Capa do Romance Enzo - Sedução em Pessoa

Enzo - Sedução em Pessoa

9.1 / 10.0
Criada sob a dureza do sistema de acolhimento, Jenna aprendeu a ser autossuficiente e cautelosa. Sua vida solitária muda ao conhecer Enzo, um homem mais velho encarregado de sua proteção. O que seria apenas um dever profissional transforma-se em uma conexão intensa, marcada por ligações noturnas e desejos proibidos. Embora ele exale força e um instinto protetor implacável, Enzo possui limitações. Jenna, contudo, não busca um herói salvador; ela deseja apenas a ele.

Enzo - Sedução em Pessoa Capítulo 1

Jenna cresceu no sistema. Forçado a ser duro, cauteloso e duro. Ela só tem contado consigo mesma. Até Enzo. Ele é muito mais velho e responsável por cuidar dela. O que deveria ser um trabalho para ele, evolui para muito mais. Telefonemas tarde da noite. Toques persistentes. Um fogo proibido que queima mais forte a cada dia. Tudo nele exala força. Sua vontade de protegê-la é mais do que ela jamais poderia pedir. Infelizmente, porém, até os heróis têm suas limitações. Mas ela não precisa de um herói. Ela só precisa dele.

CAPÍTULO UM

JENNA

Passado - Quinze anos atrás

“Eles não ficarão com você.”

Olho por cima do livro para encontrar o olhar entediado do meu novo irmão adotivo, Ryder. Ele fará treze anos no dia 30. É arrogante para uma criança no mesmo barco que eu. Sem mãe. Órfão. Sem esperança.

“Quem disse que eu quero ficar?”

Ele franze a testa como se agora percebesse que nunca morderei a isca. O garoto detestável e seu irmão mais novo, Rex, parecem pensar que sou uma ameaça à felicidade deles. A verdade é que quero ficar fora do radar. Não estou aqui para tentar tirar o lugar deles como favoritos. Esta não é minha primeira vez. Mesma história, casa diferente. De novo e de novo. Eu só quero ficar sozinha.

“Eles querem nos adotar, mas toda vez que começam a falar sobre isso, alguém aparece com outra criança.” Ele cruza os braços sobre o peito e franze a testa para mim, como se fosse minha culpa.

Fecho meu livro e me levanto da cama ruim. Estou aqui há seis semanas e ainda tenho que tentar pensar nisso como um lar. Eles nunca estão em casa para mim. É apenas um novo lugar para dormir e comer. Estou simplesmente contando os dias até completar dezoito anos e poder fazer minhas regras.

“Saia do meu quarto”, ordeno.

“Não é o seu quarto”, ele diz friamente, elevando os ombros.

O garoto pode ser tão alto quanto eu, mas enfrentei crianças maiores, mais malvadas e mais cruéis.

“Saia. Do. Meu. Quarto.”

Ele me empurra. “Faça-me sair.”

Fecho as mãos, pronta para bater no garoto, quando ouvimos uma agitação no andar de baixo. Adultos falando alto. Um bebê chorando. Ryder corre e eu estou bem atrás dele. Quando chegamos ao final da escada, ele xinga em voz baixa.

Katrina, minha assistente social, conversa com minha mãe adotiva, Amanda, e seu marido, Blake, enquanto segura uma criança gritando em seus braços. Tanto Amanda quanto Blake estão rígidos e assentindo enquanto Katrina fala mais alto que o bebê chorando para lhes dar informações. Não ouço tudo, mas pego algumas coisas.

Ela só ficará aqui por algumas semanas.

Será adotada rapidamente.

Eles serão enviados do céu para levá-la no último minuto.

Os gritos se tornam demais e volto correndo para o andar de cima. Nós não devemos fechar a porta, mas fecho de qualquer maneira. Aconchego-me na cama e odeio o jeito que o meu coração bate no peito. Quem abandona um bebezinho?

Amargura me invade por dentro.

Minha mãe, ela o fez.

Fui dada para adoção imediatamente. Entrei e saí de lares adotivos desde então. Quando era mais jovem, sonhei que minha mãe só tinha me perdido e que voltaria um dia. Mantive essa esperança por anos. Foi o que me fez agir quando as pessoas tentavam me ajudar. Estava com medo de que eles estivessem tentando me levar antes que minha mãe pudesse me encontrar. Às vezes eu me convencia de que seria meu pai quem me salvaria — que ele estava sempre procurando sua garotinha perdida. Por volta dos treze anos, percebi que fui permanentemente abandonada. Meus pais não me queriam. Fim da história. E todos os dias desde então, tenho me convencido de que eu também não os quero.

A porta abre e Blake franze a testa para mim. “O que falamos sobre a porta?”

Dou de ombros. Blake e Amanda são jovens — cerca trinta e poucos anos — e de alguma forma parecem pensar que Deus os chamou para criar orfãos. Arrastam-me para a igreja todos os domingos e quartas-feiras e são bastante hipócritas, se me perguntar. Na igreja, eles se enfeitam e sorriem humildemente quando as pessoas lhes dizem como são maravilhosos por criar orfãos. Mas em casa... em casa eles suspiram, choram, gritam, batem as portas. Estou aqui há seis semanas e as duas crianças que estiveram aqui antes de mim foram embora. Então eles me pegaram. Agora, eles têm uma alma penada chorando.

Ele resmunga, mas começa a montar um equipamento em um lado do quarto em frente ao armário. Leva-me alguns segundos para perceber que é um berço portátil. Ughhhh, não. Não quero aquela coisa gritando no meu quarto. Ainda posso ouvi-la chorando no andar de baixo.

“Katrina disse que ela só ficará por alguns dias”, ele explica para mim, mas com exasperação em seu tom.

“Legal.”

Sua cabeça vira para mim e ele franze a testa. Blake sempre tem o mesmo olhar desapontado e cansado. Amanda apenas chora.

Pego meu livro novamente e tento me concentrar, mas tudo que posso ouvir é o bebê chorando. Pergunto-me se a alimentaram. Ela. Bebês precisam comer e este parece faminto.

“Cólica”, ele ri, como se isso fizesse sentido para mim. “Eles nos mandaram um bebê com cólicas.”

“Legal”, digo novamente por que não sei por que ele está me dizendo isso.

Ele prende o polegar em duas das peças de metal do berço e solta uma série de palavrões em voz baixa.

Eu ouvi isso...

A risada que me escapa é inadequada, e ganho um olhar desagradável de Blake. Assim que termina com o berço, ele sai do quarto. Minutos depois, os gritos ficam mais altos à medida que Amanda a traz para o meu santuário silencioso. A bebê está agitada, com o rosto vermelho e chorando.

“Jenna, você pode ficar de olho em Cora até resolvermos tudo com Katrina?” Amanda pergunta, e exaustão já domina cada palavra dela.

Se ela está cansada com quinze minutos, como vai aguentar alguns dias?

“Obrigada”, ela diz enquanto coloca a criança no berço e tira uma bolsa com fraldas do ombro.

O choro não diminui quando ela sai. Não deixo de observar o fato de que ela fecha a porta — e quebra sua própria regra — atrás de si. Da minha cama, olho através do quarto para a bebê histérica. Seus gritos são enlouquecedores, então mal posso culpar Blake e Amanda por já estarem perdendo a cabeça. De mau humor, me levanto e ando até ela. Nunca segurei um bebê antes, então luto por um momento enquanto a puxo para os meus braços.

Então sinto o cheiro nela.

Cocô.

Eca.

“Eles te deixaram com uma fralda suja. Não é de admirar que esteja chateada”, falo baixinho para ela. “Eu posso ajudar, bebê chorona.”

Seu choro ainda está fora de controle. Consigo cantarolar enquanto me concentro em colocá-la na minha cama e trocá-la. Dentro da bolsa acho alguns lenços, fraldas e roupinhas. Leva muito tempo para tirar todo o cocô do seu traseiro vermelho e tenho certeza que tenho um pouco de cocô em mim, mas finalmente a limpo. Colocar a fralda limpa é difícil, mas acabo descobrindo como fazer. Seu choro diminuiu um pouco, mas quando começo a tirar sua roupa, ele recomeça.

“Estou te tirando dessas roupas nojentas e colocarei um pijama”, eu explico como se ela pudesse entender. “Você estará quentinha então, chorona.”

Vestir Cora é como vestir uma das velhas bonecas que eu costumava brincar, exceto os gritos e chutes. Eventualmente, consigo colocá-la em um pijama bonitinho com patinhos amarelos.

A porta abre e Amanda entrega uma mamadeira quente para mim. “Tente dar-lhe isso.” Então, ela sai novamente, certificandose de fechar a porta.

Ira irracional surge dentro de mim. Era assim comigo quando eu era bebê? Onde está a mãe de Cora? Como pode não querer sua bebê? Lágrimas ardem em meus olhos, mas as afasto quando gentilmente a pego de novo. Sento-me na cama com as costas contra a parede e seguro a mamadeira.

“É isso que você quer?”

Cora abre a boca, procurando, e inclino a mamadeira para ela. O choro é silenciado enquanto ela avidamente engole o leite quente. Seus cílios estão molhados de lágrimas, mas agora ela me encara com grandes olhos azuis cheios de alma. Por um segundo, fico presa em seu olhar.

Ela é tão bonita.

Um anjinho sem asas.

“Sinto muito que esteja presa comigo”, digo suavemente. “Não sou boa em coisas de bebê e, infelizmente, não acho que Amanda e Blake sejam também.” Acaricio seu cabelo loiro sedoso. Sim, definitivamente um anjo. “Mas eu tentarei. Enquanto estiver aqui nos próximos dias, vou me certificar de que esses dois não se esqueçam de te alimentar e trocar. Soa como um acordo?”

Cutuco seu punho agitado e ela agarra meu dedo. Seus olhos azuis nunca deixam os meus enquanto ela mama. Agora que está limpa e não mais chorando, eu meio que gosto dela. Ela é a única que não me olha como se eu fosse uma intrusa nessa casa. Este bebezinho me olha como se eu a tivesse salvo. Meu coração derrete.

“Nós poderíamos ficar juntas”, proponho, sorrindo para a bebê fofa.

Ela solta a mamadeira, fazendo leite escorrer por sua bochecha, e me dá um sorriso desdentado, antes de voltar a mamar.

Nós poderíamos ficar juntas.

Até que uma boa família adote a linda menina.

Todos precisam de alguém, mesmo que seja apenas por alguns dias.

Naquele momento, enquanto a vejo mamar, faço uma promessa silenciosa para nós duas. Cuidarei dela até a levarem embora. Como uma irmãzinha. Nunca tive uma irmã. Eu nunca tive ninguém.

“Você pode me chamar de Sissy”, digo a ela com um sorriso, e beijo sua testa.

Ela solta um pequeno suspiro e percebo que a mamadeira está vazia. Suas pálpebras pesam e ela adormece em meus braços.

Meu coração falha no peito quando percebo que não quero deixá-la ir.

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