Capa do Romance Nós braços de um Selvagem

Nós braços de um Selvagem

8.4 / 10.0
Kadu vive em uma ilha isolada, onde cultiva uma alma bondosa e profunda conexão com a natureza. Sua rotina tranquila é interrompida por Dandara, uma estudante de jornalismo que chega para entrevistá-lo. Enquanto se aproximam, a jovem busca curar as cicatrizes de um passado traumático, marcado pela violência de seu ex-noivo, Danilo. Nos olhos do sensível Kadu, ela tenta reconstruir seu sentido de vida. Resta saber se esse novo amor será forte o suficiente para salvá-la.

Nós braços de um Selvagem Capítulo 1

_ Dandara não tem mais vida! Na verdade tem apenas uma que se chama "jornalismo" e exclui dessa vida toda sua família, amigos e qualquer coisa que não pertença ao universo jornalístico! (Disse Cecília jogando a indireta quando a filha caçula chegou para tomar o café da manhã)

Dandara revirou os olhos expressando sua inquietação e incomodo com as lamentações de sua mãe cobrando sua presença.

Uma empregada serviu seu prato de omelete, Dandara era uma grande observadora e percebeu que a pregada era nova na casa. Era uma mulher de meia idade, carrancuda e séria. "A outra pelo menos me dava bom dia! " Ela pensou enquanto se sentava ao lado de seu pai.

Cecília era muito exigente com o pessoal que trabalhava na mansão, queria tudo em perfeita ordem e quem não se enquadrasse dentro de suas regras ela simplesmente demitia. Dandara nunca entendeu a insatisfação em relação aos empregados, nunca uma pessoas trabalhou na casa por mais de um ano. Era uma constante ver novas caras pelos corredores e nunca guardava o nome de ninguém, pois não dava tempo suficiente para se conhecerem.

___ Não respeita nem a hora da refeição essa garota! (Fala Cecília se mostrando irritada ao ver Dandara comer as pressas pressas e olhando as mensagens que não paravam de chegar em seu celular)

Dessa vez Paulo se sentiu incomodado, era um homem calmo por natureza, não entendia o que levava Cecília ser uma mulher ranzinza depois que os filhos chegaram na adolescência. Preferia não ter razão do que perder a paz e a harmonia dentro do lar.

Deixou seu jornal sob a mesa e olhou para a esposa com aquele olhar que dizia "Se cale por favor?".

Cecília o ignorou, ela era amente de uma polêmica, passava o dia todo sozinha na mansão quando os filhos saiam para o trabalho ou para estudar. Aos quarenta e cinco anos já não sabia encontrar motivos para ocupar sua vida e vivia com tempo para incomodar as pessoas:

___ Cecília a menina tem um TCC para concluir, está estressada com os estudos e você ainda cobra dela atenção? (Disse Paulo)

___ Somos os pais dela! Ela senta a mesa como se fosse uma estranha! Isso me irrita profundamente. (Disse Cecília encarando os olhos de Dandara)

___Dandara minha filha de atenção a sua mãe que está carente do amor de seus filhos! (Disse Paulo com ironia)

Dandara sorriu não perderia o humor com a presença doce de seu pai. Apenas por ele suportava sua mãe.

Porém as mensagens no celular não deu oportunidade para falar com Cecília e nem demonstrar que estava ali para conversar como ela gostaria:

___ No jantar conversamos. Marquei uma reunião com meu orientador e ele só tem horário daqui a vinte minutos... Amo vocês! (Disse Dandara se levantando da mesa)

Ela beijou os pais no rosto de forma  rápida e deixou a sala. Ainda digitando em resposta ao professor disse que chegava no local marcado em menos de dez minutos.

Isso porque sempre Dandara subestima o trânsito da sua cidade, principalmente naquele horário às oito da manhã que parecia que todos resolveram ir às ruas aquele mesmo momento.

___ Táxi! (Ela disse acenando para um taxista que estava fumando encostado na porta)

Detestava pessoas cheirando cigarro, se.pudesse escolher e se tivesse tempo para isso não optaria por um motorista fumante.

Dandara tinha uma hiper sensibilidade ofativa que possibilita discernir infinitos cheiros mesmo a quilômetros de distância.

Na infância era um problema, pois também lidava com a crise alérgica dos cheiros, principalmente de produtos de limpeza e perfumes. Mesmo seus pais pagando os melhores pediatras não encontravam a cura para a doença de Dandara. A menina vivia reclamando que algo cheirava mal e a incomodava ou as vezes o mal cheiro era tanto que causava náuseas e precisava buscar refúgio em ambientes ao ar livre.

O que de fato acontecia com Dandara era o cuidado excessivo de sua mãe e decorrente de seu problema de saúde com os aromas sua vida piorou ainda mais.

Assim que alcançou os dezoito anos e foi para a faculdade ela procurava passar mais horas fora de casa do que suportando os sermões de Cecília.

O taxista fez sinal para Dandara entrar. Dandara respirou fundo, seria uma longa viagem até a faculdade suportando o cheiro sufocante do cigarro.

Entrou no carro praticamente tampando o nariz, precisava se manter calma pois na certa passaria mal mesmo antes de inalar aquele ar poluído.

Para seu alívio o carro era um modelo antigo e não tinha ar condicionado, e pode manter a janela aberta para respirar.

Quando chegou no pátio da instituição acadêmica encontrou seu orientador, o professor e mestre em comunicação social. O homem era minúsculo, magro, quase desnutrido. Sua aparência física assustava os alunos mas quem o conhecia de verdade tinha a honra de ser tocado por sua inexplicável inteligência.  Emílio olhou por baixo das lentes grossas de seu óculos e pode notar a presença marcante de sua brilhante aluna do curso de jornalismo.

A garota sempre o encantou, não apenas pela beleza física, porque mesmo sendo um ancião de respeito com as alunas ele admitia o quanto Dandara parava o trânsito e os corredores da universidade com sua presença.

E o professor universitário não estava errado, afinal de contas a aluna era uma mulher lindíssima, se destacava em qualquer lugar que estivesse.

Dandara era uma jovem de vinte e dois anos, havia herdado de seu pai a pele negra, uma cor marrom que iluminava, que deixavam todos admirados com tanta beleza expressa na sua melanina.  E fazendo uma combinação perfeita e surreal com a pele atraente, Dandara ainda era dona de belos olhos cor de mel, que brilhavam como duas estrelas seu delicado rosto. O nariz arrebitado lhe dava a graça de uma boneca, as sobrancelhas espessas faziam um conjunto sensual com os cabelos cacheados.

O sorriso de Dandara era sua principal arma de sedução, não que tinha a intenção de seduzir, mas involuntariamente a menina sorria e o mundo todo se derretia por tanta graça. Os lábios carnudos, volumosos e bem desenhados davam o toque daquela obra de arte admirável que era futura jornalista.

O professor de idade avançada não seria ousado para observar nada além do belo rosto de sua aluna dedicada nos estudos de sua pesquisa científica.

Mas já adianto que Dandara possuía um corpo esbelto, com belas curvas bem distribuídas, que com certeza a carreira de modelo de passarela seria uma segunda opção se ela desistisse do jornalismo.

O que não iria acontecer pois Dandara tinha paixão pelo mundo informativo e midiático. Desde criança admirava as jornalistas entregando informações precisas para o mundo. Era uma menina cheia de vida, otimista e dotada de curiosidade que lhe permitia explorar o mundo a sua volta.

"O céu é o limite" ela sempre dizia para lutar por seus sonhos.

Com uma família rica e próspera no ramo empresarial ela nem precisava sofrer com estudos e lutar para conseguir um bom emprego. Seu pai era dono de uma rede de hotéis turísticos e ainda tinha uma fazenda com gados de corte. Tinham uma fortuna para esbanjar e Dandara buscou o caminho mais "difícil" par uma garota rica e privilegiada.

Sua mãe já fazia muito bem seu papel de esposa de homem  rico, se dava ao luxo do consumismo exacerbado, comprava tudo para exibir em sociedade o que o marido podia lhe dar. Dandara não gostava de gastar dinheiro "a toa" como fazia sua mãe. Ela preferia gastar sim com viagens, tinha sede por conhecimento e informação, pois sabia que a profissão que havia escolhido lhe possibilitaria oportunidades para viajar o mundo todo.

Por isso desde muito cedo se dedicou as aulas de inglês e espanhol, era uma menina prodígio e sabia que poderia escrever seu futuro sem ajuda do dinheiro de seus pais.

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