Capítulo 2

Thomás Caputo

TEMPOS ATUAIS | FLORENÇA/ITÁLIA

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Acordei no horário habitual e segui para tomar um banho rápido, pois preciso malhar um pouco antes de ir para casa do meu pai.

— Tenho que arrumar uma nova assistente. A última conseguiu me tirar do sério e olha que não costumo me estressar. — grunhi seguindo para minha academia pessoal.

Meu telefone tocou e vi ser Dionísio.

— Thom! Acorda, porra!

— O que você quer me ligando às 6h da manhã? — questionei seguindo para a porta, porque sei que está atrás da mesma.

— Malhar! Hoje é de lei meu amigo, ninguém mandou me acostumar mal. — gargalhei da sua cara de pau de vir malhar na minha casa todos os sábados — Anda!

Abri a porta e dei de cara com ele, que tem uma xícara de café na mão e me ofereceu com um sorriso cínico no rosto.

— Pagamento! — aceitei, pois minha empregada só trabalha de segunda a sexta — E aí? Já comprou o presente do Tierry?

— Claro, mesmo que seu aniversário seja só segunda, já me antecipei. — compartilhei seguindo com ele para o andar de baixo — No momento estou com um problema bem maior.

— O que te atormenta? — questionou quando subimos na esteira.

Tive que comprar uma nova, já que malhamos juntos aos sábados há mais de um ano e era uma briga para vê quem ia à esteira primeiro.

— Mandei minha assistente embora, essa conseguiu me estressar.

— Mentira? Impossível. — fez uma careta engraçada — O que ela aprontou?

— Mandei uns arquivos importantíssimos que não havia feito cópia tampouco deixado salvo no desktop e ela simplesmente limpou a caixa de e-mail!

— E agora? Como fará? — lhe contei em riqueza de detalhes, o deixando a par de tudo.

— Preciso de uma urgente, esse mês tenho novos projetos em vista e tenho negócios muito lucrativos em Bosto. — sai da esteira e segui para malhar braço — Preciso de uma que fale inglês, não posso dar um de tradutor Dionísio. Meu irmão só me arruma assistente que não preenche o currículo que desejo.

Desabafei a verdade, porque Thiago só me dar dor de cabeça.

— Desta vez vou arrumar uma sozinho.

— Sim, coloca um anúncio no jornal amanhã, domingo todo mundo ler jornal. — achei a ideia ótima — Confio que logo achará uma e talvez, digo talvez ela possa…

— Nem começa! Você também é viúvo e nunca te vi com mulher nenhuma! — reclamei, já que sabe da minha situação.

— Tem razão. — encolhendo os ombros concorda comigo — Estamos ficando velhos, meu amigo.

— Diga por você! — apontei para sua barba grisalha — olha quantos fios brancos possui nesse cara Dio! Pelo amor de Deus, vai fazer essa barba.

— Hoje eu faço, prometo. — entramos em um assunto aleatório até finalizarmos o exercício — Vamos sair amanhã depois que eu sair do plantão?

— Não, tenho um compromisso. — afirmei, já que vou a um baile beneficente — Festas corporativas onde tenho que perder alguns euros para alguma fundação em nome da empresa.

— Entendo, passo por isso com muita frequência no hospital, tenho que ir.

Levei ele até a porta e quando se foi, admirei a solidão do meu lar.

— Ligarei para minha irmã, talvez me ajude com um bom anúncio para minha nova assistente, não aguento mais as que Thiago me arruma.

Tomei um banho e quando finalizei liguei para ela.

— Thom, mande seu jatinho vir me buscar, esse ano eu vou ao aniversário do papai.

— Bom dia para você também! Que falta de educação é essa? — questionei visto que de nós três ela é a mais educada — Hein?

— Desculpa, é o estresse da faculdade. — respirou fundo antes de continuar: — São poucos os alunos que consigo me dar bem, Thom! Quer saber, estou considerando voltar para Florença, cuidar do papai e da Gil, depois que a mamãe se foi ele me liga diariamente pedindo para voltar. — fiquei bem feliz com essa informação.

— Que horas planeja vir, pedirei o Armênio para ir te buscar — questionei indo para a sala — Liguei por um motivo, Antonella.

— Não trabalharei na empresa! Sabe que não gosto do estresse corporativo e atualmente não gosto de dar aulas também! Esse ano me aproximei muito de uma aluna que finalizou a alguns meses, acredita que sinto falta dela?

— Se apaixonou por ela, Antonela? Isso é antiprofissional! — exclamei, pois minha irmã joga no mesmo time que eu e como ficou solteira a pouco tempo deve estar se apaixonando por suas alunas.

— Não! Ela tem um noivo, sinto falta da inteligência da própria, sem falar nos trabalhos impecáveis que me entregava. — soltei uma gargalhada devido à explicação — é sério, ia falar dela para o Thiago, pois a parte de estágio é com ele né?

— Sim, odeio essas novatas, Thiago gosta de sofrer assédio, eu não. Bom, preciso que me ajude com um anúncio, fiquei sem assistente e preciso de uma com urgência.

— Então contrata a Cibele, Thom! Confia em mim, não vai se arrepender.

Ponderei recusar, visto que essas recém-formadas são muito oferecidas e loucas para fisgar um CEO bilionário.

— Não correrá o risco de ser assediado! Sei, está pensando nisso. Cibele é noiva. — alisei meu rosto pensando na possibilidade — O currículo lattes dela é ótimo, fala 5 idiomas mais o nativo, será excelente com o meio corporativo em falar na dicção. Antes de finalizar sua conclusão me afirmou querer um estágio, mas trabalhar direto contigo será bom.

— Gostei de ser poliglota, mas será vai querer ser minha assistente? — ela disse que sim — tem certeza?

— Claro, ligarei para ela amanhã no primeiro horário, se topar já levo comigo.

— Ok, espero não me arrepender. — declarei indo atrás das chaves do meu carro — me fala o horário, vou mandar o Armênio te buscar. Por favor, quando falar com ela diga que não tolero atrasos, preciso que tenha disponibilidade para viajar, a outra não tinha!

— Pode deixar, não vai se arrepender Thom, mas me promete que dará um bom estágio a ela, quando não precisa mais que seja sua assistente?

— Pensarei no seu caso, prometo! Agora vou para casa do papai. — trocamos mais algumas informações e desliguei.

Capítulo 3

Thomás Caputo

CASA DO TIERRY CAPUTO | 11:00

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Estacionei na casa do meu pai e Thiago veio me abordar na entrada.

— Thom, o que aconteceu? — levantei os ombros, pois acabei de chegar e não faço ideia do que esteja falando.

— Não sou adivinho, de que se refere? — ele revirou os olhos por responder sua pergunta com outra e para não estragar meu sábado com as baboseiras dele, continuei seguindo meu caminho.

— Outra assistente?

— Ah! Isso? Bom, não se preocupe, já consegui uma — tentei sair, mas segurou meu braço —, me solta! Sabe que não gosto dessa aproximação.

— Desculpa! — me soltou e ficou na minha frente me impedindo de entrar na casa — Quem é? Digo, pegou alguma, de outro setor?

— Isso não é da sua conta! — esclareci, pois ele tem uma mania muito feia de ficar xeretando minha área — As que arrumou só me deram trabalho, agora me dá licença.

Tentei mais uma vez e me impediu. Respirei fundo, pois ia passar a todo custo, mas minha visão foi além e vi meu pai.

— Crianças, para melhorar meu dia só falta a Antonella. — veio falar comigo e Thiago se afastou — Não me digam que estão falando da empresa? Se tiver, vão embora!

Em um tom brincalhão nos expulsou.

— Quanto a Antonella, tenho uma ótima notícia — ia contar quando Thiago me segurou pelo braço mais uma vez e levou um tapa por causa disso.

— Pai! Você viu? — meu pai negou com a cabeça.

— Estou quase cego para seus Dramas Thiago, não sei a quem você puxou — nos deu as costas para brigarmos em paz — Quando terminarem estarei na cozinha. Gilda fez um ótimo almoço, então não demorem.

— Se eu tentar passar por essa porta mais uma vez e entrar no meu caminho, vou te bater com força. — o ameacei em vão, visto que colocou a mão no umbral me impedindo — Thiago!

— O que tem a Antonella?

— Está vindo de vez para casa, vai cuidar do nosso pai, já que vivemos para a empresa. — esclareci amigavelmente — agora respondendo sua pergunta, não que eu deva! Minha nova assistente vem com ela.

— Como assim? — bufei e passei por ele — Thom!

— Porra! Você é chato. — segui para a cozinha e vi Gilda conversando com meu pai — Gil, tem o que para o almoço?

— Fiz cordeiro, purê e salada. — fui até ela para apertar sua mão — como você está meu menino? Já arrumou alguém?

— Não e nem vou. — cortei logo essa assunto, por essa velha ser chata com isso de me arrumar alguém — Pai, quero conversar contigo.

— Senta aqui. — me juntei a ele na mesa.

— Preciso entender, como trabalharei em harmonia com os americanos? Eles se acham os donos do mundo e não gosto disso. — entramos nesse assunto até Gil nos convocar para almoçar — Farei o que me instruiu.

— Faça! Assim vão entender quem está no controle. — quando nos sentamos à mesa o assunto mudou para minha irmã — Que notícia maravilhosa.

— Ela cogita ocupar alguma área da empresa? — foi Thiago a me questionar — Já tenho que dividir contigo!

— Sua ambição me assusta meu filho, o tamanho desse império dá para vocês três! Antonella vai ocupar o setor dela, vou me encarregar disso. — meu pai confirmou algo que tenho certeza que acontecerá.

— Pai, acho mais que justo! Antonella deve ocupar o cargo de COO. — Thiago torceu o nariz ganhando nossa atenção — O que foi?

— Nada, você tem razão, vai desafogar o peso nos nossos ombros. — preferi me calar, já que seu comportamento invejoso me irrita — Thom, o que aconteceu com a sua assistente, só esse ano já é a terceira.

— As que me arruma sempre me dão dor de cabeça. Não podem viajar, não fala determinado idioma ou tem o hábito de limparem a caixa de e-mail. — esclareci o motivo pelo qual as três foram demitidas — Essa foi a Antonella quem me arrumou, vem da Grécia junto com ela amanhã. Fala 5 idiomas e tem formação no meio empresarial, foi sua aluna preferida, por isso indico-me.

— Ela se apaixonou pela aluna? — meu pai questionou.

— Não, fiquei sabendo que tem um noivo. Antonella queria colocá-la como estagiária, mas já fechou as vagas deste ano. — compartilhei o que sei enquanto junto meus talheres no centro do prato — Como preciso de alguém que saiba trabalhar e não me dê dor de cabeça, vou ficar com ela, quando abrir as vagas para estágio a encaixo no treinamento. Creio que deve sonhar com um cargo corporativo. Se for uma boa assistente, aproveitarei e ensinarei como lidar com os leões.

— Posso dar um jeito de colocá-la comigo, lembro-me que disse que as últimas estavam te assediando. — neguei com a cabeça, visto que não vou retroceder no meu combinado com Antonella — Por que não?

— Dei minha palavra, a nossa irmã e sabe que não retrocedo. Essa jovem foi um achado! Fala 5 idiomas mais o nativo, não vou perder minha nova assistente. — afirmei e dei o assunto por encerrado.

Voltamos a falar de coisas aleatórias e ao anoitecer fui para casa.

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