncora, tudo isso enquanto cheirava ao perfume dela. Ele estava comprando um apartamento para ela e planejando o futuro deles enquanto eu fingia ter enjoo matinal por causa de ostras estragadas.

A gota d'água veio no meu aniversário. Ela mandou uma foto dele, ajoelhado, dando a ela um anel de compromisso de diamante.

Então eu não chorei. Mudei meu nome secretamente para Esperança, converti toda a nossa fortuna em títulos ao portador não rastreáveis e disse a uma instituição de caridade para esvaziar nossa casa de absolutamente tudo.

No dia seguinte, enquanto ele ia para o aeroporto para uma "viagem de negócios" para Paris com ela, eu voei para Portugal. Quando ele voltou para casa, encontrou uma mansão vazia, os papéis do divórcio e nossas alianças derretidas em um único pedaço de ouro disforme.

Capítulo 1

Eu me lembrei da primeira vez que Ricardo tocou no meu peito. Tínhamos dezesseis anos, espremidos no banco de trás do velho Corcel do pai dele, embaçando os vidros.

Ele era todo mãos nervosas e respirações trêmulas, se atrapalhando com o fecho do meu sutiã como se estivesse tentando resolver um quebra-cabeça no escuro.

No final, eu mesma tive que esticar a mão para trás e soltá-lo para ele. Ele ficou vermelho como um pimentão, mesmo sob a luz fraca da lua, e gaguejou um pedido de desculpas.

Foi engraçado. Foi fofo.

Por quinze anos, ele foi o único. O garoto que não conseguia abrir um sutiã se tornou o CEO de tecnologia que estampava capas de revistas.

Para o mundo, éramos o conto de fadas. O casalzinho do colégio que deu certo. Eliana e Ricardo Almeida. Uma marca. Um testemunho do amor duradouro em um mundo acelerado.

Nossa vida era perfeita.

Até que deixou de ser.

A mensagem de texto chegou numa terça-feira. Um número desconhecido.

Era apenas uma foto, sem palavras.

A mão de uma mulher, com as unhas pintadas de um rosa berrante, repousando sobre a coxa de um homem. A mão era esguia, jovem. Jovem demais.

A coxa estava coberta por uma calça de terno cinza-escura que reconheci instantaneamente. Eu tinha comprado para ele. Zegna. Para o seu trigésimo segundo aniversário.

No pulso da mulher havia uma pulseira de ouro delicada com um único e minúsculo dente de tubarão.

Senti o ar sumir dos meus pulmões.

Aquela pulseira. Eu já a tinha visto antes.

No pulso de Jéssica Salles, sua assistente executiva. Ela a exibira na festa de verão da empresa, com um sorriso um pouco brilhante demais, seus olhos demorando-se em mim um pouco demais.

Meu coração começou a bater num ritmo frenético e doloroso contra minhas costelas.

Não podia ser.

Mas era.

Meu primeiro impulso foi gritar. Jogar meu celular contra a parede. Ligá-lo e exigir uma explicação para a imagem que se gravava a fogo no meu cérebro.

Eu não fiz nada disso.

Respirei fundo, um suspiro trêmulo, e engoli a fúria. Fiquei olhando para a foto até os detalhes se tornarem um borrão, até o enjoo no meu estômago se transformar em um nó frio e duro.

Será que algo daquilo foi real? Nossos quinze anos? O garoto no banco de trás do Corcel? O homem que me beijou de despedida esta manhã?

No dia seguinte, dirigi até o Fórum central. O prédio era antigo e cheirava a poeira e café velho.

Caminhei até o cartório, meus passos firmes e medidos.

— Gostaria de entrar com um pedido de mudança de nome — eu disse à mulher atrás do balcão.

Ela ergueu os olhos, os óculos empoleirados na ponta do nariz.

— Por qual motivo?

— Motivos pessoais — eu disse, com a voz vazia.

Ela ergueu uma sobrancelha, analisando minhas roupas, minha bolsa. Eu era Eliana David, esposa de um bilionário. Mulheres como eu não mudavam de nome assim, do nada.

— Você está em perigo? Tem a ver com violência doméstica?

— Não — eu disse. A mentira tinha gosto de cinzas, mas era necessária. Não se tratava de perigo. Tratava-se de apagar o passado. — Eu só quero um nome novo.

— Que nome você tem em mente?

— Esperança — eu disse, a palavra soando estranha na minha língua. — Esperança Monteiro. — Monteiro era o nome de solteira da minha mãe. Um nome que pertencia a mim, e somente a mim.

A escrivã digitou por um momento.

— E seu nome atual é Eliana David Almeida?

— Eliana David — eu a corrigi. Eu nunca adotei o sobrenome dele. Já foi um ponto de orgulho. Agora, era uma conveniência. — Meu nome legal é Eliana David.

— O processo levará algumas semanas. Você terá que publicar um edital, comparecer a uma audiência.

— Eu entendo — eu disse. — Por favor, inicie o processo.

Ela carimbou os papéis com um baque surdo. Cada carimbo parecia um prego no caixão da minha vida antiga.

Esperança. Um nome para um futuro que eu ainda não conseguia ver, mas que eu construiria para mim mesma, tijolo por tijolo doloroso.

O plano se formou em minha mente com uma clareza assustadora. Um novo nome. Um novo passaporte. Uma nova vida. Longe daqui. Portugal. A costa do Algarve. Eu sempre quis fotografar as grutas marinhas de lá.

Recebi o novo CPF primeiro. Veio em um envelope branco simples. Esperança Monteiro. Parecia o nome de uma estranha.

Guardei minha antiga carteira de motorista. Uma lembrança do fantasma que eu estava me preparando para deixar para trás.

Naquela noite, eu o vi na TV. Ele estava numa gala de caridade, parecendo impossivelmente bonito em seu smoking.

A repórter perguntou sobre seu sucesso. Ele sorriu aquele sorriso charmoso e público.

Ele ergueu a mão esquerda, exibindo a aliança de ouro simples que eu coloquei em seu dedo uma década atrás.

— Meu maior sucesso é minha esposa, Eliana. Ela é minha âncora.

A multidão aplaudiu. A repórter suspirou.

— Ela é a melhor coisa que já me aconteceu.

Eu assistia à tela, meu rosto uma máscara em branco. As palavras não significavam nada. Eram apenas sons, ar vazio. O homem na tela era um estranho desempenhando um papel.

Minha âncora. Ele era a tempestade, e eu era o navio que ele estava afundando.

Na manhã seguinte, levei nossas alianças a um joalheiro em uma cidade a uma hora de distância. Não era um lugar chique, apenas uma lojinha empoeirada administrada por um velho com uma lupa de joalheiro permanentemente presa ao olho.

Coloquei minha aliança e a de Ricardo, idêntica, na bandeja de veludo.

— Quero que sejam derretidas.

Uma dor aguda atravessou minha mão, como se o anel ainda estivesse lá, queimando minha pele. Cerrei o punho.

— Derretidas? — o velho perguntou, examinando os anéis. — São peças finas. Ouro 18 quilates.

— Eu sei o que são — eu disse. — Derreta-as. Juntas. Em um único pedaço disforme.

Ele olhou dos anéis para o meu rosto, sua expressão indecifrável.

— Tem certeza, moça? Isso é... permanente.

— Sim — eu disse, minha voz inabalável. — Tenho certeza.

Ele deu de ombros e levou os anéis para os fundos. Esperei, ouvindo o zumbido da roda de polimento e o tique-taque frenético de um relógio de pêndulo no canto.

Uma hora depois, ele voltou com uma pequena caixa de veludo cinza.

Lá dentro, repousando sobre o cetim branco, havia um pedaço de ouro. Era feio. Deformado. Todos os círculos perfeitos e o brilho polido se foram, fundidos em uma massa irreconhecível.

Era perfeito.

Ele chegou em casa tarde naquela noite, muito depois de eu ter escondido a pequena caixa no meu armário. Ele me trouxe um buquê de lírios brancos, meus favoritos.

— Para minha linda esposa — ele disse, beijando minha bochecha.

Ele cheirava a ela. Aquele mesmo perfume frutado e enjoativo que Jéssica sempre usava.

Eu não me afastei. Apenas fiquei ali, uma estátua em seus braços.

Quando ele passou por mim em direção à cozinha, eu vi. Uma marca vermelha e fraca no pescoço dele, logo acima do colarinho. Um chupão. Desleixado. Descuidado.

*Você se divertiu na sua "reunião até tarde", Ricardo?* Eu queria perguntar. *Gostou do corpo jovem e ansioso dela no seu escritório?*

Mas não disse nada. O tempo para perguntas havia acabado.

Ele envolveu minha cintura por trás, me puxando contra ele.

— Senti sua falta hoje.

Senti uma onda de náusea. O toque de suas mãos na minha pele parecia uma violação.

Eu o afastei gentilmente.

— Estou cansada, Ricardo.

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