Capa do Romance Peão no Jogo de Amor Perverso Deles

Peão no Jogo de Amor Perverso Deles

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Bolsista exemplar, vi minha vida ruir após um vídeo falso orquestrado pelo meu namorado, Bruno, para favorecer sua amiga Kennya. O choque maior foi descobrir que, por dois anos, fui enganada por seu gêmeo, Henrique, que assumia o lugar do irmão no escuro. Rejeitada pela família e exilada em Lisboa, percebi que fui apenas um peão no jogo perverso deles. Agora, alimentada pela traição de quem amava, juro retornar para buscar vingança contra todos que tentaram me destruir.

Peão no Jogo de Amor Perverso Deles Capítulo 1

Eu era a bolsista com média 10, namorando o intocável Bruno Ayres. Meu sonho de ganhar a Bolsa Centenário estava a apenas uma entrevista de distância.

Então, um vídeo deepfake com o meu rosto destruiu minha vida da noite para o dia. A bolsa de estudos se foi e, de repente, eu era a garota do vídeo.

Corri para pedir ajuda a Bruno, apenas para ouvir a verdade horrível por trás de uma cerca-viva. Ele tinha orquestrado tudo para dar a bolsa à sua amiga de infância, Kennya.

Mas o golpe mais cruel foi o segundo segredo. Por dois anos, o homem apaixonado que vinha até mim no escuro não era meu namorado.

Era seu irmão gêmeo idêntico, Henrique. Eu era apenas um peão no jogo doentio deles — um corpo para Henrique usar enquanto Bruno se mantinha "puro" para a mulher que ambos amavam.

Quando liguei para meus pais, eles não perguntaram se eu estava bem. Eles me renegaram por envergonhar a família e me compraram uma passagem só de ida para Lisboa.

Traída, usada e descartada por todos em quem confiava, eu peguei o voo. Mas enquanto as luzes da cidade desapareciam lá embaixo, eu fiz uma promessa. Um dia, eu voltaria. E eles se arrependeriam de ter pensado que poderiam me destruir.

Capítulo 1

POV de Alina Gomes:

O vídeo que destruiu minha vida tinha meu rosto, minha voz e meu corpo. A única coisa que não tinha era eu.

Ele surgiu numa segunda-feira de manhã, espalhando-se pelos servidores da Universidade Atlântida como um vírus. Ao meio-dia, o comitê da Bolsa Centenário me enviou um e-mail seco e formal, cancelando minha entrevista final. Meu sonho, aquele pelo qual eu dei meu sangue, o ápice de toda a minha existência como a prodígio perfeita, brilhante e de classe trabalhadora, evaporou com um único clique.

Meu mundo, antes uma torre de marfim imaculada de conquistas acadêmicas, era agora um esgoto público. Sussurros me seguiam pelos caminhos bem cuidados do campus. Olhares, antes cheios de admiração, agora continham uma mistura de pena e nojo. Eu não era mais Alina Gomes, a bolsista com média 10. Eu era a garota do vídeo.

Eu precisava encontrá-lo. Precisava encontrar o Bruno. Ele consertaria isso. Ele tinha que consertar.

Corri para o santuário da família Ayres no campus, a exclusiva República Ômega, um lugar tão mergulhado em dinheiro antigo que parecia repelir o próprio ar que eu respirava. Fui recebida por um membro da república com cara de pedra que me olhou como se eu fosse algo que ele tinha raspado do sapato. Ele me apontou para o jardim dos fundos.

Foi lá que os ouvi. Suas vozes flutuavam de trás de uma cerca-viva perfeitamente esculpida, carregadas com a crueldade casual da elite intocável.

"Sinceramente, Bruno, foi uma obra-prima", uma voz arrastada disse. Pertencia a Kennya Kaufman, a socialite linda e ambiciosa que era a sombra de Bruno desde que usavam fraldas. "O jeito que ela parecia tão... vulgar. Ninguém jamais suspeitaria que era um deepfake. O comitê da Bolsa praticamente tropeçou em si mesmo para descartá-la."

Meu sangue gelou. Eu me pressionei contra a cerca-viva, as folhas arranhando minha bochecha.

A voz de Bruno, geralmente tão calma e contida, estava carregada de uma satisfação arrepiante. "Ela foi um sacrifício necessário, Kennya. A bolsa sempre foi para você. Eu te disse que resolveria."

"Você resolveu", ela arrulhou. "Mas ter o Henrique cuidando da parte... física? Absolutamente brilhante. Manteve você puro para mim."

Uma terceira voz, uma que eu conhecia com uma intimidade aterrorizante, riu. Era um som descuidado, hedonista. Henrique Ayres. O irmão gêmeo idêntico de Bruno, o "bad boy" impulsivo e artístico em contraste com o prodígio polido que era Bruno. "Sinceramente, eu te fiz um favor, mano. Te mantive puro para sua princesinha enquanto eu brincava com a bolsista. Ela não é ruim de cama, a propósito. Um pouco ingênua, mas ansiosa para agradar."

O mundo girou.

O ar em meus pulmões se transformou em vidro, quebrando a cada respiração superficial. Uma onda de náusea tão forte que tive que tapar a boca com a mão para não vomitar ali mesmo, nos canteiros de flores imaculados.

"Ela realmente acreditou que era você por dois anos inteiros", continuou Henrique, seu tom pingando diversão. "Essa é a melhor parte. Tive que me transferir da minha faculdade de artes em Lisboa só para esse joguinho. Valeu totalmente a pena."

"Foi tudo por você, Kennya", disse Bruno, sua voz suavizando para um tom que eu nunca, nem uma vez, o ouvi usar comigo. "Tudo o que eu faço é por você."

"Eu sei", ela sussurrou, sua voz densa de triunfo. "E agora, nada fica no nosso caminho."

Meu corpo começou a tremer incontrolavelmente. A base da minha vida, a própria realidade que eu habitei nos últimos dois anos, se desfez em pó.

Era tudo uma mentira.

Eu tropecei para trás, minhas pernas parecendo feitas de água. As memórias, antes tão preciosas, agora passavam pela minha mente como cenas de um filme de terror, cada uma uma nova facada de traição.

Lembrei-me da primeira vez que vi Bruno Ayres. Ele estava parado na escadaria da biblioteca, o sol de outono brilhando em seus cabelos escuros. Ele era lindo, inatingível, um deus entre os mortais no mundo da Atlântida. Ele era o herdeiro da fortuna do Grupo Ayres, uma lenda da faculdade de administração que tratava a todos com uma polidez fria e distante. Todos, exceto Kennya Kaufman. Com ela, ele era diferente. Mais suave.

Eu não era nada. Uma filha de imigrantes de um apartamento apertado na Zona Leste, aqui graças à caridade de uma bolsa de estudos. Eu sabia o meu lugar. Mantive a cabeça baixa, enterrada nos livros, meu futuro um ponto de luz único e ofuscante: a Europa. A Bolsa Centenário.

Então, as coisas começaram a acontecer. "Coincidências." Fomos designados como parceiros em um projeto. Ele aparecia na mesma cafeteria. Começou a me acompanhar até meu dormitório. Ele era reservado, quase tímido durante o dia, um contraste gritante com os rumores sobre os gêmeos Ayres selvagens.

Uma noite chuvosa, sob o brilho suave de um poste do campus, ele me parou. "Alina", ele disse, sua voz baixa. "Eu não consigo parar de pensar em você."

Meu coração, que esteve adormecido por vinte anos, explodiu no meu peito. Eu, Alina Gomes, estava sendo notada por Bruno Ayres. Eu disse sim antes mesmo que ele pudesse terminar de me pedir em namoro.

Nosso relacionamento era... estranho. Durante o dia, em público, ele era o mesmo Bruno. Distante, impecavelmente educado, seus toques fugazes. Mas à noite, na privacidade do flat fora do campus que ele insistiu em alugar para nós, ele era uma pessoa completamente diferente. Apaixonado. Exigente. Quase selvagem. Suas mãos conheciam meu corpo com a confiança de um artista, sua boca era um turbilhão de sensações de tirar o fôlego. Ele sussurrava coisas no escuro, sua voz mais rouca, mais áspera que seu tom diurno.

Eu atribuí isso à sua criação. Ele era uma pessoa reservada, eu dizia a mim mesma. Ele não gostava de demonstrações públicas de afeto. A pressão do nome de sua família o tornava cauteloso. Inventei cem desculpas, mil justificativas, porque estava desesperadamente apaixonada pela mentira.

Agora, parada atrás daquela cerca-viva, a verdade desabou sobre mim com a força de um golpe físico.

O homem que eu via durante o dia, com quem eu tinha debates intelectuais, aquele que revisou minha tese, era Bruno.

O homem que vinha até mim no escuro, cujo corpo eu conhecia tão bem quanto o meu, a quem eu dei meu primeiro tudo... era Henrique.

Eu não era uma namorada. Eu era um projeto. Um peão em um jogo cruel projetado para garantir uma bolsa de estudos para a mulher que ambos amavam. Eu era um corpo substituto para Henrique usar enquanto ele era obcecado por Kennya, e um alvo para Bruno destruir.

Um único soluço sufocado escapou dos meus lábios. Bati a mão na boca, meus nós dos dedos cravando nos dentes.

Eu tinha que fugir.

Virei-me e corri, meus pés batendo contra o caminho de pedra, cada passo um eco do meu coração partido. Eu não sabia para onde estava indo. Só sabia que não conseguia respirar.

Meu telefone tocou, estridente e insistente. Era minha mãe. Eu me atrapalhei para atender, desesperada por uma tábua de salvação.

"Alessia", ela disse, sua voz tensa de fúria. Ela só usava meu nome completo quando estava realmente zangada. "Seu pai e eu acabamos de ver. O vídeo. Como você pôde? Depois de tudo o que sacrificamos por você, como pôde trazer essa desgraça para nossa família?"

"Mãe, não é real", eu ofeguei, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. "Foi uma armação. É falso."

"Falso? Você acha que alguém vai acreditar nisso?", ela gritou. "Nossos vizinhos estão cochichando. Seus primos estão ligando. Nosso nome está na lama por sua causa! Você nos envergonhou!"

Não havia preocupação. Nenhuma pergunta se eu estava bem. Apenas vergonha. Culpa. O mesmo amor frio e transacional que eu passei a vida inteira tentando conquistar. Passei anos sendo a filha perfeita, o troféu acadêmico, tudo para ganhar a aprovação deles. E na minha hora mais sombria, tudo o que eles viam era sua própria reputação manchada.

"Nós compramos uma passagem para você para Lisboa", a voz do meu pai interrompeu, fria e final. "Você vai para a casa da sua tia. Ficará lá até que este escândalo se acalme. Não entre em contato conosco. Não podemos ter essa vergonha ligada a nós."

A linha ficou muda.

Eu estava parada no meio do campus, o mundo se turvando ao meu redor. Traída pelo meu amor, usada por seu irmão, descartada pela minha própria família. Eu estava total e completamente sozinha.

Uma dormência fria e dura se instalou sobre mim, extinguindo o fogo da minha dor.

Eles me baniram.

Mas eu seria aquela que nunca olharia para trás.

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