Capa do Romance Quatro Para Uma

Quatro Para Uma

8.1 / 10.0
Maria Eduarda luta para transformar seu destino enquanto lida com o peso de uma mãe dependente química. Bolsista em uma instituição de prestígio, seus planos de estabilidade são abalados ao cruzar o caminho dos irmãos Gabriel, Daniel, Antonni e Adrian. O encontro com esse quarteto imprevisível mergulha sua rotina em um turbilhão de desordem. Esta obra explora um harém reverso intenso e sombrio, onde a busca por um novo recomeço se funde ao caos absoluto.

Quatro Para Uma Capítulo 1

ANTONNI

- Pronta para o seu primeiro dia, Angel? - perguntei em Língua de Sinais à minha irmã mais nova. Angel sorriu para mim sem nenhuma empolgação.

Angel sempre sofreu bullying no colégio por ser surda e muda. Sempre estávamos na porta da escola brigando com todos que mexiam com ela. Eu e meus irmãos fomos criados assim, para resolver tudo confrontando ou usando a violência.

Nós cuidamos da nossa irmã desde que ela era um bebê e somos muito apegados a ela. Quando ela entrou para a universidade, pensamos que o bullying fosse melhorar, mas continuou a mesma coisa.

- Sabe que não, né, An? Vai ser igual à última universidade! - ela disse em sinais.

-Não vai, desta vez quem te fizer mal vai lidar com nós quatro. Não importa se for homem ou mulher, vai sofrer do mesmo jeito! - respondi em sinais.

- Isso não vai adiantar, irmão. Vou sofrer bullying onde eu for. Só não me troque de universidade de novo, eu quero concluir meu curso. Não ligo para esses idiotas! - ela respondeu em sinais.

- Mas nós ligamos, e ninguém mais vai te ferir e sair impune, eu garanto!

- Vamos logo! - ela suspirou.

Eu a ajudei com a bengala que ela usava por ter um problema na perna e andar mancando um pouco, e descemos. Meus irmãos já estavam no carro, meu irmão gêmeo Adrian e seus outros irmãos, que também são um par de gêmeos mais velhos que nós, Gabriel e Daniel.

DANIEL

- Pegou tudo o que ela precisa, An? - perguntou Gabriel.

- Sim, Gab, ela pegou tudo, só não está animada! - Antonni abriu a porta do carro e Angel se acomodou.

- Também, depois de tudo o que ela passou na última universidade, foram mais cruéis do que no colégio. - Falei nervoso. Nem gosto de lembrar do tanto de gente que tivemos que bater para defender nossa irmã.

- Mas dessa vez não terá piedade. Quem fizer nossa irmãzinha sofrer vai sofrer o dobro! - disse Adrian.

- Fique tranquila, tudo vai ficar bem, irmã. - Falou Gab em língua de sinais.

- Vamos, eu quero acabar logo com isso, conhecer os idiotas que vão ficar me zoando. - Ela gesticulou.

- Não vamos mais permitir isso, Angel. Confia em seus irmãos. - Falou Adrian.

Antonni entrou no carro e Gabriel, que era o motorista de hoje, ligou o carro e partimos.

MARIA EDUARDA

Que saco, hoje era dia de prova na faculdade. Não que eu não tivesse estudado, mas sempre dava aquele nervosismo no dia de prova. Ainda mais para mim, que tinha uma média de notas para atingir para não perder a bolsa de estudos, que lutei tanto para conseguir.

Um ano de curso preparatório para o ENEM, mais a prova que era difícil, e ainda ter que me inscrever nos programas do governo para uma bolsa, até conseguir nesta universidade de "riquinhos", que era muito boa.

- Oi, gatinha, nervosa com a prova? - perguntou Fábio se aproximando.

- Um pouco, apenas. Eu estudei bastante. - Falei simpática.

- Como uma nerd pode ter essa aparência tão linda. - ele disse, tocando nos meus cabelos longos e vermelhos.

- Deixa de ser bobo, Fabinho! - falei, empurrando-o.

- Toma, comprei para você, sei que ama um chocolate, nerd linda! - ele me estendeu a barra de chocolate. Peguei sorrindo.

- Por isso te amo, Fabinho!

- Eu sei que me ama. Seu destino é casar comigo, nerd linda. - Ele disse e eu ri.

- Vai sonhando!

- Eu vou, se conforme! Preciso ir, tô atrasado. Boa prova, gatinha. - Ele falou e, quando foi correr, esbarrou em alguém. - Está cega, garota! - ele berrou para a menina, arregalando os olhos.

-Deixa de ser grosso, Fabinho. - Falei séria

- Não vai pedir desculpas não, garota? - ele falou bravo. A menina gesticulou assustada. - Está maluca?

- Ela está pedindo desculpas, só que na língua de sinais! - falei, olhando para a menina.

- Uma muda, era só o que faltava nessa universidade! - ele disse, em tom de deboche.

- Desculpa, garota, esse cara está agindo feito um idiota. - Falei em sinais com a menina, que estava bem assustada. Ajudei-a a pegar suas coisas do chão e sua bengala. - Você está bem?

- Nossa, você sabe língua de sinais, isso é raro! - ela me respondeu.

- Minha avó era surda e muda, então eu aprendi desde criança. - Expliquei a ela em gestos.

- Você é linda até fazendo esses sinais estranhos, Duda. - Fabinho falou e quase me beijou. Eu desviei. - Foge o quanto quiser, gatinha, você ainda vai ser minha namorada. - Fábio piscou para mim e se foi.

- Quer ajuda? É nova aqui, não é? - falei em sinais.

- Sim, eu sou. Estou perdida, estou cursando Administração.

- É meu curso também, vamos juntas. Eu sou a Maria Eduarda Fernandez. - Me apresentei gesticulando.

- Sou Angela Torres. - Ela se apresentou, e levei-a até a sala.

Sentei no lugar em que estava acostumada, e logo minha turma se juntou a mim.

A menina se sentou bem à nossa frente. Eu conversava com minhas amigas quando Amanda, a mais nojenta e metida, parou em frente à nova aluna e ficou encarando Angel. Amanda parecia que tinha parado no ensino médio, com suas atitudes infantis em relação a todos que a desagradassem.

- Por que está no meu lugar, nojenta? - ela falou irritada. A menina olhou para ela, confusa. - Sai daí, idiota.

- Ei, Amanda, aqui ninguém tem lugar fixo. Quem chega primeiro, senta! - eu falei, irritada também.

Detestava essa atitude dela. O mais revoltante era que ela enchia o saco de todos que não gostava, e ninguém fazia nada, como se fosse a dona da universidade.

- Cala a boca bolsista de merda. Eu tenho um lugar sim, e é onde esse ser esquisito está. - Falou arrogante.

- Cala a boca você ridícula. - Falei e vi a menina se levantar e sair. Eu a segurei. - Senta aqui! - Dei meu lugar para ela e fui sentar no fundo. Minhas amigas vieram atrás de mim.

- A Amanda vai encher o saco dessa menina agora que você a defendeu, tenho até dó. - Falou Júlia, minha amiga.

Amanda mantinha um ódio gratuito por mim. Nunca fiz nada a ela e ela me odeia.

- Eu que veja! Ela vai ver. Menina insuportável, não está contente com nada!

Gustavo entrou na sala, veio até mim e me beijou na boca. Ele tinha mania de fazer isso, coisa que eu detesto. Eu soquei o ombro dele de leve.

- Pare de fazer isso, ou eu vou te socar de verdade, idiota.

-Eu te amo, branca de neve ruiva. Você sabe disso. - Ele falou, se sentando à minha frente.

-Idiota! - resmunguei.

Ele tirou um presente da mochila e colocou na minha mesa.

- Para você, marrentinha!

- Não é só porque me dá presentes que te autorizo a me beijar. Se fizer de novo, vou te socar, já falei. - Continuei, séria.

- Ok, ok, abre! - eu abri, era um celular de última geração, novo.

- Aposenta esse museu que você tem nas mãos e salva meu contato como "amor da sua vida"

- Tá louco, eu não posso aceitar isso. - Falei devolvendo para ele.

Eu aceitava os presentes de alguns meninos que tinham o costume de me dar algo, mas um celular caro já é demais.

- Por que eu estou te dando. - Ele falou, sério. - Na boa, seu celular é um lixo, fica com esse e sem reclamar.

- Gustavo, eu não vou ser sua namorada só porque me dá presentes. - Fui logo falando.

- Eu sei, branca de neve ruiva, é só um presente, aceite.

Eu olhei para aquela caixa. Realmente, meu celular não era dos melhores, mas funcionava e isso era o que importava. Teria que esconder esse presente da minha mãe ou teria um grande problema.

- Está bem, obrigada. - Eu beijei o rosto dele, feliz.

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