Se meu pai descobrir que eu namoro com uma moça simples, que mora em uma comunidade bem pobre, com certeza ele vai declarar guerra. Não uma guerra simbólica, mas uma verdadeira batalha para separar a gente. Meu pai, o poderoso empresário Roberto Ferraz, não aceita menos que o "melhor" - ou o que ele considera ser o melhor.
Mas Celina... Celina é tudo pra mim.
Inteligente, linda, determinada. Ganhou uma bolsa de estudos em uma das melhores escolas particulares de Santa Catarina. E não foi por sorte - foi por mérito. Pela força que ela tem. Pelo brilho que não se pode esconder. Eu tenho certeza que o céu é o limite pra ela. E quer saber? Ela é o meu céu.
Eu não vou deixá-la. Não importa o quanto meu pai grite, ameace, ou tente me manipular. Eu amo a Celina. E isso basta.
Claro, o amor é complicado. Principalmente quando envolve mundos tão diferentes como o nosso. Mas eu nunca fui como os outros caras da minha idade. Já tive minha fase de sair, de pegar geral, mas mesmo assim... sou virgem. E só um dos meus amigos sabe disso: Heitor, meu melhor amigo desde a infância.
E ele me zoa, lógico. Me chama de freira, de santo, de estranho. Mas eu só sorrio. Porque ele não entende.
Eu tive oportunidades. Muitas. Meninas lindas, dispostas, algumas quase se jogando em cima de mim. Mas algo em mim travava. Meu corpo simplesmente não reagia. Nenhum sinal de vida lá embaixo. Zero. E não era por falta de estímulo - era por falta de conexão. Elas queriam prazer, eu queria sentimento.
Queria algo de verdade.
Por muito tempo achei que havia algo de errado comigo. Cheguei a pensar em tudo: ansiedade, bloqueios, até problemas hormonais. Marquei psicólogo, fui a uma consulta. Me senti aliviado por finalmente falar sobre isso, mas ao mesmo tempo, envergonhado. É difícil ser um cara jovem e não sentir o que todos esperam que você sinta.
Mas então... apareceu Celina.
Foi como se tudo ganhasse sentido. O dia em que a vi, algo despertou. Meu coração disparou, minhas mãos suaram e, pela primeira vez, ele respondeu. Bastou um olhar dela pra que meu corpo inteiro gritasse por ela.
Eu não era o problema.
O problema eram as pessoas erradas.
A Celina... Ah, meu Deus... só de pensar nela, meu peito aperta. Já estamos juntos há mais de um ano. E sim, ainda não transamos. Estou esperando ela completar 17 anos. Não quero correr riscos e, mais do que isso, quero que seja no momento certo. Ela é o amor da minha vida, e não quero que nosso primeiro momento seja escondido ou com medo.
Mas não é fácil.
O desejo é um fogo constante. Basta um beijo dela, um toque, um olhar mais intenso... e eu preciso de um banho gelado. Às vezes, quando está difícil demais, eu me resolvo sozinho em casa, pensando nela. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas até me masturbar virou algo emocional. Só ela consegue me deixar assim.
Eu queria poder gritar pro mundo que Celina é minha. Que ela é minha mulher, minha futura esposa. Mas tenho que viver me escondendo. A hipocrisia é absurda. Se ela fosse rica, com certeza meu pai já estaria organizando o casamento. Mas por ela ser pobre... ele com certeza nos destruiria.
E isso me assusta.
Meu pai é um homem perigoso. Conheço bem suas estratégias sujas no mundo dos negócios. Ele pode muito bem armar algo contra nós. Uma denúncia, uma mentira. Ele já me pressionou a me aproximar de Gabrielle, filha do sócio dele. Diz que ela é "a mulher perfeita" pra mim. Perfeita? Aquela garota tem o carisma de uma porta. É como uma irmã pra mim. Como posso amar alguém que não me faz sentir nada?
Celina, por outro lado, é tudo o que eu sonhei.
Eu a vejo e penso: ela é minha alma gêmea.
Dias atrás, fui ao banco com minha mãe. Atualizamos uma conta que ela abriu pra mim quando eu era criança. Sempre foi muito discreta com isso. Disse que era "para emergências". Mas na verdade, ela sabia que meu pai poderia tentar me controlar com o dinheiro. E agora que sou maior de idade, essa conta é minha. E o melhor: só eu tenho acesso.
Ali tem grana suficiente para recomeçar. Para fugir, se for preciso.
Minha mãe entende mais do que demonstra. Ela vê nos meus olhos quando falo da Celina. Finge que não sabe, mas sabe. E secretamente me apoia.
Com aquele dinheiro, posso comprar uma casa. Posso me casar. Posso construir um lar para mim e para a mulher que amo. Não quero luxo. Quero paz. Quero liberdade.
Só que o tempo está correndo, e a pressão do meu pai está aumentando.
Essa noite é sexta-feira. Vamos sair, eu e Celina. Como sempre, busco ela com um carro diferente, para não levantar suspeitas. O medo de alguém reconhecê-la, ou me reconhecer, me atormenta. Mas vale a pena só de ver o sorriso dela.
Hoje ela usava um vestido simples, mas que desenhava perfeitamente suas curvas. A pele morena, o cabelo trançado preso em um coque alto, os olhos brilhando de felicidade. Ela é uma deusa. Um anjo. E é só minha.
- Você está linda, como sempre - falei, quando ela entrou no carro.
Ela riu, tímida, como sempre faz quando recebe um elogio.
- Você diz isso todo dia - murmurou.
- Porque todo dia você me deixa sem ar.
Fomos até um lugar tranquilo. Um parque escondido onde o som da cidade mal chega. Ali, conseguimos ser quem somos de verdade. Sem máscaras. Sem medo.
Celina encostou no meu ombro e suspirou.
- Eu queria que a gente pudesse andar de mãos dadas na rua... sem esconder.
- Eu também, meu amor. Mas juro que isso vai mudar. Logo.
Ela virou o rosto pra mim, os olhos marejados.
- E se seu pai descobrir?
- Então a gente some. Eu tenho dinheiro guardado, podemos ir pra outro estado. Começar do zero.
Ela ficou em silêncio por um tempo.
- Você deixaria tudo... por mim?
Acariciei seu rosto.
- Eu daria o mundo por você.
Ela me beijou.
Foi um beijo doce, mas intenso. Nossos corpos se aproximaram naturalmente. Meus dedos desceram pelas costas dela, tremendo. O desejo explodia em mim, e eu sabia que ela também sentia. Mas nos contivemos.
- Ainda não - ela sussurrou. - Quero que seja especial.
- Vai ser. No tempo certo.
Voltamos para o carro em silêncio, as mãos entrelaçadas.
E no caminho de volta, eu não conseguia parar de sorrir.
Minha Celina é a única que consegue fazer meu coração disparar e meu corpo reagir. Ela é minha cura. Minha verdade. E por ela, eu enfrentarei tudo.
Meu pai que se prepare.
Porque esse amor... ninguém vai destruir.
Eu nunca vou esquecer aquela noite.
A brisa do mar tocava nossa pele como um sussurro suave, e o som das ondas parecia uma melodia composta apenas para nós dois. A praia estava deserta, o céu coberto de estrelas, e Celina... meu anjo... estava mais linda do que eu era capaz de suportar.
Ela surgiu com o biquíni que eu mesmo escolhi. Um vermelho vibrante, provocante e delicado, com detalhes que imaginei exatamente para o corpo dela. Eu queria vê-la assim. Linda, livre, entregue. Quando saiu de trás da canga com aquele sorriso tímido, os cabelos soltos caindo pelos ombros, eu perdi o ar.
- Está... maravilhosa - sussurrei, me aproximando.
Ela sorriu, envergonhada, cobrindo parte da barriga com as mãos. Mas eu segurei seus pulsos com delicadeza e levei suas mãos ao meu peito.
- Não se esconde de mim, Celina. Você é perfeita.
Os olhos castanhos dela brilharam, e naquele instante eu soube: era agora.
Tínhamos esperado tempo suficiente. Construímos algo bonito, sólido. Com respeito, carinho, e agora, desejo. Ela me queria tanto quanto eu a queria. Eu sentia nos olhares, nos toques, nos beijos que ficavam cada vez mais intensos. Nossa primeira vez seria ali, sob o céu, com as estrelas como testemunhas.
Estendi uma toalha grande sobre a areia e a puxei pela cintura, colando nossos corpos.
- Tem certeza? - perguntei, meu rosto a centímetros do dela.
Ela assentiu, as bochechas coradas, os olhos fixos nos meus.
- Com você... eu tenho.
Nosso beijo foi lento, carregado de sentimento. Comecei acariciando sua cintura, com calma, respeitando cada reação. Seu corpo tremia levemente, mas ela não recuava. Pelo contrário. Seus dedos cravaram nos meus ombros quando me ajoelhei à sua frente e comecei a beijar sua barriga, com adoração.
- Você é o meu anjo - sussurrei. - E eu prometo fazer tudo com amor, sem pressa.
Deitei-a na toalha, sobre a areia ainda morna da noite. Me deitei ao lado dela, acariciando seus cabelos enquanto nossos lábios se encontravam de novo. Meus dedos passeavam por seu corpo com reverência.
Fui tirando o biquíni com cuidado, observando seu rosto o tempo todo. Quando a parte de cima caiu, ela mordeu o lábio, tímida.
- Ei... - falei, segurando seu rosto. - Você é linda. Linda demais.
Beijei cada parte dela. Primeiro os lábios, depois o pescoço, os ombros... Desci até os seios, onde fui ainda mais delicado. Queria que ela sentisse prazer, não medo. Queria que aquela noite fosse inesquecível.
Ela arqueou o corpo, fechou os olhos, e soltou um suspiro.
- Lorenzo...
O som do meu nome nos lábios dela me enlouqueceu. Mas eu precisava ser gentil.
Desci lentamente, beijando sua barriga, sua cintura, suas coxas. Tirei a parte de baixo do biquíni como se estivesse desvendando um segredo precioso.
Celina era a mulher da minha vida. E eu a teria ali, pela primeira vez, do jeito mais puro e verdadeiro.
Me despi também. Deitei entre suas pernas com calma, encostando nossos corpos. Segurei suas mãos. Queria que ela se sentisse segura. Queria que soubesse que eu estava com ela em cada segundo.
- Vai doer um pouquinho, meu amor... mas eu vou ser o mais gentil possível. Se quiser parar, a qualquer momento, é só me dizer.
Ela assentiu outra vez. Os olhos marejados, mas não por medo. Era emoção.
- Eu confio em você, Lorenzo. Só em você.
Entrei nela com o máximo de cuidado, sentindo seu corpo me acolher devagar. Ela gemeu baixinho, e eu parei.
- Está tudo bem?
- Sim... continua, por favor.
Nos movemos juntos, lentamente. O corpo dela se ajustando ao meu, nossos olhos fixos um no outro. Era como se só nós dois existíssemos.
Senti quando a dor passou e o prazer tomou conta dos sentidos dela. O jeito como me agarrava, os suspiros longos, o corpo em perfeita sintonia com o meu... era a coisa mais linda que já vivi.
- Eu te amo, Celina.
- Também te amo, Lorenzo... muito...
Aquela primeira vez não foi apenas sexo. Foi entrega. Foi o encontro de duas almas já entrelaçadas, agora unidas também pela carne, pelo desejo, pela promessa silenciosa de eternidade.
Quando terminou, a abracei forte, a enchi de beijos e cobri seu corpo com o lençol que trouxe. Ficamos ali, deitados, sentindo a brisa do mar nos envolver. O céu estrelado acima, as ondas quebrando ao fundo, e ela, enroscada em mim, com um sorriso sereno no rosto.
- Foi... lindo - ela sussurrou.
- Você é linda. E agora é minha. Toda minha.
Ela riu baixinho, os olhos brilhando.
- Sempre fui sua.
Naquela noite, a inocência virou paixão. E a paixão virou rotina.
Depois da nossa primeira vez, não conseguimos mais parar.
Sempre que podíamos, fazíamos amor com intensidade, com vontade, com paixão. Mas nunca sem amor. Cada vez era única. Cada toque, cada suspiro, cada beijo - tudo era como se o tempo parasse só pra nós.
Ela me esperava ansiosa depois da escola, e eu a encontrava em lugares secretos. No meu carro, nos fundos do colégio, no terraço do prédio de um amigo meu... qualquer lugar era um templo para nosso amor proibido. E toda vez que eu a penetrava, eu sabia: ela era minha. Minha metade.
E ela sentia o mesmo.
- Você me viciou, Lorenzo... - ela dizia, colada ao meu corpo, os cabelos grudando de suor.
- Você é minha droga preferida - respondia, antes de beijá-la de novo, com fome.
Nossa conexão era inexplicável.
Não era só físico. Era espiritual. Era como se nossos corpos soubessem exatamente o caminho do prazer um no outro.
Ela se entregava com doçura e ardor. Começou tímida, insegura... e em poucas semanas, era ela quem me puxava, me arranhava, pedia mais.
E eu dava.
Dava tudo.
O melhor de mim. Minha força. Meu carinho. Minha loucura.
Celina tinha o poder de me desmontar com um olhar. De me enlouquecer com um toque.
Era fogo e calmaria. Doçura e desejo.
Um anjo com um corpo que me deixava fora de mim.
E eu a amava por tudo isso.
Por cada detalhe.
Por cada suspiro.
Por cada entrega.
Aquela noite na praia foi o início de tudo.
O marco que selou nossos corpos e nossos destinos.