Capítulo 2

Aiden

A vida nunca foi fácil para mim, nada veio fácil, eu tive que lutar para chegar aonde eu cheguei. E acredite, não é nada fácil quando você tem um pai alcoólatra e uma mãe omissa. Se não fosse a minha tia Lina talvez até nem existisse mais. Mas eu nunca desisti, lutei a cada dia, mesmo escutando de muitos que eu nunca chegaria a lugar nenhum. Devo muito a minha tia, mas para me tornar um advogado, preciso ir mais além e nessa parte ela não vai conseguir me ajudar. Não com um salário de costureira e ainda tendo que sustentar a casa sozinha. Contudo, uma noite eu me sentei de frente para ela e disse: estou saindo de casa, tia. Acredite, doeu como o inferno ter que vê-la chorar e me garantir uma vaga no posto de gasolina. Eu simplesmente não podia aceitar, não queria terminar os meus dias em uma bomba de gasolina e quem sabe um me tornar um alcoólatra coo o meu pai. Então arrumei as minhas malas e dirigi por horas até Nova York. Agora eu só precisava garantir o meu sustento e uma vaga na universidade. Cara, eu não sabia por onde começar até ir parar no meio de uns malucos que estavam apostando um racha. Embarquei na loucura, descolei cem dólares. Bom, encontrei um meio para seguir com a minha vida, agora eu só precisava me manter vivo até lá. Alguns meses depois, estou bem aqui na Campbell University matriculado no curso de direito e garantindo o meu futuro. E como cheguei aqui trinta dias antes de começar as aulas já estou bem enturmado com alguns alunos que fizeram o mesmo, pois eles vieram de longe para estudar.

— Aiden, tenho um novo desafio para você. E aí, tá dentro? — A propósito, o meu nome é Aiden Cole e adoro um bom desafio, melhor ainda quando ele tem uma boa remuneração. Mas não faço isso sozinho. Para encontrar os melhores e os mais bem pagos rachas conto com a ajuda de alguns bisbilhoteiros. O Kevin, é um deles e ainda tem o Ethan e o Richard que me mantém sempre em dia com o motor do carro. — Quinhentos dólares para o vencedor, cara! — Solto um assobio apreciativo para essa informação. Esse com certeza me tiraria do sufoco.

— Onde e quando?

— No próximo final de semana, no abismo da caveira, à meia-noite.

— Sério? Ouvi dizer que é uma estrada bem perigosa. — Bernice, uma patricinha que grudou em mim comenta se aproximando e logo enlaça o meu braço, deixando um pequeno beijo no canto da minha boca. Sabe o lado bom de ser um play boy? As mulheres piram e ficam na sua o tempo todo. Cara, elas te oferecem até a calcinha sem precisar pedir. Entretanto, Bernice é diferente, mas não no bom sentido. Ela é grudenta como um chiclete e está em todos os lugares ao mesmo tempo. Isso espanta toda a azaração, porém, no momento isso não me incomoda nenhum pouco, desde que ela não se sinta a minha dona e nem tente pôr uma coleira, para mim está tudo bem!

— Estou dentro!

— Esse é o meu garoto!

— Eu estive pensando, que tal sairmos para dançar essa noite?

— Essa noite não dá, Brenice. Eu tenho uma prova muito importante amanhã.

— Oh! — Ela solta um gemido manhoso. Brenice Carter é mesmo uma deusa. A garota é sexy pra caralho e tem um corpo que meu Deus, mas eu tenho um foco e não pretendo me desviar dele por nada, nem mesmo por uma loira tão linda e fogosa como essa.

— Prometo que chegaremos cedo no seu dormitório. O que me diz, hã? — Agora me fala se esse convite não é a perdição do capeta? Eu sou homem, porra e estou sedento por uma cerveja gelada e claro, terminar cama com uma garota não é de todo ruim. Mas eu tenho uma prova, porra!

— Vamos lá, Aiden, nós merecemos uma curtição depois de tanto trabalho, cara! — Ethan diz largando uma chave de rosca em cima do balcão. Me sinto tentado a aceitar, portanto, ergo um dedo em riste para todos os olhos esperançosos dentro da oficina.

— Meia-noite estaremos de volta aos dormitórios!

— Fechado, meia-noite! — Ethan concorda, a patricinha sorri satisfeita e eu meneio a cabeça negativamente. Onde estou com a cabeça para me desviar assim dos meus propósitos?

***

Mirage é uma das boates mais badaladas das noites novaiorquinas com todas as suas luzes vermelhas piscando e a fumaça de gelo seco dá a impressão de que estamos na melhor parte do inferno. Se é que você me entende. É aqui que a galera da faculdade se esbarra, não importa o curso, esse é o point e não importa o dia, isso aqui está sempre lotado. Ao nos aproximarmos do balcão Dana, Carly e Elisy as amigas de Brenice se aproximam e como sempre os rapazes tomam posse delas e vão para a pista de dança. Eu peço uma cerveja e sou praticamente arrastado para uma dança assim que a garrafa chega no balcão. Dança vai, dança vem, uma cerveja aqui e outra ali, e as horas se avançam sem eu perceber. A droga toda está em me deixar envolver pelo momento. Sério, quem não gosta de uma curtição?

— Que tal irmos para um lugar privado? — A garota interpelo beijando a minha boca e deslizando a sua língua para dentro da minha. Só digo que não sou de ferro, principalmente quando uma mão ousada sua segura os meus documentos por cima da calça jeans. E não pensei duas vezes. Na verdade, é nessas horas que eu não penso em nada além de lhe dar o que pede. Tudo rolou dentro do banheiro na maior cara de pau e depois disso, voltamos para as bebidas e eu me esqueci do mundo.

No dia seguinte fui acordado pelo som de Måneskin de Tom Morello que me fez abrir uma brecha de olho e após soltar um resmungo, encaro os números do relógio digital em cima do criado mudo. Rasgo um Puta que pariu, saltando imediatamente para fora da cama e no mesmo instante a minha cabeça começa a latejar. Eu sabia que não devia ter ido com eles! Merda! Tomo um banho rápido, visto a primeira roupa que vejo na minha frente e pego uma maçã na fruteira, saindo do dormitório logo em seguida. Por que eu me deixo levar por eles assim? Que droga, Aiden, essa é a sua chance, cara, que vacilo! Sabe o que me deixou puto mesmo? Foi correr feito um louco pelo trânsito agitado de Nova York, depois correr feito um doido pelos corredores da Campbell e assim que alcancei a porta da sala de aula o professor me olhou nos olhos e fechou a porta na minha cara. Um segundo. Um mísero segundo e ele não me deixou entrar. Estou fodido!

Capítulo 3

Aiden

— Como foi a sua prova? — Ethan pergunta assim que me acomodo em uma cadeira do refeitório. Olhar para a cara azeda dele me diz muit6o sobre o estrago de uma puta ressaca.

— Não foi — ralho bebericando o café forte e amargo, e faço uma careta no processo.

— Também não cheguei a tempo. — Ele resmunga ajeitando os óculos escuros.

— Eu sabia que não ia dar certo!

— Relaxa, cara! A gente recupera. — No fundo ele está certo. É só a primeira nota e eu posso repor sem problemas, mas não posso continuar assim.

***

Três meses depois...

Quando eu era criança tinha um certo fascínio pelas corridas de carro, mas nunca pensei que ela me daria a diretriz para construir o meu futuro. E sempre fui bom no volante, mas Nova York me proporcionou uma experiência ímpar. Eu só preciso saber onde vai rolar com antecedência o dia e a hora, estudar o local, as suas curvas e trilhas para não ter surpresas e garantir a grana. Depois cada um leva a sua parte. Ethan, Richard e Kevin dividem cinquenta por cento e a outra parte eu garanto as mensalidades da faculdade, e ainda sobra um pouco pra sobreviver. Prático, divertido e fácil. Era para ser exatamente assim, só que nesses últimos meses quase tudo desandou. Eu simplesmente dei lugar para os rachas, garanti metade das mensalidades anuais do meu curso, mas me prejudiquei feio em pelo menos três matérias.

— Escuta o ronco desse motor! — Richard fala chamando a minha atenção e um sorriso largo se abre nos meus lábios.

— O que você fez? — Kevin questiona interessado e logo estamos ao redor do carro.

— Um bom mecânico jamais revela os seus segredos. Mas posso garantir que podemos entrar em uma corrida maior.

— E consequentemente mais arriscada. — Ethan ralha.

— Cara, com esse motor nem mesmo a polícia consegue chegar perto. — Ergo uma mão para o alto e Richard bate nela.

— É isso aí, de olho no prêmio maior! — Comemoro e a galera se anima.

— Soube que levou pau na matéria de Argumentação Jurídica. A Senhora Smith não vai facilitar, você sabe disso, não é?

— Eu sei. Terei que ver outro meio de recuperar.

— Vamos, estamos em cima do horário. — Richard puxa a porta da garagem para fechar e montamos em nossas motos.

Se enturmar na Campbell não foi tão difícil. Primeiro, o meu jeito de play boy me ajudou bastante, depois, o fator herói dos rachas me fez ser visto por todos com bons olhos e ainda tem a Brenice, a garota mais popular do lugar. Com esse título é fácil conseguir o que quero e quando quero. Menos a recuperação do meu currículo acadêmico, claro. Para esse eu tenho duas alternativas: esquecer os próximos finais de semana e meter a cara nos livros noite adentro ou comprar um gabarito. Essa segunda opção está fora de cogitação. Se eu quero ser um bom advogado, terei que jogar limpo comigo mesmo e aprender a matéria. Que grande merda hein, Aiden? Assim que estacionamos as motos no pátio, vamos para o nosso ponto de encontro que fica bem próximo as portas largas da faculdade. Não entendo por que s meninas gostam tanto desse espaço, mas não contestamos e sempre nos encontramos no mesmo lugar. Assim que nos veem, as meninas pulam os braços dos meus amigos, porém, não a loira. Ela sabe que eu não goto de certas exibições. Portanto, Brenice apenas se aproxima calmamente e beija calidamente a minha boca. Momentos depois, sinto uma leve cotovelada na lateral do meu corpo e a minha garota faz um gesto de cabeça para um quarteto que se aproxima da entrada. Melissa Jones se tornou um alvo de Brenice desde o primeiro dia de aula e acredite, ainda não entendi o porquê. Deve ser essas coisas de meninas que os homens não conseguem decifrar. A garota tem uma beleza sutil, um sorriso genuíno e é bem empolgada também, mas o que é mais impressionante nela são as habilidades com as notas. Porra, é isso! E se eu a pagasse para me ajudar? Se ela se disponibilizasse nos finais de tarde, eu não precisaria sacrificar os meus finais de semana e ainda teria a chance de retornar para a minha rota. Ao aproximar-se um par de olhos negros encaram os meus e um sorriso brota nos lábios rosados, porém, em uma fração de segundos ela tropeça e vai ao chão espalhando todos os seus livros pela passarela de concreto e só então percebo que Brenice propositalmente colocou o pé no seu caminho. A galera dispara em uma gargalhada alta e espalhafatosa chamando a atenção dos outros estudantes que também disparam a rir. Contudo, eu trinco o maxilar. Do meu canto, observo os seus amigos a ajudarem e eles entram no prédio.

— Eu não entendo por que faz essas coisas — comento e os deboches param. Brenice envolve o meu rosto com as suas mãos e fita os meus olhos com um sorriso estendido em sua boca.

— Porque é divertido!

— É ridículo! — rebato chateado e ela ergue as sobrancelhas.

— Aun, ficou peninha? — Ela faz um som meigo e arrasto.

— Não é isso. É que... deixa pra lá! Vamos as aulas vão começar — aviso me afastando.

— Amor, não fica assim! — Brenice resmunga vindo atrás de mim. No entanto, não lhe dou atenção e entro na sala de aula.

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