Capa do Romance Pacto com o Bilionário

Pacto com o Bilionário

8.3 / 10.0
Após ser traída pelo noivo e pela própria família, Helena vê sua vida ruir. Para recuperar o que é seu e se vingar, ela propõe um casamento por contrato a Arthur Valente, um bilionário implacável que precisa de uma esposa para consolidar seu império. O pacto é puramente comercial, proibindo qualquer emoção. Contudo, na intimidade da convivência, Helena percebe que o maior risco não é o plano de vingança, mas a atração pelo homem que prometeu jamais abrir o coração.

Pacto com o Bilionário Capítulo 1

O Preço da Traição

​O sexto sentido de uma mulher raramente falha, mas Helena tentou ignorá-lo o dia inteiro. Uma queimação incômoda no estômago a acompanhava desde o início da manhã, quando Marcos mal olhou em seus olhos ao sair de casa, alegando que precisava resolver "detalhes de última hora" do casamento no hotel onde os convidados de fora ficariam hospedados.

​Eles se casariam no dia seguinte. O vestido de noiva, um modelo deslumbrante de renda francesa, já estava pendurado em seu closet. A igreja estava decorada, os convidados confirma-dos. Helena deveria estar radiante, mas a sensação de que algo estava terrivelmente errado a sufocava.

​Para espantar os pensamentos ruins, decidiu fazer uma surpresa. Comprou a gravata de seda que Marcos tanto queria e dirigiu até o hotel de luxo no centro da cidade. Ela tinha o cartão de acesso da suíte dele. Enquanto subia pelo elevador panorâmico, Helena olhava para o próprio reflexo no espelho, tentando sorrir. "É apenas a ansiedade pré-casamento", repetiu para si mesma, segurando a sacola da grife contra o peito.

​Ao chegar ao corredor do décimo andar, o silêncio era quase sepulcral, quebrado apenas pelo som abafado de seus próprios saltos no carpete grosso. Quando se aproximou da porta da suíte 1004, notou que ela não estava completamente fechada. Uma fresta de luz escapava para o corredor.

​Helena franziu a testa. Antes que pudesse empurrar a porta, um som vindo lá de dentro a fez congelar.

​Uma risada feminina, manhosa e estridente. Uma risada que Helena conhecia desde a infância.

​Letícia.

​O coração de Helena despencou no peito, batendo tão forte que ela sentiu o eco nos ouvidos. Suas pernas pareceram perder as forças, mas um impulso masoquista e doloroso a empurrou para frente. Com os dedos trêmulos, ela empurrou a porta de madeira pesada milímetro por milímetro, sem fazer barulho.

​A cena que se revelou diante de seus olhos foi como uma facada em câmera lenta.

​Jogada no chão da antessala, de forma desleixada, estava a echarpe rosa-bebê que Helena tinha comprado pessoalmente para Letícia usar como madrinha. E mais adiante, na cama de casal desfeita, os dois corpos se moviam sem qualquer pudor.

​- Ah, Marcos... vai mais rápido. Imagine se a santinha da minha prima aparece aqui agora? - Letícia arqueou as costas, jogando os cabelos loiros para trás, exibindo um sorriso carregado de puro deboche e malícia.

​Marcos soltou uma risada rouca, segurando a cintura dela com força, os olhos cheios de uma luxúria que Helena nunca tinha visto nele em três anos de namoro.

​- Helena é sonsa demais para desconfiar de qualquer coisa, meu amor - Marcos respondeu, a voz ofegante e desdenhosa. - Amanhã eu me caso com o dinheiro da família dela, e nós dois continuamos nos divertindo com a conta bancária bem cheia. Ela serve para assinar os cheques e manter as aparências para o velho avô dela. Você é a única que me dá prazer de verdade.

​O mundo ao redor de Helena desmoronou em estilhaços. A dor física da traição foi tão intensa que ela precisou tapar a própria boca com a mão para não soltar um grito de agonia. Aquela era a sua prima. A menina que Helena tinha acolhido em sua casa quando os tios faliram. A pessoa com quem ela dividiu segredos, roupas e sonhos. E Marcos... o homem com quem ela planejava construir uma vida, que jurava amá-la todas as noites. Tudo não passava de uma farsa nojenta para roubar sua herança.

​Lágrimas quentes e pesadas começaram a rolar pelo rosto de Helena. O nó em sua garganta ameaçava sufocá-la. Por um segundo, a vontade foi de empurrar a porta, gritar, chorar e quebrar tudo naquele quarto.

​Mas então, algo mudou dentro dela.

​Ao ouvir Marcos mencionar o dinheiro de seu avô, uma chave virou na mente de Helena. O calor da tristeza evaporou, sendo substituído por um gelo cortante e implacável. A inocente e ingênua Helena morreu naquele tapete de hotel. O que sobrou foi uma mulher ferida, mas perigosamente lúcida. Chorar não resolveria nada. Ela queria destruí-los.

​Com as mãos agora firmes, impulsionadas pelo ódio puro, ela puxou o celular do bolso. Ativou a câmera no modo de vídeo e focou através da fresta da porta. Gravou cada segundo da traição, cada palavra nojenta sobre o dinheiro de sua família, cada gemido de Letícia. Foram os trinta segundos mais longos e torturantes de sua vida, mas ela não desviou o olhar. Guardou a prova que precisava.

​Helena guardou o aparelho, deu as costas e caminhou pelo corredor com a postura ereta. Ela não daria o gostinho do confronto a eles ali, de forma desorganizada. A exposição seria pública. A humilhação seria completa.

​No entanto, havia um problema gigantesco. O avô de Helena, o patriarca da família e presidente do Grupo Antunes, estava internado em estado grave. Ele era um homem extremamente tradicionalista. Se Helena simplesmente cancelasse o casamento na véspera, o escândalo abalaria a saúde do velho e, pior: pelo testamento, caso Helena não se casasse até os 25 anos - idade que completaria em dois dias -, o controle das ações da empresa passaria automaticamente para o pai de Letícia, o tio ganancioso que arquitetou tudo por trás dos panos.

​Marcos tinha razão em uma coisa: eles precisavam do casamento pelo dinheiro. Mas Helena não ia permitir. Ela precisava de um noivo. Um noivo poderoso o suficiente para fazer Marcos e Letícia engolirem o próprio veneno.

​Ao descer para o saguão luxuoso do hotel, Helena tentava acalmar as batidas do coração quando um alvoroço na entrada chamou sua atenção. Vários fotógrafos e jornalistas tentavam ultrapassar a barreira de segurança, os flashes espocavam freneticamente.

​Quatro seguranças imensos de terno preto abriram caminho, e por entre eles passou um homem que parecia congelar o próprio ar ao redor.

​Arthur Valente.

​O herdeiro e CEO do império Valente. Ele era o homem mais temido, recluso e podre de rico do país. Lindo de uma forma quase cruel, com maxilar marcado, ombros largos sob um terno sob medida cinza-chumbo, e olhos cor de tempestade que ignoravam a existência de qualquer ser humano ali.

​Antes que a razão pudesse impedi-la, Helena deu um passo à frente, quebrando o cordão de isolamento. Ela se postou exatamente no caminho de Arthur Valente.

Algo passou pela mente de Helena, e ela tomada pelo desejo de vingança tinha que falar com ele.

​Os seguranças avançaram imediatamente para segurá-la, mas Helena ergueu as mãos, mantendo os olhos fixos nos dele, e falou alto o suficiente para ele ouvir, mas sem dar escândalo:

​- Senhor Valente! Por favor, preciso de dois minutos em particular com o senhor. É sobre um assunto do seu extremo interesse.

​Arthur parou por um breve segundo. Ele olhou para Helena de cima a baixo. Viu os olhos vermelhos do choro recente, o cabelo levemente desalinhado pelo desespero e a respiração arquejada. Para ele, ela parecia apenas mais uma mulher desesperada ou uma golpista tentando chamar atenção.

​Um estalo de desdém cruzou o rosto do bilionário.

​- Eu não tenho tempo para loucas. Tirem essa mulher da minha frente - a voz de Arthur ecoou, fria, rouca e cortante como uma lâmina.

​Os seguranças a seguraram com força pelos braços, começando a arrastá-la para trás. Os jornalistas começaram a apontar as câmeras. Helena sentiu a humilhação queimar, mas ela não podia desistir. Se fosse expulsa dali, a prima e o noivo venceriam.

​- O casamento de amanhã! - Helena gritou, lutando contra o aperto dos seguranças, mas mantendo a voz firme e focada apenas nele. - Eu sei que o senhor precisa de uma esposa estável. E eu tenho um casamento pronto para amanhã de manhã! Igreja, mídia, convidados, tudo pago. Só falta o noivo. Se o senhor quer um negócio limpo e rápido, eu sou a sua única saída!

​Arthur congelou no meio do saguão.

​A menção à necessidade de uma esposa estável, o lembrou da reunião de segunda-feira e fez o sangue do bilionário correr frio. A assessoria dele estava cobrindo aquilo sob sigilo absoluto, mas aquela mulher, do nada, tinha juntado os pontos com uma precisão cirúrgica.

​Lentamente, Arthur se virou. O silêncio no saguão era tão denso que se podia ouvir a respiração de Helena. Ele caminhou de volta até ela. Os seguranças a soltaram imediatamente.

​Arthur parou a poucos centímetros de Helena, sua estatura imensa fazendo sombra sobre ela. Ele inclinou o rosto, os olhos cinzentos faiscando com uma mistura de perigo e uma curiosidade relutante.

​- Você tem exatamente trinta segundos para entrar naquele carro antes que eu decida se coloco você na cadeia ou em um hospício, senhorita...

​- Helena - ela respondeu, ajeitando a postura e limpando a última lágrima rebelde do rosto. - Meu nome é Helena Antunes. E eu garanto que sou o melhor negócio que o senhor fará na vida.

​Arthur deu as costas e caminhou em direção à limousine preta blindada. Helena respirou fundo e o seguiu. O jogo havia começado.

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