Saio do táxi me deparando com a empresa do grupo Carlaham. É uma das empresas mais famosa e próspera do mundo. Dar até orgulho de ter sido uma das escolhidas entre tantas outras para estagiar aqui.
Tudo é tão impressionante que chega a ser surreal. O hall de entrada é elegante e luxuoso em tons pasteis neutro. Havia sofás e poltronas confortáveis em lugares estratégicos –vejo que não economizaram em nada – nem mesmo na caneta que a recepcionista usava. Ando em direção a recepcionista que me me encara não muito contente. Talvez esteja com sono ou alguma coisa assim. Enfim.
— Bom dia, seja bem vinda ao grupo Carlaham advertising & communication. Em que posso ajuda-lá? — Recitou exatamente como um robô, sem ânimo algum.
— Bom dia. Sou a Clary Backer. Nova estagiária na área de marketing e publicidade. — Mostro minha documentação e espero todo o processo de confirmação. Depois de alguns minutos ela me dá um crachá com o nome escrito estagiária e diz onde devo ir.
Pego o elevador luxuoso de aço brilhante, olho o painel por um segundo e me perco. São tantos botões além dos que se refere a um andar desse prédio que me pergunto para que servem. Tem 45° andares aqui. OMG!
Aperto no 20° e espero as portas se fecharem.
— Segura, por favor! — Ouço pedirem.
Impeço nos últimos segundos das portas se fecharem e um cara alto e forte com a respiração irregular entra as pressas com uma caixa na mão.
"Uau!"
— Obrigado — sorri e estende a mão para me cumprimentar. — Muito prazer, Gabe do financeiro.
— Prazer, Clary Backer — mostro o crachá — estagiária nova do departamento de marketing e publicidade. — Aperto sua mão. Ele tem o sorriso lindo e mãos super firmes.
"Ai papai, me abane!"
Não parece ter mais que 31 anos, loiro de olhos castanhos e muito masculino. Boca bem rosada, pele bronzeada e o sorriso... Meu Deus, nunca vi igual. Além de simpático. Sabe aquela aparência de surfista sexy? Pois é, era exatamente assim que ele parecia.
Conversa vai, conversa vêm. Ele me chama para almoçar educadamente e aceitei já que não conheço nada por ali. Trocamos número de telefone e Boom... Fiz um amigo.
Ele desceu no 15° e eu continuei até chegar no 20° andar. Chegando lá, dei outro surto de pobre. Esse lugar me chamava de pobre em todos os aspectos possíveis.
Sério. Tudo aqui era maravilhoso, até os mínimos detalhes como os jarros de plantas que eram mais elegantes do que eu. Aqui nesse andar as cores eram mais vivas, como o vermelho e dourado que predominam no ambiente. Perfeito.
Sou recebida por outra recepcionista que é bem mais simpática do que a outra com quem falei na recepção do hall.
— Bom dia, senhorita Backer. — Uau... Sou a senhorita Backer aqui. Arrumo até a postura.
— Bom dia... — leio seu crachá. —Senhorita Seul.
— Ah. Por favor, me chame de Amanda. — Nos cumprimentamos.
— Só se me chamar de Clary. — Sorrimos firmando nosso trato.
Amanda é uma moça linda, elegante e muito educada. Me senti bem em torno dela. Tive uma ótima impressão.
— Tudo bem. Venha por aqui. — Mostra o caminho e vamos em direção a sua mesa bem organizada. — Esse aqui é seu crachá de funcionária do derpatamento de marketing e publicidade — pego e o coloco sobre o pescoço — seus horários e o contrato. — Assino tudo direitinho depois de ler e agora é oficial.
Estou empregada!
Fico tão feliz que da vontade de pular e bater palminhas que nem Alice, quando consegue algo de mim.
{•••}
Amanda me mostra toda a área do 20° andar e putz isso aqui é grande pra caramba. Fizemos amizade em questão de minutos, lembrei do convite de almoço mais cedo e não me sentiria confortável em ir sozinha com Gabe. Não que eu o ache estranho nem nada do tipo, mas é meu primeiro dia então acabei chamando Amanda também. Acho que não será um problema. Certo?
Depois de ter me dito o que devo fazer e qual é a minha mesa, comecei logo a trabalhar. Minha mesa provisoria era pequena mas confortável. Meu trabalho era revisar os textos passados para mim pelo computador e corrigi-los, além de outras coisas pequenas como organizar arquivos e etc.
Não pense que meu estágio é só isso, porque não é. Hoje é meu primeiro dia. Todos os estagiários recebem um mentor, no meu caso eu fiquei com o senhor Roberth Harley, mais infelizmente não o encontrei a tempo. Amanda disse que ele saiu em uma viagem de negócios à cerca de 2 horas atrás, então não deixou nada para mim fazer, ou seja, estou ajudando amanda em algumas tarefas.
Depois de tanta revisão em textos inacabáveis, minha vista estava dando sinal de SOCORRO!
Trimmm Trimmm
O telefone da mesa de Amanda estava tocando. No entanto, ela havia saído para resolver uns problemas. Atendi para ajuda-la, afinal era para isso que eu estava ali.
— Amanda... Por Deus. Peça para meu marido atender o telefone imediatamente. Preciso falar com ele agora!
— Bom dia, senhora. Amanda não se encontra no momento, mas posso deixar o recado.
— Argh... Não gosto de novatos — disse mais para si mesma. — Ok!— Rolo os olhos. Mulherzinha snob.
— Qual o nome do seu marido senhora? —Faço questão de enfatizar o senhora para a pôr no seu lugar.
— Ah! Mais como ousa... Mmhmm — pigarreia — deixa para lá. Edgar Coimbaz. — Termina e desliga na minha cara.
Deus! Como pode existir pessoas assim? Sério? Passei por Amanda que estava voltando para sua mesa e perguntei aonde o senhor Edgar Coimbaz estava. Ela me disse e peguei o elevador para o 17° andar. Decidi não comentar nada sobre a grosseria da mulher ao telefone e segui o meu caminho.
O 17° também é impecável. Fui a recepcionista e pedi para falar com Edgar Coimbaz sobre sua esposa. Ela pediu um minuto para perguntar se eu podia entrar e depois de ter me avaliado de cima a baixo cochichou ao telefone. E então enfim, me deu a autorização.
Sou guiada até uma sala com uma porta de madeira rústica grande. Assim que entro sinto aquele cheiro de tabaco forte. A porta se fecha e sinto agonia. Odeio esse cheiro. Vou mais perto e o vejo apagando um charuto.
Ele aparentava ter uns 40 e tantos anos. Trajava o que todos usavam em um escritório. Terno e gravata, que pareciam ser de boa marca. Um relógio de ouro com certeza e um rosto que não negava sua idade.
— Bom dia, Sr. Coimbaz. Recebi um recado da sua esposa. — Digo tudo ao pé da letra e espero ele me dispensar.
— Obrigada... Srta?
— Backer. Já vou indo. — Corro as mãos a maçaneta da porta quando...
— Senhorita Backer... — Chama.
— Sim? Deseja alguma coisa?
— Sim, minha querida. — Encara-me dos pés a cabeça e volta o olhar para meus seios. — Que tal almoçarmos juntos? — envia uma piscadela. Repugnante.
Engulo em seco. A sensação de desconforto para mim era a pior nesses tipos de situações. Me tremia inteira com a forma que ele me encarava. Era nojento. Parecia que ia me despir ali mesmo. Velho porco!
"Fica calma!"
— Tenho compromisso. Bom, se era só isso, já vou indo. — Respondo curta e grossa.
Abro a porta sem mais nem menos e saio. Ele tenta argumentar, porém, sou mais rápida. Fecho a mesma rapidamente e em um suspiro de alívio corro para o elevador. Me sinto péssima. Odeio esse tipo de situação. Tem escrito na minha cara biscate? Ou #topotudo ?
Essas coisas acontecem muito comigo simplesmente pelo fato de eu ser estereotipada como: "ruivas são safadas e esquentadinhas na cama"; Assim como dizem que "loiras são burras" . Isso é um absurdo!
Entro no elevador que graças a Deus está vazio. Quando dou por mim estou presa nos meus pensamentos mais obscuros, minha respiração começou a acelerar, meu peito subia e descia como louco. Eu me sentia suja e lembrava do meu passado que tanto queria esquecer.
Bip
Ao chegar no meu andar, as portas se abriram me assustando. Havia um homem à minha frente, mas não fiz muita questão de levantar o olhar, não consigo nem fazer isso.
Sinto uma dor no peito aguda, coloco a mão massageando a fim de tentar amenizar a dor. Não é uma dor normal. Pelo que descobri, é uma dor psicológica não física. Quando descobri achei que era uma loucura total, mais passando por isso por meses, hoje eu sei que tudo é possível.
Desde aquele maldito dia no dormitório, sinto dores no peito e dificuldade de respirar. Não é a primeira vez. Sempre que uma situação como a qual acabei de presenciar acontece comigo, eu fico assim. Tenho pânico e crises. Ja fui a vários psicólogos e hospitais. Todos me faziam me sentir como se eu fosse doente. No começo eu não conseguia dormi, comer ou falar com ninguém, mas, tive ajuda e hoje estou bem melhor.
— Você está bem? — Toca meu ombro — precisa de ajuda? — ainda sem resposta, levantou meu queixo com as pontas dos dedos e... — porque está chorando? —
Nem percebo que meu rosto está molhado.
Apenas limpo as lágrimas e passo por ele.
— N-não é nada. Um sisto no olho. — Vou em direção a minha mesa, pego minha bolsa apressadamente e tiro meu porta comprimidos.
— Nos dois olhos? — Pergunta seguindo atrás de mim.
Amanda vê toda a situação boquiaberta e preocupada...
— Tudo bem, Clary?
— Está sim. — Tomo o comprimido com água da minha garrafa e sorrio amarelo a tranquilizando.
— Não. Não estar. — A voz do mesmo homem de novo. Rolo os olhos e o encaro.
"Uoouw, como assim América?!"
Puta merda! São os olhos azuis mais lindos que ja vi. Tenho certeza que é o cara que flertei na sexta. Qual a droga da chance de nos encontrarmos assim? Eu flerto sabendo que não os verei nunca mais, então por que Deus está fazendo isso comigo? É alguma provação?
"Apenas relaxe, Clare. Finja que não o conhece. Talvez ele nem lembre de você."
Eu o olho;
Ele me olha de volta;
Tento desviar o olhar mais é quase impossível. Ele percebe e sorrir de lado. Pronto. Agora vou morrer de antecipação.
— Você deveria tratar melhor as pessoas Srta... — procura pelo meu crachá — Clare Backer.
Seus olhos são hipnotizantes.
— E você deveria me deixar em paz. —Retruco no automático.
Quando dou por mim, fecho minha boca rapidamente a cobrindo com as mãos.
"Opa... Saiu sem querer!"
Me repreendo mentalmente por ter uma boca atrevida.
— Desculpe-me senhor. A senhorita Backer é nossa nova estagiária do departamento. A escolhida do Sr. Roberth Harley — explica Amanda. — Hoje é seu primeiro dia. Talvez esteja só nervosa... né? — Direciona o olhar pra mim, pedindo com que eu confirmasse aquilo.
— Ah. S-sim, sim... Desculpe pelo meu comportamento, senhor?...
Será que é alguem muito importante? Maldição! Serei despedida logo no meu primeiro dia por má conduta?
— Sr. Carlaham. Muito prazer. — Estende a mão e a seguro rapidamente.
Mãos quentes e firmes. Ele coloca um pouco mais de força fazendo-me o encarar intrigada.
— O prazer é meu. Me desculpe mais uma vez pelo acontecido Sr. Carlah... Espera... — Carlaham? Do grupo Carlaham? Dono da empresa? CEO?
Eu sei que o descrevi como homem de negócios mais... CEO?! Nunca imaginei.
"WTF!!!"
Ai meu Deus! Sou azarada ou não sou? Tento soltar minha mão, mais a mesma é segurada firmemente. Eu ainda não tô acreditando nisso.
Ele estuda meu rosto que com certeza deve estar parecendo que levei uns tapas de tão vermelho. Passada que estou passando por isso no meu primeiro dia.
Mais porque o CEO desceria até aqui? Ele não tem milhões de secretárias e trilhões de subordinados? Por que raios ele mesmo veio até aqui? Isso não aconteceria nem em um trilhão de anos. Uma mera estagiária conhecer o CEO de uma grande corporação que é ocupado e tem dezenas de coisas para lidar, logo no seu primeiro dia de trabalho. Qual é a chance?
— Amanda, vá buscar um café pra mim. Por favor. — Dou uma pequena estremecida com tom de sua voz. Rouca e grave.
Ela faz que sim e sai nos deixando a sós.
"Puta que pariu! O que eu devo fazer agora? Por que diabos ele ainda não soltou minha mão?"
Até tento passar um código secreto pra Amanda antes de ela sair, para não me deixar ali naquela saia justa. Mais é inútil. Ela ja se foi.
Começo a sentir a sensação de desconforto. Então ele finalmente solta minha mão.
— Você está bem agora? — Sua mudança repentina de tom me assustou e tranquilizou ao mesmo tempo. Agora parecia mais suave.
— MMhmm. — Confirmo com a cabeça.
Me sinto nervosa ao ponto de tremer, mais mantenho a pose.
"Bom, a única coisa que eu quero é que ele não me reconheça."
Se reconhecer, vou acreditar de verdade que o destino está conspirando contra mim. Sério! Não tem como isso estar acontecendo comigo.
— Então tem uma língua afiada Srta. Backer.
— Pois é, né. Não posso ser perfeita em tudo — brinco, tentando apaziguar o ambiente.
Definitivamente toda a dor que estava sentindo antes sumiu. Evaporou. O remédio fez efeito rápido demais até.
— Posso saber o que a deixou daquela forma?
"Curioso não?"
— Foi só... Saudades — digo. O quê não é uma mentira totalmente. Fico esperançosa para que ele compre essa droga de desculpa.
— Posso saber de quem ou de quê? — Bebo um pouco de água da minha garrafa para tentar engolir o nó na garganta e me dar tempo para pensar.
"Tá quente né?"
Ele me segue com os olhos a cada minima coisinha que eu faço. Já estou parecendo um tomate e ele ainda fica atento a cada movimento meu. Aí é sacanagem.
Seus olhos parecem que tem visão periférica, não deixa escapar nadica de nada. Por que diabos ele parece tão curioso sobre minha vida nada empolgante?
— Bob! — Repondo ao lembrar dele. — Me mudei de Chicago faz quatro dias. Não estou acostumada a ficar sem ele — confesso.
— Entendi. — Sua expressão muda abruptamente. Seu maxilar enrijece um pouco e seus músculos se contraem — espero que reencontre o seu namorado logo.
— Ha Ha Ha!
— Eu disse algo engraçado? — Franze as sobrancelhas em confusão.
"Nossa como esse moreno fica lindo assim."
— Bob é meu cachorro — Sorrio alegremente.
Sua postura se ergue imediatamente.
— Ótimo. — Fala mais para si mesmo. Então eu finjo não ter ouvido.
— Disse alguma coisa? — Ele não responde.
— Aqui está Sr. Carlaham. — Amanda aparece nos lembrando que tinhamos que trabalhar em vez de bater papo.
— Muito obrigado. Bom trabalho. — Pega seu café e se despede com um aceno de cabeça.
— O acompanhe!... — Amanda me empurra sussurrando em sua direção.
O acompanho até o elevador, ele aperta o botão e toma um pouco do seu café. As portas se abrem e o mesmo entra se virando em seguida em minha direção.
— Muito bom revê-la, Srta. Backer — pude notar um pequeno levantar de seus lábios. Ou talvez eu estivesse imaginando.
Seu olhar penetrante que rouba minha alma estava ali, igual na noite em que nos conhecemos pela primeira vez. Provavelmente essa é a primeira vez que estou feliz por Alice ter bebido além da conta. Se não fosse por ela, eu teria feito algo inimaginável, e minha situação agora seria pior do que está sendo nesse momento.
— Continua linda. Mesmo sem aquele seu pedacinho de pano preto rodado — pisca descaradamente.
Não tive tempo para retrucar, não por que as minhas palavras evaporaram, mais, sim porque as portas se fecham como se estivesse em câmera lenta. Agora eu tinha certeza que ele estava sorrindo.
"Puta merda, agora eu me fudi de vez."
{•••}
Ok. Deixa eu ver se eu entendi direito: O dono da empresa onde trabalho é o cara com quem eu flertei na boate. Ele me viu tendo uma crise e ainda por cima, lembra do nosso flerte.
"Aaaaaaah!!!"
Por que essas coisas só acontecem comigo?! O que eu fiz de errado? Não lembro de ter jogado pedra na cruz.
Termino de revisar mais alguns relatórios de publicação qualquer quando Amanda me chama.
— Ei!
— Oi?
— Não vamos almoçar? — Pergunta confusa.
Fiquei tão imersa nas revisões que não tinha reparado na hora. Observo no computador que já são 12:05. A hora passou voando.
— Ah. Vou sim. Não reparei que já havia passado isso tudo.
— Imagino. Depois de ficar uns minutos com o Sr. Carlaham é normal se esquecer das coisas ha ha ha... — brinca animadamente. Rolo os olhos rindo também. — Ele te deu uma bronca? — Pergunta curiosa.
— Não. Acho que ele entendeu que eu não estava bem.
— Você está bem mesmo?
— Sim, e obrigada por se preocupar.
— Ah, não precisa agradecer. Agora vamos comer, tô faminta! — Sorrimos.
{•••}
Estamos no primeiro andar, no hall de entrada quando observo Gabe se aproximar com seu sorriso gentil e maravilhoso.
— Ai meu Deus! Ele está vindo em nossa direção... — Amanda parecia está muito nervosa.
— É. Ele vai almoçar com a gente. Não tem problema né? — Pergunto preocupada. Eu não havia avisado nenhum dos dois sobre isso então...
— Por que não me disse isso antes?! — Amanda pergunta um tanto estérica e desengonçada.
— Tem importância? Algum problema?
— É que... é...
— Ai meu Deus! Você é... AFIM DELE! — Aponto para seu rosto vermelho perplexa.
— FALA BAIXO! — Corre em minha direção tapando minha boca rapidamente. Tão fofa.
— Oi garotas. Espero que estejam falando de mim - sorrir divertido. Retribuo animada.
"Oh se tava!"
Amanda por outro lado não conseguia demonstrar absolutamente nada. Apenas ficou em silêncio olhando para baixo. Dou um empurrãozinho no braço dela e a mesma sorrir nervosamente.
— Ha Ha Ha... — Logo em seguida uma grande risada forçada. Meu Deus. Coitada.
— Então vamos nós três juntos? — Gabe pergunta sorridente.
— Sim. Espero que não se importe mais chamei a Amanda também.
— Claro que não, quanto mais melhor. Vejo que já está fazendo belas amizades. — Gabe lança uma piscadela brincalhona depois de um sorriso para Amanda que reage timidamente.
"É, pelo visto esse já tem uma dona. Ou pelo menos, quase."
Fomos para um restaurante no qual Gabe sugeriu e sentamos em uma mesa mais ao fundo. Depois de termos sido atendidos, fizemos o pedido. Comemos calmamente conversando sobre o trabalho e um pouco de cada. Amanda ouvia mais do que falava então arrumei uma desculpa para deixa-los a sós por um tempo. Estou dando uma oportunidade para os dois se conhecerem melhor, ou pelo menos, Amanda abrir a boca. A garota passou o almoço todo de boca fechada e as vezes encarava Gabe de canto de olho. Essa aí não deve saber muito sobre relacionamentos.
Depois de voltar à mesa, observo os dois em um papo bastante descontraído e animado. Sorrio satisfeita.
"Isso aí garota!"
Eles formam um belo casal, tenho que admitir. Gabe insiste em pagar a conta e como não sou mal educada, aceito. Melhor economizar. Voltamos ao trabalho em menos de 10 minutos, o restaurante ficava à uma 6 minutos da empresa.
{•••}
Hora: 17:50 da tarde. Me encontro exausta, minha vista perdia o foco de vez enquanto, mas, até que não foi ruim. Guardo uns papéis na gaveta da minha mesa provisória e arrumo minha bolsa.
Meu trabalho por hoje acabou. Levanto me espreguiçando com os braços para cima, despeço-me de Amanda e espero o elevador. As portas se abrem revelando algumas pessoas –Homens e mulheres vestindo roupas caras pra variar. Aperto o botão do hall, entretanto, o elevador sobe para o 45° andar. Quando chegamos lá, todos saem e só eu fico dentro da caixa de metal. Em uma parede não muito distante daquele andar uma coisa me chama atenção, sem perceber, saio do elevador e ando em direção ao objeto pendurado. Depois de alguns minutos, sou despertada por uma voz que não fazia muito tempo que a ouvi hoje.
— Gostou? — Sobressalto. — Perdão. Não quis assusta-lá.
— N-não, não. Tudo bem. Eu que não deveria estar aqui. — Vou andando em direção ao elevador.
— Não precisa ir tão rápido. Você pode dar uma volta... posso pedir para minha secretária lhe mostrar o andar inteiro. — wats? — Tem muito mais obras como essa espalhadas por aqui.
— Isso não vai ser necessário. O quadro me chamou a atenção, achei muito bonito, só isso. — Entro no elevador e me viro para ele com um sorriso pequeno. — Tenho que ir agora. Boa noite, senhor Carlaham. — As portas vão se fechando.
— Srta. Backer... — Faz um aceno de cabeça se despedindo.
— Senhor Carlaham — sussurro. Então às portas se fecham.
Solto o ar com força, o qual eu nem sabia que estava segurando mais uma vez. Vou direto para saída do prédio a procura de um táxi. Ainda não comprei um cartão de metrô, táxi é uma fortuna, porém, seguro.
— Srta. Backer? — Um homem de meia idade bem aperfeiçoado vem ao meu encontro.
— Sim?
— Sou o Sr. Ed, motorista e segurança pessoal do Sr. Carlaham. Ele me pediu para leva-la em casa. Está ficando tarde.
"Mais o quê?!"
— São apenas 18:00 horas — retruco. — Muito obrigada, mas posso pegar um táxi. — Faço sinal para um táxi que apareceu e abro a porta do passageiro. Antes de entrar continuo. — Diga ao seu chefe que agradeço a consideração mais não preciso que me levem pra casa. — Entro no veículo e zarpo dali.
Qual a lógica do CEO –Homem misterioso da boate– fazer um pedido inusitado desse para seu motorista? Ele quer alguma coisa? Não deveríamos deixar o que passou passar de vez? Então, qual o sentido? Ele faz isso para todas as funcionárias estagiárias? Acredito que não.
Chego em casa em menos de 30 minutos, se fosse de metrô, seria em uma 1 hora no máximo. Ainda tô pensando na ideia absurda e surreal do moreno/chefe em pedir ao seu motorista para me trazer em casa.
"Loucura não, além!"
Vou direto para o quarto, tomo um banho relaxante e me arrumo para dormi confortavelmente na minha cama nova. Apareço no quarto de Alice e vejo que ainda não chegou. Abrindo a geladeira, observo que não tem nada comestível, então resolvo ir ao mercado e comprar ingredientes para fazer uma comida de verdade para jantar, porque de besteiras... Basta!
Volto no quarto e troco de roupa, desço para a recepção e peço informações do supermercado mais próximo. Ele fica a 3 quadras de casa então vou andando mesmo.
Chegando lá, pego tudo o que preciso e vou para fila pagar. Enfim, chega a minha vez e finalmente coloco tudo em cima do balcão esperando garoto passar minhas compras.
— São 30,75 dólares, gata. — Pisca descaradamente. Sorrio divertida com a audácia da criança. Se tem 18 anos é muito.
— Gata? — Todos os pequenos cabelos do meu corpo se eriçam e meu coração dispara automaticamente. Reluto em olhar para trás, porque é impossivel ser ele.
"Não pode ser. Não tem como!"
Respiro fundo tomando coragem para me virar para trás. Ele está lá. Lindo e... Gostoso!
— O que faz aqui? — É a primeira coisa que vem á minha cabeça.
— Desculpe senhor. Não sabia que ela estava acompanhada. — O garoto disse envergonhado.
— Não estou! — Afirmo. Volto minha atenção as compras e pego o dinheiro da carteira lhe entregando.
— Está sim. Eu pago. — Seu olhar penetrante me desafia. Pega a minha mão baixando o dinheiro e dá uma nota de 50,00 dólares ao rapaz que tenta achar troco nervosamente. — Fique com o troco.
— Obrigado senhor! — Coloca a nota alegremente no caixa.
"O que ele tá fazendo aqui?! Não pode ser uma coincidência, né?"
— Eu posso pagar... — ele me impede passando por mim. — O que você tá fazendo? — Carrega minhas compras do caixa.
— Você está atrapalhado a fila. — Olho para trás e vejo duas pessoas esperando minha boa vontade de aceitar a gentileza e ir embora.
— Já está pago. Vamos! — Ele apenas sai com as minhas sacolas na mão as carregando porta á fora.
"Alguém entendeu alguma coisa aqui? Porque eu tô boiando."
Saí do supermercado atrás dele. O mesmo entrega as sacolas ao senhor que me parou hoje mais cedo que se indentificar como o motorista/segurança pessoal dele. Ele pega as sacolas e coloca no porta malas do carro.
— Ei Ei Ei! — Chamo sua atenção. — Pode devolver minhas sacolas?
— Vou leva-lá em casa. Vamos entre. — Abri a porta do passageiro de seu Audi preto.
— Mais...
— Não tem mais. Só entre — diz, parecendo autoritário até no olhar.
— Você é muito mandão sabia?
— Só obedece. — Não me movi. Cruzei os braços e esperei. — Por favor.
"Daqui não saio, daqui ninguém me tira."
Permaneço no lugar com os braços no peito. Ele vem em minha direção e para a poucos centímetros o que faz com que nos encaremos por milésimos. Não consigo decifra-lo. Seus olhos lindos e tempestuosos me deixa perdida. O senhor Carlaham pega minha mão suavemente e acaricia com o polegar.
— Te explico no carro, então por favor, vem comigo. — Pede em um tom de súplica.
"Assim não vale!"
"DIZ NÃO!"
"DIZ NÃO!"
"DIZ NÃO!"
— Ok — entro no veículo com ele seguindo logo atrás.
"Tapada mesmo!"
{•••}