Capa do Romance Joca: O dono do Morro

Joca: O dono do Morro

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Joca governa o morro com punho de ferro, derrubando qualquer um que ouse desafiá-lo. Sua vida muda quando Vitória, uma jovem de dezoito anos que acaba de deixar um abrigo, busca refúgio em seus domínios. Dona de uma pureza magnética, ela logo desperta uma obsessão implacável no temido líder. Determinado a possuí-la, Joca não aceitará um não como resposta, recorrendo até ao confinamento. Resta saber se a inocência de Vitória resistirá ao domínio do perigoso dono do morro.

Joca: O dono do Morro Capítulo 1

Joca

Acordo cedo todos os dias. Desde a morte do meu pai, há cerca de 5 anos atrás, tomei seu lugar como o dono do morro. Meu pai era o Joca. João Carlos Alves da Silva. Agora eu sou o Joca. João Carlos Alves da Silva Júnior. Amigos próximos e família, me chamam de Juninho, mas pra maioria sou o Joca, o dono do morro.

Moro sozinho, na parte mais alta, de onde consigo ver tudo do morro. Tenho meus parceiros, a quem confio, e lhes entrego minha vida, assim como me entregam as deles. Aqui é nós por nós sempre!

Tenho uma personalidade forte, por vezes faço coisas das quais me arrependo depois. Mas não dá para evitar, e depois, não adianta chorar o leite derramado.

Minha mãe e meu pai morreram juntos. No mesmo dia.

Minha vida foi difícil, meu pai batia em minha mãe, e ela sempre o aceitava de volta. Me ensinou a amá-lo independente da relação deles, que era assim, por escolha de ambos.

Ele cresceu no morro, quando ainda era só mato, como costumava dizer. Foi fortalecendo o pessoal, protegendo as casas, e quando viu, já eram conhecidos como o Morro do Joca. Ele colocava ordem nessa bagaça. Não tinha quem batesse de frente com ele. O morro cresceu, se desenvolveu e não tinha muitas escolhas, além do caminho que tomou. O pessoal era pobre, precisava de comida. Começaram com roubos pequenos, e quando viram, eram um dos maiores traficantes da região. Meu pai fazia de tudo, era armas, drogas, mulheres.

Cresci rodeado de armas, fuzis, e drogas. Aprendi que não podia usar, ou viraria refém daquilo, e nunca confiariam em mim. Dessa forma, nunca nem mesmo provei daquilo que vendia. Surgiram outros morros nas redondezas, mas nenhum era tão grande e organizado como o nosso.

Organizávamos festas todos os finais de semana. As festas começavam nas sextas a tardinha, e se iam até domingo de manhã. Era a única bagunça permitida. Se descuidasse, não dava mais conta.

Vinhamos em tempos calmos. A polícia não entrava aqui há cinco anos, desde o dia em que mataram meu pai e minha mãe. Ele era o alvo, mas ela se jogou na frente, o que não adiantou, pois logo em seguida o abateram também. Mas foi queima de arquivo, ele sabia demais. E os corruptos, não queriam que ele abrisse a boca.

Depois disso, eu dominei. E minha vida era por ordem aqui, e planejar uma vingança descente a minha família.

Hoje cuido como posso de minha irmã, e seu filho, de apenas 7 anos. Ela foi vítima de estupro em um morro próximo, em uma festa que foi. Desse infortúnio, nasceu Cauã, um garotinho loiro de olhos verdes. Era a cara do pai, que não viveu para ver o moleque nascer. Era tratado com muito amor, afinal não tinha culpa do que aconteceu. Era a vida de Camila. Assim, era a minha também. Moravam alguns barracos a baixo, próximo a uma escola de educação infantil que tinha ali. Facilitava para Camila ir trabalhar de manhã cedo. Ela optou por mudar de vida. Disse que trabalharia e sairia dali. Não a julgo, e a apoio, apenas não é para mim. Ela trabalha como auxiliar de dentista, enquanto termina o curso, que será logo. Ela já planeja, assim que conseguir um trabalho fixo, sair do morro. Me entristece não tê-la perto sempre, mas é pelo melhor do pequeno Cauã. A vida aqui é difícil, e não é exemplo para ninguém.

Quem vive aqui, não é por opção, todos queriam viver a beira da praia ou na serra. Ninguém quer ser morador de uma favela, com casinhas amontoadas, internet falhando, ou água faltando. Fora quando dá as enxurradas e as casas deslizam morro a baixo. Anos de trabalho e esforço se indo com o barro. Mas eu nasci para estar aqui, para ajudar quem está por perto, e fortalecer nossos irmãos.

Saio do barraco e encontro Douglas, meu melhor amigo. A quem confio as madrugadas do lado de fora com mais um 5 pelo menos. - E aí D2. - O apelido dele é o D do nome, mas o 2 porque ele quis, disse que era mais emocionante ter um número no nome. Já que ele quis, quem sou eu, pra constestar? Dali todo mundo se denomida com números e letras, melhor que nomes e codinomes.

- Bom dia Joca! - Ele limpa o nariz.

- Que isso, cara?

- Gripe, meu irmão, gripe. - Ele segura um espirro.

- No verão?

- Qual é? Gripe é um vírus, dá em qualquer época do ano, estudou não?

- Ih... qual foi a da madruga?

- Chegou gente nova no morro. - Odeio gente nova, tenho que repassar todas as regras e deixar avisados de tudo, e ainda sempre dá incomodação.

- Mas que horas chegou?

- Por volta das três da manhã.

- Há! Gente boa não deve ser, para estar na rua essa horas.

- Olha, pelo que me passaram, boa ela é. - D2 ri, segurando outro espirro.

- Eita nóis! Vai tomar um paracetamol, meu!

- Tá, escuta. É uma garota. Está na casa de dona Ivone, ela está fazendo a triagem da garota. - Olho as horas, 7 da manhã.

- Desde as três?

- Ah, a garota chegou chorando, foi duas horas para acalmar, mas uma comendo, parecia que não comia há dias, e daí que começaram a conversar.

- Deviam ter me chamado! - Pego meu fuzil e coloco no ombro.

- Olha, até pensei, mas uma garota sozinha, com uma mochila, não apresentava tanto risco. Decidi esperar amanhecer.

- É, no mais, deve estar procurando abrigo.

- O V13, tem peça pra alugar, caso ela precise. - V13 é o Vagner, estudamos juntos, é de confiança nosso.

- Vou ver com ele, e já passo para maluca. - Coço a nuca. - Ela chegou sozinha?

- Sim!

- Mas é maluca mesmo. Essa hora da madrugada, podiam ter pego ela.

- Pois é, parece que o salsicha que achou ela, na beira no morro desesperada. - Salsicha é jovem, com seus 19 anos, não se assume, mas todos sabem que é gay. Salsicha ganhou esse apelido, porque quando criança ele só comia salsicha, sua mãe quase enlouqueceu todos do morro, com medo que o menino fosse morrer de só comer salsicha.

- Sorte dela que foi ele então. - Faço sinal para que ele organize a troca de turno e desço, com dois dos meus de fé no encalço. Jerônimo, conhecido como J1 e Pierre, chamado P9. - Bora ver qual é a da garota chorona.

- Pelo que mandaram é uma gata. - J1 fala lambendo os beiços e dou risada.

- De gata nós entendemos né. - Debocho com ele.

- Amanhã tem festa né?

- Sim, já convoquei os pagodeiro pra tocar.

- Irrá, amanhã tem, ainda mais com a gatinha nova...

- Nada de drogar a menina, nem sabemos quem é. - Interrompo ele que revira os olhos. Eles tem a mania de drogar as mina e levá-las para a cama. Depois me incomodo, com os pais, não gosto disso. Se quer comer a garota, come com ela consciente.

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