Capítulo 2

Kevin

10 anos depois...

- Senhor... Digo, Kevin, seu pai disse que quer falar com vo... você. - Minha nova secretária, Violet, avisa. A antiga entrou em licença-maternidade, e sua auxiliar assumiu o cargo.

Não sou um daqueles empresários arrogantes que exigem formalidades o tempo todo. Claro, em reuniões formais, isso é indispensável, mas no dia a dia, odeio ser chamado de "senhor".

- Ele ainda está na empresa, Violet?

- Não, saiu há cerca de dez minutos. - Ela responde com confiança.

- Então falo com ele amanhã. Se houver qualquer emergência, pode me ligar.

- Certo. Até amanhã, Kevin. - Ela sorri.

- Até amanhã, Violet.

Pego meu blazer e me dirijo ao elevador. Assim que as portas se abrem, vejo Ashley prestes a sair. Instintivamente, me escondo atrás de uma pilastra. Violet me vê, arregalando os olhos, surpresa, e logo tenta segurar o riso. Faço um sinal de silêncio com o dedo e imploro com o olhar para que ela distraia Ashley. Violet, sempre eficiente, faz um leve aceno de cabeça e inicia uma conversa com Ashley.

Aproveito a deixa, sigo rapidamente para as escadas e, literalmente, fujo dela antes que perceba.

Enquanto desço as escadas apressado, um sorriso involuntário aparece no canto dos meus lábios. Fugir da Ashley virou praticamente um esporte, ela é linda, sem dúvida, muito gostosa. Mas é fútil demais. Não consigo aguentar dez minutos de conversa, imagine um casamento, como meu pai sugeriu uma vez.

O som dos meus passos ecoa no vão das escadas, e não consigo evitar pensar em como minha vida se tornou um jogo de esquivas. Fugir de compromissos indesejados, escapar de conversas vazias e, agora, fugir literalmente de uma mulher com quem meu pai insiste que devo me casar.

Ashley, com toda sua beleza impecável, seria o par perfeito... aos olhos da sociedade. Mas para mim, ela é apenas um reflexo de tudo o que eu não sou e, definitivamente, não quero para mim. Não quero nenhuma mulher, mas, se não tivesse escolha, escolheria uma inteligente, que gostasse das mesmas coisas que eu. Ashley está longe de ser essa mulher, ela é muito vazia, superficial, incapaz de manter uma conversa que vá além do preço da bolsa mais recente no mercado ou das férias em Paris... Meu pai parece cego a isso, o que ele quer é me usar para outra transação. Para ele, um casamento com Ashley seria a aliança ideal: "Duas famílias poderosas unidas." Para mim, seria uma prisão disfarçada de luxo.

Chego ao térreo e, abro a porta que dá acesso ao estacionamento. Respiro fundo, sentindo o alívio de, ao menos por hoje, escapar daquele destino que meu pai parece já ter planejado para mim. Meu celular vibra no bolso e, ao pegar, vejo uma mensagem de Davis:

"Tem uma boate nova inaugurando hoje, consegui open bar. Bora?"

"Com certeza. Passa o endereço e nos encontramos lá."

"Beleza, irmão. Te mando a localização quando chegar."

Sigo para o estacionamento, pego minha moto e vou direto para casa. Ainda preciso dar uma olhada em um contrato que esqueci de revisar esta manhã, estou preste a fechar mais um empreendimento na cidade vizinha. Após resolver tudo, tomo um banho e me preparo, pronto para ficar "cheiroso e lindão" para a noite.

Desde que Hanna desapareceu da minha vida sem explicações, eu nunca mais namorei. A dor foi insuportável na época, e desde então prometi que nunca mais deixaria ninguém entrar no meu coração da mesma forma.

Assim que recebo a localização de Davis, pego meu carro esportivo e dirijo em direção a mais uma noite de festa, disposto a enterrar qualquer vestígio de memórias antigas.

Capítulo 3

Kevin

Estou no piloto automático. Minhas mãos firmes no volante, os olhos fixos na estrada, mas a mente distante, presa em lembranças que nunca realmente partiram. A cidade lá fora parecia viva, iluminada pelas luzes da noite, mas dentro de mim, tudo estava envolto em uma escuridão que só eu conhecia.

Chego à boate, e o som ensurdecedor da música me atinge como uma onda, me puxando de volta para o presente. Estaciono o carro e saio, sentindo o frio da noite contra minha pele quente. Lá dentro, Davis me espera com aquele sorriso animado de sempre, pronto para mais uma noite de excessos e sex0. Mas, por mais que eu tente, não consigo me sentir animado. Na verdade, não consigo sentir nada.

A boate estava cheia, as luzes pulsantes na batida da música que tocava, o cheiro de álcool se misturava com perfume caro. Mulheres lançam olhares, algumas se aproximam, tocam meu braço, sorriem com promessas silenciosas de uma noite sem compromisso. Elas são lindas, cada uma delas. Mas são apenas rostos, corpos que me atraem por alguns segundos e depois desaparecem, como sombras no escuro.

Davis chega até mim com dois copos na mão, me entregando um.

- Aqui, irmão. Hoje é para esquecer o mundo. - Ele grita sobre a música, batendo o copo contra o meu.

Sorrio pensando ser exatamente o que quero fazer, mas não esquecer o mundo, e sim Hanna. Bebo o líquido âmbar de uma vez, sentindo descer queimando pela garganta.

"Esquecer. Se fosse tão fácil assim." - Penso enquanto peço mais uma dose.

- E aí, cara, fiquei sabendo que fugiu de Ashley de novo. - Ele diz rindo.

- Nem me fala, não sei mais como fugir dela, o pior é meu pai.

Enquanto a noite avança, a bebida ajuda a entorpecer os pensamentos, mas nem o álcool consegue apagar completamente as memórias de Hanna. Seus olhos azuis, seu sorriso... a maneira como ela me olhava, como se eu fosse tudo o que ela precisava. Por que ela foi embora? Por que me deixou sem nenhuma explicação? Essas perguntas nunca me abandonaram, e sei que provavelmente jamais serão respondidas.

Meus olhos vagam pelo lugar, tentando encontrar algo que me distraia, que me tire dessa espiral de pensamentos. É quando vejo uma mulher do outro lado do bar. Algo nela me faz parar. Ela não é como as outras, não é como as mulheres que passam a noite inteira se exibindo, buscando atenção. Ela parece distante, como se estivesse aqui, mas sua mente estivesse em outro lugar, assim como a minha.

Nossos olhares se encontram por um momento, e por algum motivo que não consigo explicar, sinto uma pontada no peito. De repente, a sensação de controle que eu tinha sobre meus sentimentos, sobre meu isolamento, começa a escorregar pelos meus dedos.

Davis se aproxima novamente, animado e já alterado pela bebida.

- Kevin, vem cá! As garotas querem conhecer você. - Ele ri, puxando meu braço.

Eu o sigo, mas minha mente permanece naquele olhar distante, naquela mulher que me parecia tão familiar. Algo nela, o jeito que ela me olhou, me fez sentir vulnerável de novo, como se estivesse abrindo velhas feridas que eu achava terem cicatrizado. O que isso significa? Talvez nada... ou será que poderia ser? Não pode ser... Hanna? Meu coração dispara, e uma sensação que não consigo nomear toma conta de mim. Largo o braço de Davis abruptamente e volto alguns passos, os olhos fixos no lugar onde ela estava.

Mas ela já não está mais lá.

O pânico começa a crescer em meu peito, e eu começo a varrer o local com os olhos, desesperado, como se estivesse procurando um fantasma. Será que era ela? A possibilidade me consome. Olho ao redor, mas não consigo vê-la em meio à multidão, às luzes piscantes, à fumaça densa. Minha respiração fica mais pesada, e uma voz na minha cabeça começa a gritar que talvez, só talvez, eu tenha acabado de ver Hanna, a mulher que destruiu tudo em mim.

Será que minha mente está pregando peças? Ou será que ela realmente estava aqui? Essa dúvida começa a me corroer por dentro, a mesma dúvida que me atormenta desde o dia em que ela desapareceu da minha vida sem deixar rastro.

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED