Capa do Romance Minha Filha Roubada, Minha Vida Estilhaçada

Minha Filha Roubada, Minha Vida Estilhaçada

9.6 / 10.0
Joana Rezende, herdeira em São Paulo, vê seu mundo ruir ao descobrir que Clara, a menina que criou por três anos, não é sua filha biológica. Vítima de uma traição cruel, ela descobre que seu marido Bruno e sua amiga Carla trocaram os bebês no parto e planejam interná-la como louca. Após ser humilhada publicamente e rejeitada pela criança, Joana foge para Lisboa com ajuda inesperada. Agora, ela busca sua verdadeira filha e prepara uma vingança implacável contra os traidores.

Minha Filha Roubada, Minha Vida Estilhaçada Capítulo 1

Sou Joana Rezende, herdeira de um império imobiliário em São Paulo. Eu tinha uma vida perfeita com meu marido, Bruno, e nossa filha de três anos, Clara.

Então, uma única frase de um médico estilhaçou meu mundo.

"A Clara não é sua filha."

A verdade era um pesadelo. Meu marido e minha melhor amiga, Carla, haviam trocado nossos bebês na maternidade. Minha verdadeira filha foi abandonada enquanto eu, sem saber, criava a deles.

Eles planejaram me declarar louca e me trancar para sempre. Na festa de aniversário da Clara, eles me humilharam publicamente, virando a criança que eu criei contra mim até ela gritar que desejava que Carla fosse sua mãe.

Meu marido e minha melhor amiga me viam apenas como um obstáculo a ser removido permanentemente.

Mas eles me subestimaram. Com a ajuda secreta da própria mãe de Bruno, orquestrei minha fuga para Lisboa. Agora, vou encontrar minha verdadeira filha, e eles pagarão por cada uma de suas mentiras.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Joana Rezende

"A Clara não é sua filha."

As palavras me atingiram como um soco, mais frias que o ar-condicionado estéril do quarto do hospital. Eu ainda estava atordoada com a notícia de que minha pequena de três anos, minha doce Clara, estava terrivelmente doente. Seu corpinho, normalmente tão cheio de vida, jazia imóvel na cama, conectado a um emaranhado de tubos. Bruno, meu marido, a trouxera às pressas para cá, seu rosto pálido e tenso. Agora, o médico, Dr. Alencar, um homem em quem eu confiava há anos, estava diante de mim, sua expressão sombria.

"Do que você está falando?" Minha voz saiu mais ríspida do que eu pretendia, carregada de um pavor que não tinha nada a ver com a febre da Clara. "É claro que ela é minha filha. Que tipo de piada cruel é essa?"

Dr. Alencar suspirou, ajustando os óculos. "Sra. Tavares, eu entendo que isso seja devastador. Fizemos o exame de sangue da Clara. O tipo sanguíneo dela é AB Negativo. O seu é O Positivo, e o do Sr. Tavares é B Positivo." Ele fez uma pausa, deixando a matemática impossível pairar no ar. "É biologicamente impossível que a Clara seja sua filha."

Um terror gelado se infiltrou em meus ossos, me arrepiando muito mais do que o ar-condicionado do hospital jamais conseguiria. Impossível. A palavra ecoava, oca e aterrorizante. Minha mente voltou ao nascimento da Clara. Uma cesárea de emergência, um borrão de dor e medicamentos, e então o breve e exausto momento em que a ergueram antes de levá-la para a incubadora. Bruno estava lá, um pilar de força, ou assim eu pensava. Ele sorriu, segurou minha mão, me disse que ela era perfeita. Ele parecia tão aliviado, tão amoroso.

Meu estômago se revirou. Isso não podia estar acontecendo. Minha Clara, a garotinha que eu nutri, amei e protegi por três anos, não era minha? E a minha filha de verdade? Aquela que me disseram que morreu poucas horas após o nascimento? Minha garganta se apertou. Uma nova onda de luto, crua e inesperada, ameaçou me dominar. Luto por uma criança que eu nunca conheci de verdade, um fantasma que agora parecia assustadoramente real.

E Bruno. Bruno sabia. Como ele poderia não saber? Ele estava lá. Ele segurou minha mão. Ele olhou nos meus olhos e mentiu. Por três anos, ele orquestrou essa farsa elaborada e cruel. Meu marido, o homem que eu amava, o playboy regenerado que me arrebatou, aquele que me prometeu a eternidade. Ele interpretou o marido perfeito, o pai amoroso, tudo isso enquanto guardava esse segredo sombrio.

Grupo Rezende. Esse era o meu nome, meu legado. Joana Rezende, a elegante e inteligente herdeira única de um império imobiliário de São Paulo. Eu tinha tudo — riqueza, status, uma vida aparentemente perfeita. E eu dei tudo, meu coração inclusive, para Bruno Tavares. Ele me perseguiu incansavelmente, um turbilhão de charme e intensidade. Ele me convenceu de que havia mudado, que tinha deixado para trás seus dias de galinha. Eu acreditei nele. Tola. Completamente.

"Preciso confirmar isso," eu disse, minha voz estranhamente calma apesar do terremoto que explodia dentro de mim. "Preciso de uma segunda, uma terceira, uma quarta opinião. DNA. Tudo."

Dr. Alencar assentiu lentamente. "Claro, Sra. Tavares. Já coletamos as amostras. Os resultados serão agilizados."

Agarrei a beirada da maca, meus nós dos dedos brancos. Minha filha. Minha filha de verdade. Onde ela estava? Estava viva? E Bruno. Meu marido. Eu o encontraria. Eu teria respostas.

Peguei meu celular, meus dedos tremendo levemente enquanto discava. "Dona Cida," eu disse, minha voz recuperando sua autoridade habitual. "A Clara precisa ir para casa. Agora. Eu volto em breve." A babá, graças a Deus, não questionou.

Saindo do hospital, as luzes da cidade se tornaram um borrão ao meu redor. Meu mundo havia se estilhaçado em um milhão de pedaços. Minha cabeça latejava com uma mistura vertiginosa de fúria e incredulidade. Eu tinha que confrontá-lo. Eu tinha que entender.

Chamei um táxi, dando o endereço do bar favorito de Bruno no Itaim Bibi. Ele costumava ir lá para "relaxar" depois de um longo dia de "reuniões importantes". Meu estômago se contorceu. Quantas dessas "reuniões importantes" eram apenas um disfarce para sua outra vida?

O táxi virou uma esquina bruscamente, me jogando contra a porta. Eu mal notei. Minha mente estava consumida por Bruno, por Clara, pelo peso insuportável dessa traição. Então, um flash de movimento. Uma confusão à frente. Luzes azuis e vermelhas pulsavam através da janela manchada de chuva.

"O que está acontecendo?" perguntei ao motorista, espiando.

"Parece briga, senhora. Engravatados da Faria Lima, provavelmente beberam demais."

Mas meus olhos se estreitaram. Uma figura no centro da confusão, de costas para mim, mas eu conhecia aquele terno caro, aquela constituição familiar. Bruno. Ele estava distribuindo socos, seu rosto uma máscara de fúria que eu raramente via. E ao lado dele, uma mulher. Cabelo loiro curto, a mão em seu braço, tentando puxá-lo para trás. Carla. Carla Bernardes. Minha melhor amiga. Minha suposta salvadora. Aquela que salvou minha vida com uma doação de medula óssea anos atrás.

Meu sangue gelou. As peças se encaixaram com uma precisão doentia. Carla. A "salvadora" que se infiltrou na minha família, na minha vida, sob o disfarce de amizade. A analista júnior que eu pessoalmente promovi no Grupo Rezende.

Bruno deu um último soco, fazendo um homem cair no chão. Carla o afastou, sussurrando com urgência. Ele pareceu se acalmar, olhando para ela com uma intensidade que revirou meu estômago. Não era apenas amizade. Era algo mais profundo, algo doentiamente íntimo.

Inclinei-me para frente. "Pare aqui," disse ao motorista. Paguei, meus olhos nunca se desviando deles. Eles se afastaram, indo em direção a uma rua lateral mal iluminada, ainda conversando, a mão de Carla agora entrelaçada com a de Bruno. Pareciam um casal. Um casal de verdade.

Eu os segui, mantendo-me nas sombras, meu coração martelando no peito. Eles pararam em um beco isolado, banhados pelo brilho berrante de um letreiro de neon.

"Você realmente acha que ela vai ficar naquela cobertura, Bruno?" A voz de Carla, geralmente tão doce, agora estava carregada de uma acidez que eu nunca tinha ouvido. "Trancada e dopada, assim sem mais nem menos?"

Bruno zombou. "Ela é frágil, Carla. Emocionalmente instável. Depois do que aconteceu com a Clara, o tipo sanguíneo... vai ser fácil incriminá-la. Vão dizer que ela surtou sob pressão. Venho cultivando essa narrativa há meses."

Minha respiração falhou. Dopada. Me incriminar. Instável. As palavras me atingiram como golpes repetidos. Ele estava me manipulando. Sistematicamente.

"E a Clara?" Carla perguntou, sua voz mais suave agora, quase possessiva. "Quando poderemos ser uma família de verdade? Ela precisa da mãe de verdade dela, Bruno."

"Em breve, meu amor. Em breve." Ele a puxou para mais perto, seus lábios roçando o cabelo dela. "Nossa pequena Clara estará segura conosco. Só precisamos tirar a Joana do caminho. Permanentemente."

Ele a amava. Ele amava a Carla. E a Clara... a Clara era deles. A verdade, feia e crua, explodiu em minha mente. Minha filha, aquela que eu criei, amei, era a personificação viva da traição deles. E minha própria filha, a pequena vida pela qual eu lamentei, havia sido substituída. Trocada.

Meu estômago se revirou. Lembrei-me de Carla, sempre por perto, sempre "ajudando" com a Clara. Os intermináveis "encontros para brincar". A maneira como Clara às vezes se agarrava mais a Carla do que a mim. Eu havia descartado isso como o afeto inocente de uma criança, um vínculo com sua "tia". Como eu fui cega. Como fui total e devastadoramente tola.

Ele estava planejando me trancar. Meu próprio marido. O homem que jurou me proteger. Ele me via como um obstáculo, um problema a ser descartado.

Meu celular vibrou no meu bolso. Uma mensagem de Bruno. "Dia difícil, meu amor. Acabei de chegar em casa. Com saudades já. Te vejo na cama."

Minha visão embaçou com lágrimas, não de tristeza, mas de pura e incandescente fúria. A hipocrisia. A audácia pura. Ele era um monstro, envolto em um terno de grife e um sorriso encantador. Ele não havia mudado. Ele ainda era o playboy, mas agora com uma malícia fria e calculada que eu nunca imaginei.

Agarrei meu celular, meus nós dos dedos brancos. Meu coração batia contra minhas costelas, uma batida selvagem de fúria e determinação. Isso não era mais sobre meu coração partido. Era sobre sobrevivência. Era sobre justiça. E era sobre minha filha de verdade, onde quer que ela estivesse.

Respirei fundo, trêmula, forçando as lágrimas a voltarem. Não. Eu não choraria. Ainda não. Eu o faria pagar. Ambos pagariam.

O beco estava quieto agora. Eles tinham ido embora. Mas eu ainda estava aqui. E eu não era mais apenas a esposa confiante. Eu era Joana Rezende, herdeira de um império. E eu estava indo atrás deles.

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