Capítulo 2

Bato na porta e ele abre, seus cabelos levemente molhados mostram que ele acabou de sair do banho.

— Uau, como você está lindo hoje. — Falo me aproximando lentamente, envolvo meus braços em seu pescoço e lhe dou um longo beijo. Logo em seguida, ele me envolve num abraço. — Que bom que voltou, estava com saudades.

— Você sabe que nunca vou te deixar. Eu te amo, e já não suporto ter que contar as horas para te ver.

— O que fez de bom hoje?

— Pensei em você o dia todo.

— Só isso?

— Você perguntou o que fiz de bom, e pensar em você é maravilhoso.

— Que lindo.

— Linda é você. — Seus olhos estão nos meus, sem nos afastar ele desliza seus dedos sobre meus lábios. — Que saudade dessa sua boca. — ele me beija intensamente, apertando seu corpo no meu continuamos nos beijar, eles sempre são quentes. — Acho que está vestida demais.

— Vou resolver isso. — abro os botões do meu vestido e deixo deslizar sobre meu corpo. — E agora, estou como queria?

— Ainda não. — Leve me coloca de pé, uma das minhas pernas coloca em cima da cadeira e em seguida ajoelha na minha frente, beijando o interior da minha coxa dando leves mordidas nelas. — Posso? — ele pergunta passando o dedo na minha intimidade.

— Nossa. Deve. — Falo ansiosa.

— Perfeita. — Lentamente ele desliza sua língua sobre ela, uma mão ele apoia na minha bunda fazendo minha perna se abrir mais um pouco. Suas sugadas passam a ser exigentes. Estou num misto de sensações, tesão, desejo, vontade de me entregar a ele completamente. — Gostosa, não goza porque tenho muitos planos para fazer com você.

— Hum... eu não aguento mais. — Falo sentindo minhas pernas tremerem. Sinto um sorriso se formar, ele dá um beijo na minha intimidade e fica de pé.

— Deita. — Fala quase ordenando, faço o que ele pede e encaro seus olhos.— Abre bem essas maravilhosas pernas, quero te ver assim, porque hoje você será todinha minha a noite inteira.

— Estou ansiosa para isso acontecer. — Ele se encaixa entre minhas pernas e, sem muita demora, afunda seu enorme membro em mim. — Ahh, caralho, que homem gostoso. — Aperto meus dedos no lençol e, sem perceber, não consigo controlar meus gemidos.

— Seus gemidos são música para os meus ouvidos. — Ele fala, me dando um demorado beijo. — Em seguida, se afasta e me coloca de quatro. — Que bunda linda. — Um forte tapa me faz gemer. — Isso, amor, grita, minha safada. — Foi o sexo mais gostoso que fizemos. Ao terminar, ele cai do meu lado e me puxa para seu peito. Seu corpo nu, colado no meu, nossas respirações ofegantes. Ele me olha e faz carícias no meu rosto. — Você é perfeita, Lupita.

— Você também, amor. Poderíamos facilmente ficar assim para sempre.

— Por que não ficamos? Vem morar comigo. Eu amaria ter você todos os dias ao meu lado. Você sabe o quanto te amo. — Encaro seus olhos e suspiro tristemente. — Ei, o que houve?

— Como eu queria que tudo isso fosse real.

— E quem disse que meus beijos não são reais? Seu amor por mim não é real?

— Claro que é, mas eu queria te ter de verdade, só para mim. Sentir seu perfume, o gosto da sua boca, seu toque. Eu preciso de você na minha vida. Não sei se vou conseguir aguentar essa situação por mais tempo.

— Ei! Eu te amo demais. Se você me pedir para te deixar, eu não seria capaz.

— Nunca te pediria isso. Já faz um ano que estamos juntos e essa ideia nunca passou pela minha cabeça. Não quero que você vá embora nunca mais.

— Então eu vou ficar para sempre com você, meu anjo.

— Me diz seu nome, um ano sem saber nada sobre você não está sendo fácil. — Sem conseguir segurar, deixo as lágrimas escorrerem.

Deve estar se perguntando quem é ele. Pois bem, ele é o homem dos meus sonhos, literalmente meu sonho. Há um ano que ele vem me ver, no começo éramos apenas amigos, mas quando dei por mim, estava ansiosa para a noite cair e sonhar com ele. Como é possível um sonho ser tão real, amar tanto alguém que eu desenhei na minha mente? Meu Deus, como é que eu deixei esse sonho tomar conta do meu coração.

— Eu sou seu sonho, meu nome vai ser o qual você escolher.

— Assim não tem graça, eu quero você na minha vida, na minha realidade. — E assim eu acordo, suando, respiração pesada e com lágrimas nos olhos. Sabe o que é mais louco? Eu sei que estou sonhando, por isso ele é tão perfeito. Fico um tempo frustrada e confusa, ele parece tão real, como posso sonhar todos os dias durante 1 ano inteiro, sem exceção de um único dia? Droga!

Levando com vontade de voltar a dormir, tomo um banho e me arrumo para mais um dia na faculdade. Hoje tive que levantar mais cedo porque estou sem carro e não falei para meus amigos. Essa vai começar a ser minha primeira mudança, sustentar os meus b.os sozinha, sem depender dos outros. O próximo passo vai ser arrumar um trabalho. Chego na cozinha e meus pais já estão me esperando.

— Bom dia, pai. Bom dia, mãe.

— Bom dia, meu amor. — Ele fala dando um beijo na minha testa.

— Bom dia, minha princesa.

— Quer uma carona, filha?

— Obrigada, pai, mas não. Eu falei que ia dar orgulho para vocês e é isso que vou fazer.

— Você já é o meu orgulho, filha!

— Eu sei, pai, mas mudar faz bem! Bom, deixa eu correr porque são dois ônibus até a faculdade.

— Pega meu carro. — Minha mãe fala sem pensar.

— Amor?

— Ah, coitada da menina.

— Ai ai, a senhora não existe. Vou recusar, mãe. Está na hora das garotas de vocês crescerem. Não é mesmo?

Meu pai olha para mim com tanto orgulho. Realmente, eu quero tentar. Eu preciso mostrar para mim mesma que eu consigo caminhar sozinha. Minha vida toda, eles fizeram tudo por mim. Sempre tinha alguém para me socorrer. Percebi que, para eu crescer e ter realmente responsabilidades, preciso parar de pedir ajuda.

Chego na faculdade alguns minutos antes do sino bater. Percebo que as pessoas estão cochichando e me olhando estranho.

— O que houve?

— Não sei, Rian foi lá ver. — Rafa fala, segurando minha mão.

Rafaella é uma das minhas melhores amigas. Ela tem 25 anos e sempre foi apaixonada pelo Rian, mas ele nunca prestou atenção nos sentimentos dela.

Fico de longe, olhando a reação do meu amigo. Percebo que ele está bravo. Algo me diz que é sério.

— Lupi, vamos para a sala. — Renata se aproxima, me olhando, e sai me puxando pelo braço.

Renata tem 22 anos. Ela é estudante de arquitetura. Vejo nela a irmã que eu não tenho. Somos amigas desde que eu tinha 4 anos. Com os anos passando, nossa amizade foi se fortalecendo. Ela é irmã do Benício. Apesar da pouca diferença de idade, ela o protege mais do que qualquer pessoa.

— Não, eu quero saber o que está acontecendo!

Capítulo 3

Vejo Rian pegando um papel e colocando no bolso.

— Para de ser teimosa! — Ele fala, vindo em minha direção.

— O que está escondendo aí, Rian?

— Só pode ser louca! — Ouço alguém falar e o pessoal me olha rindo. Meus amigos encaram eles com raiva, e TENHO quase certeza de que Rian está se controlando.

— Vai para a sala, Lupita. Não vê que estamos tentando te proteger? — Benício fala se colocando na minha frente.

Benício tem 23 anos. Ele é muito inteligente, bonito e sedutor. Apesar de Renata e eu termos crescidos juntas, conheço ele a 7 anos. A primeira impressão que ele teve ao meu respeito, foi acreditar que era uma patricinha metida. Com a nossa aproximação criamos um vínculo especial.

— O que deu em vocês? Se for de novo um dos meus desenhos que está circulando por aí, pode deixar falar, eu não ligo!

— Você já sabia? — Renata pergunta surpresa.— Por que não contou? Somos seus amigos, precisamos saber se estão te incomodando.

— Claro que já sabia, colocaram até num grupo do WhatsApp, vocês acham mesmo que isso vai me afetar? Eu não sou mais uma criança, vocês não precisam ficar me protegendo toda hora.

— Mas eu ligo, eles têm que aprender a respeitar as pessoas. E pra mim você continua a mesma baixinha, nada vai mudar.

— Rian, não fica se estressando à toa, lembra na quarta série que implicaram com o meu cabelo e você queria bater em todo mundo, eu não deixei e não demorou dois dias e as crianças pararam. Eles vão arrumar outro assunto e vão esquecer disso.

— Não estamos na 4ª série, somos adultos, e as pessoas deveriam se comportar como tal! Elas são cruéis e eu não vou deixar ninguém te fazer mal.

— Eu sei, Rian. Obrigada por sempre cuidar de mim, mas sabe, deixa serem cruéis. Na verdade, às vezes até eu tiro sarro de mim. — Falo rindo. — Pensa que loucura, a pessoa é apaixonada por alguém que não existe e com a pessoa que sonha, faz planos de casar e construir uma família e a única coisa que tenho dele são meus desenhos dos nossos momentos. É loucura. — Falo tentando acalmá-lo.

— Realmente, amiga, você está a um passo de ser internada com camisa de força. — Renata fala gargalhando.

— Nem me fala, é loucura demais. — Benício ri, mas para ao olhar para o Rian.

— Imagina você sonhar que está grávida e acordar grávida.

— Credo, Raffa, aí não vale. — falo rindo.— Mas vamos ser sinceros, ele é gato, não é?

— Tenho que concordar, um desses ,só em sonho mesmo.— Renata brinca.

— Parem de rir, não tem a menor graça. Ilusão ou não, isso só diz respeito a você, Lupita. Ninguém tem o direito de fazer chacota ou espalhar coisas sobre você.

— Tem sim, cara. — Benício bate no ombro do Rian. — Eu sei que você está rindo por dentro.

— Veja se eu tenho cara de que estou achando graça!

Rian sempre foi o mais ranzinza da turma, o mais cabeça, o mais educado e o que pega minhas dores, como se fossem dele. Ele tem 26 anos, também está estudando direito, está no último ano. Sempre fomos como se fôssemos um só. Apesar da diferença de idade, ele é o homem mais incrível que conheço.

Amo ele demais, mas não é amor como vocês pensam. É um amor de irmãos, como ele sempre fala. Ele me ama mais que seu próprio irmão, pois aquele está perdido na vida. Os dois nunca se deram bem.

Entro na sala de aula e começa minha saga. As pessoas me julgam muito, pois meu pai é dono da faculdade em que estudo. Eles dizem que eu sou privilegiada por causa disso, mas não. Eu estudo muito para que eu possa, pelo menos nos estudos, dar orgulho a eles.

— Bom dia, turma! — meu professor preferido nos cumprimenta com um sorriso. Como se fosse ensaiado, todos nós respondemos ao mesmo tempo.

— Bom dia!

— Bom, vejo que não faltou ninguém. Assim posso me despedir de todos vocês.

— Como assim se despedir? Não vai não. — falo me colocando de pé.

— Obrigado, Lupita, pelo carinho! Mas acho que vocês já viram que eu já não sou mais um menino, né?

A turma toda fica chateada e começa a reclamar todos de uma vez. Eu, principalmente. Ele é o melhor professor que alguém poderia ter. Vou na sua direção e dou um abraço nele, os outros também fazem o mesmo.

O estranho foi meu pai não ter me dito nada, por mais que seja meu tio Afonso que é o diretor, nada passa sem a autorização do meu pai.

— Meus queridos alunos, continuem assim, vocês têm um futuro incrível pela frente. Vou levar cada um de vocês para sempre na minha memória. — Ele sorri um pouco triste. — O novo professor está um pouquinho atrasado...

— Já estou até vendo o tipo de professor que ele é! — Falo, interrompendo-o, demonstrando toda a minha frustração. — Ninguém pode tirar seu lugar.

— Saiba que eu não vim tirar o lugar de ninguém! Ele mesmo me procurou! E antes de me julgar, me conheça. Sou o tipo de professor que detesta aluno mal educado.

Ouço aquela voz que me parece familiar. Quando levanto a cabeça para responder, não consigo acreditar no que está diante dos meus olhos. De imediato, sinto minha boca secar, meu corpo tremer. Todos na sala estão olhando diretamente para mim. Por um ano, todos tiraram sarro por desenhar o homem dos meus sonhos, e ele está bem aqui na minha frente.

— Oras, o gato comeu sua língua?

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