Capa do Romance Quebrado e Traído: O Arrependimento de um Bilionário

Quebrado e Traído: O Arrependimento de um Bilionário

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Após dez anos de um casamento por contrato para salvar sua irmã, uma mulher vê sua liberdade virar pesadelo. Em uma festa da elite paulistana, ela é alvo de um vídeo falso e de uma armação cruel de Carolina, a ex de seu marido. Heitor acredita na farsa e a agride brutalmente, causando a perda de seu bebê. Meses após ser salva pela ex-sogra, Heitor e os enteados ressurgem no Rio implorando perdão. Diante dos traidores, ela sorri e nega qualquer chance de retorno.

Quebrado e Traído: O Arrependimento de um Bilionário Capítulo 1

Meu casamento de dez anos por contrato havia acabado. Eu salvei a vida da minha irmã sendo esposa de um bilionário e mãe de seus dois filhos. Hoje, eu estava finalmente livre.

Mas na festa de aniversário do meu enteado, minha execução pública começou quando um vídeo pornô deepfake com o meu rosto foi transmitido para toda a elite de São Paulo.

Então, a ex-esposa do meu marido, Carolina, orquestrou a minha queda. Ela se esfaqueou e me culpou. Os meninos que eu criei gritaram que eu era um monstro. E meu marido, Heitor, acreditando nas mentiras dela, me espancou com tanta brutalidade que eu perdi o filho que nem sabia que estava esperando.

Ele a escolheu. Ele escolheu a mentira. Ele deixou nosso filho morrer.

Mas a mãe dele, a mulher que arquitetou nosso casamento, me salvou. Meses depois, meu ex-marido e meus enteados me encontraram no Rio de Janeiro, chorando e implorando para que eu voltasse para casa. Eu olhei para os homens que me destruíram e sorri.

"Não", eu disse calmamente. "Eu não preciso mais de vocês."

Capítulo 1

Ponto de Vista de Alice Barros:

Dez anos. Três mil, seiscentos e cinquenta e dois dias. Esse foi o preço pela vida da minha irmã. Hoje, a conta está paga. O contrato acabou.

Coloco o acordo de divórcio assinado sobre a ilha de mármore no centro da nossa cozinha gigantesca. O papel parece pequeno e insignificante no espaço vasto e vazio, uma bandeira branca de rendição — ou talvez, de vitória.

"Heitor", eu digo, minha voz firme. Ela nem sequer ecoa. Esta casa foi projetada para engolir sons, para engolir vidas. "Estou indo embora."

Ele não tira os olhos do celular. Está rolando relatórios do mercado financeiro, o polegar se movendo com um ritmo implacável e distante. A luz da manhã que entra pelas janelas do chão ao teto reflete em seu corte de cabelo perfeito e caro.

"Não seja dramática, Alice", ele murmura, sua voz um rosnado baixo de desdém. "Se isso é sobre a viagem para Angra, eu já te disse, tenho o jantar de arrecadação de fundos."

"Não é sobre Angra." Empurro os papéis um centímetro mais perto do celular dele. "Nosso contrato acabou. Já se passaram dez anos. Estou me mudando."

Ele finalmente levanta o olhar, seus olhos azuis, da cor de um lago congelado, se estreitando em irritação. Ele vê o documento, mas sua expressão não muda. É o mesmo olhar que ele dá a um subordinado que trouxe más notícias. Um inconveniente.

"Certo. O 'contrato'", ele diz, a palavra pingando sarcasmo. Ele se recosta no banco, cruzando os braços sobre o peito coberto por uma camisa de grife que custa mais que o meu primeiro carro. "E para onde exatamente você planeja ir?"

Ele não está perguntando por preocupação. Ele está perguntando porque minha existência é um item logístico em sua longa lista de ativos e responsabilidades. Ele está calculando a perturbação.

"Isso não é mais da sua conta", respondo, mantendo minhas mãos firmes no mármore frio. Preciso da âncora.

Ele ri, um som curto e sem humor. "Alice, fale sério. O que é isso, uma cena pra conseguir um acordo melhor? Um carro novo? Outra joia?" Ele gesticula vagamente pela cozinha. "O cartão black está na sua carteira. Vá comprar algo legal pra você. Falamos sobre isso mais tarde."

Ele pega um cartão de crédito preto do balcão, aquele sem limite, e o desliza em minha direção. É a solução dele para tudo. Uma transação. Assim como nosso casamento. Assim como eu.

"Eu não quero o seu dinheiro, Heitor."

Um bufo alto e desdenhoso vem da porta. Bernardo, nosso filho de dezessete anos, está encostado no batente, uma caixa de suco de laranja na mão. Seu cabelo é uma bagunça estilizada, igual ao do pai. Seus olhos, no entanto, são pura Carolina. Cruéis.

"Até parece", ele debocha, tomando um longo gole direto da caixa. "Você é uma interesseira, Alice. Todo mundo sabe. Você viveu às custas do meu pai por uma década. Por que parar agora?"

Meu peito se aperta, uma dor familiar. Eu criei esse menino. Eu o abracei quando ele tinha pesadelos, ensinei-o a amarrar os sapatos, torci mais alto que todos em seus jogos de futebol. Agora, ele me olha como se eu fosse algo que ele raspou da sola do sapato.

"Quanto antes você sair, melhor", Bernardo continua, o lábio torcido. "Mamãe vai voltar de vez. Não precisamos mais de uma substituta."

Eu não respondo. Discutir é como jogar pedras no vazio. Não há impacto, nem eco. Apenas silêncio.

Como se fosse uma deixa, seu irmão mais novo, Bruno, de quinze anos, passa correndo por ele e pega seu celular da base de carregamento. Ele nem sequer olha para mim. Ele abaixa a cabeça e sobe correndo a grande escadaria, mas não antes de eu ouvi-lo sussurrar urgentemente no receptor.

"Mãe? Você não vai acreditar. A Alice vai mesmo embora. Sim, ela acabou de dizer ao papai."

Há uma pausa. Quase consigo ouvir a voz deliciada e perfeitamente modulada de Carolina Ortega do outro lado.

"Não sei, ela parece séria desta vez", diz Bruno, sua voz um silvo conspiratório. "Ela é sempre tão fria e sem graça. Já estava na hora."

As palavras ficam no ar muito depois de ele ter ido. Fria e sem graça. Os rótulos que eles me deram, ensinados por sua mãe biológica, a famosa e descolada snowboarder que os abandonou por uma montanha e um contrato de patrocínio.

Até Maria, nossa governanta que está aqui há mais tempo que eu, me lança um olhar de pena enquanto limpa um balcão impecável. "Dona Alice", ela diz suavemente, seu sotaque nordestino carregado de preocupação. "O Sr. Montenegro é um bom homem. Os meninos... são só meninos. Eles não falam por mal. Esta é a sua casa."

Todos acham que eu deveria ser grata. O público, os funcionários, meu próprio marido. Grata pela cobertura, pelos jatos particulares, pela vida de esposa de um magnata do mercado imobiliário. Eles não veem a jaula. Eles só veem o banho de ouro.

Afasto-me da ilha, deixando o cartão de crédito e os papéis do divórcio onde estão. Sinto os olhos deles nas minhas costas, uma mistura de desprezo e confusão. Eles esperam que eu chore, que eu grite, que eu faça uma cena. Eles me viram fazer isso antes, nos primeiros anos, quando eu ainda achava que isso poderia ser uma família de verdade.

Mas eu não sou mais aquela mulher. Dez anos na família Montenegro me ensinaram a revestir meu coração com gelo.

Vou para o meu quarto — um espaço que sempre pareceu mais uma suíte de hotel do que um santuário — e fecho a porta. Pego meu celular pré-pago do fundo da minha caixa de joias, escondido sob camadas de diamantes que nunca uso. Meus dedos estão firmes enquanto disco o número que sei de cor.

Toca duas vezes.

"Sou eu", digo, minha voz mal passando de um sussurro.

Um silêncio longo e pesado do outro lado. Então, um suspiro. "Alice."

É a única voz nesta família que já teve um pingo de calor por mim. Golda Montenegro. Minha sogra. A arquiteta da minha jaula dourada.

"Os dez anos acabaram, Golda", afirmo, não como uma pergunta, mas como um fato. "Eu cumpri minha parte do acordo."

Olho pela janela para o panorama do Parque Ibirapuera, um mar de verde que observei por uma década, mas nunca vi de verdade.

"Minha irmã está viva e bem por sua causa", continuo, as palavras soando estranhas e formais na minha língua. "A dívida está paga. Eu terminei."

Outro silêncio, este mais curto, cheio de uma tensão que posso sentir zumbindo pelo telefone. Ela sabia que este dia chegaria. Nós duas sabíamos.

"Eu entendo", Golda diz finalmente. Sua voz é pragmática, como sempre, mas há uma rachadura nela, uma fissura de emoção que ela não consegue esconder completamente.

"Preciso da sua ajuda para sair. Ele não vai me deixar ir."

"Ele é um tolo", ela diz, as palavras afiadas e claras. "Quando?"

"Esta noite. Depois da festa de aniversário do Bernardo."

Há um som suave, engasgado, quase um soluço. "Você fez o seu melhor, Alice. Você realmente fez."

Você fez o seu melhor. A frase paira no ar. Heitor já disse isso, mas com pena, como se o meu melhor nunca fosse bom o suficiente. Carolina já disse isso, com um sorriso de escárnio, insinuando que meus esforços foram fúteis. Os meninos nunca disseram isso.

Mas ouvindo de Golda, parece diferente. Parece um reconhecimento. Uma validação dos anos que perdi, da alegria que sacrifiquei, da pessoa que apaguei para me tornar a Sra. Montenegro.

Eu não me arrependo. Minha irmã é professora agora, vivendo uma vida feliz e saudável que ela nunca teria tido sem o tratamento experimental que o dinheiro de Golda comprou. Meu sacrifício valeu a pena.

E porque eu fiz o meu melhor, porque eu dei tudo de mim, sair agora não parece um fracasso.

Parece libertação.

"Obrigada, Golda", sussurro, e desligo o telefone.

Abro a porta para descer, para suportar um último evento familiar, e quase bato em Bernardo. Ele está bem ali, com a mão levantada como se fosse bater.

Ele se encolhe, seus olhos arregalados com um lampejo de... algo. Pânico? Culpa? Desaparece tão rápido quanto aparece, substituído por seu habitual desprezo.

"O que você está fazendo, se escondendo no corredor?", ele dispara, a voz mais alta que o necessário.

"Este é o meu quarto", digo calmamente. "Eu estava saindo."

Ele me encara, a mandíbula tensa. "Olha, sobre a festa de hoje à noite... você tem que estar lá."

Eu levanto uma sobrancelha. Isso é novo. No último ano, minha presença em qualquer um dos eventos deles foi recebida com olhares carrancudos e exclusão explícita.

"Por quê?", pergunto, genuinamente confusa. "Você e o Bruno deixaram bem claro que preferiam que eu não existisse."

"Só... esteja lá", ele insiste, seus olhos desviando dos meus. "Papai quer que pareça que somos uma família perfeita. Para os convidados. Só faça isso, ok?"

Ele não espera por uma resposta. Ele se vira e sai pisando forte pelo corredor, me deixando com uma sensação fria e perturbadora no estômago.

Algo está errado.

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