Capa do Romance O Preço da Traição e Sua Vingança

O Preço da Traição e Sua Vingança

8.7 / 10.0
Com meses de vida e uma doença cardíaca causada por salvar o marido, Fabrício, a protagonista descobre a traição dele com Pâmela. Após ser humilhada e forçada a entregar a joia mágica que a mantinha viva para salvar o filho da amante, ela morre sob o olhar cruel do esposo. Arrependido, ele usa um ritual proibido para ressuscitá-la, sacrificando a própria alma. Porém, quem desperta não é a esposa frágil, mas uma rainha poderosa e implacável focada em vingança.

O Preço da Traição e Sua Vingança Capítulo 1

Fui diagnosticada com uma doença terminal, com apenas três meses de vida. No mesmo dia, descobri que meu marido, Fabrício, estava me traindo com seu primeiro amor, Pâmela.

Ela me enviou uma foto dos dois juntos, com a legenda: "Para algumas, o passado volta para ficar. Para outras, o futuro nunca chega."

Eu o salvei de um sequestro, lutei por ele e, para protegê-lo, recebi o golpe que me deixou com uma doença cardíaca incurável. Ele me prometeu amor eterno, mas pelas costas, ria de mim com seus sócios, me chamando de "um peso" e "frágil demais".

Pâmela ficou grávida. Para "salvar" o filho deles, Fabrício me implorou para que eu entregasse a ela a "Coração do Oceano", a pulseira mágica que me mantinha viva.

Eu entreguei.

Ele me observou morrer, e depois, em sua loucura, sacrificou a própria alma e poder em um ritual proibido para me ressuscitar.

Mas, ao abrir os olhos novamente, a mulher que ele amava havia desaparecido para sempre. Em seu lugar, renasceu uma rainha, com todo o poder que ele perdeu. E minha vingança estava apenas começando.

Capítulo 1

Íris Lisboa POV:

Minha morte foi anunciada como uma sentença, não como um diagnóstico. Três meses.

As palavras do Dr. Almeida ecoaram na sala fria, cada sílaba martelando a última esperança que eu secretamente guardava. "Íris, sinto muito. A condição do seu coração... é terminal."

Minha garganta apertou, mas nenhuma lágrima caiu. Eu já tinha derramado todas elas ao longo do último ano, quando cada tratamento falhava, quando cada promessa de melhora se desfazia no ar.

Cinco anos atrás, em um borrão de metal retorcido e dor lancinante, eu o salvei. Fabrício.

Joguei meu corpo na frente do dele, absorvendo o impacto que deveria ter sido o fim. Aquele acidente de carro não foi apenas um evento; foi a forja onde nosso destino se encontrou, e o meu, selado.

A lesão cardíaca, inicialmente um murmúrio distante, tornou-se um grito ensurdecedor. Nos últimos doze meses, ela havia me consumido, a cada batida errática do meu coração roubando um pedaço da minha vida.

Levantei-me da cadeira, o chão parecendo girar levemente sob meus pés frágeis.

"Íris, você precisa descansar," o Dr. Almeida disse, a voz embargada.

Eu apenas balancei a cabeça, pegando minha bolsa. Ao sair do consultório, meu polegar automaticamente deslizou sobre a tela do meu celular. A foto de Fabrício e eu, sorrindo em um dia ensolarado, preencheu a tela. Seu braço forte em volta da minha cintura, nossos olhos brilhando. Uma memória que agora parecia pertencer a outra vida.

O cheiro reconfortante de baunilha e chocolate me abraçou quando entrei na minha cozinha. A bancada de mármore brilhava sob a luz suave. Era o nosso quinto aniversário do acidente, o dia que Fabrício sempre disse que nos uniu de verdade.

Decidi fazer o jantar mais especial de todos os tempos.

Cada prato era um fragmento da nossa história. O risoto de cogumelos, o primeiro que ele me ensinou a fazer. O salmão assado com aspargos, o que comemos no nosso primeiro Natal juntos. E, claro, a torta de limão, a sobremesa que o fez se apaixonar pelo meu talento de confeiteira.

Enquanto arrumava os talheres na mesa de jantar, minhas mãos tremeram. A faca de manteiga quase caiu. Olhei para a caixa de veludo na gaveta - o Coração do Oceano, a pulseira de Fabrício que me mantinha viva, uma joia com tecnologia médica que pulsava um brilho azul suave.

Será que eu deveria contar a ele? Um nó se formou na minha garganta.

Meu celular vibrou, tirando-me dos meus pensamentos. Era uma mensagem. Não de Fabrício, mas de Pâmela Nóbrega. Uma foto de Pâmela, radiante, ao lado de Fabrício em um evento. A legenda: "Para algumas, o passado volta para ficar. Para outras, o futuro nunca chega."

Pâmela. O primeiro amor de Fabrício, a "princesa" de uma família rival no mundo da tecnologia. Ela havia desprezado Fabrício quando ele era um mero "lobo faminto", sem nada além de ambição e um plano. Ela o abandonou quando a vida dele era mais difícil.

Mas eu não.

Eu o encontrei preso, acorrentado, a mercê de seus inimigos. Sozinha, sem pensar nas consequências, eu me infiltrei, lutei e o libertei. Naquela noite, sob a chuva e a escuridão, eu o protegi com meu próprio corpo de um golpe fatal, o mesmo golpe que me deixou com uma cicatriz no coração.

Ele se tornou um líder, o Fabrício Gonçalves que todos conheciam agora. E eu, sua companheira, sua rainha. Ele me prometeu amor eterno, lealdade inabalável. "Você é minha única, Íris," ele sussurrou uma vez, as mãos em meu rosto. "Minha vida, minha alma."

A raiva borbulhou dentro de mim, uma onda quente que me tirou o fôlego. Apertei meu punho com tanta força que senti minhas unhas perfurarem a palma da minha mão. Gotas de sangue escorreram entre meus dedos.

Peguei o celular e liguei para Fabrício.

"Íris? Aconteceu alguma coisa?", a voz dele soou distante, apressada. Eu podia ouvir um burburinho ao fundo, e o riso de uma mulher, cristalino e familiar. Pâmela.

"Fabrício, é o nosso aniversário", minha voz saiu mais fria do que eu esperava.

"Ah, Íris... sim, eu sei! Mas estou em uma reunião importante. Coisas de negócios, você sabe." Ele parecia distraído. "Não vou conseguir chegar em casa a tempo. Me desculpe. Mas eu compensarei, prometo."

A linha ficou muda. Eu desliguei.

A mesa de jantar, meticulosamente arrumada, parecia zombar da minha solidão. O risoto esfriou, o salmão endureceu, a torta de limão permaneceu intocada. O sonho de um jantar íntimo se desfez como castelo de areia.

Na tela da televisão, que eu havia ligado distraidamente, passava uma retrospectiva. Era a cena do nosso noivado de cinco anos atrás, ele se ajoelhando sob um céu estrelado. "Íris, você me salvou," ele disse na tela. "Seja minha para sempre."

Meus olhos caíram sobre a pulseira Coração do Oceano em meu pulso. Uma joia com um núcleo mágico que me mantinha viva. Ela podia curar meu corpo, mas não podia consertar meu coração partido.

A televisão então mostrou Leila, minha melhor amiga e sócia, elogiando nosso amor em uma entrevista antiga. "Eles são a prova de que o amor verdadeiro supera tudo," ela disse, sorrindo. A ironia era um soco no estômago.

Eu, a garota sem nada, que arriscou tudo para salvar o homem que amava. Eu o salvei do calabouço, do cativeiro, de uma morte certa. Eu, que recebi a maldição, a doença que agora me consumia, em seu lugar.

Essa maldição... ela estava finalmente me cobrando. Três meses. Só isso que me restava.

A dor não era apenas física; era uma dor que rasgava a alma, alimentada por uma fúria crescente. Ele e Pâmela. Eles seriam felizes depois que eu me fosse? Viveriam suas vidas como se eu nunca tivesse existido?

Um sorriso amargo contorceu meus lábios. Não. Ele não teria essa paz. Ele não teria esse final feliz.

Não vou contar a ele sobre a doença. Em vez disso, Fabrício, você vai pagar. E Pâmela, você também.

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