Capa do Romance Eu e o Fazendeiro

Eu e o Fazendeiro

9.1 / 10.0
Batidas insistentes na porta interromperam o sono profundo do protagonista. Após apenas três horas de descanso após um turno exaustivo, ele despertou confuso às quatro e vinte da manhã. Colocou os óculos, tentando processar quem o procuraria naquele horário tão inóspito. O barulho recomeçou, forçando-o a abandonar o cansaço para atender ao chamado. Certamente, alguém precisava de ajuda urgente para aparecer em sua casa antes do amanhecer, trazendo uma questão crítica.

Eu e o Fazendeiro Capítulo 1

Mandy

"Parabéns pra você..."

Jody batia palmas e dobrava os joelhos, simulando pulos, toda animada em cima do balcão da lanchonete. Um pouco mais de dois anos havia se passado desde que essa garotinha tinha se tornado o centro do meu mundo. A cada dia, cada aniversário, meu carinho por ela aumentava, e me perguntava o que eu faria quando Glenda fizesse o que tinha prometido e viesse buscar a filha. Todos os dias eu prometia não me apegar ainda mais à criança, e todos os dias eu falhava miseravelmente.

Pensava sobre isso, assistindo a felicidade de Jody ao cantarmos parabéns para ela, quando

ouvi a sineta na porta tocar, avisando que alguém tinha entrado no café.

— Ainda estamos fechados! — gritei, sem olhar para trás.

— É cedo demais para um café?

Congelei ao reconhecer a voz às minhas costas. Dallas Walker, o homem mais bonito, atraente e encantador que uma garota como eu já havia colocado os olhos sonhadores, se aproximou. Ele tirou o chapéu, parando ao lado de Jody, que como uma traidora, esqueceu do pequeno bolo em minha mão para olhar, toda encantada, em direção ao xerife.

— Da-das! — Jody chamou por ele, abrindo e fechando as mãozinhas.

Ela continuou a balbuciar, fazendo um pedido insistente pelo chapéu, que ele tirou da cabeça e gentilmente colocou na dela. De repente, eu queria ter três anos novamente, e receber dele a

mesma atenção e sorriso arrasador.

— Da-das! — Ela repetiu a sua forma resumida de Dallas.

Jody foi entregue a mim em um estado de saúde bem debilitado, e seu desenvolvimento foi mais lento do que imaginei. Ela levou mais tempo que as outras crianças da idade dela para começar a engatinhar, andar, e já deveria estar falando mais do que as poucas sílabas que repetia. Mas isso não era um problema para mim. Desejava que Jody tivesse o tempo dela. E que, acima de tudo, fosse uma garotinha feliz.

Eu não me importava em passar todos os momentos de folga com ela, incentivando-a a descobrir algo novo a cada dia, e, claro, poder compartilhar o meu amor platônico pelo xerife sexy e quente de Peachwood.

Agora, estando tão próxima a ele, notava que aquilo tinha sido uma péssima ideia,

principalmente porque eu ilustrava o meu amor proibido com uma antiga foto de jornal, que falava sobre um evento beneficente no asilo da cidade, onde Dallas e sua família sempre ajudavam. Jody até poderia ainda ser incapaz de me delatar, mas um dia a tragédia poderia acontecer, visto que crianças não possuíam freio na língua ao conversar com os adultos. O que eu precisava mesmo era ter mais amigas para confessar meus sentimentos.

— Xerife... eu... — pigarreei e me atrapalhei toda, arrancando uma risadinha da Sra. Chan, minha chefe e dona do café — Hã...bom...

Ao que parecia, tanto a Sra. Chan, como o condado de Peachwood, quiçá o Texas inteiro, sabiam da minha paixonite pelo irmão mais velho dos irmãos Walker, menos o próprio. O que me fez olhar duramente para a senhora atrevida.

Trabalho como atendente no café desde os meus vinte e dois anos. Nem sempre fomos tão

próximas. Mantinha certa distância emocional das pessoas, depois que Glenda partiu, mas depois que Jody surgiu, mudando completamente minha vida, tive que jogar a toalha e aceitar ajuda, com isso veio o afeto da Sra. Chan e de todo condado que acolhia minha sobrinha como protegida.

Mas apesar desse carinho todo que sentia pela Sra. Chan, jurava que a mataria se ela insinuasse mais alguma coisa com seus sorrisinhos. Já era vergonhoso demais ver todos que eu conhecia sentindo pena de mim. Eu, definitivamente, não precisava que Dallas pensasse em fugir correndo da garota tolamente apaixonada sempre que viesse aqui, ou esbarrasse em mim.

— Olha só, três anos, Jody — ressaltou Dallas, tirando o chapéu da menina e o colocando em cima do balcão — Me parece cada dia mais esperta e sapeca também.

O elogio fez com que meu coração

parecesse ter saltado e dado piruetas como um acrobata do Cirque du Solei, e ordenei que se acalmasse. O xerife, com fama de durão, estava apenas fazendo um elogio gentil. E era para Jody.

— Vem, minha criança. Como é seu aniversário, você merece um grande pedaço de bolo

— murmurou a Sra. Chan, colocando Jody no chão, depois, piscou para mim — E vou separar um pedaço para você também, Xerife. A menos que tenha ficado inteligente e deseje algo diferente.

— Apenas café, por favor, mas aceitarei o bolo para viagem. — Dallas respondeu, fazendo com que a Sra. Chan saísse resmungando que um homem tão bonito não deveria ser tão cego e burro.

Fiquei mortificada e dei um sorriso amarelo quando Dallas me olhou, confuso.

— Ela estava falando de mim? — Ele mexeu nas bordas do chapéu, mas seus olhos estavam cravados em meu rosto, que deveria estar

mais vermelho que bumbum de criança picado por um marimbondo.

Deus, em que buraco profundo eu poderia me esconder?

— A Sra. Chan está apenas tentando te provocar, Xerife — murmurei, angustiada.

Isso! Eu tinha conseguido desenrolar uma frase inteira, sem parecer uma completa imbecil. Talvez minha doença de amor, chamada Dallas Walker, tivesse finalmente encontrado uma cura.

— Provavelmente está mesmo. — Ele deu de ombros — Chan é uma mulher estranha, que eu acho que ninguém nunca conseguirá entender.

— Ouvi isso, xerife! — Um berro estridente veio da cozinha — Posso ser estranha, mas não surda.

A Sra. Chan era uma dessas pessoas diretas e que não escondia o que pensava. A idade, segundo ela, dava mais liberdade para fazer isso. E

ninguém se atreveria a contrariar ou invocar com uma senhora metida a sabichona, nem mesmo o xerife.

— Então, se está fechado... — disse Dallas, olhando para o local ainda vazio, enquanto coçava o queixo — acho que posso voltar depois.

Olhei para a pequena covinha que ele tinha no queixo e que, para a minha tortura, o deixava ainda mais sexy do que deveria ser permitido por lei. Definitivamente, minha queda por Dallas não tinha cura.

— Não! — berrei, e senti minhas bochechas enrubescerem quando ele me encarou com divertida curiosidade — Quer dizer, já está aqui. Pode se sentar... ou ficar de pé, se quiser... ou...

Maldita Sra. Chan, por me deixar sozinha com ele, e maldito Dallas, por fazer com que me sentisse uma garota tola.

A culpa sobre isso vinha das vezes que eu ficava esperando ansiosamente o momento em que Dallas entrava para pedir seu café e uma rosquinha açucarada. Olhar para ele todas as manhãs, mesmo que de longe, através da pequena janela da cozinha, por cerca de quinze a vinte minutos, ou quando levava algum pedido à delegacia, sempre deixava meu dia mais feliz.

Senhor, isso soa vergonhosamente patético, mas não é algo que eu consiga evitar. Desde que eu era menina, o atual Xerife Walker dominava os meus sonhos mais secretos.

E quem poderia me culpar por me derreter por um homem de 1.94 metros e massa muscular muito bem distribuída? Além de olhos azuis incríveis e um sorriso que fazia a calcinha de todas as mulheres ficarem úmidas.

— Bem, nesse caso — Dallas sorriu, conseguindo ficar perigosamente mais lindo ao

fazer isso —, vou ficar na mesa de sempre. E, Mandy...

Segurei o balcão com força, tentando firmar minhas pernas trêmulas.

— O que está fazendo pela pequena

— Dallas tocou minha mão e senti meu corpo inteiro entrar em ebulição — é um trabalho muito bom.

— Obrigada, Xerife — balbuciei, como uma mamãe ganso orgulhosa.

Era ridículo. Eu tinha vinte e cinco anos, trabalhava no café seis dias por semana, tentava pagar minhas contas em dia e cuidava muito bem de uma criança pequena. Não devia ruborizar e derreter só porque esse homem lindo sorriu para mim e tocou minha mão.

— Eu... — gaguejei ao encarar os seus olhos incrivelmente claros.

Pela primeira vez, desde os meus doze

anos, quando o conheci, que não me vejo assim, tão próxima de Dallas. Naquele dia, eu estava assustada com um touro bravo que havia fugido do rebanho, quando ele surgiu de trás de uma cerca, como um verdadeiro herói para me salvar. Ele rapidamente se transformou em meu sonho romântico juvenil, como cantores de rock eram da maioria das adolescentes.

Daquele momento em diante, foram anos acumulando suspiros e um coração partido sempre que o via com alguma garota.

É, eu tinha que parar de sonhar acordada, dizia a mim todos os dias. Dallas saía com mulheres glamorosas, como Phoebe Wallace, a cheia de charme e dona da butique superelegante, La Feme; Stella Brook, a extrovertida; Christine Johnson, neta da dona da floricultura local, e seu caso atual, Cora DeVine, a aeromoça voluptuosa.

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