Capítulo 2

O clima de Campos do Jordão é reconhecido internacionalmente como um dos melhores do mundo. A cidade está localizada entre as capitais de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Na alta temporada, a suíça brasileira como é conhecida, chega a receber mais de um milhão de turistas.

Sandro Menotti era o dono de uma da mais linda fazenda, próximo a Campos do Jordão.

A fazenda Pedra Maior tinha sido lindamente construída. A sede da fazenda era um casarão colonial, com sala de estar e jantar, oito quartos, banheiro, cozinha grande, e um porão, com uma sala e quarto, lareira e adega. Na parte externa, o casarão tinha um belo jardim, piscina, sauna, salão de festas, a casa do caseiro, que ficava a alguns metros dali, as belas nascentes de água, lagos e rios, as matas com suas trilhas convidativas para um passeio á natureza.

Dali do casarão se tinha uma vista maravilhosa da Pedra do Baú. Pedra do Baú é uma enorme formação rochosa, com três rochas, a maior e mais alta pedra com 1.950 metros de altitude, o Bauzinho com 1.760 metros, e a Ana Chata com 1.670 metros de altitude. As duas últimas são localizadas ao redor da principal.

Antes de perder as suas forças e ir parar naquela cama, Sandro, da janela do seu quarto sempre observava a pedra do baú, que enchia os seus olhos, e acalmava o seu coração, quando ele se lembrava da filha Camila, que a esposa havia levado junto com ela, quando havia fugido com outro homem.

Naquele momento, sobre a cama, com a aparência nada boa para um homem de quarenta e sete anos, Sandro desejava ter forças novamente, para chegar até a janela e olhar para a Pedra do Baú, e lembrar-se do dia em que ele era jovem, galgou a escada de ferro, fixada na rocha e alcançou o topo, local de onde se tinha uma visão espetacular de boa parte da serra de Campos de Jordão e as belas montanhas de Minas Gerais.

Uma leve batida na porta despertou Sandro do seu sono perturbado por dores.

Um rapaz alto, de olhos verdes, de aproximadamente uns trinta anos, entrou.

— Doutor Augusto...

Doutor Augusto era advogado de Sandro, e era ele que estava encarregado de encontrar a filha.

— Doutor Augusto, você tem que encontrar a minha filha, eu não posso morrer, sem antes vê-la. Ela tem que saber que ela é a minha única herdeira!

— Eu vou encontrá-la, senhor Sandro, não se preocupe. Já coloquei dois detetives para isso.

Augusto se afastou um pouco da cama, desejando falar mais alguma coisa, não aguentando, ele voltou-se para perto da cama e disse:

— E Felipe, Sandro? Você acha justo não deixar nada para ele? Ele é seu irmão!

Sandro, mesmo doente, fica com raiva, agitado sobre a cama.

— Ele é meu meio-irmão, um bastardo! E além de ser um bastardo, é um assassino!

— Felipe não matou o filho de Glauber, ele foi condenado injustamente! Ele está saindo em liberdade condicional, e vai provar isso, e eu... Eu vou ajudá-lo.

— Pensei um pouco, e quero que acrescente uma cláusula em meu testamento.

— Cláusula? Que tipo de cláusula? – Augusto reage surpreso.

— Se dentro de dois anos após a minha morte, se você não encontrar a minha filha Felipe herda tudo! E se por azar a minha filha também estiver morta, mesmo contra a minha vontade, Felipe herda tudo!

— Você sabe muito bem que a sua filha não está morta, e que ela vai ser encontrada, por isso quer acrescentar essa cláusula, ou seja, Felipe não vai receber nenhum centavo do seu dinheiro.

— Fico feliz que ele não receba nada! Eu o desprezo! – disse Sandro, cheio de ódio.

Capítulo 3

Um rapaz alto, loiro de olhos azuis, atravessou o portão do presídio que acabara de se abrir para ele. Eram oito horas da manhã, e um frio envolvia aquele lugar. Um vento agitou os seus cabelos, que estavam um pouco grande, chegando até o colarinho da camisa azul que ele usava naquele momento.

Felipe era um rapaz bonito de vinte e cinco anos, atlético, de musculatura rígida, que ele não deixou perder durante o tempo em que esteve preso. Fazia sempre ginástica no presídio para manter a forma. Ele olhou para o céu naquele momento, respirando fundo, e soltando devagarzinho o ar de seus pulmões, e agradecendo a Deus pela liberdade. Deixou a mochila no chão e abriu os olhos, olhando para o céu, girando, sentindo o efeito da liberdade.

Um carro parou do outro lado da rua, e uma mulher alta, de cabelos negros desceu. O impacto em vê-la, fez Felipe parar de girar e seus olhares se encontraram.

Mas o seu olhar para ela, não era um olhar doce e nem suave, era um olhar frio, com mágoa e ressentimento.

— Eva...

— Não me olhe desse jeito pelo amor de Deus... Eu fiquei sem chão quando você foi condenado, não tiver forças para aguentar, e Glauber me estendeu a mão...

— Como você quer que eu a olhe, depois de ter me abandonado nesse lugar e ter... E ainda por cima ter se casado com outro? Você se casou com o homem que fez de tudo para que eu fosse condenado! Eu fui condenado por um crime que eu não cometi! Abandonou-me nesse lugar, casou-se com outro, e ainda por cima teve um filho com ele!

O desprezo por Eva era evidente em seu olhar.

— Eu te amo, Felipe, eu nunca te esqueci... Foi besteira o que eu fiz, eu sei... – ela estendeu a mão para tocar o seu rosto, mas ele se afastou bruscamente.

— Me ama tanto, que se casou com outro, assim que me enfiaram nesse inferno! – disse ele, agitando os braços em direção ao presídio. – Mas uma coisa eu lhe digo, eu vou descobrir quem matou Max.

Dizendo isto, ele colocou a mochila nas costas e começou a andar, ignorando por completo Eva.

— Vai voltar para Campos do Jordão, para a fazenda do seu irmão?

— Se vou ou não, isso não é problema seu.

— Eu levo você.

— Não... Obrigado, vá cuidar do seu marido e do seu filho...

As lágrimas começaram a descer pelo rosto de Eva...

— Seu irmão está morrendo, sabia?

Felipe virou-se para ela, com ar preocupado.

— Durante esse tempo todo que eu estive nesse lugar, ele nunca veio me ver, afinal eu sou o fruto do pecado, sou um bastardo que ele odeia e despreza!

Um carro parou ao lado de Felipe, o vidro foi aberto automaticamente e Augusto com um sorriso, perguntou:

— Quer uma carona, amigo?

Felipe sorriu, abrindo a porta do carro, e entrou.

— Ela veio... – disse Augusto.

— Quero distância dessa mulher...

— Se quiser ficar em minha casa, você sabe que as portas estarão sempre abertas para você.

— Obrigado, meu amigo, mas por enquanto eu resolvi ficar em Pedra Maior, mesmo sabendo que não serei bem recebido pelo meu irmão.

Augusto arrancou com o carro, Eva ficou para trás, e tornou-se mais distante, quando ele pisou fundo no acelerador.

— Eu não concordo com o jeito que Sandro trata você. Eu sou contra mais ainda ele se negar a deixar parte da fortuna dele você. Sabia que ele quer que encontremos a filha dele a qualquer custo? Ele não quer morrer, sem antes vê-la. Ele fez o testamento, deixando tudo para ela... Deixou uma pequena cláusula, dizendo que se Camila não for encontrada dentro de dois anos após a sua morte, ou se ela por azar, estiver morta, aí sim toda a fortuna dele fica para você. Mas eu tenho quase certeza de que a moça está viva, e que vamos conseguir encontrá-la, ou seja, você não herda nada!

— Eu não quero o dinheiro dele, Augusto. Que Camila faça bom proveito da grana do pai.

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